• Nenhum resultado encontrado

4 ANÁLISE DOS RESULTADOS

4.3 INDIVIDUALISMO VERSUS COLETIVISMO

4.3.5 Individualismo Versus Coletivismo – Conclusões

A partir do exposto anteriormente e também conforme o Gráfico 19, é possível identificar três nações que preferem o trabalho e tomada de decisões em grupo, Brasil, Índia e Malásia, e uma nação com uma postura totalmente diferente e caracterizada pelo individualismo, os Estados Unidos. Ao contrário da dimensão anterior, a aversão à incerteza, as percepções coletadas dos indivíduos pertencentes aos países questionados e dos estrangeiros a essas culturas ficaram desalinhadas na Índia, aonde houve um empate exato na percepção dos estrangeiros, e, principalmente, nos Estados Unidos aonde os estrangeiros (brasileiros, malaios e indianos) identificaram o individualismo nesse país e uma quantidade considerável dos americanos o contrário: o coletivismo.

Dessa forma e de acordo com as 38 pessoas entrevistadas, 70,45%, 58% e 76,47% das opiniões coletadas apontaram respectivamente o Brasil, Índia e a Malásia como os países desse estudo caracterizados com traços de baixo IDV, ou seja, eles têm a tendência por procurar a opinião de diversas pessoas para que a tomada de decisão seja realizada . Nessa mesma população entrevistada, 55,56% das percepções coletadas apontaram os Estado Unidos como o único país dessa pesquisa com características de alto IDV. Assim sendo, ao contrário das nações anteriores, os americanos, em sua maioria, valorizam a opinião do indivíduo e, portanto, diante de um cenário de tomada de decisões eles preferem resolver esses tipos de questões apenas com os conhecimentos e experiências próprias ao

invés de consultar o grande grupo do qual estão inseridos. Em suma, a classificação em ordem decrescente entre a nação com maior individualismo e o país com menor IDV ficou da seguinte forma: Estados Unidos, Índia, Brasil e Malásia.

Gráfico 19 – Demonstrativo Consolidado do Individualismo Versus Coletivismo

Fonte: O Autor (2015)

Essa classificação pode ser identificada em algumas entrevistas, como, por exemplo, no relato do quinto brasileiro que concluiu o seguinte em relação as duas nações mais individualistas desse estudo: “Eu vejo tanto os americanos como os indianos mais individualistas. Eu acho que eles não se preocupam tanto com a questão do coletivo. Eu vejo eles mais assim: como é que eu, como profissional, vou ser visto se fizer isso aqui acontecer [...].” Nessa mesma perspectiva, o décimo indiano comparou a sua cultura, coletivista, e a americana, individualista: “[...] os indianos têm uma atitude coletiva. Então, se você for à Universidade você vai ver grupos de pessoas desenvolvendo um sistema juntas, o que não acontece da mesma maneira nos Estados Unidos, pois eles trabalham de maneira mais individual [...].” Além dessas percepções, o segundo americano acredita que o Brasil possui sua cultura fortemente voltada para uma estrutura de grupo. No entanto, segundo o mesmo entrevistado, os americanos valorizam os indivíduos, pois, ao contrário dos brasileiros, muitos americanos não compartilham seus próprios conhecimentos e passam a ser os únicos conhecedores das áreas aonde atuam.

Nessa mesma lógica, mas com um viés um pouco diferente, o nono indiano identificou uma semelhança entre a sua cultura e a brasileira: “Nesse aspecto eu acho que Brasil e Índia são parecidos, pois somos focados em soluções diferentes. Opiniões

0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80%

Brasil Estados Unidos Índia Malásia

29.55% 55.56% 42% 23.53% 70.45% 44.44% 58% 76.47% Individualismo Coletivismo

divergentes sempre serão bem aceitas.” Dessa mesma forma, porém identificando uma afinidade entre os malaios e os indianos, o oitavo brasileiro relatou o seguinte: “Em relação a tomada de decisão, com certeza eu vejo a Índia e a Malásia como nações coletivistas.” Finalizando, o terceiro malaio acredita que o coletivismo é fato comum nos povos asiáticos, pois, segundo ele, devido ao forte vínculo familiar presente nesses povos, essa situação reflete na tomada de decisão no ambiente profissional, pois o grupo sempre será consultado assim como os familiares são requisitados em questões pessoais.

Em relação as pesquisas anteriores, a maioria dos resultados está de acordo com os achados nas pesquisas de Hofstede (2001) e Donato (2013). Entretanto, existem algumas discrepâncias que serão descritas a seguir junto com os pontos similares.

Primeiramente, comparando os resultados da pesquisa original, a de Hofstede (2001), com os resultados analisados acima, ainda que exista duas pequenas diferenças nos resultados identificados por ambas as pesquisas em relação a Índia e Estados Unidos, essa diferença é mínima. Assim sendo, tanto essa pesquisa com 58% das percepções como a de Hofstede (2001) com um IDV de 48 consideraram a Índia com traços coletivistas. Entretanto, devido ao valor mencionado de IDV estar bem próximo do centro do índice, a pesquisa original ainda identificou que existem características individualistas marcantes nessa nação. Já em relação aos Estados Unidos, ambas as pesquisas identificaram essa nação como individualista, porém o IDV de 91 de Hofstede (2001) ficou bem acima do percentual de 55,56% das percepções que acreditam no individualismo americano. Finalizando essa comparação inicial, os achados das outras nações estão harmônicos em ambas as pesquisas, pois tanto os brasileiros com 38 de IDV e 70,45% das percepções como os malaios com 26 de IDV e 76,46% das percepções foram apontados como nações coletivistas.

Já em relação à pesquisa de Donato (2013), outras diferenças foram identificadas como, por exemplo, a percepção dos entrevistados em relação a Malásia. Assim sendo, diferentemente do que foi constatado aqui, essa nação foi considerada individualista por natureza. Entretanto, os resultados das outras nações, com exceção da Índia que não recebeu nenhuma menção no trabalho de Donato (2013) nessa dimensão, estão em sintonia, pois tanto os brasileiros foram considerados coletivistas como os americanos foram apontados com características individualistas. Já em relação aos efeitos nos fatores de sucesso, a pesquisa de Donato (2013) abrange um detalhamento menor do que essa pesquisa, pois além dos impactos em desempenho e custos identificados por ambas as

pesquisas, esse trabalho ainda apontou alguns efeitos nos prazos durante o processo de desenvolvimento de sistemas de informação.

Isto posto e analisado, nos próximos subcapítulos desse trabalho serão avaliadas as percepções coletadas das quatro nações em relação à última dimensão cultural proposta por Hofstede (2001): masculinidade versus feminilidade.