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Influência e Causas de Descumprimento de Prazos

No documento GIVANILDO RAMOS DE SOUZA (páginas 52-56)

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1 O PROCESSO DE PROJETO NA CONSTRUÇÃO CIVIL

2.1.4 Influência e Causas de Descumprimento de Prazos

De acordo com Songer e Molenaar (1997), os critérios para a avaliação do sucesso em empreendimentos públicos são: o atendimento ao orçamento, às expectativas do usuário e ao prazo.

Silva et al. (2019) ressaltam o chamado ‘triângulo de aço’, que resume os critérios de sucesso de um projeto em três pontos principais: orçamento, cronograma e qualidade.

Sem detrimento dos demais, o tempo de duração de um projeto é dos critérios elementares no seu gerenciamento, não só por ser fator determinante do seu sucesso, mas também porque interfere em outros critérios muito importantes como o custo e o desempenho (CSILLAG, 1999). Em relação ao custo, conforme se percebe na Figura 10, se o tempo de execução do projeto for curto demais, o seu custo tende a elevar-se, devido à maior demanda de trabalho para sua execução. Se o tempo for adequado, o custo tende a baixar, atingindo o seu valor ótimo. Por outro lado, se o tempo do projeto for excessivamente longo, o custo tende a subir novamente, por razões como ineficiência e baixa produtividade. (VARGAS, 2005; BRANDALISE, 2017).

Figura 10: Relação custo x tempo

Em relação ao desempenho do projeto, consoante ilustra a Figura 11, se o tempo de elaboração for muito curto, o desempenho tende a ser reduzido, pelo menor delineamento do escopo e qualidade inferior. Se, contudo, o tempo for adequado, o desempenho tendo ao ponto ótimo, pelo equilíbrio dos fatores determinantes. Por outro lado, no caso do tempo ser excessivamente longo, o desempenho tende a reduzir, por razões como ineficiência, falta de motivação, dentre outros possíveis (VARGAS, 2005; BRANDALISE, 2017).

Figura 11: Relação custo x desempenho

Fonte: Vargas (2005).

A gestão do tempo do projeto vincula-se intrinsicamente a fatores como planejamento, conhecimento das particularidades do projeto - no todo e de suas partes - quantidade de trabalho e à produtividade dos agentes envolvidos. A duração das atividades e do projeto como um todo é representada por meio de um cronograma, cujas estimativas de tempo demandado podem ser realizadas por dados históricos, estatísticos, simulações ou opiniões especializadas (LIMMER, 2000).

Brandalise (2017) propõe que, para o gerenciamento do tempo de projetos, sejam seguidos os seguintes passos:

● Definição de atividades;

● Sequenciamento das atividades;

● Estimativa de recursos para as atividades; ● Estimativa da duração das atividades; ● Desenvolvimento do cronograma; e ● Controle do cronograma.

Os dois primeiros passos podem ser realizados por meio da elaboração da Estrutura Analítica de Projeto (EAP) - também conhecida como Estrutura Analítica de Partição de Projeto, Estrutura Analítica de Partição, Estrutura de Elementos de Trabalho – que, segundo Boiteux (1985) é a síntese estrutural do projeto e contribui para o gerenciamento do tempo, pois o planejamento requerido para sua estruturação impõe o conhecimento do escopo e do tempo individualizado para realização das atividades internas ao processo, da mesma forma que facilita a sua determinação, configurando-se num processo de retroalimentação.

Não há uma regra específica para a elaboração da EAP, sendo necessário, contudo, que a decomposição dos serviços em unidades menores deve comportar todos os trabalhos constituintes do projeto, representando assim a totalidade do escopo (MATTOS, 2010).

A EAP, exemplificada na Figura 12, subdivide o projeto em diversos níveis, que objetivam possibilitar o conhecimento dos seus detalhes, indo até a definição dos pacotes de trabalho, que corresponde a uma especificação precisa do que será realizado, geralmente culminando num produto acabado (LIMMER, 2000).

Figura 12: EAP até o pacote de trabalho

Fonte: PMI (2017).

Todas essas atividades devem ser realizadas, de modo a se evitar a ocorrência de aditivos nas obras, que acarretam em aumento de custo, perda de desempenho e atraso na entrega da obra ao cliente – no caso de obras públicas, dos benefícios ao cidadão.

Tratando especificamente dos fatores que geram descumprimento de prazos, o planejamento deficitário e projetos básicos pouco precisos são recorrentes causas dos atrasos constatados em obras públicas (BRASIL, 2001).

Muinga, Granja e Ruiz (2015) realizaram uma revisão da literatura relacionada a desvios de prazos e custos em empreendimentos da construção civil, cujos resultados mostraram que a categoria ‘Gerenciamento’ foi a mais relevante, influenciando as demais. Destacam ainda que na categoria ‘Projeto e Documentação’, os fatores mais citados foram os erros e omissões e a qualidade deficitária do projeto, sendo que as alterações e o aumento do escopo do empreendimento são consequências de falhas no Processo de Projeto.

Agyekum-Mensah e Knight (2017) revisaram 24 estudos sobre as causas de atrasos na construção civil, de 2000 a 2015, apontando que o planejamento inadequado, problemas relacionados a finanças e pagamentos, lentidão na aprovação e variações nos requisitos eram os mais recorrentes. Os autores realizaram ainda 41 entrevistas no Reino Unido sobre o tema, concluindo em síntese que o planejamento insuficiente e problemas de gerenciamento foram prevalentes.

Alvarenga (2019), analisando as causas de aditivos de prazo em obras públicas de Instituições de Ensino, concluiu que os 03 principais fatores que justificavam as alterações de prazo foram as inclusões e/ou modificações de projeto, acréscimos de serviços e condições climáticas, destacando que o aspecto prazo de obras públicas apresenta grande margem para melhorias, sendo bastante afetado por fatores relacionados aos projetos, pois quando bem planejados e elaborados influenciam positivamente no cumprimento de prazos durante a construção.

Todos esses fatores, que geram descumprimento de prazos na construção civil, relacionam-se intrinsecamente com o grau de maturidade constatado no gerenciamento do processo.

Na construção civil especificamente, a redução de prazo, conquanto gere vantagens competitivas, configura-se como desafio, pois o processo, além de demandar longos períodos de tempo, está sujeito a diversos imprevistos, sendo recomendado um planejamento que considere a simultaneidade e paralelismo das ações (FABRÍCIO, 2002).

Como visto, a gestão do tempo do projeto é crucial pois, além de influenciar noutros fatores do projeto, é indicador de desempenho e sucesso, além de ser potencial agregador de valor, principalmente quando executado num prazo que possibilite um adequado planejamento, o conhecimento detalhado do escopo do projeto, a entrega da qualidade esperada e a equalização dos custos, ante aos recursos disponíveis. Demanda a definição e o sequenciamento das atividades, a estimativa dos recursos e duração, e o desenvolvimento e controle do cronograma, para o que a EAP é importante facilitador. Dentre as diversas causas de atrasos na

construção civil, medidas que proporcionem a melhoria no seu gerenciamento têm grande potencial para minimizar os desvios verificados.

No documento GIVANILDO RAMOS DE SOUZA (páginas 52-56)