2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.2 GERENCIAMENTO DE PROJETOS
2.2.3 Pensamento Enxuto – Princípios
10.1 Planejar o Gerenciamento das Comunicações 10.2 Gerenciar as Comunicações 10.3 Monitorar as Comunicações Gerenciamento dos riscos do projeto 1.1 Planejar o Gerenciamento dos Riscos 11.6 Implementar Respostas aos Riscos 11.7 Monitorar os Riscos 11.2 Identificar os Riscos 11.3 Realizar a Análise Qualitativa dos Riscos 11.4 Realizar a Análise Quantitativa dos Riscos 11.5 Planejar as Respostas aos Riscos Gerenciamento das aquisições do projeto 12.1 Planejar o Gerenciamento das Aquisições 12.2 Conduzir as Aquisições 12.3 Controlar as Aquisições Gerenciamento das partes interessadas do projeto 13.1 Identificar as Partes Interessadas 13.2 Planejar o Engajamento das Partes Interessadas 13.3 Gerenciar o Engajamento das Partes Interessadas 13.4 Monitorar o Engajamento das Partes Interessadas Fonte: PMI (2017).
Por ser um guia e não uma metodologia, o próprio PMBOK® reconhece a necessidade de adaptação de suas recomendações, pois os conhecimentos apresentados são boas práticas, que nem sempre devem ser aplicadas integralmente e uniformemente em todos os projetos.
As metodologias adaptadas podem ser elaboradas com base nas orientações do guia, por especialistas da organização, adquiridas prontas de fornecedores, associações profissionais ou agências governamentais (PMI, 2017).
Assim, como cada projeto é único, o PMBOK® - 6ª edição afirma que a adaptação é necessária e deve ser feita pela seleção de processos, entradas, ferramentas, técnicas e saídas, adequados ao projeto a gerenciar, e essa metodologia deve ser monitorada e readaptada – se necessário – à medida que o projeto muda.
2.2.3 Pensamento Enxuto - Princípios
A origem da denominada produção enxuta surgiu no Japão em meados dos anos 1950, aplicada principalmente no Sistema de Produção Toyota, buscando a eliminação de desperdícios, com agregação de valor (KOSKELA, 1992). Através da publicação Application of the new production philosophy to construction, Koskela (1992) avaliou a aplicabilidade da
mentalidade enxuta na Indústria da Construção Civil, impulsionando uma série de pesquisas futuras sobre a Construção Enxuta (CASAGRANDE, 2017).
O pensamento ou conceito enxuto pode ser entendido como um método sistemático para identificar e eliminar elementos que não adicionam valor ao processo, tendo como consequência a busca pela perfeição e o foco no cliente, sendo indicado – assim como as abordagens tradicionais de gerenciamento de projetos – para ambientes estáveis, onde a eficiência de escala pode ser maximizada, na busca pela perfeição, o que pode acarretar em deficiências como susceptibilidade a mudanças e baixa flexibilidade (ANDERSSON; ERIKSSON; TORSTENSSON, 2006), mas que, segundo Ballard e Tommelein (2012), se adequa bem a projetos de alta complexidade.
O pensamento enxuto enfatiza o planejamento e a documentação (HIRAYAMA, 2016) e pode utilizar como ferramentas o Sistema Kanban, Kaisen, Autonomação, Setup Rápido, dentre outras (GIANNINI, 2006).
São cinco os princípios enxutos (SLACK, 1998; MACHADO, 2006; HIRAYAMA, 2016; MELO, 2016):
● Princípio do Valor: O valor é definido pelo cliente ou beneficiário e pode ser entendido pelos vieses do quanto o bem ou produto é estimado pelo consumidor; importância de algo, arbitrada ou estabelecida, pressupondo ações proativas na determinação do que é valioso num produto; ou apreço que se tem a um bem ou serviço, considerando sua real utilidade para um dado propósito (MACHADO, 2016). Slack (1998) aponta que Qualidade, Preço e Prazo são valores recorrentes na perspectiva do cliente, esclarecendo que existem outras perspectivas de valor advindas de investidores e empregados, além de fornecedores, comunidade e outros.
● Princípio do Fluxo do Valor: É necessário entender o fluxo vigente de valor, desde o início da produção até a entrega ao cliente, proporcionando uma visão holística do processo, que possibilite a identificação das Atividades de Criação de Valor (ACV); Atividades Necessárias mas que Não Criam Valor (ANNCV); e as Atividades que não Criam Valor (ANCV), a fim de se eliminar aquelas que não agregam valor ao processo (MACHADO, 2006).
● Princípio do Fluxo: Especificado o que gera valor e retiradas as atividades que não geram valor, segue-se o estabelecimento de fluxo adequado às atividades que agregam valor ao produto, sem a criação de estoques e com tempo de
processamento otimizado. A aplicação desse princípio pode implicar em um desafio, pois exige mudança de mentalidade, por afetar a estrutura da organização (HIRAYAMA, 2016; GENTIL, 2017).
● Princípio da Produção Puxada: Esse princípio estatui que a produção deve ser demandada pelo cliente e não contrário, o que acarreta na redução de estoques, devendo nortear todo o fluxo de valor, isto é, só se deve produzir algo, quando demandado, o que exige o gerenciamento dinâmico dos suprimentos da produção (MACHADO, 2006; GENTIL, 2017).
● Princípio da Perfeição: Quinto e último princípio, a perfeição é o estado futuro do fluxo de valor após a eliminação dos desperdícios. Implica na busca de um aperfeiçoamento contínuo, em que todas as atividades do processo geram valor para o cliente, exigindo o comprometimento de toda a organização (SLACK, 1998).
Inicialmente, os princípios do pensamento enxuto foram utilizados em sistemas de produção automobilísticas e manufaturas, mas podem ser aplicados inclusive em operações de serviços, apesar das limitações e a necessidade de adaptações (AHLSTRÖM, 2004; APTE; GOH, 2004). Assim, foram expandidos e aplicados a diversas áreas, incluindo as construções civis, com a denominada Lean Construction e posteriormente estendidos ao Projeto, no que ficou conhecido como Lean Design, levando-se em conta sua aplicabilidade a todas as etapas de um empreendimento (LEITE, 2014). Se considerado o aspecto do gerenciamento do projeto, tem sido usado o termo Lean Design Management, entendido por Emmitt, Sander e Christoffersen (2005) como o gerenciamento do projeto que enfatiza o cliente, o usuário e os acionistas, ao tempo que reduz desperdícios em toda a perspectiva do projeto. Para Jørgensen (2006), uma questão importante do gerenciamento de um projeto enxuto é ampliar as iterações positivas do processo, enquanto retira as negativas, que não contribuem para soluções.
Os princípios do pensamento enxuto podem ser aplicados para o desenvolvimento e aprimoramento de metodologias de gerenciamento, como recurso na seleção de processos, com vistas a uma produção com qualidade, a baixos custo e tempo, o que releva mais uma das diversas aplicações do conceito (HORMAN; KENLEY, 1996; HIRAYAMA, 2016)
Do exposto, nota-se que o pensamento enxuto visa precipuamente a redução de desperdícios, com agregação de valor, cujo foco está no cliente e na perfeição, embasando-se em 05 princípios que são utilizados nas mais diversas áreas, incluindo o gerenciamento do
projeto na Construção Civil, e pode auxiliar na melhoria de referências de gerenciamento de projetos.