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III. Elementos de interesse do processo comunicacional

III.1. Informação

Informação, segundo FRANCIS VANOYE180: “designa um conjunto de indicações relativas a fato, pessoas etc.”. Os dicionários também não se afastam desse significado de base, indicando em umas das possíveis acepções, como sendo o produto do processo de comunicação. Portanto, pelo que foi exposto no item anterior sobre o processo comunicacional, informação é o produto, enquanto comunicação é o próprio processo.

Agora, a teoria da informação, olhando o fenômeno por um ângulo técnico, imprimiu ao termo um sentido bem mais restrito e rigoroso, pois a sua meta era medir a quantidade de informação independentemente do seu sentido, sendo E. SHANNON o responsável por expressar matematicamente a “quantidade de informação” transmitida por uma mensagem. Isso soa estranho sob a óptica da Linguística, mas é esse o objetivo dessa teoria181, não à toa também denominada teoria matemática da comunicação e desenvolvida pelos engenheiros de comunicações, dentre eles, C.E.SHANNON e W.WEAVER.Vejamos.

CLAUDE ELWOOD SHANNON era matemático e WARREN WEAVER engenheiro eletricista e trabalhavam com comunicação eletrônica182. E qual seria relação entre a Linguística e a teoria da informação?183 Enxerga-se por duas vertentes: uma objetiva e outra subjetiva, àquela interessa aos engenheiros, que sempre estão em busca de solucionar os problemas de troca de informação, buscando algo mais exato e menos ambíguo. O ponto de vista subjetivo, que envolve as relações na comunicação, são aspectos que interessam aos linguistas, deixando os engenheiros enfraquecidos no manuseio do material linguístico, mas por outro lado fornecendo os elementos básicos para o trabalho Semiótico.

Isso ocorre porque aos técnicos em comunicação o essencial é deixar a máquina em pleno funcionamento, pronta para transmitir a mensagem, sem se preocupar, contudo, se a mesma será compreendida ou não. Esse pormenor só é possível de se configurar com a

180 Cf. VANOYE, Francis. Op. cit., p. 13. 181 Ibidem, p. 14.

182 BERLO, David Kenneth. Op. cit., p. 29.

presença humana, aspectos que a Semiótica e, consequentemente, os linguistas, estão muito interessados.

ROMAN JAKOBSON diz que os teóricos da informação podem aprender muito com os linguistas e vice-versa. Em suas palavras:

A teoria da comunicação parece-me uma boa escola para a Lingüística estrutural, assim como a Lingüística estrutural é uma escola útil para os engenheiros de comunicações. Penso que a realidade fundamental com que se tem de haver o lingüista é a interlocução – a troca de mensagens entre emissor e receptor, entre emitente e destinatário, entre codificador e decodificador184.

A partir dos linguistas há que se considerar que: “[...] a medida da informação varia conforme o receptor e, portanto, entram em cena fatores culturais e psicológicos”185. Eles se preocupam com o contexto da informação, pois, quando se explica que dois e dois são quatro para um aluno da segunda série do primeiro grau, essa é uma informação nula, ao passo que, quando fornecida a uma criança no início de escolarização, é muito relevante. Isto é, “a novidade da informação é relativa, variando conforme a idade, os conhecimentos, a experiência, o ambiente geográfico, etc.”186.

Vemos que os teóricos da informação se esforçam para garantir que os canais possam enviar a informação da maneira mais segura e confiável, independentemente de sua compreensão. São indiferentes para o fato de ocorrer um processo de difusão de informações, mensagens – para as quais não haverá resposta, que é a comunicação em massa ou comunicação-difusão – de envio unidirecional de dados, em que inexiste precisão no destinatário alcançado, faltando, inclusive, a certeza de que a mensagem chegará ao almejado receptor, ou se ocorrer aquele processo de troca – aspecto exigido pelos linguistas – onde a comunicação é bilateral e intersubjetiva, ou seja, dá-se quando o “emissor e o receptor alternam seus papéis, como acontece durante uma conversa, um bate-papo, pelo intercâmbio de mensagens”187 e com a presença humana.

Embora os linguistas, a partir da teoria da informação, utilizem os elementos identificados por ela188 – na composição do processo comunicacional – para construir a sua,

184 JAKOBSON, Roman. Lingüística e comunicação, cit., p. 22.

185 VANOYE, Francis. Usos da linguagem: problemas e técnicas de produção oral e escrita, cit., p. 15. 186 Ibidem, p. 15.

187 Ibidem, p. 5.

188 Importante também destacar que apesar do “[...] diagrama de Shannon e Weaver tivesse sido inspirado pela tecnologia das telecomunicações, a ideia básica é bastante antiga e foi originalmente proposta como explicação

eles a complementam. Enquanto os engenheiros estão ocupados em assegurar que a informação atinja seu destinatário, os linguistas – usando a estrutura do processo comunicacional – adicionam ao seu conceito de comunicação a presença humana, bem como a necessária possibilidade de intercâmbio, quer dizer, não se trata apenas de enviar a mensagem, ela tem que chegar ao destinatário e deve ser possível que ele responda, e pelo mesmo canal. Àquela concepção de unilateralidade do fluxo da mensagem, como já assinalamos, os linguistas acabam denominando de processo de informação ou difusão de conteúdos, ou ainda comunicação-difusão como decidimos denominar.

Conhecidas essas diferenças a respeito da relação entre a teoria da informação e o processo comunicacional, bem como a ênfase que cada um dos seus especialistas dá à informação, pode-se compreendê-la a partir de suas finalidades, além do resultado da comunicação.

A finalidade de comunicar (ação/processo) explica DAVID K. BERLO189 é a de “[...] realizar objetivos relacionados com a nossa intenção básica de afetar o ambiente e a nós mesmos”; deseja-se que o receptor da mensagem dê certas respostas, fique sabendo de determinadas coisas, que acredite nisto ou naquilo. Condição que só pode ser alcançada quando o emissor se expressa por alguma forma e envia por algum meio as mensagens que tem interesse em repassar, seja para convencer na compra de algum produto, para educar e outras infinitas possibilidades ligadas à produção das mensagens.

A informação, por conseguinte, nada mais é que o produto do homem, resultado do seu esforço por codificar ideias190 que, sendo passível de mensuração econômica e fornecidas a título oneroso, poderá sofrer tributação pelo Estado.

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