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Infração do contrato social e do estatuto

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3. A RESPONSABILIDADE DO SÓCIO ADMINISTRADOR

3.3. Responsabilidade tributária do sócio administrador

3.3.1. Elementos da responsabilidade tributária do sócio administrador

3.3.1.2. Elemento fático

3.3.1.2.3. Infração do contrato social e do estatuto

A infração do contrato social ou do estatuto pelo próprio enunciado já se tem o conceito, facilitando o entendimento da norma em questão. O administrador não

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BECKER, Alfredo Augusto. Teoria geral do direito tributário. 6.ed. São Paulo: Noeses, 2013. p. 144.

119 pode ir contra determinação ou condição expressamente contida no estatuto ou contrato social, sob pena de sua responsabilização, inclusive com seus bens pessoais.

O contrato social e o estatuto societário, conforme o artigo 997 do Código Civil303 e a lei das sociedades anônimas304 prevê uma série de requisitos para que o pacto contratual tenha validade perante a sociedade empresária e também a terceiros, com a devida publicidade dada a partir do registro nos órgãos competentes.

No pacto devem constar direitos e obrigações dos membros, bem como a responsabilidade de cada um, determinando objeto, valores, poderes e, também, podendo vedar alguns atos possíveis ao administrador, garantindo à sociedade em geral segurança necessária.

Contudo, com abuso do poder que lhe é investido, o administrador pode agir em confronto às normas societárias, trazendo prejuízos à pessoa jurídica, inclusive de ordem tributária, ficando assim, responsável pela obrigação contraída por seu ato, por estar em desconformidade com o contrato social ou estatuto.

303 Art. 997. A sociedade constitui-se mediante contrato escrito, particular ou público, que, além de

cláusulas estipuladas pelas partes, mencionará: I - nome, nacionalidade, estado civil, profissão e residência dos sócios, se pessoas naturais, e a firma ou a denominação, nacionalidade e sede dos sócios, se jurídicas; II - denominação, objeto, sede e prazo da sociedade; III - capital da sociedade, expresso em moeda corrente, podendo compreender qualquer espécie de bens, suscetíveis de avaliação pecuniária; IV - a quota de cada sócio no capital social, e o modo de realizá-la; V - as prestações a que se obriga o sócio, cuja contribuição consista em serviços; VI - as pessoas naturais incumbidas da administração da sociedade, e seus poderes e atribuições; VII - a participação de cada sócio nos lucros e nas perdas; VIII - se os sócios respondem, ou não, subsidiariamente, pelas obrigações sociais. Parágrafo único. É ineficaz em relação a terceiros qualquer pacto separado, contrário ao disposto no instrumento do contrato.

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CONCLUSÃO

Responsabilidade é uma forma de atrelar o indivíduo a uma obrigação, visando o seu cumprimento. O Estado necessita de arrecadação, pois é responsável pela gestão da sociedade, no que diz respeito a saúde, educação e segurança pública segundo o texto constitucional.

Mesmo existindo leis que facilitam a arrecadação, o Estado tem se mostrado ineficiente neste sentido. Falta-lhe uma estrutura mais adequada e competente, em virtude disto promove meio de tributação que sobrecarrega o contribuinte de tal forma que induz ao não recolhimento dos tributos, sob pena de não sobrevivência. A Fazenda Pública possui algumas interpretações na norma tributária e usa como arma contra os fraudadores que ao tentar o enriquecimento ilícito através de calote fiscal, podem ter seus bens pessoais penhorados juntamente com o da empresa, agente do ato ilícito.

Entretanto, utiliza corriqueiramente, a responsabilização do administrador, sem mesmo antes verificar a incidência de dolo ou culpa na constituição e não recolhimento do débito tributário ou assemelhados, trazendo os sócios como devedores solidários, executando seus bens pessoais para saldar a dívida tributária. Porém a responsabilidade do sócio da sociedade limitada, com base nos artigos 134 e 135 do Código Tributário Nacional configura-se um importante critério, que é a comprovação de que aquele sócio teve poderes de administração ou gerência, e durante sua gestão tenha incorrido em dolo ou culpa para o inadimplemento da obrigação.

A culpa é regida por três características, imperícia, imprudência e negligência, podendo ser tanto comissiva ou omissiva, bastando o ato que acarreta o não cumprimento da obrigação tributária ser praticado ou não, eivado por qualquer destas características. Tal responsabilidade, ocorrida na forma culposa, só será

121 aplicada às multas sofridas em caráter moratório, sendo excluídas as multas de ofício e as que decorrerem do não cumprimento de deveres instrumentais.

O artigo 135 do Código Tributário Nacional, especificamente, se refere ao agente do ato ilícito, responsável pelas consequências de seus atos, inclusive com seus bens pessoais. Neste caso não há que se falar em responsabilidade solidária ou subsidiária e sim responsabilidade personalíssima do agente, transferindo em face da sua conduta dolosa, a obrigação por completo.

Para que haja a responsabilidade do administrador é necessária a existência de uma infração, cumulada com a comprovação do dolo, sob pena de não configuração de tal responsabilidade. Não havendo a constatação de que a conduta do agente foi dolosa, não há como se identificar o fato típico e antijurídico previsto no artigo 135 do Código Tributário Nacional, e consequente responsabilização do sócio administrador.

A Súmula 430 do Superior Tribunal de Justiça exclui o redirecionamento da obrigação tributária ao administrador responsável, no caso da falta de pagamento do tributo, porque apesar de ser uma infração legal, não deve ser considerada critério possível por não implicar em nova obrigação tributária à sociedade, e não acarretar novos fatos jurídicos tributários.

Por outro lado, a Súmula 435 do Superior Tribunal de Justiça faz combinação de desconsideração da personalidade jurídica, com a responsabilidade prevista no artigo 135 do Código Tributário Nacional, ao atribuir responsabilidade solidária ao sócio administrador por dissolução irregular da sociedade, somente pelo fato de não ser encontrada no endereço informado à junta comercial.

A interpretação dada pela corte superior, segundo o estudo, fere o princípio da legalidade a que o Estado está vinculado, pois não existe lei editada que permita tal atitude, fazendo com que a Administração Pública não concorra em igualdade com o particular, tendo privilégios em relação ao recebimento do seu crédito.

Neste caso há uma grande vantagem ofertada à Fazenda Pública, pois a jurisprudência legitimou tal atitude, ferindo frontalmente a igualdade processual que deveria existir entre particular e Estado, pois se fosse o caso de desconsideração da personalidade jurídica de uma empresa, requerida por particular, com certeza seria negada, não servindo de prova para o Direito Civil.

122 A saúde de muitas empresas nacionais encontra-se em estado terminal, e por descuido ou incompetência de seus gestores, não conseguindo manter seu funcionamento, fecham as portas, e por falta de recursos, deixam de cumprir com suas obrigações fiscais. Por pura falta de informação e devido a burocracia existente, os empresários não conseguem terminar suas atividades de maneira correta, dando causa a uma baixa considerada fraudulenta, que é o fechamento da empresa em desacordo com o que a legislação exige.

A presente pesquisa buscou esclarecer alguns pontos controvertidos, visualizando a interpretação extensiva das normas constitucional, civil e tributária, efetuada pelo Superior Tribunal de Justiça em favor do Fisco.

No primeiro capítulo estudou-se o tributo, o objeto de toda a obrigação tributária, foco principal da cobrança do crédito em favor do Estado, com enfoque no conceito, natureza jurídica, função e espécies. Já no segundo capítulo abordou-se a obrigação tributária em todos os seus aspectos, geradora da responsabilidade tributária, que também foi abordada de forma consistente, individualizando suas espécies.

No terceiro capítulo além da busca dos conceitos de sociedades, relacionadas no Código Civil, ainda houve pesquisa acerca da responsabilidade do sócio administrador, utilizando-se toda a pesquisa efetuada, concluindo que existe uma interpretação concorrente com a lei, privilegiando o Fisco em detrimento do contribuinte.

Então, a Súmula 435 do Superior Tribunal de Justiça deve ser revista tendo em vista que fere frontalmente princípios constitucionais como o da estrita legalidade e o da igualdade, o Código Tributário Nacional e o Código Civil, privilegiando o Estado na arrecadação dos tributos.

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