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INFRAESTRUTURAS E ACTIVIDADES

7.1 – Projectos de incentivo à inovação

e competitividade

Estão previstos para o Baixo Vouga alguns projectos de investimento que permitirão reforçar a inovação e competitividade da sub-região nos principais sectores de especialização/exportação ou em actividades emergentes, importantes para a diversifi cação da sua base produtiva:

Pólo de Competitividade de Aveiro para o Sector Energético: o Governo anunciou em Junho de 2008 a criação de um pólo de competitividade para a região Centro no domínio das energias (com a assinatura do protocolo Smart Energy). Sedeado em Aveiro, este pólo associará empresas, universidades e centros de inovação, permitindo a realização de acções conjuntas para a promoção de I&D. De referir que existem em Aveiro alguns projectos interessantes que poderão dinamizar este pólo: os projectos de investimento da empresa Martifer no Porto de Aveiro, destinados à construção de uma fábrica de biodiesel (100 mil toneladas/ano, Projecto PIN) e de uma fábrica de pás e aerogeradores (750 unidades/ano) para torres eólicas. Também os projectos no domínio da biomassa e da valorização da fl oresta assumem importância: como se fez referência, existe em Aveiro uma entidade relevante - o RAIZ (Instituto para a Investigação da Floresta e do Papel) que tem apostado sobretudo no melhoramento genético de espécies como o eucalipto. Outro projecto importante é o de valorização de resíduos da fi leira fl orestal e da pasta de papel para a produção de agregados leves (argila expandida, com características muito próprias de durabilidade, leveza, isolamento térmico e absorvente acústico, resistência, etc., que a tornam particularmente interessante do ponto de vista da construção civil e da efi ciência energética), desenvolvido pela UA (Departamento da Cerâmica e do Vidro), em parceria com o RAIZ, o Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro (CTCV) e a LECA Portugal. De referir também as potencialidades de produção de biodiesel a partir das algas da Ria de Aveiro; ou o desenvolvimento industrial na área da conversão de energia solar em energia eléctrica (através de telhas fotovoltaicas desenvolvidas no âmbito do Projecto “Casa do Futuro”); ou ainda o projecto CEBIO (Centro de Excelência para a Bioenergia), que integra a empresa Herculano (Oliveira de Azeméis) e o centro de investigação RAIZ, ao abrigo da iniciativa Redes de Competência/Centros de Excelência (promovida pela Agência de Inovação).

Pólo de Inovação de Aveiro, em torno das TIC: o sector das TIC assume-se cada vez mais como uma referência da região de Aveiro, onde nos últimos anos têm emergido dezenas de micro e pequenas empresas, sob o impulso inicial da PT Inovação. Paralelamente, Aveiro tem conseguido captar a presença de importantes multinacionais, como a Nokia/Siemens, a NEC, a Ericsson, ou a francesa GFI Informatique. Importa a dinamização do já referido Pólo de Inovação de Aveiro, inaugurado em 2007 pela Nokia Siemens Network (NSN).

Tecnologias da Saúde: o sector das TIC, sendo transversal, apresenta fortes possibilidades de aplicação a outros sectores, entre os quais a Saúde. Está em desenvolvimento no Baixo Vouga a Rede Telemática da Saúde, constituída pelos hospitais Conde Sucena (Águeda) e Infante D. Pedro (Aveiro) e pelos centros de saúde de Aveiro, Águeda, Oliveira do Bairro, Ílhavo, Vagos e Albergaria-a-Velha, para além da UA como parceiro tecnológico. A aposta na Telemedicina é já uma realidade: através desta solução técnica, já é possível, por exemplo, o funcionamento pleno do serviço de Neuro-Radiologia em Aveiro (meios auxiliares de diagnóstico), evitando que milhares de utentes daquele serviço sejam transferidos para os hospitais de Coimbra. Neste âmbito, merece destaque o papel preponderante que a UA (através do IEETA - Instituto de Engenharia Electrónica e Telemática de Aveiro) tem desempenhado no desenvolvimento de soluções inovadoras.

Um outro projecto importante é a Rede Digital de Saúde da RIA, que integra serviços de tele-diagnóstico e tele-consultas nos hospitais e centros de saúde da Associação de Municípios da Ria (AMRIA). Dadas as valências associadas à investigação científi ca em TIC na UA, a Escola Superior de Saúde da UA revela-se como um recurso importante para a concepção e desenvolvimento de conteúdos multimédia, contribuindo para a introdução de práticas inovadoras neste domínio na sub-região.A emergência do sector da Saúde no Baixo Vouga é comprovada

não só pela referida articulação com as TIC mas também pelos esforços de diversifi cação da oferta de cursos superiores integrados no sector: é o caso da recente criação na UA de um novo curso, na área da Biomedicina Farmacêutica, destinado a promover a investigação no domínio dos ensaios farmacêuticos e as sinergias entre a UA e as empresas do ramo farmacêutico.

Tecnologias do Ambiente: existem já na UA fortes competências no domínio do Ambiente, com a presença de várias unidades de investigação, entre as quais se destacam o Laboratório Associado CESAM – Centro de Estudos do Ambiente e do Mar e o IDAD - Instituto do Ambiente e Desenvolvimento. É muito forte na UA a investigação em torno da Engenharia do Ambiente, com possibilidades de aplicação a diversos sectores de actividade, tendo já dado origem a vários projectos inovadores – como é o caso do EcoParque Empresarial de Estarreja e os já referidos projectos no domínio da fi leira de energia renováveis. São áreas emergentes no Baixo Vouga, e dentro da fi leira das tecnologias do ambiente, o tratamento e gestão integrada de resíduos e efl uentes, a reciclagem, as energias renováveis e a ecoefi ciência (em particular a efi ciência energética, como referido apoiada pelo próprio projecto Casa do Futuro). Ainda integrada na fi leira do Ambiente, poderão ganhar relevo num futuro próximo algumas actividades ligadas aos Oceanos: actividade pesqueira; actividade logística associada à actividade portuária; construção naval; produção de energias renováveis (energia das ondas e energia eólica no

off-shore); além de outras áreas que a investigação oceanográfi ca pode dinamizar.

Mobilidade Sustentável

• - De salientar ainda, e em forte articulação com as questões da efi ciência energética, os esforços de dinamização da mobilidade sustentável em Aveiro. Foi lançada na cidade a Buga (Bicicleta de Utilização Gratuita), além do projecto de uma bicicleta reciclável, com um design moderno e cujo protótipo foi concebido no município de Águeda, onde, como se fez referência, existem várias empresas produtoras de bicicletas - o projecto DEUSA (Desenvolvimento Empresarial Urbano Sustentável em Aveiro), de concepção e fabrico de uma bicicleta com apoio eléctrico UMA – Ultimate Mobility Alternative, desenvolvida através de uma parceria entre a Associação Nacional das Indústrias de Duas Rodas, Ferragens, Mobiliário e Afi ns (ABIMOTA), a Associação Industrial do Distrito de Aveiro (AIDA), a Galp, a AGNI, a Câmara Municipal de Almada e o IN+ Centro de Estudos em Inovação, Tecnologia e Políticas de Desenvolvimento do Instituto Superior Técnico. O DEUSA englobou acções de divulgação e análise da eco-efi ciência em sete empresas de quatro sectores da actividade do Baixo Vouga: duas rodas, metalomecânica, cerâmica e ferragens. O investimento foi de 913 580 euros, 71% fi nanciado pelo Primee.Através da dinamização deste tipo de projectos, num futuro próximo Aveiro poderá destacar-se como um dos melhores exemplos nacionais e internacionais de mobilidade sustentável.

Além dos projectos mencionados, com uma componente empresarial e industrial forte, a actividade

turística também é importante para a competitividade do Baixo Vouga, ao permitir a valorização dos

recursos naturais e paisagísticos que caracterizam este território. Existem já alguns projectos com interesse, a maioria em torno do turismo de natureza e náutico na Ria de Aveiro e no Baixo Vouga Lagunar. A Ria de Aveiro apresenta fortes potencialidades turísticas - é uma das mais importantes zonas húmidas de Portugal, classifi cada como Reserva Ecológica Nacional (REN) e declarada, a nível internacional, Zona de Protecção Especial – ZPE – para as Aves, incorporada na Rede Natura 2000 e no biótopo CORINE. Destacam-se como eventos que permitem a promoção turística da Ria a Regata dos Barcos Moliceiros e a Regata Internacional das Rias Baixas à Ria de Aveiro.

Parte integrante da Ria, o Baixo Vouga Lagunar abrange uma vasta área de singularidade natural e paisagística, que se estende entre os municípios de Aveiro, Estarreja e Albergaria-a-Velha.

Vouga Lagunar, concebido por uma equipa de biólogos integrados na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, em parceria com a Câmara Municipal de Estarreja e com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro. Este projecto ambiental foi escolhido para representar Portugal no programa europeu de promoção do turismo sustentável – o Destilink. Também a Reserva Natural das Dunas de São Jacinto apresenta fortes potencialidades para o desenvolvimento do turismo e tem sido objecto de alguns projectos de turismo de natureza.

Estes são alguns exemplos de projectos que a Região de Turismo Rota da Luz tem vindo a apoiar (refi ra-se que esta entidade foi entretanto integrada na nova Região de Turismo do Centro, na sequência do novo regime jurídico das regiões de turismo).

Existem também alguns projectos turísticos, de maior envergadura, previstos para o Baixo Vouga. Citem-se como exemplos: o empreendimento turístico da Quinta da Boavista, em Ílhavo (projecto aprovado pelo Governo Sócrates depois do respectivo Plano de Pormenor ter estado parado vários anos devido a uma carreira de tiro existente no local – este projecto tem como elemento central um campo de golfe, um hotel, um centro de actividades lúdicas e um complexo habitacional); a construção da marina da barra, também em Ílhavo, entretanto aprovado depois do “chumbo” ambiental do Governo de Durão Barroso).