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INSERÇÃO E IDENTIFICAÇÃO VIRTUAIS: CONTRIBUIÇÕES DA INTERNET E

No documento robertabragachaves (páginas 33-38)

2 INFORMAÇÃO E IDENTIFICAÇÃO: TELESPECTADORES-CIDADÃOS E

2.5 INSERÇÃO E IDENTIFICAÇÃO VIRTUAIS: CONTRIBUIÇÕES DA INTERNET E

Hoje a internet vem se apresentando como um local que pode ser considerado democrático, onde o público poderia, segundo alguns autores, ser melhor representado que, por exemplo, na TV. Nesse novo espaço de pertencimento, o que antes era apenas audiência torna-se um agente.

os cidadãos veem assim reforçada a possibilidade de uma participação mais ativa em processos de deliberação, num quadro de interação que é agora muito diferente daquele proporcionado pelas tecnologias da comunicação mais convencionais (rádio e televisão, ou mesmo a imprensa), cujas características evidenciam fortes condicionalismos de unidirecionalidade (ESTEVES, 2007, p. 220)

Assim, mesmo reconhecendo que na televisão, a recepção não se dá passivamente, na internet as formas de participação se dariam de forma mais ativa, pois além de uma maior liberdade de escolher o que assistir/acessar, o público também se relacionaria com os produtos de formas diferentes, tendo mais liberdade quanto aos horários, sequências e até mesmo, interação direta com cada conteúdo.

Dentro do universo da internet, as redes sociais, que tem o público brasileiro7 como grande adepto, seriam um meio muito propício para a participação e interação do público não só com conteúdos exclusivamente virtuais, como também programas de televisão, uma vez que vários deles possuem contas nessas redes, como Twitter ou Facebook.

As redes sociais se tornaram hoje um local onde o jornalista tem a possibilidade de fazer acontecer essa democratização. “[…] em um mundo mais interligado, um jornalista deve ser um narrador para orientar os usuários, um intérprete para avaliar o que é realmente importante e um profissional que incentiva a participação e promove a ligação das comunidades com o meio” (PAVLIK, 2005 in LOPEZ, 2007, p. 115).

A interatividade do público com o jornalismo de maneira geral é algo que já pode ser observado até mesmo fora das redes sociais. Nos telejornais, por exemplo, é cada vez mais

7 Presidente da Google Américas, Margo Georgiadis diz que o Brasil é um grande adepto das redes sociais. “Considero o país a capital mundial da mídia social, são 12,5 horas por semana acessando as redes sociais que contam com a participação de 88% dos usuários de internet”. Fonte: http://rio-negocios.com/pressroom/wp- content/uploads/2014/07/O-Globo-Rio-Caderno-Especial1.pdf

comum vermos quadros onde o telespectador participa mandando vídeos, fotos e sugestões de pauta. Não participar desse processo seria como negar a possibilidade de direito à voz daqueles que têm muito a contribuir.

Entretanto, os media tem que ouvir e deixar a audiência participar mais. Porque essa participação não é algo irrelevante, mas uma tendência crescente que vai conseguir que os media, convertidos em tantos casos em centros de poder politizados e ideológicos que buscam seus interesses, não tenham mais remédio que contar com os leitores e aceitar suas sugestões (EDO, 2009, p.15).

Todo esse contato com a produção jornalística faz com que o público se sinta melhor valorizado, com mais espaço e voz. Além de informar, o jornalismo também tem o papel de contribuir para a formação de cidadãos.

Às vezes, as novas ferramentas encontradas pelo jornalismo para se difundir podem causar aos veículos uma super-exposição, uma vez que os internautas têm relativa liberdade para escreverem o que pensam sobre determinada matéria ou mesmo sobre o veículo em si. Porém, a participação do público também pode ser vantajosa, e a questão da super-exposição pode ser contornada com alguns cuidados na hora da postagem e manutenção da rede. “O processo produtivo que impulsiona a participação do público também está relacionado ao treinamento constante dado aos profissionais.[...] Experiências, como a do jornalismo ponte na redação, mostram que é possível capacitar o jornalista e, ainda, promover a interação de meios.” (QUADROS, 2009, p.14).

Apesar do acesso da população à TV ainda ser muito maior que à internet, cada vez mais brasileiros usam a web, seja como forma de informação, estudo ou entretenimento. Assim, disponibilizar mais conteúdos na rede não só funcionaria como forma de possibilitar a interação do público, como também uma maneira de mais pessoas terem contato com o material veiculado. Essa é uma das estratégias, por exemplo, da TV Brasil, até mesmo porque o sinal de transmissão da emissora não tem a qualidade técnica mais adequada e, além disso, não chega a todos os lugares do país.

O Caminhos da Reportagem, foco do estudo, possui uma página no facebook, atualmente com mais de 4 mil curtidas, o que não é muito se comparado a outros programas do gênero, veiculado por emissoras privadas, como é o caso do Profissão Repórter, que tem mais de 1,5 milhão de curtidas e do Globo Repórter, com quase 4 milhões, ambas da Rede Globo. Ainda assim, o número de curtidas da página do Caminhos da Reportagem é significante perante sua audiência e possibilita aos internautas, além de assistir ao programa

via internet, curtir e comentar as publicações, expondo sua opinião. Além disso, em sua página na internet, dentro do site da TV Brasil, o programa disponibiliza todos os episódios antigos, o que também ajuda o internauta a assistir ao conteúdo de maneira mais livre, independente da grade horária da TV e da qualidade do sinal.

Portanto, além de viabilizar uma maior participação do público, a presença do Caminhos da Reportagem na internet também pode fazer com que mais pessoas tenham acesso ao seu conteúdo, ainda que tal acesso não se converta em audiência. Tal fato é de extrema relevância para uma televisão pública, como é o caso da TV Brasil, uma vez que seus objetivos vão além da audiência e devem buscar levar aos cidadãos informações plurais, isentas e de interesse público, das quais eles possam também fazer parte e com as quais se identifiquem, das mais variadas formas possíveis.

3- TELEVISÃO E TELEJONALISMO PÚBLICOS

Muito mais que informar e entreter, a comunicação cumpre um importante e fundamental papel na vida do cidadão. Seja por meio do rádio, da TV, de jornais ou revistas, é também pela comunicação que se tem, potencialmente, a busca por uma sociedade mais justa e democrática. A mídia possibilita a circulação de valores, cultura e ideologias das mais diversas formas e assim, esses veículos também se tornam arenas onde as identidades podem ser construídas ou desfeitas.

Mesmo a mídia não tendo total domínio sobre seus receptores, uma vez que não se pode considerá-los passivos (MARTÍN-BARBERO, 2003), não dá para negar que um meio hegemônico como é a televisão exerce influências importantes em seus telespectadores, ainda que em graus diferentes, levando-se em conta a individualidade de cada um. O “poder” da TV, apesar de não ser propriamente coercitivo, acaba por criar alguns consensos, que podem ser culturais ou até mesmo políticos.

A própria cultura “intelectual” é hoje um grande fator delimitador de espaço e poder, onde aqueles que dominam um determinado discurso (habitus, na linguagem de BOURDIEU, 1996) acabam, por meio de suas próprias construções linguísticas, criando para si um lugar de destaque e consequentemente, contribuindo para a “exclusão” de outros.

Bourdieu também fala da predileção das linguagens eruditas pelo pensamento por pares, justificando que censura e recalque – relação de oposição entre palavras – remete à oposição entre grupos sociais. “Iguais em liberdade, os homens são desiguais na capacidade de utilizar autenticamente sua liberdade e somente uma 'elite' pode-se apropriar das possibilidades universalmente oferecidas de se ter acesso à liberdade de 'elite'”. (BOURDIEU, 1996, p.146).

Na verdade, em determinado momento essa censura passa a ser algo imperceptível, que já está introjetada. No caso da comunicação, por exemplo, os cidadãos comuns já estão “cientes” do seu papel e daqueles que estão sempre na mídia, deixando muitas vezes de questionar não só essas relações, como também o discurso desses “intelectuais”. Porém, nada disso é tão claramente perceptível e é justamente neste momento que, segundo Bourdieu, a censura torna-se perfeita.

Fazendo um paralelo com a questão do direito à informação e à comunicação, a troca de mercadorias, possibilitada pelo “Estado Mínimo”, também passou a permitir a troca de informação e consequentemente, a informação tornou-se mercadoria, o que até hoje é possível de se observar. Na grande maioria dos mídias, a informação, muito mais que um direito do

cidadão, é uma mercadoria, cuja finalidade acaba ficando reduzida ao lucro de poucos.

Dessa forma, com esses jogos de poder e interesses, sejam eles políticos ou econômicos, a informação de qualidade e isenta, acaba deixando de ser efetivamente um direito de todos. Ou seja, a comunicação deixa de ser um bem público, como deveria. “A esfera pública burguesa se rege e cai com o princípio do acesso a todos. Uma esfera pública, da qual certos grupos fossem eo ipso excluídos, não é apenas, digamos, incompleta: muito mais, ela nem sequer é uma esfera pública.” (HABERMAS, 2003, p.105).

Diante desse quadro, em que o cidadão muitas vezes fica excluído da participação ativa daquilo que é propagado pela mídia, tendo assim seus direitos à comunicação e à informação revogados, faz-se necessário buscar alternativas para que a mídia seja democratizada, podendo ser de fato um espaço para o debate igualitário de questões de interesse público, contribuindo assim, para a construção da cidadania.

No documento robertabragachaves (páginas 33-38)