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PROGRAMAS INFORMATIVOS: INFORMAÇÃO, CONSTRUÇÃO DE

No documento robertabragachaves (páginas 30-33)

2 INFORMAÇÃO E IDENTIFICAÇÃO: TELESPECTADORES-CIDADÃOS E

2.4 PROGRAMAS INFORMATIVOS: INFORMAÇÃO, CONSTRUÇÃO DE

Ao se falar sobre a potencial identificação do telespectador com o produto ofertado, consigo próprio e com sua comunidade, possibilitada pela mídia e pela televisão, faz-se necessário ter consciência da grande abrangência de gêneros, formatos e tipos de relação que

cada um desses produtos pode estabelecer com seu público. Dessa forma, torna-se interessante apontar brevemente algumas diferenças entre gêneros televisivos e seus modos de endereçamento5, bem como entender como o público se identifica com os produtos oferecidos pela televisão.

Primeiramente, ao classificar os programas em gêneros, onde existem algumas características específicas que os definem, também o telespectador, de certa forma, já pré- define o que esperar e como reagir.

Os gêneros são formas reconhecidas socialmente a partir das quais se classifica um produto midiático. Em geral, os programas individualmente pertencem a um gênero particular, como a ficção seriada ou o programa jornalístico, na TV, e é a partir desse gênero que ele é socialmente reconhecido. No caso da recepção televisiva, por exemplo, os gêneros permitem relacionar as formas televisivas com a elaboração cultural e discursiva do sentido(GOMES, 2011, p.33)

Dessa forma, os modos de identificação do telespectador com determinado programa, se darão também conforme o que cada um espera e já conhece de cada formato. Mesmo que tal identificação não se dê com o programa especificamente, pode dar-se com seu estilo, que pode remeter a memórias e lembranças, positivas ou não, de algum outro produto que siga os mesmo padrões de gênero, formato e até mesmo, de modo de endereçamento.

Um programa jornalístico televisivo, que é, em nível macro, o objeto de estudo desse trabalho, pode ser considerado um gênero específico, que necessita atender a algumas regras para se enquadrar como tal. Tais regras remeteriam àquelas de qualquer bom jornalismo, como compromisso com a verdade, seriedade, isenção e interesse público. Assim, os telejornais, programas de entrevista, documentários televisivos, o jornalismo temático e as grandes reportagens, seriam formatos possíveis dentro desse gênero.

Cada um desses formatos citados têm especificidades que já são, por prática, conhecidas pelo público e assim, geram expectativas quanto à maneira de passar a informação. Da mesma forma, cada programa, em específico, tem uma forma de se comunicar com seu público, seja por meio do texto, recursos visuais ou mesmo, da postura adotada pelo repórter, apresentador ou quem esteja em contato com o público mais diretamente. “Na nossa perspectiva, o conceito de modo de endereçamento tem sido apropriado para ajudar a pensar como um determinado programa se relaciona com sua audiência a partir da construção de um estilo, que o identifica e que o diferencia dos demais. (GOMES, p.33). A autora propõe uma

5“Modo de endereçamento é aquilo que é característico das formas e práticas comunicativas específicas de um programa, diz respeito ao modo como um programa específico tenta estabelecer uma forma particular de relação com sua audiência. (MORLEY; BRUNSDON, 1978)” (GOMES, p.33).

associação dos estudos de gêneros televisivos ao modo de endereçamento, a fim de entender mais a fundo as formas de recepção dos programas jornalísticos.

Trazendo essas reflexões ao nosso objeto de estudo específico, o Caminhos da Reportagem, e retomando um dos objetivos principais do trabalho, que é conhecer o espaço dado ao cidadão pelo programa, percebe-se que, muito mais que identificar as formas como o programa se relaciona com seu público, é preciso saber também a forma como o público se identifica com ele.

Se a mídia como um todo tem uma forte influência no processo de identificação do cidadão, a televisão por sua vez ocupa um lugar especial, destacando mais do que qualquer outro veículo. Mais de 97% dos lares brasileiros possuem televisão6, o que faz com ela seja a principal forma de entretenimento e de informação dos brasileiros. Ao assistir a um telejornal ou qualquer outro programa jornalístico, além de buscar informação, o telespectador também entra em contato com sua realidade e pode se sentir parte integrante dela.

Apesar dessa inclusão simbólica, seja pelas temáticas ou pelos territórios, o que se observa muitas vezes é que são poucos os que realmente têm o poder de falar na TV. Não apenas no sentido de aparecer e dizer alguma coisa, mas de proferir um discurso coerente e coeso, com sentido e relevância. A autora Elizabeth Bastos Duarte, em seu livro “Televisão – ensaios metodológicos”, afirma que haveria uma espécie de contrato comunicativo tácito, de maneira não consciente, entre quem profere o discurso e o grupo social que corresponderia ao compromisso dos primeiros, com a obediência a determinadas regras que lhe são impostas no que tange ao seu discurso.

Como em qualquer outro campo, o televisivo é controlado por um certo número de regras que definem as condições de sua colocação em jogo, impedindo mesmo que qualquer um tenha acesso ao discurso. Ninguém entra no processo comunicativo televisivo como enunciador se não satisfizer certas exigências e se não estiver qualificado para entrar no jogo: assim, poucos podem ser os enunciadores do discurso televisivo, embora não haja restrição para os enunciatários. (DUARTE, 2004, p.30)

É inegável a importância que a televisão, com seus vários gêneros e formatos, tem na formação cultural e no processo de identificação dos cidadãos com o mundo, de forma geral. Porém, mesmo que nosso objeto de estudo seja um programa televisivo, não se pode ignorar, atualmente, o papel que a internet também vem exercendo; cada vez mais sua presença nos

6 Dados referentes da última pesquisa divulgada pelo PNAD, referente a 2013. Fonte: http://www.teleco.com.br/pnad.asp

lares brasileiros e seu acesso por cada indivíduo, vem crescendo e ganhando muito espaço, principalmente pelo público mais jovem, que se conecta mais.

2.5 INSERÇÃO E IDENTIFICAÇÃO VIRTUAIS: CONTRIBUIÇÕES DA INTERNET E

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