AUTORES CONCEITOS PARA AGÊNCIA E AGENTE Emirbayer e
2.10. Interação: estabilidade e mudança
2.10.1. Institucionalismo Político: mudança e estabilidade
Para DiMaggio e Powell (1983) Meyer e Rowan (1977) análises institucionais são importantes na medida em que se enfocam para a relativa permanência de um arranjo social distintivo. Argumentos institucionais também podem explicar diferenças persistentes (Dobbin, 1994 apud Clemens e Cook, 1999). De qualquer maneira, o ponto central dos estudos consiste na padronização de vida social produzida não somente por indivíduos e organizações, mas também por instituições que estruturam ações. Para Thelen e Steinmo (1992, p.15) “as instituições parecem explicar tudo até que não explicar nada”.
Atenções mais amplas para entidades políticas como o Estado ou às leis tendem a obscurecer os processos políticos. Tal dilema tem sido abordado principalmente no que tange à tendência a se comparar instituições à estabilidade ou durabilidade. (Clemens e Cook, 1999). Dada à imagem do estado como concreto a mudança seria mais fácil de ser compreendida como o produto de choques exógenos que rompem uma ordem estabelecida.
(Krasner, 1984). Os esforços de Archer (1988) , Giddens (1984) e Sewell (1992) no sentido de conceituar as relações entre atores políticos e instituições distinguindo aspectos virtuais das instituições a recursos, interações e processos interpretativos que sustentam tais constructos constituem apreciações acerca dos processos de mudança e estabilidade. A desagregação da entidade monolítica do estado também facilita a conversação entre argumentos de corrente institucionalista com a análise organizacional, psicologia social, e estudos de simulação de dinâmicas sociais.
Para Clemens e Cook (1999) componentes como mutabilidade, contradição, multiplicidade, restrição e difusão, aprendizagem, inovação e mediação consistem em componentes de mudança presentes nas ciências política e social. De acordo com Brinton e Nee (1998), há que se enfatizar a exploração das relações entre as regras formais e informais, redes sociais e ação propositada.
As instituições são manifestas na medida em que os modelos de relações sociais são seguramente reproduzidos por meio de ações de indivíduos ou grupos sem requerer
45 intervenção autoritária ou mobilização coletiva. Para North (1990) instituição é como um legado humano de limites que delineiam a interação humana. Para Berger e Luckmann (1967) DiMaggio e Powell (1991) as instituições são estendidas no tempo porque modelos se tornam „taken for granted‟ a partir do repetido uso e interação – duráveis na medida em que fornecem orientações substantivas à ação prática sendo reforçados mediante a socialização, interação e legitimação. O reconhecimento das múltiplas fontes de padrões regulares na vida social (práticas) torna-se importante à conceituação da durabilidade e continuidade institucional. Compreendidas de maneira proscritiva ou constitutiva ou prescritiva tais análises podem ser contextualmente localizadas a partir da análise de redes considerando que as redes podem constituir relações e práticas duráveis por meio de processos constitutivos de interação social ou pela configuração de oportunidades e obstáculos à troca e cooperação (Powell 1991; Nee e Ingram, 1998). Considerando que os padrões regulares de ação social podem ser produzidos a partir de constraints externos ou modelos internalizados tais regularidades podem ser mais incisivas na medida em que essas múltiplas fontes de regularidade reforçarem uma a outra (Stryker, 1999).
De acordo com Sewell (1992) as instituições são estáveis até o momento em que são rompidas por forças exógenas ao sistema constitucional em si. Para Berk (1994) análises históricas têm demonstrado como as mudanças entre os arranjos institucionais podem configurar “momentos constitutivos” ou branching points (pontos de desvio) que canalizam desdobramentos políticos e econômicos. A partir de componentes culturais (regras, modelos ou esquemas) o estado, por exemplo, pode ser percebido como sustentado por ou enacted mediante recursos e/ou redes sociais (Archer, 1988)
De acordo com Clemens e Cook (1999) os esquemas podem: ser mais ou menos mutáveis; podem conter contradições internas; múltiplos esquemas ou regras institucionais podem ser potencialmente relevantes ao contexto da ação; um sistema de regras institucionais, de recursos e redes pode conter variações ou facilitar difusão, suportando aprendizagem ou inovação por meio das quais alteram de maneira incremental os esquemas ou ainda mediam impactos de choques exógenos e mudanças ambientais sobre as instituições.
46 2.10.2. Esquemas e as mudanças institucionais
Conforme foi abordado, as variantes cognitiva, cultural e normativa da teoria institucional enfatizam o papel dos modelos ou scripts para a compreensão da ação e da estabilidade das instituições. A mudança institucional pode ser estudada a partir de três fontes: mutabilidade, contradição interna e multiplicidade.
Para Zucker (1988), uma das fundamentais formas de mudança institucional envolve a perda de ordem ou o desenvolvimento de entropia social. Havemam e Rao (1997) apontam que em um ambiente de múltiplos requisitos institucionais concorrentes podem emergir formas híbridas que combinam propriedades de modelos diferentes. Tais argumentos implicam numa avaliação da mutabilidade para a mudança institucional.
Acerca das contradições internas e suas implicações à mudança institucional, salienta-se a instabilidade inerente aos sistemas de crenças e práticas. Instituições podem produzir seus próprios coveiros (grave-diggers) Clemens e Cook (1999). Na medida em que os arranjos institucionais incorporam contradições internas a um modelo particular de ação social, o processo de reprodução tende a ser menos provável.
Para Sewell (1992), a mudança institucional pode ser compreendida a partir de tensões entre múltiplas instituições. Eckstain (1966) enfatiza a disjunção como fonte de instabilidade e a congruência como fonte de estabilidade. De acordo com esse autor, um governo tende a ser estável se esse padrão de autoridade for congruente com outros padrões de autoridade presentes na referida sociedade. Ações tendem a ser menos preditivas quando múltiplas instituições competem, ou ainda quando nenhuma instituição está firmemente estabelecida.
Há que se salientar o fato de que as mudanças institucionais são fortemente condicionadas pela medida em que suas variações são acomodadas, difundidas ou mediadas.
Destaca-se a importância da análise da interação dos esquemas a partir das redes sociais em como de recursos ao processo de difusão, inovação e mediação.
De acordo com Zucker (1988) a densidade dos laços de uma rede reforçam a existência de instituições atribuindo níveis mais elevados de estabilidade e coerência. Os
47 processos de influência social são mais efetivos e duráveis quando requisitos cognitivos são embebidos num quadro mínimo de atribuições de hierarquia organizacional ou legitimação.
A mudança institucional tende a ser mais evidente na medida em que: os modelos de ação assumem características arbitrárias; seja verificada heterogeneidade social elevada; as redes sociais apresentem fragmentação e relevante clivagem social. (Carley, 1991; Padget e Ansell, 1993).
As relações de uma rede podem estabelecer as condições de manutenção da ordem (North, 1990) bem como facilitar a difusão de instituições (Strang e Meyer, 1993) a partir da verificação de como as relações sob a perspectiva da conectividade, visibilidade e proximidade podem facilitar a adoção de novas práticas organizacionais. (Tolbert e Zucker, 1983).
Para March (1991), Powell (1996) o conteúdo da mudança institucional pode sofrer mudanças através do tempo como o resultado da aprendizagem processada na solução de novos problemas. Organizações em ambientes que passam por mudanças apresentam movimentos de mudança sustentados na aprendizagem (Zhou, 1993).
O conhecimento de uma regra ou esquema por definição significa a habilidade de transpô-las e ampliá-las criativamente a novos contextos – implica na agência e está inerente ao reconhecimento dos esquemas culturais que caracterizam uma sociedade (Sewell, 1992).
Porém nem todos os atores são igualmente capazes para tal. Grupos marginais ao sistema político estão mais propensos a mudança considerando que em configurações institucionais correntes esses grupos teriam custos menores associados ao desvio dessas configurações (Leblebici, 1991).
Para Stryker (1999) mudanças exógenas podem intensificar ou dissipar contradições em instituições existentes. Eventos podem romper sistemas operativos de idéias, crenças, valores, papéis e práticas institucionais de uma dada sociedade desenvolvendo um espaço em que atores políticos se empenham para restabelecer estruturas interpretativas para múltiplas audiências (Ellingson, 1995). (SUS x Direção x Novo modelo de gestão). Dessa maneira, choques ambientais exógenos podem exercer efeitos alterando a saliência de instituições ou suas relações com os domínios da vida social.
Análises acerca de policy inovation e mudança têm invocado alguns princípios: a) a inovação é gerada por redes que cortam transversalmente importantes fronteiras institucionais; a heterogeneidade social facilita a mobilização de desafiadores políticos
48 constituindo em um loci de indeterminação estrutural que pode ser explorado por empreendedores políticos para o estabelecimento de novos esquemas. (Cleman e Cook, 1999).