3.2. Entidades De Transportes
3.2.2. Instituto Da Mobilidade E Dos Transportes
O Instituto da Mobilidade e dos Transportes é o órgão regulador dos transportes em Portugal e tem como objetivos, a organização, coordenação e planeamento dos transportes terrestres. Teve a sua génese no Gabinete de Estudos e Planeamento de Transportes Terrestres (GEPT), criado em 1961, que elaborava estudos fundamentais no desenvolvimento dos transportes terrestres. Destacam-se os estudos, projetos e implementação de Estações Centrais de Camionagem, estudos sobre ruídos e instalações de parques de estacionamento periféricos e questões relacionadas com a segurança escolar. O GEPT foi extinto em dezembro de 1971, dando origem à Direção Geral de Transportes Terrestres e Fluviais (DGTTF) e mais parte, após cisão de serviços, à Direção Geral de Transportes Terrestres (DGTT).
Com a reestruturação dos organismos estatais, foi criado pelo Decreto-Lei nº 147/2007, de 27 de Abril, o IMTT, I.P., que congregava as atribuições e competências da Direção Geral dos Transportes Terrestres (DGTT), do Instituto Nacional do Transporte Ferroviário (INTF, I.P.), e as atribuições da Direção Geral de Viação (DGV) nas matérias relativas a condutores e veículos, as quais se extinguiram.
O IMTT, I.P., prosseguia as atribuições do Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações sob superintendência e tutela do respetivo Ministro.
Com a publicação do Decreto-Lei n.º 236/2012, de 31 de outubro, foi determinada a reestruturação do Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres. I.P. (IMTT, I.P.), que passou a designar-se Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT, I.P.).
O Instituto da Mobilidade e dos Transportes, I.P. sucede nas atribuições do extinto Instituto de Infraestruturas Rodoviárias, I. P. (InIR, I. P.), nas atribuições do extinto Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos, I. P. (IPTM, I. P.) - no domínio da supervisão e regulação da atividade económica dos portos comerciais e dos transportes marítimos, bem como da navegação da via navegável do Douro - e nas atribuições da extinta Comissão de Planeamento de Emergência dos Transportes Terrestres.
O IMT, I.P. é um organismo da administração indireta do Estado que prossegue atribuições do Ministério da Economia e que tem por missão:
Regular, fiscalizar e exercer funções de coordenação e planeamento no sector dos transportes terrestres;
Regular e fiscalizar o sector das infraestruturas rodoviárias e supervisionar e regulamentar a execução, conservação, gestão e exploração das mesmas;
Supervisionar e regular a atividade económica do sector dos portos comerciais e transportes marítimos.
Regular as atividades de transportes terrestres e complementares e proceder às respetivas autorizações e licenças, adotando regras que garantam tratamento equitativo e não discriminatório e colaborando com os órgãos de defesa da concorrência;
Avaliar a eficiência e a qualidade dos serviços de transportes públicos de passageiros;
Fiscalizar as entidades do sector dos transportes terrestres no exercício das suas atividades, assegurando a aplicação do respetivo sistema de contraordenações;
Autorizar serviços de transporte público de passageiros;
Apoiar o Governo na elaboração de normas reguladoras para concessões de exploração de serviços de transporte público, acompanhando os procedimentos necessários à outorga de contratos de concessão;
Colaborar na definição e implementação da política tarifária dos transportes públicos.
No quadro das suas atribuições, o IMT apoia também o Governo, e outras entidades públicas, na caracterização das situações em que se justifique a imposição de obrigações de serviço público ou a concessão da exploração de serviços de transporte público de passageiros.
Relativamente à sua organização espacial, possui a sua sede em Lisboa e está dividido em cinco Direções Regionais e segundo o nº3 do artigo 5º do Decreto-Lei nº 147/2007, de 27 de abril e antes da entrada em funcionamento da Autoridades Metropolitanas dos Transportes de Lisboa e do Porto, de junho de 2011, a distribuição territorial sob sua jurisdição, era a seguinte:
DRMTN, Direção Regional de Mobilidade e Transportes do Norte, com instalações no Porto e subdivida em Delegações Distritais de Viação: Braga, Viana do Castelo, Vila Real e Bragança. A competência territorial abrange os distritos de Viana do Castelo, Porto, Vila Real, Bragança, os concelhos de Espinho, Santa Maria da Feira, Castelo de Paiva, Arouca, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis e Vale de Cambra, do distrito de Aveiro, os concelhos de Cinfães, Resende, Lamego, Armamar, Tabuaço, São João da Pesqueira, Arouca, Moimenta da Beira, Sernancelhe e Penedono do distrito de Viseu e o concelho de Vila Nova de Foz Côa do distrito da Guarda;
DRMTC, Direção Regional de Mobilidade e Transportes do Centro, com instalações em Coimbra e subdivida em Delegações Distritais de Viação: Aveiro, Castelo Branco, Guarda, Viseu e Leiria. A competência territorial abrange os distritos de Aveiro (menos os sete concelhos afetos à DRMTN), de Viseu (menos os dez concelhos afetos à DRMTN), da Guarda (menos o concelho de Vila Nova de Foz Côa), de Coimbra, Leiria (menos os concelhos de Nazaré, Alcobaça, Caldas da Rainha, Óbidos, Peniche e Bombarral), do concelho de Castelo Branco e o concelho de Mação do distrito de Santarém;
DRMTLVT, Direção Regional de Mobilidade e Transportes do Lisboa e Vale do Tejo com instalações em Lisboa e subdivida em Delegações Distritais de Viação: Santarém e Setúbal. A competência territorial abrange os seis concelhos do distrito de Leiria (menos os afetos à DRMTC), distrito de Santarém (menos o concelho de Mação), o concelho de Gavião do
distrito de Portalegre, distrito de Lisboa e distrito de Setúbal (menos os concelhos de Alcácer do Sal, Grândola, Santiago do Cacém e Sines);
DRMT Alentejo, Direção Regional de Mobilidade e Transportes do Alentejo com instalações em Lisboa e subdivida em Delegações Distritais de Viação: Beja e Portalegre. A competência territorial abrange os distritos de Portalegre (menos o concelho de Gavião), de Évora, os quatro concelhos do distrito de Setúbal não afetos à DRMTLVT, e de Beja;
DRMT Algarve, Direção Regional de Mobilidade e Transportes do Algarve com instalações em Faro e com competência territorial no distrito de Faro.
A configuração espacial, antes da instalação e funcionamento das Autoridades Metropolitanas dos Transportes, portanto, anterior a 2011, e conforme o disposto pelo nº3 do artigo 5º do Decreto-Lei nº 147/2007, de 27 de abril, encontra-se representado no mapa da figura 4.
Figura 4: Jurisdição da Direções Regionais, em 2011. Fonte: IMT, IP
No que concerne à Direção Regional de Mobilidade e Transportes do Norte e à Autoridade Metropolitana de Transportes do Porto, a atual divisão de competência territorial é a representada na figura seguinte.
Refere-se ainda que, desde a criação do organismo habilitado para as questões dos transportes terrestres, até à presente data, esta entidade reguladora passou por diversos processos de cisão e fusão, com sucessivas reestruturações. A génese da entidade reguladora foi o Gabinete de Estudos e Planeamento de Transportes Terrestres – GEPT e foi sucessivamente mudando a sua denominação: DGTTF, DGTT, IMTT, IMT.
Estas mudanças continuam e através da Lei nº 67/2013, de 28 de agosto – Lei-Quadro das entidades administrativas independentes com funções de regulação da atividade económica dos sectores privado, público e cooperativo – no seu artigo 4º, Reestruturação e redenominação, o IMT, I.P. é reestruturado, sucedendo-lhe a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT), “nas suas atribuições em matéria de regulação, de promoção e defesa da concorrência no âmbito dos transportes terrestres, fluviais e marítimos”.