2 MÉTODO
2.6 INSTRUMENTOS
2.6.2 Instrumentos aplicados nas mães
Inventário Beck de Depressão (BDI-II): este instrumento foi publicado em 1961, por Beck, Ward, Mendelson, Mock e Erbaugh, e revisado em 1978, culminando na versão BDI-1A.
A última versão, de 1996, é intitulada de BDI-II (Gandini, Martins, Ribeiro, & Santos, 2007).
Trata-se de um instrumento de autorrelato que visa identificar a intensidade dos sintomas depressivos por meio da avaliação de como o indivíduo tem se sentido na última semana, anterior à coleta de dados.
O BDI-II é composto por 21 afirmações que identificam variáveis como tristeza, pessimismo, sensação de fracasso, falta ou perda de satisfação, sentimento de culpa, sensação de punição, auto depreciação, autoacusação, ideação suicida, crises de choro, irritabilidade, isolamento ou retração social, indecisão, distorção da imagem corporal, inibição para o trabalho, distúrbios do sono, fadiga, perda de apetite, perda de peso, preocupação somática e diminuição da libido. Cada um desses 21 itens possui quatro possibilidades de respostas numeradas de zero a três que descrevem os comportamentos (atitudes, pensamentos e sentimentos) considerados sintomas de depressão. Os escores variam entre 0 e 63 e são divididos em cinco níveis: dentro do limite mínimo (0 a 11), Depressão Leve (12 a 19), Depressão Moderada (20 a 35) e Depressão Severa (36 a 63). Para a presente pesquisa, os níveis de depressão leve, moderado e severo foram considerados clínicos.
A versão BDI-II apresenta consistência interna alfa de Cronbach de 0,81 (Montiel, A.
G. S. Capovilla, Berberian, & F. C. Capovilla, 2005) e precisão pelo procedimento Teste-reteste com variação entre 0,48 a 0,86 (Cunha, 2001). O BDI-II identifica grupos de pessoas com sintomas de depressão, com queixas físicas e sem queixas específicas, indicando evidências de validade discriminante.
Índice de Estresse Parental - PSI (Abidin, 1995): é um instrumento que avalia os níveis de estresse decorrentes da interação entre mãe/pai com a criança. Nesta pesquisa foi
utilizada a versão reduzida (PSI/SF - Abdin, 1995) que é tradicionalmente usada em pesquisas empíricas mundiais para a avaliação do estresse parental. No Brasil, o instrumento foi traduzido e utilizado em pesquisas empíricas (Campos, Daher, & Dias, 2016; Pereira-Silva & Dessen, 2006).
O Inventário é constituído por 36 afirmações e as respostas são ajustadas a uma escala do tipo Likert de cinco pontos: concordo completamente (1), concordo (2), não tenho certeza (3), discordo (4) e discordo completamente (5). Para a correção, as respostas são corrigidas pontuando-as de forma invertida, ou seja, quem responde 1 pontua 5, quem responde 2 pontua 4 e assim por diante.
O PSI/SF é composto por três subescalas que contêm 12 itens cada, intituladas de Sofrimento Parental, Interações Disfuncionais entre Genitor-Criança e Criança Difícil.
A subescala Sofrimento Parental avalia o sofrimento e a angústia vivenciados pelo genitor em seu papel de pai/mãe. A subescala Interações Disfuncionais avalia as percepções que os pais têm de seus filhos, as quais não são compatíveis com suas expectativas, bem como as percepções de suas interações com sua criança que não reforçam o seu papel de pai/mãe. Por fim, a subescala Criança Difícil está relacionada às características comportamentais que tornam as crianças fáceis ou difíceis de serem manejadas pelos pais. Na correção do instrumento, é computado um escore total de estresse parental referente ao Estresse Parental Total (soma dos pontos de cada item) que pode variar de 36 a 180 pontos e os escores de cada subescala (referentes à soma dos valores das questões de cada subescala). O ponto de corte para estresse é de 94 pontos no Estresse Parental Total, na subescala Sofrimento Parental 33, na subescala Interações Disfuncionais entre Genitor-criança 28 e na subescala Criança Difícil 37.
Quanto às propriedades psicométricas do instrumento, a versão reduzida do PSI/SF apresenta uma consistência interna satisfatória, com valores de coeficiente de alpha de Cronbach de .71 para a subescala Criança (Criança Difícil), .82 para a subescala Pais (Dificuldade Parental), .77 para a Interação (Interação Disfuncional Mãe/Pai-Criança) e .89 para o Escore Total (Santos, 2008).
É importante salientar que este instrumento não é suficiente para um diagnóstico clínico, entretanto, níveis de estresse acima dos pontos de corte podem indicar a necessidade de uma avaliação mais detalhada, juntamente com outras medidas, para provável encaminhamento para intervenção clínica.
Roteiro de Entrevista de Habilidades Sociais Educativas Parentais - RE-HSE-P (descrito em Bolsoni-Silva et al., 2014): consiste em um roteiro de entrevista que levanta as habilidades sociais educativas parentais, frequência de ocorrência e variáveis antecedentes e consequentes.
São realizadas perguntas oralmente ao respondente, cujas respostas verbais espontâneas são gravadas, de acordo com a recomendação do manual de instruções do instrumento, para computação e posterior avaliação dos dados coletados.
RE-HSE-P é composto por 13 conjuntos de questões abertas que são mensuradas quanto à frequência - se os comportamentos avaliados acontecem frequentemente, algumas vezes, nunca/quase nunca - e variedade de respostas - se para uma mesma classe de respostas existem diferentes tipos de comportamentos. Ele é um instrumento que identifica as variáveis antecedentes e consequentes para cada uma das HSE-P mensuradas e permite descrever relações funcionais entre as respostas dos pais e dos filhos, além de indicar padrões comportamentais clínicos e não clínicos.
O instrumento permite categorizar as respostas dos pais/cuidadores em cinco subcategorias, a saber: Habilidade Social Educativa Parental, Prática Educativa Negativa, Habilidades Sociais dos Filhos, Problemas de Comportamento e Variáveis de Contexto. O instrumento também permite a obtenção dos escores do Total Positivo (referente à soma dos escores das categorias de Habilidades Sociais Educativas, Habilidades Sociais Infantis e de Contexto) e o do Total Negativo (equivalente a soma dos escores referentes às categorias de Práticas Educativas Negativas e Problemas de Comportamentos dos Filhos).
A categoria relacionada à Habilidade Social Educativa Parental (HSE-P) envolve comportamentos de comunicação e negociação, expressão de sentimentos e enfrentamento, sensação de bem-estar e, também, comportamentos específicos da relação conjugal, como aceitar, concordar, pedir desculpas, entre outros.
A categoria Práticas Educativas Negativas está relacionada a comportamentos não habilidosos ativos e passivos e a sensação de mal-estar. Com relação aos comportamentos dos filhos, existem duas categorias específicas para perguntas com os seguintes temas: conversa, estabelecimento de limites, expressão de opiniões e sentimento negativo, demonstração de carinho, comportamentos que os pais aprovam ou desaprovam, perguntas e dúvidas sobre sexualidade.
A categoria Habilidade Social Infantil compreende comportamentos habilidosos:
disponibilidade social e cooperação ou expressão de sentimentos e enfrentamento. Retratando os aspectos considerados negativos do relacionamento, na categoria Problemas de Comportamento, existem problemas de comportamento infantis externalizantes, internalizantes e outros comportamentos-problema, como o descuido com o ambiente e com as próprias coisas.
Há, também, a categoria que diz respeito às variáveis contextuais (Contexto), a qual está distribuída na maioria das questões do RE-HSE-P, sendo relacionada a temas diversos, como
situações de lazer, horário de refeição, concepções de certo e errado, motivos para estabelecer limites, problemas pessoais dos pais e questões do filho sobre relacionamento sexual e doenças sexualmente transmissíveis.
Além disso, a aplicação do RE-HSE-P permitiu o levantamento de dados sociodemográficos dos participantes por meio de questões referentes ao grau de escolaridade, estado civil, renda familiar, profissão/trabalho fora de casa e período de trabalho.
Quanto às propriedades psicométricas, o RE-HSE-P foi validado por meio da aplicação em mães de pré-escolares e escolares, de acordo com as informações descritas no Manual de Correção. Por isso, trata-se de um instrumento que apresenta bons indicadores de validade discriminante, de construto e fidedignidade teste-reteste, bem como apresenta consistência interna com alfa de Cronbach de 0,846 para os 70 itens avaliados e confiabilidade com alfa de 0,846 (Bolsoni-Silva et al., 2014).