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2 MÉTODO

2.6 INSTRUMENTOS

2.6.3 Instrumentos aplicados nas mães e em seus respectivos filhos

Escalas de Responsividade e Exigência Parental: trata-se de um instrumento de autorelato elaborado com base na Escala de Responsividade e de Exigência Parental, de Lamborn, Mounts, Steinberg e Dornbusch (1991). Foi adaptado para a realidade brasileira, por Costa et al. (2000), em um estudo realizado com adolescentes para avaliar o modo como os pais educam os filhos, por meio de categorias de estilos parentais. Esse instrumento originalmente é aplicado nos filhos. Porém, nesta pesquisa também foi usada a adaptação feita por Weber, Prado, Viezzer e Brandenburg (2004), que fizeram uma “versão pais das Escalas de Responsividade e Exigência Parental”, na qual as mesmas questões originais foram modificadas para que as mães respondessem sobre seus próprios comportamentos, na interação com seus respectivos filhos.

O instrumento contém 16 questões, divididas em duas escalas intituladas de Responsividade e Exigência. A Escala de Responsividade se refere ao uso de reforçamento parental perante os comportamentos dos filhos. Por outro lado, a Escala de Exigência Parental está relacionada ao uso de regras e exigências feitas pelos pais na interação com seus filhos, permitindo a classificação de quatro estilos parentais a partir de diferentes combinações:

autoritário, autoritativo (democrático), indulgente (permissivo) e negligente.

A dimensão de Exigência contém seis questões e a de Responsividade apresenta dez.

As questões das escalas são avaliadas por meio de um sistema Likert de três pontos, variando de um (Não tenta) a três (Tenta Bastante).

A forma de correção é feita no programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), versão 21. Nesse programa, é utilizada uma fórmula para calcular a média e a mediana de Responsividade e Exigência (avaliação de mães, filhos e combinados). Os participantes que ficam na mediana são retirados das análises. O cálculo das medianas permite classificar os participantes em quatro estilos parentais (alta = acima da mediana; baixa = abaixo da mediana), a saber, autoritativo: exigência alta e responsividade alta; indulgente: exigência baixa e responsividade alta; negligente: exigência baixa e responsividade baixa; e autoritário: exigência alta e responsividade baixa. Para a presente pesquisa não foi possível definir os estilos parentais de cada mãe pelo fato de a maioria das mães, do GE e do GC, terem apresentado escores médios que coincidiram com os valores das medianas.

Em relação às qualidades psicométricas, com o refinamento da versão de Costa et al.

(2000), essas também se configuram de forma positiva. Apresenta bons índices de consistência interna e valores de alfa de Cronbach entre os 0,78 e os 0,92. A análise dos componentes principais demonstra uma boa fidelidade, validade e sensibilidade deste instrumento, sendo considerado adequado para avaliar responsividade e exigência na população brasileira.

Escalas de Qualidade na Interação Familiar - EQIF (Weber et al., 2009): este instrumento foi elaborado para a criança/adolescente responder sobre comportamentos específicos de seus pais e sobre outros aspectos de sua interação familiar. Na presente pesquisa, o filho (a) respondeu sobre o comportamento de sua mãe (Versão Pais) e a mãe sobre si própria (Versão Filhos).

O EQIF contém 40 questões, avaliadas pelo sistema Likert de cinco pontos: (1) nunca;

(2) quase nunca; (3) às vezes; (4) quase sempre e (5) sempre. As respectivas questões são divididas em nove subescalas, sendo que seis delas avaliam práticas educativas parentais (Relacionamento Afetivo e Envolvimento, Regras e Monitoria, Punição Corporal, Comunicação Positiva dos Filhos e Comunicação Negativa), duas avaliam o Clima Conjugal (Positivo e Negativo) e uma avalia o Sentimento dos Filhos em relação aos pais. Salienta-se que as escalas de Punição Corporal, Comunicação Negativa e Clima Conjugal Negativo aferem práticas consideradas de risco para o desenvolvimento infantil, já as outras escalas avaliam aspectos positivos que geram consequências saudáveis para a educação de filhos.

Segue a descrição das escalas que avaliam aspectos positivos e negativos e o número das questões que cada uma engloba.

Assim, as escalas dos aspectos positivos do EQIF são:

1) Relacionamento Afetivo/Envolvimento: relativos à participação dos pais na vida dos filhos, investiga o apoio familiar, a demonstração de amor dos pais para seus filhos,

seja de forma física ou verbal, e se oportunizam o diálogo e a autonomia do filho (questões 1, 9, 17, 19, 26, 27, 30, 35: escore mínimo de 8 e máximo de 40);

2) Regras e Monitoria: avalia dois aspectos, se há regras para orientar comportamento do filho e a ocorrência de monitoramento das atividades da criança (questões 18, 28, 36, 39: escore mínimo de 4 e máximo de 20);

3) Comunicação Positiva dos Filhos: identifica se há diálogos construtivos na interação pais-filhos e se os filhos se sentem à vontade para falarem de si para seus pais (questões 4, 12, 22: escore mínimo de 3 e máximo de 15);

4) Clima Conjugal Positivo: avalia se há boa interação entre o casal em termos de diálogo, respeito e afeto (questões 6, 14, 23, 33, 38: escore mínimo de 5 e máximo de 25);

5) Modelo Parental: investiga se os pais se comportam de maneira coerente com aquilo que ensinam aos filhos (questões 7, 15, 24: escore mínimo de 3 e máximo de 15);

6) Sentimento dos Filhos: relacionada a questões de afeto e exemplo, avalia como os filhos se sentem em relação aos seus pais (questões 8, 16, 25, 34, 40: escore mínimo de 5 e máximo de 25).

As escalas dos aspectos negativos do EQIF são:

7) Punição Corporal: corresponde à palmada utilizada pelos pais para corrigir ou controlar comportamentos dos filhos e avalia se os pais batem para disciplinar as crianças ou como forma de descarregar emoções (questões 20, 31, 37: escore mínimo de 3 e máximo de 15 - escore invertido);

8) Comunicação Negativa dos Pais: investiga comportamentos inadequados dos pais ao falarem com seus filhos, medindo tanto a inadequação de conteúdo como a forma de expressão, como ameaças, xingamentos, gritos etc. (questões 2, 5, 10, 13, 32:

escore mínimo de 5 e máximo de 25 - escore invertido);

9) Clima Conjugal Negativo: avalia se os pais interagem de forma agressiva com o filho, com brigas, xingamentos e falta de diálogo (questões 3, 11, 21, 29: escore mínimo de 4 e máximo de 20 - escore invertido).

O EQIF demonstrou boas propriedades psicométricas por meio do cálculo de alfa de Cronbach e de análise fatorial dos componentes principais. Por isso, pode ser considerado como uma medida válida de qualidade na interação familiar em termos de confiabilidade do instrumento.

Questionário de Satisfação do Programa: trata-se de um questionário elaborado para a presente pesquisa, com base em Eyberg (1993), com o intuito de avaliar diferentes aspectos trabalhados no programa de intervenção aplicado. O questionário foi composto por cinco questões: quatro foram respondidas pelas mães do Grupo Experimental (Versão Mães - Apêndice C) e uma questão foi respondida pelos filhos (Versão Filhos - Apêndice D), com o intuito de verificar se os respectivos filhos observaram mudanças comportamentais em suas mães após o término do programa.

A seguir, serão apresentados os aspectos avaliados nas respectivas questões no questionário para as mães e para os filhos.

O questionário “Versão Mães” englobou questões abertas e fechadas, assim, a primeira caracteriza-se como fechada (por meio de uma escala que variou de ótimo a péssimo) e as outras como abertas, a saber: 1) Avaliação do programa quanto a: 1.1) Envolvimento no programa, 1.2) Número de encontros realizados, 1.3) Aproveitamento quanto à realização de tarefas, 1.4) Adequação dos objetivos propostos, 1.5) Adequação das atividades/vivências aplicadas e 1.6) Desempenho da facilitadora (psicóloga); 2) Descrição de aspectos que mais desagradaram no programa de intervenção; 3) Descrição de aspectos que mais agradaram no programa; e 4) Investigação de se as mães estavam conseguindo aplicar os conhecimentos adquiridos no grupo de intervenção na interação com seus filhos.

Já o questionário na “Versão Filhos” abordou seguinte aspecto: 5) Avaliação dos filhos sobre se o programa de intervenção aplicado contribuiu para mudanças comportamentais em suas mães.