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Os dados da pesquisa foram coletados através de entrevistas em profundidade e grupos

de foco, que se constituem dados primários, acompanhados por um diário de campo, a análise

documental.

1.9.1 Entrevistas em profundidade

A entrevista em profundidade é muito utilizada nas pesquisas motivacionais e

conforme Malhotra (2001, p. 163), é caracterizada como pessoal, direta e não estruturada em

que um único respondente é questionado por um entrevistador qualificado, com o objetivo de

revelar motivações, crenças, atitudes e sentimentos a respeito de determinado tópico.

A amostra utilizada para a entrevista em profundidade foi a não probabilística por

julgamento (MATTAR, 1993), selecionada em duas fases. Primeiro foram selecionados os

grupos de jovens de cada uma das três organizações e, em seguida, os jovens participantes

desses grupos, conforme seu estágio de participação em relação ao grupo: iniciantes (que

estão começando sua experiência no grupo), militantes (ainda participantes dos grupos,

comprometidos com a causa da organização, exercendo serviços de articulação da sua

organização ou na sociedade em geral – sindicatos, partidos, etc.) e egressos (pessoas que já

saíram dos grupos juvenis), totalizando 27 entrevistas que foram gravadas e transcritas para

serem analisadas. A Tabela 1 mostra a distribuição dos entrevistados por instituição:

Tabela 1 – Distribuição dos entrevistados por organização

Estágio de participação Organização

Total PJE MST EPB Iniciante 3 3 3 9 Militante 3 3 3 9 Egresso 3 3 3 9 Total 9 9 9 27

O critério da seleção destas organizações deve-se ao fato de proporem o grupo de

convivência como forma privilegiada para a formação dos jovens, terem proximidade

geográfica e por manter uma certa heterogeneidade: um movimento popular, dentro da

estrutura social de exclusão social, ligado à questão fundiária (MST); uma pastoral organizada

em nível nacional e latino-americano, ligada à Igreja Católica (PJE) e uma organização não

governamental (ONG), estruturada com a juventude e preocupada com a questão da paz

(EBP). Há convergência em relação à metodologia de trabalho com os jovens, mas há muitas

diferenças que caracterizam cada uma das organizações estudadas.

Estas organizações trabalham os grupos de jovens com vistas ao protagonismo juvenil

e acompanham sua dinâmica através de uma estrutura de apoio formada por pessoas

qualificadas para assessorar o processo, secretarias, bibliotecas e destinação de recursos

humanos, materiais e financeiros. Participam dos grupos jovens que se identificam com a

proposta do grupo e seus objetivos. Normalmente, os grupos são organizados em uma

realidade específica (por ex: interior, meio popular, escola), com jovens da mesma idade

(identificação etária) e objetivos comuns (querem se encontrar, participar, aprender, fazer algo

na comunidade...).

As entrevistas foram realizadas com o apoio de um questionário semi-estruturado (em

anexo), envolvendo uma livre troca de informações entre entrevistador e entrevistado, com

uma abordagem direta, variando a duração da entrevista entre 40 minutos a 1 hora.

1.9.2 Grupos de foco

Após uma análise prévia do material disponível (especialmente as respostas das

entrevistas), foi desenvolvida uma pesquisa em grupos de foco em cada uma das três

organizações, tendo como foco as bases para a produção de capital social (desenvolvidas por

especialistas na pesquisa de capital social): confiança, participação, pertencimento à

comunidade, tolerância, redes de cooperação, solidariedade e cooperação recíproca.

Grupos de foco se constituem em “entrevistas realizadas de maneira não-estruturada e

natural, por um moderador treinado, junto a pequeno grupo de respondentes” (MALHOTRA,

2001, p. 156). A dinâmica constou de um encontro com um grupo de jovens em torno de uma

hora para problematizar aprendizados, motivações, crenças e atitudes sobre a temática capital

social. Por ocasião do convite, os participantes já foram informados dos objetivos deste

encontro e da metodologia a ser utilizada. Estas informações foram recuperadas no início do

encontro, ocasião em que os participantes foram colocados em clima de informalidade e

orientados para a importância da sua participação nesta fase da pesquisa.

A amostra utilizada para a pesquisa em grupos de foco foi a não probabilística por

julgamento, selecionada com os responsáveis das organizações estudadas.

25

Definiu-se reunir

jovens dos três grupos estudados, com tempo de participação de 2 a 3 anos

26

, explicitados na

Tabela 2.

Tabela 2 – Composição dos grupos de foco

Tempo de participação no grupo Organização

Total

PJE MST EPB

Mais de três anos de grupo 1 2 1 4

De dois a três anos de grupo 3 2 4 9

Menos de dois anos de grupo 1 1 0 2

Total 5 5 5 15

Fonte: Organização da distribuição da pesquisa por tempo de participação e organização em que participam

Para ter um grupo de controle, foram convidados também jovens que não participavam

de grupos. O foco desenvolvido com estes jovens era o mesmo daquele dos jovens

participantes de grupo (as bases para a produção de capital social), como também a dinâmica

era a mesma: encontro de aproximadamente uma hora em que os participantes, cientes do

objetivo e importância da sua participação na pesquisa, dialogando a respeito da temática

proposta. A sessão foi filmada e as falas transcritas, servindo como controle para analisar a

importância do grupo (ou não) para a construção de capital social, nesta pesquisa.

Em Santa Cruz do Sul e em Encruzilhada do Sul, estes jovens participaram do mesmo

encontro com os do EBP e do MST, respectivamente. Em São Leopoldo foi organizado um

encontro à parte, somente os que não tem grupo, uma vez que também a PJE teve um

encontro formado por jovens que participam de grupos, como indica a Tabela 3 da amostra

em grupos de foco.

Tabela 3 – Amostra do grupo de comparação da pesquisa grupos de foco

Origem dos participantes Número de

participantes

Encruzilhada do Sul 1

Santa Cruz do Sul 3

São Leopoldo 6

Total 10

Fonte: Organização da pesquisa grupos de foco

25 Os contatos com os responsáveis foi importante durante todo processo da pesquisa, contribuindo para a

definição dos grupos de pesquisa, eleição dos entrevistados, partilha de documentos e dos primeiros resultados e para tomar novos caminhos.

26 Uma característica deste grupo foi que 50% já havia participado da primeira fase da pesquisa (entrevista em

1.9.3 Diário de campo

No processo de desenvolvimento da pesquisa o Diário de Campo foi companhia

inseparável, contendo anotações sobre as visitas, as organizações, observações e impressões

diversas. Conforme Alves-Mazzotti, (2001, p. 164) “a observação de fatos, comportamentos e

cenários é extremamente valorizada pelas pesquisas qualitativas”, permitindo, dentre outras,

“checar” a sinceridade das respostas, identificar comportamentos não-intencionais ou

inconscientes e explorar tópicos que os informantes não se sentem à vontade para discutir.

1.9.4 Documentos

As três organizações estudadas têm uma vasta gama de documentos. Para esta

pesquisa nos limitamos a consultar as atas e publicações referentes ao foco em estudo. Outras

publicações como livros, jornais e revistas contribuíram para relatar a história e a dinâmica de

cada umas das três organizações estudadas.