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Instrumentos

No documento CONSENTIMENTO PARA PESQUISA (páginas 66-69)

3. MÉTODO

3.1.2. Instrumentos

Os quatro instrumentos, aplicados aos adolescentes participantes, estão descritos abaixo:

1) Escalas de Qualidade na Interação Familiar – EQIF (WEBER, SALVADOR & BRANDENBURG, 2006; WEBER, PRADO, SALVADOR e BRANDENBURG, no prelo). Este instrumento foi proposto para a criança/adolescente responder sobre as atitudes de seus pais (pai e mãe separadamente) e outros aspectos de sua interação familiar. O EQIF contém 40 questões, avaliadas pelo sistema Likert de 5 pontos, e são divididas em nove pequenas escalas: envolvimento (questões 1, 9,

4 Para garantir o anonimato das quatro escolas participantes, elas foram identificadas pelas letras A, B, C e D.

17, 19, 26, 27, 30, 35), regras e monitoria (18, 28, 36, 39), comunicação positiva dos filhos (4, 12, 22), comunicação negativa (2, 5, 10, 13, 32), punição corporal (20, 31, 37), clima conjugal positivo (6, 14, 23, 33, 38), clima conjugal negativo (3, 11, 21, 29), modelo parental (7, 15, 24) e sentimento dos filhos (8, 16, 25, 34, 40). Destas, seis escalas são positivas e três são negativas e, assim, é possível obter o Total Positivo (soma das escalas positivas: envolvimento, regras e monitoria, comunicação positiva dos filhos, modelo, sentimento dos filhos e clima conjugal positivo) e o Total Negativo (soma das escalas negativas: comunicação negativa, punição física e clima conjugal negativo). A combinação destes escores totais fornece a classificação das famílias dos participantes da seguinte forma: família de risco (escore baixo no Total Positivo e alto no Total Negativo) e família protetiva (escore alto no Total Positivo e baixo no Total Negativo). Para tal classificação, os valores que serão utilizados como ponto de corte para a faixa etária acima dos 12 anos são os seguintes: a) Família protetiva - TP igual e maior que 227 e TN igual e menor que 42; b) Família de risco - TP igual e menor que 205 e TN igual e maior que 50 (WEBER, PRADO, SALVADOR & BRANDENBURG, no prelo). Os valores apresentados devem ser usados preferencialmente como parâmetro de comparações ou como indicativos da qualidade na interação familiar. O instrumento corresponde às questões de 1 a 40 da parte 1 do Anexo A.

2) Escala de Envolvimento dos Pais em Tarefas Escolares (EPTE), elaborada pelas próprias pesquisadoras especialmente para a presente pesquisa (questões 41 a 51 da parte 1 do Anexo A). Este instrumento contém 11 questões, avaliadas pelo sistema Likert de 5 pontos, que são divididas em duas dimensões: envolvimento positivo dos pais (EPP), que avalia o quanto os pais incentivam, ajudam e reforçam o estudo dos filhos (questões 41, 43, 45, 49 e 51) e envolvimento negativo dos pais (ENP), que avalia o quanto os pais brigam, castigam e punem o baixo desempenho e pouco estudo dos filhos (42, 44, 46, 47, 48 e 50). Para obter um escore final, deverá ser usada a equação EPP–ENP. A consistência interna desta escala foi verificada através do alfa de Cronbach e os valores encontrados foram: 0,747 para EPP(pai); 0,668 para EPP(mãe); 0,599 para ENP(pai); e 0,598 para ENP(mãe). Valores do alfa maiores que 0,700 são considerados bons, valores entre 0,650 e 0,700 são ainda considerados acima do

limite de aceitabilidade (HAIR, ANDERSON, TATHAM & BLACK, 2005). Portanto, os valores encontrados para EPP (pai e mãe) podem ser considerados adequados, indicando boa consistência interna da escala. Os valores encontrados para ENP (pai e mãe) merecem atenção, pois mesmo retirando a questão 44 (Meus pais fazem tarefas escolares para mim), que apresentou problemas de consistência, os valores do alfa encontrados se apresentaram abaixo do limite de aceitabilidade, o que indica a necessidade de futuros trabalhos com o objetivo de aprimorar tal instrumento. 3) Escala de Envolvimento dos Adolescentes em Tarefas Escolares (EATE),

também elaborada pelas próprias pesquisadoras especialmente para a presente pesquisa (questões 1 a 9 da parte 2 do Anexo A). Este instrumento contém 9 questões, avaliadas pelo sistema Likert de 5 pontos, que são divididas em duas dimensões: envolvimento positivo dos adolescentes (EPA), que avalia o quanto o adolescente sente o momento de estudo como prazeroso, tendo a iniciativa de revisar conteúdos, a princípio, não solicitados pelos professores (questões 1, 2 e 6) e envolvimento negativo dos adolescentes (ENA), que avalia o quanto o adolescente se esquiva do estudo, procrastina e apresenta dificuldades em relação às tarefas solicitadas pelos professores (3, 4, 5, 7, 8 e 9). Para obter um escore final, deverá ser usada a equação EPA–ENA.

A consistência interna desta escala foi verificada através do alfa de Cronbach e os valores encontrados foram: 0,669 para EPA; e 0,637 para ENA. Valores entre 0,650 e 0,700 são ainda considerados acima do limite de aceitabilidade (HAIR e cols., 2005). Portanto, o valor encontrado para EPA pode ser considerado adequado, indicando boa consistência interna da escala. E, o valor encontrado para ENA também merece atenção, pois mesmo retirando as questões 5 e 7 (Eu deixo para estudar somente um dia antes das provas; Quando eu não faço as tarefas escolares, costumo copiar dos meus colegas), que apresentaram problemas de consistência, o valor do alfa encontrado se apresentou abaixo do limite de aceitabilidade, o que indica a necessidade de futuros trabalhos com o objetivo de aprimorar tal instrumento.

4) Children’s Depression Inventory (CDI), validado no Brasil por GOUVEIA,

BARBOSA, ALMEIDA e GAIÃO (1995). O CDI contém 27 questões para o aluno responder em relação aos seus próprios sentimentos e pensamentos (itens 1 a 27 da

parte 3 do Anexo A). Os itens são distribuídos entre os sintomas afetivos, cognitivos e comportamentais. Os escores de cada item variam de 0 a 2, resultando num espectro de escores que pode variar de 0 a 54, sendo que a pontuação igual ou acima de 19 pontos ou uma resposta positiva no item 9 é indicativo de depressão.

Os instrumentos EPTE e EATE, que foram elaborados para a presente pesquisa, foram submetidos a um pré-teste com três adolescentes (um do sexo feminino e dois do sexo masculino, todos com 13 anos de idade). Neste pré-teste, algumas falhas e problemas na adequação da linguagem foram encontrados, e as alterações necessárias foram feitas. Foi analisada a consistência interna apenas destas escalas por terem sido elaboradas especialmente para esta pesquisa, enquanto que as demais escalas (EQIF e CDI) utilizadas já passaram por processo de validação.

Além dos quatro instrumentos utilizados, o desempenho escolar dos adolescentes foi acessado através de suas notas escolares, como o fizeram BRANCALHONE e cols. (2004), CRUVINEL e BORUCHOVITCH (2004), DALVESCO, MATTOS, BENINCÁ e TARASCONI (1998), GUILLAND e cols. (2000) e LEMES e cols. (2003). Foi utilizada a média das notas tiradas nas disciplinas de Português, Matemática, Ciências, Geografia e História, do ano letivo de 2006. As escolas A e B contavam com uma medida de avaliação bimestral (com média 6,0), enquanto que as escolas C e D contavam com uma medida trimestral (com média 7,0). Portanto, devido à época do ano em que a coleta de dados foi feita em cada escola, em algumas delas não foi possível obter todas as notas do ano letivo. Nas escolas A e B foram acessadas as notas dos três primeiros bimestres e na escola C foram acessadas apenas as notas dos dois primeiros trimestres. Apenas na escola D, última escola contatada na qual a coleta foi feita bem no final do ano letivo, foi possível obter todas as notas do ano (notas dos três trimestres).

No documento CONSENTIMENTO PARA PESQUISA (páginas 66-69)