São inúmeras as possibilidades de expressar-se através do desenho, existe uma grande variedade de meios, suportes e instrumentos auxiliares. A finalidade e a criatividade são o limite. Apesar dessa versatilidade o conhecimento dos materiais técnicos facilita o ato de desenhar. Para Julián e Albarracin (2005), desenhar é criar, mas para isso devemos conhecer as ferramentas que possibilitam esse fenômeno e o conhecimento dos materiais facilita a interpretação das nuances do trabalho, melhorando a linguagem e facilitando a comunicação, possibilitando uma maior compreensão da representação.
Para Magalhães e Pombo (2010, p.128) ―no desenho a ação do desejo dá-se através da ação técnica correspondendo a eficácia e ao ajuste técnico-operativo dos instrumentos utilizados‖.
Destacaremos alguns dos materiais, descrevendo características e suas aplicações, de acordo com o livro Desenho para designers industriais.
Apresentaremos então alguns materiais utilizados para a prática simples do desenho, tendo como referência o livro Desenho para designers industriais de Julián et al (2005), nos detendo aos mais conhecidos e utilizados, pela inviabilidade da descrição de todos eles.
1.3.1. Lápis
O lápis grafite é um dos instrumentos de desenho mais populares, haja vista a facilidade de acesso e seu baixo custo, estes são compostos por mina de grafite inserida em um suporte de madeira que a protege e evita sujeira na mão. Abaixo alguns tipos de lápis os quais são utilizados a prática do desenho.
Lápis convencional - A maioria dos fabricantes indica a dureza da mina nas extremidades superiores dos lápis, indo das minas mais macias (B) até as mais duras (H).
Os lápis de mina mais macia proporciona traços mais escuros: compreendem-se entre os tipos B e 9B. O tipo HB, que provém do inglês hard (duro) e Black (preto), tem um ponto médio de dureza e é o mais versátil ao proporcionar, simultaneamente linhas suaves e traços intensos de grande qualidade. No outro extremo da escala tonal encontram-se os lápis entre os graus H e 9H, que oferecem um traço mais tênue e acinzentado (usados principalmente para desenhos técnicos).
Entre os graus menos comuns está o F (que indica firme) e os lápis extremamente macios, assinalados com a graduação EB e EE.
Grafite – É um material de natureza quebradiça, gordurosa, que se apaga facilmente e proporciona um traço fino e preciso. Pode adquirir-se em diferentes fórmulas: lápis, minas, barras ou em pó.
Lapiseiras finas – São suportes para minas de grafite que permitem a liberação destas à medida que são consumidas, tendo a vantagem de não necessitarem de serem
apontadas, graças as suas espessuras. Sua aplicação é muito variada e utiliza-se nas diferentes fases do desenho, desde o esboço ao projeto técnico final.
Lápis de cor – Os lápis de cor, tal como o lápis grafite, ―são feitos com uma mina de pigmentação aglutinado e prensado, inserida em madeira. Esta mina é constituída por uma mistura de pigmento‖. (JULIÁN et al, 2005). É possível encontrar diversos tios de lápis de cor: os convencionais, os gordurosos, os aquareláveis, entre outros, que podem ser adquiridos individualmente, em caixas, ou estojos de doze a setenta e duas unidades.
Existe uma grande variedade de instrumentos que assim como o lápis são utilizados para a prática do desenho: canetas, giz ou pincel diferem-se na forma de produzir os traços no suporte. As técnicas de desenho no suporte papel podem compreender vários instrumentos, de matérias primas variadas, que podem provocar riscos ou manchas como, o carvão, as canetas de feltro, que são riscadores, e os guaches, o nankim e aquarela, que através de pinceis ou esponjas provocam manchas.
1.3.2. Papel
Tanto no campo da arte quanto do design, o papel é o material mais utilizado, haja vista a facilidade de acesso associado ao baixo custo. São inúmeros os tipos de papel, que variam desde a gramatura até a textura assim como sua porosidade. Julián et al (2005), diz que ―a escolha depende do meio utilizado para pintar, do tamanho do desenho e das preferências pessoais, pois com o tempo o designer acaba por trabalhar com aqueles de que mais gosta‖.
Com relação à prática do desenho à mão livre o papel é o principal suporte. Quanto as suas características, diferencia-se em peso-gramatura-, que podem variar entre 50 a 350 gramas; em seu formato que pode variar desde o A5 até o A0, porém os mais utilizados são os formatos A3 e A4; A cor do papel também é um fator importante e interfere diretamente no resultado final, e a textura que podemos considerar tanto o aspecto de superfície (lisos, ou com ranhuras), quanto ao seu grau de rigidez.
É possível encontrar papeis específicos para cada material ou técnica, vejamos a seguir algumas indicações de tipos de papeis relacionados com técnicas de desenho baseada em Julián et al (2005):
Papel para Grafite – Papeis de grão fino, como a cartolina, são os mais adequados para
desenhos com lápis grafite, por proporcionarem uma ampla gama gradativa. O papel branco é o mais comum, embora sejam utilizados tons acinzentados ou ligeiramente amarelados.
Papel para lápis de cor – Para se desenhar com lápis de cor recomenda-se usar papéis de grão
fino que proporcionam linhas suaves. Papeis com maior gramatura são mais ásperos dificultando a continuidade do traço, deve-se evitar papeis de superfície excessivamente lisa, pois não favorecem a aderência.
Papel para esferográficas e canetas – Para trabalhar com esferográficas ou marcadores de
ponta fina utiliza-se papel de grão fino – baixa gramatura- ou acetinados, os mesmos utilizados para o grafite.
Papel para aquarelas – Nem todos os papeis são adequados para pintar com aquarela, pois esta técnica requer um papel com grande poder de absorção, estes podem ser fabricados de celulose, fibra de linho ou de algodão. Para este tipo de técnica, o habitual a ser usado corresponde a uma gramatura de 250g/m² e uma superfície de grão médio.
Papel para pastel – Existem papéis especiais para se trabalhar com pastéis, que podem variar
em cores e texturas, assim como os marcadores os pasteis precisam ser utilizados em papel de grão fino, que permite trabalha com suavidade para deixar transparecer a textura do papel e a cor subjacente, característica da técnica.
Papel para Marcadores – São papéis com alto poder de absorção, a gramatura habitual é
45/m², tem duas faces mais só uma serve para trabalhar, pois esta recebe tratamento especial para absorver a menor quantidade de tinta possível, impedindo que a tinta fique embebida.
Papéis de cor – Pouco menos utilizados do que os papéis de cores neutras, são utilizados
principalmente para renderings para apresentações, pode ser encontrado em uma grande variedade de gramatura ou textura, assim como papeis destinados a técnicas especificas podem ser encontrados em cores.
Dois aspectos são importantes de serem observados quanto à escolha dos papeis, a gramatura e a textura, que condicionam a interação do papel com o material a ser utilizado.
1.3.3. Acessórios
São inúmeros os materiais utilizados para a prática do desenho, e a criatividade por vezes nos proporciona instrumentos inusitados com o uso de materiais de fora desse contexto para criação de novas texturas ou expressão, a que venha suprir necessidades que os materiais técnicos ainda não às suprem.
Julián et al (2005) cita alguns desses instrumentos que até parece infinitos e a cada dia aparecem novos no mercado, são instrumentos de corte, de eliminação de material, diferentes colas, suportes, elementos transferíveis, dissolventes, que a cada inserção visa acrescer vantagens ao campo do desenho.
Vejamos alguns acessórios essenciais à pratica do desenho:
Pincéis – é possível encontrar pinceis com várias espessuras, largos com cerdas achatadas, finas e arredondadas, assim como temos uma grande variedade de tamanhos e comprimento do cabo. O uso de pincel é condicionado à técnica utilizada, e necessidade do artista ou do designer.
Canetas e bicos de pena – são muito utilizados para arte finalizações, principalmente em desenhos em quadrinhos, se utilizam de tintas, por isso são conhecidas também como ―canetas tinteiro‖.
Marcadores – São canetas que possuem uma ponta de feltro que delimitam o fluxo de tinta.
Borrachas – As borrachas são materiais comuns ao uso, as quais podem encontrar diversos tipos: as porosas, branca de vinil, almofada secante, e seu uso está condicionado a necessidade da técnica.
Réguas, gabaritos, esquadros e curvas francesas – São materiais utilizados para uma maior perfeição dos traços, cada qual com sua especificidade: as réguas para traçado de linhas retas, os gabaritos para as formas, esquadros para paralelas e perpendiculares, e as curvas francesas para curvas orgânicas.
Tintas – São pigmentos líquidos com alto grau de coloração que se pode trabalhar, com caneta, pincéis, aerógrafo, entre outros instrumentos, ou até mesmo sem o uso destes.
Lápis pastel – São comercializados em forma de barras, podemos encontrar dois tipos: os pastéis secos e os oleosos. São compostos por pigmentos misturados com aglutinante até formar uma pasta – por isso o nome pastel.