3 MÉTODO
3.4 Instrumentos
Os instrumentos utilizados foram validados em estudos anteriores e aferem as variáveis do estudo. Todos os instrumentos descritos a seguir constam no anexo I.
Justiça organizacional foi avaliada com a escala de Percepção de Justiça
Organizacional – EPJO, construída e validada por Mendonça et al. (2003). O processo de construção e validação se deu em duas etapas distintas. Na primeira delas, a partir de uma amostra com 258 trabalhadores, os autores realizaram uma análise fatorial exploratória, por meio do método PAF (Principal Axis Factoring) com rotação Varimax, cujos resultados demonstraram adequação da estrutura fatorial tridimensional hipotetizada, com coeficientes alfas de Cronbach todos acima de 0,87. Um segundo estudo foi realizado com 313 trabalhadores e os dados coletados foram submetidos à análise fatorial confirmatória, obtendo-se índices de ajuste que confirmaram a estrutura tri-fatorial hipotetizada (validade de construto) e consistência interna dos itens (fidedignidade), descrevendo a justiça organizacional como um construto de ordem superior, composto por três dimensões.
Esta escala é composta por 20 itens, compreendendo três dimensões da justiça organizacional: justiça distributiva (itens 1, 4, 7, 8, 10 e 11), justiça de procedimentos (itens 3, 5, 9, 13, 15, 17 e 19) e justiça interacional (itens 2, 6, 12, 14, 16, 18 e 20). Exemplos de itens incluem: “sou recompensado de maneira justa por minha responsabilidade no trabalho” (justiça distributiva), “a minha empresa dá oportunidades para os empregados recorrerem das decisões tomadas” (justiça de procedimentos) e “ao se relacionar com os empregados, o meu chefe consegue superar os favorecimentos pessoais” (justiça interacional). As respostas são registradas em uma escala no formato Likert, variando de 1 (discordo totalmente) a 5 (concordo totalmente). Os resultados são apurados a partir da média simples dos itens que compõe cada uma das dimensões e interpretados com base no conteúdo semântico. Quanto maior o valor obtido, mais justiça organizacional é percebida.
Para avaliar o capital psicológico, foi utilizado o formato reduzido do Inventário de Capital Psicológico no Trabalho (ICPT-12), construído e validado para o Brasil por Siqueira, Martins e Souza (2014). O inventário ICPT-12 deriva do inventário completo (ICPT-25), cujo processo de validação e construção teve início com a elaboração de vinte e cinco itens a partir
da literatura sobre capital psicológico proposta por Luthans, F., Luthans, K., e Luthans B. (2004) e posteriormente aplicados em uma amostra com 601 trabalhadores. Os dados foram submetidos a análises exploratórias pelo método Principal Axis Factoring (PAF) com rotação Direct Oblimin, mostrando-se adequada a estrutura fatorial com quatro fatores. Posteriormente foi realizada uma análise fatorial confirmatória, com índices de ajuste se mostrando adequados à estrutura fatorial com quatro fatores e índices de fidedignidade acima de 0,86. Para construção da versão reduzida, os autores retiraram três itens de cada dimensão com os maiores valores de carga fatorial e calcularam os índices de fidedignidade, com valores resultantes todos acima de 0,79, além de constatarem correlação de 0,97 entre a escala completa e a reduzida.
O inventário reduzido é composto por 12 itens, compreendendo quatro dimensões do capital psicológico no trabalho: esperança no trabalho (itens 1, 2 e 6), resiliência no trabalho (itens 5, 10 e 12), otimismo no trabalho (itens 4, 8 e 11) e eficácia no trabalho (itens 3, 7 e 9). Exemplos de itens incluem: “eu espero ter conhecimento suficiente para crescer no trabalho” (esperança no trabalho), “fico mais forte após enfrentar perdas no trabalho” (resiliência no trabalho), “eu acredito que dias melhores virão no meu trabalho” (otimismo no trabalho) e “sou capaz de dominar a tecnologia do meu trabalho” (eficácia no trabalho). As respostas são registradas em uma escala no formato Likert, variando entre 1 (discordo totalmente) a 5 (concordo totalmente). A interpretação se faz pelo valor médio obtido pelos itens da escala, juntamente com o conteúdo dos itens, sendo orientado pelas autoras classificar resultados como alto os valores entre 4 e 5; médio, entre 3 e 3,9 e baixo, entre 1 e 2,9.
Para avaliar o engajamento no trabalho foi utilizada a escala desenvolvida por Schaufeli et al. (2002), composta por 17 itens, compreendendo três dimensões do engajamento no trabalho: vigor (itens 1, 4, 8, 12, 15 e 17), dedicação (itens 2, 5, 7, 10 e 13) e absorção (itens 3, 6, 9, 11, 14 e 16). Exemplos de itens incluem: “em meu trabalho, sinto-me cheio de energia” (vigor), “sou entusiasmado com meu trabalho” (dedicação) e “sinto-me envolvido com meu trabalho” (absorção). As respostas são registradas em uma escala no formato Likert, variando de 1 (nunca) a 5 (diariamente).
Para análise dos resultados, foi utilizada a versão reduzida com base em estudo conduzido em paralelo a esta dissertação por Martins, Januário e Rusticci (2015). Buscando evidências de validade da escala, os dados revelaram estrutura unifatorial, comprovando ser esta a melhor estrutura, já que a AFE (análise fatorial exploratória) não conseguiu extrair 3 fatores e na AFC (análise fatorial confirmatória) o modelo trifatorial não produz ajuste. Assim, a AFE revelou 2 fatores: um primeiro que reúne os 5 itens de dedicação, 5 itens de
absorção (exceto o item 16) e alguns de vigor (1, 4, 8 ) que explica 50,5% da variância e outro com 4 itens , 3 de vigor e um de absorção, que explica 8,66% da variância. Como os 2 fatores são inter-relacionados (r=0,58), indicando a possibilidade de haver um fator de segunda ordem; segundo argumentam os autores, apoiados em Pasquali (2012), eles optaram por rodar nova AFE (PAF) solicitando a extração de apenas um fator. O fator rodado explicou 47,8% da variância total; reuniu os 17 itens e revelou alpha de Cronbach de 0,94.
Dadas às evidências internacionais, sugeridas em validações da UWES, que apresentam melhor ajuste em alguns estudos para a estrutura com três fatores (FONG; NR, 2012; MILLS; CULBERTSON; FULLAGAR, 2012; SEPPALA et al., 2009) e em outros para estrutura com um fator (SHIMAZU et al., 2008), a partir da versão reduzida da escala, Martins, Januário e Rusticci (2015) optaram então por testar exploratoriamente a estrutura da UWES reduzida, ainda por AFE.
A forma reduzida da UWES (SCHAUFELI; BAKKER; SALANOVA, 2006) é composta por nove itens (1, 4, 5, 7, 8, 9, 10, 11 e 14). Extraída por método PAF, solicitaram rotação Oblimin direta. Resultados apontaram apenas 1 fator que reuniu os 9 itens, com cargas entre 0,64 e 0,88 e alpha de Cronbach de 0,94. Estudos confirmatórios estão sendo conduzidos pelos autores.
Bem-estar subjetivo foi avaliado com duas escalas que juntas avaliam o construto,
sendo a primeira delas a Escala de Satisfação de Vida, adaptada e validada por Hutz, Zanon e Bardagi (2014). A escala originalmente construída por Diener et al. (1985) foi traduzida para o português e aplicada em uma amostra de 1388 estudantes universitários. Resultados da análise fatorial confirmatória demonstraram adequação aos índices de ajuste, confirmando a estrutura com um fator e resultando em índice de fidedignidade de 0,87. A escala final é composta por 5 itens. Exemplo de item: “a minha vida está próxima do meu ideal”. As respostas são registradas em escalas de respostas de formato Likert, variando de 1 (discordo plenamente) a 7 (concordo plenamente). A interpretação é feita a partir do valor médio obtido a partir das respostas dos cinco itens e quanto maior o valor, mais satisfeito com a vida a pessoal está.
Escala de Afetos Positivos e Negativos, adaptada e validade por Zanon e Hutz (2014), composta por 20 itens, compreendendo duas dimensões: afetos positivos (itens 1, 3, 4, 11, 12, 13, 15, 16, 18, 19) e afetos negativos (itens 2, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 14, 17 e 20). Exemplos de itens incluem: “animado” (afetos positivos) e “irritado” (afetos negativos). As respostas são registradas em uma escala no formato Likert, variando de 1 (nem um pouco) a 5 (extremamente). A interpretação das dimensões da escala se faz a partir das médias simples
dos dez itens que compõe a escala de afetos positivos e dos dez que compõe a de afetos negativos. Quanto maior o valor em ambas as escalas, mais o respondente vivencia tais afetos; para obtenção do balanço emocional, foi subtraído o valor obtido de afetos negativos, do valor de afetos positivos.
Além das escalas para medir as variáveis do estudo, foi elaborado um questionário para coleta das informações sociodemográficas que visava obter informações para caracterização da amostra. Os aspectos pessoais e de formação educacional foram coletados com perguntas sobre gênero, idade, estado civil, escolaridade e região de residência no Brasil. Os dados sobre trabalho foram obtidos com perguntas sobre profissão, condição de emprego (empregado/desempregado, se trabalhava em empresa da família ou se era proprietário da empresa), tipo de empresa e área de atuação, tipo de vínculo (CLT, etc), nível hierárquico ocupado e tempo de trabalho na empresa atual.