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Instrumentos e procedimentos de coleta de dados

No documento 2013AngelaXavier (páginas 96-99)

Descrever os procedimentos de pesquisa, para além da formalidade, é uma possibilidade de refazer o caminho percorrido pelo pesquisador, conforme afirma Duarte (2002). Desse modo, ao formularmos o problema de pesquisa e delimitarmos o seu foco, esboçamos um caminho peculiar que percorreríamos. Porém, este nem sempre é linear e pode levar-nos a atalhos que pouco a pouco vão constituindo um novo direcionamento, que definem também quais serão os instrumentos ideais para o estudo.

Neste sentido, optamos por uma triangulação de fontes de dados, pois, segundo Yin (2010), o uso de múltiplas fontes permite corroborar os resultados, criando, assim, maior grau de credibilidade do estudo de caso. Assim, a coleta de dados deu-se por meio de análise documental, questionário com os professores e entrevista semiestruturada com os egressos.

Dada a natureza do nosso objeto de estudo, isto é, um programa que ainda está em construção, que busca consolidar-se como política educacional, tornou-se necessário buscarmos dados relativos às normatizações e encaminhamentos não apenas do programa, mas que também elencassem a historicidade, visto que esta pode influenciar direta ou indiretamente a implantação e implementação do PROEJA FIC. Desse modo, tivemos, como base, uma análise documental. Esta técnica teve um importante papel tanto para obtenção, quanto para complementação de dados e informações, constituindo assim uma

fonte poderosa de onde podem ser retiradas evidências que fundamentem afirmações de declarações do pesquisador. Representam ainda uma fonte ‘natural’ de informação. Não são apenas uma fonte de informação contextualizada, mas surgem num determinado contexto e fornecem informações sobre esse mesmo contexto (LÜDKE; ANDRÉ, 1986, p. 39).

Dessa forma, destacamos que, de acordo com o conteúdo das fontes documentais que compuseram a pesquisa, direcionamos a sua forma de análise, que se constituiu por uma abordagem qualitativa, mas também quantitativa. Dentre os documentos, temos a legislação educacional brasileira pertinente ao estudo, documentos técnicos da SETEC/MEC, ofícios, relatórios de gestão do IFSul e SETEC, relatório de verificação de plano de ação do IFSul,

estatuto do IFSul, relatório de assistência estudantil do IFSul Campus Passo Fundo e o projeto político pedagógico do curso.

Quanto aos questionários, os quais foram direcionados aos professores, podemos afirmar que são de caráter qualitativo, pois buscamos conhecer as percepções dos professores sobre o tema, bem como determinadas particularidades do grupo.

Com relação às normas que regem a modalidade de um questionário, Souza et al. (2005) descrevem que eles podem incidir em dois tipos: por meio de entrevista, neste caso, o investigador preenche o questionário, conforme vai formulando as perguntas ou ainda pode ser um questionário do tipo autopreenchido, que pode ser aplicado sem a presença do aplicador, sendo esta a modalidade selecionada em nosso estudo, com questões do tipo aberta. Quanto à padronização do questionário, os autores ressaltam que é preciso expor os objetivos do questionário, indicando a natureza e a relevância do problema que está sendo investigado e fazendo-se uma solicitação de colaboração para participar da pesquisa, motivando o respondente sobre a importância do estudo.

Para aplicarmos os questionários aos professores da EJA, primeiramente, foi solicitada autorização na Universidade Popular, a qual repassou os contatos dos coordenadores de EJA de cada uma das escolas municipais que a ofertam. Assim, o primeiro contato com os professores ocorreu na escola em que atualmente trabalham, em um horário previamente agendado com os coordenadores. As visitas foram realizadas nas três escolas municipais em noites distintas, antes do início da aula. Porém, não conseguimos contato com todos os professores que atuaram no PROEJA FIC, visto que alguns não atuam mais nesta modalidade da Rede Municipal. Ao grupo que ainda trabalha na EJA, apresentamos a proposta e os objetivos da pesquisa e propomos o questionário, salientando que não seriam divulgados os seus nomes. Optamos em enviar o questionário (Apêndice A) via e-mail, a fim de ser mais conveniente para os professores, pois poderiam respondê-lo quando fosse mais apropriado. Juntamente com o questionário, também foi enviada uma solicitação para participação na pesquisa (Apêndice B), contendo todas as informações já repassadas no momento em que visitamos a escola, firmando o nosso compromisso ético.

O procedimento adotado com os professores do IFSul Campus Passo Fundo aconteceu da mesma forma. Após recebermos a autorização do Chefe de Departamento de Ensino, encaminhamos via e-mail a solicitação para participação na pesquisa para os professores que atuaram no programa, bem como o questionário.

Outro instrumento de coleta de dados foi a entrevista (Apêndice C), considerada como uma das principais técnicas de pesquisas sociais, pois pode criar uma atmosfera de influência

recíproca entre quem pergunta e quem responde (LÜDKE; ANDRÉ, 1986), constituindo-se como uma técnica privilegiada de comunicação que permite capturar, além do que é expresso na fala, elementos como pensamentos, concepções, omissões que podem ser revelados nas interações entre pesquisador e interlocutor (MINAYO, 2012).

Ao optarmos pela entrevista, direcionamos a nossa escolha para a modalidade de entrevista semiestruturada a qual, segundo Triviños (2008, p. 152),

mantém a presença consciente e atuante do pesquisador e, ao mesmo tempo, permite a relevância na situação do ator. Este traço da entrevista semiestruturada, segundo nosso modo de pensar, favorece não só a descrição dos fenômenos sociais, mas também sua explicação e a compreensão de sua totalidade, tanto dentro de sua situação específica como de situações de dimensões maiores.

Dessa forma, a entrevista semiestruturada foi a que melhor identificou-se com nossos objetivos para com os egressos. Todavia, a pesquisa com egressos guarda as suas dificuldades e, de acordo com Silveira (2009), as principais são:

x localização dos sujeitos (endereços residenciais e telefones não retratam mais a realidade);

x disposição em participar da pesquisa, revelando informações particulares; x escassez de referenciais de pesquisas com egressos que possam subsidiar o

estudo.

Ao procurarmos pelos egressos do PROEJA FIC em Passo Fundo, deparamos com as dificuldades apontadas por Silveira (2009), pois a maioria não tinha mais o mesmo telefone e muitos deles não residiam mais nos mesmos lugares, causando, assim, alguns empecilhos no desenvolvimento da pesquisa. No entanto, isso não impossibilitou a realização desta investigação, visto que, com o decorrer das entrevistas, fomos percebendo que havíamos chegado ao “ponto de saturação”, conforme já relatamos.

Os oito egressos que foram localizados e concordaram em participar da pesquisa preferiram que as entrevistas fossem realizadas em suas casas, no horário que melhor lhes convinha. Após ter sido obtido o consentimento do entrevistado, as entrevistas foram gravadas. Para condução das entrevistas, adotamos um roteiro (Apêndice C) que possibilitou que o próprio entrevistado conduzisse e resgatasse em sua memória, conforme abordávamos o tema, o qual foi aos poucos sendo retratado por ele, de acordo com a sua própria percepção. As entrevistas tiveram em média duração de uma hora, sendo que o período de coleta ocorreu de setembro a dezembro de 2012. Após o término da realização das entrevistas, elas foram transcritas. Neste processo, optamos por eliminar as expressões e os erros gramaticais das falas e embora não tenhamos incluído características paralinguísticas, inserimos, entre

colchetes, observações importantes, como entonação de voz, mensagens não verbais percebidas durante as falas, silêncios ou ênfases em determinadas expressões (GOMES et al., 2005).

Finalizada a descrição do espaço empírico desta investigação, bem como os instrumentos e os procedimentos utilizados para descortinar o “detalhe” da micropolítica do PROEJA FIC, apresentaremos a seguir o esboço do curso idealizado a partir da concepção da macropolítica do programa.

No documento 2013AngelaXavier (páginas 96-99)