CAPÍTULO 3 A TEORIA E O MÉTODO
3.2 Metodologia
3.2.7 Instrumentos e procedimentos metodológicos
Esta é uma pesquisa documental, a qual “[...] vale-se de materiais que não receberam ainda um tratamento analítico” (GIL, 2009, p. 66). Foi realizada em uma escola da rede municipal de Ensino Fundamental da cidade de Santa Maria/RS, com a utilização de 05 livros de registros de ocorrência envolvendo alunos dos anos iniciais, totalizando 954 registros, sendo que destes, o total de casos utilizados na pesquisa foi de 743 (setecentos e quarenta e três).
Com aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFSM, através de protocolo CAAE (Certificado de Apresentação para Apreciação Ética) sob nº 0287.0.243.000-11/2011, de acordo com CNS nº 196/96.
O período destinado à análise inicial e coleta do material ocorreu nos meses de junho a julho/2011, em dois turnos (manhã e tarde). Após várias leituras e releituras, passamos para o procedimento seguinte, o da coleta, sendo utilizado para este o diário de campo e a fotocópia do material.
A coleta do material para a análise ocorreu em diversas salas disponibilizadas pela escola (sala da orientadora educacional, dos professores, da direção), sendo que, em primeiro contato com os livros, efetuamos a separação dos mesmos por ano
e após uma rápida leitura, visando segundo Gil (2008, p. 51) a “[...] exploração das fontes documentais, que são em grande número”.
Com a disponibilidade da escola, em nos oferecer outros espaços para a coleta, introduzimos nesta pesquisa e passamos a utilizar também, para a coleta de dados, a observação participante, que “[...] consiste na participação real do conhecimento na vida da comunidade, do grupo ou de uma situação determinada [...] sendo definida como a técnica pela qual se chega ao conhecimento da vida de um grupo a partir do interior dele mesmo” (GIL, 2008, p. 113), visto que vivenciamos o acolhimento por parte desta escola, com relação a nossa pesquisa, diferentemente de outros locais, onde não obtivemos autorização.
O método utilizado para a compreensão e elucidação do material foi à análise de conteúdo a qual é:
[...] Um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter, por procedimentos, sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens (BARDIN, 1977, p. 42).
A grande quantidade de casos registrados, somados à falta de critérios nos registros das ocorrências, trouxe-nos a reflexão de que método utilizar para coletá- los? Neste sentido, ao concordarmos com Demo (2005, p. 24), quando este efetua inferências sobre a impossibilidade da análise sem as discussões pertinentes ao método, o qual “[...] é o instrumento, caminho, procedimento, e por isso nunca vem antes da concepção de realidade”.
Entre os critérios que utilizamos para o descarte dos ‘totais não utilizados’ (Quadro 4), ou seja, não computados para a análise, levamos em conta as situações de: alunos com problemas de saúde (dor de dente, de cabeça, vômito e náusea, escabiose, tontura, gripe, febre, pisar em prego, torcer o pé); a utilização indevida dos livros como se fossem agendas, com anotações de números de telefone de familiares de alunos (pai, mãe, tios, avôs, avós, irmãs); os alunos que chegaram atrasados; advertências e registros por faltar aula (para cuidar de irmãos, cuidar de familiares que tiveram filhos, por terem ido a velório); solicitações para liberação antecipada do término da aula; doação e recebimento de material escolar, reuniões com turmas; reunião com turma e professora; ausência de data; como por exemplo, quando a escola telefona para o responsável solicitando seu
comparecimento, compreendemos não serem relevantes para o nosso propósito, sendo estes os mais significativos.
Observações Gerais do Material Utilizado para a Análise:
No primeiro contato com o material, as impressões gerais destes mostram que todos os registros são efetuados em cadernos grandes68, tipo espiral, não contém numeração, e em boas condições e estado de conservação. Após rápida leitura inicial, identificamos alguns tipos de letras diferentes, com métodos de registros também diferentes, dando indícios de que são várias as pessoas que efetuaram os registros.
A pressão exercida com os instrumentos de registros utilizados (caneta e caneta hidro cor) sobre o material (cadernos) mostrou-se variável, há registros com rasuras, reforços, destaques, sublinhados. Também há registros com ausência de assinaturas, outros com impressões digitais, e letras espelhadas.
A partir desses dados iniciais, os quais contribuíram para efetuar algumas hipóteses iniciais, sobre quem registra e a confirmação do SOE sobre quem efetua os registros (três orientadoras, e em alguns casos do fiscal de escola).
Quais os critérios utilizados pela escola para efetuar os registros?
Esta foi uma indagação a qual nos fazíamos permanentemente. Não identificamos inicialmente critérios padrão de registro. Então, o que pensamos e utilizamos como critérios para a coleta e a criação das categorias de análise foi:
Quando ocorreu o registro, logo a data deveria estar registrada, sendo que a grande maioria dos registros possui data completa (dia, mês e ano); Quem são os atores envolvidos no fato ou situação: aqui a escola registra
apenas o nome, e por este identificamos o sexo do aluno (em algumas situações é registrada a turma, ou quando existem dois alunos com o mesmo nome, é colocada a turma);
Que fato motivou o registro, e qual o procedimento/ações adotado pela escola em relação a estes?
Assinaturas dos familiares ou responsáveis; o professor (a); diretora; vice; funcionária; o vigia que encaminhou o aluno; e o relato da situação.
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Assim, construímos o Quadro 4, que representa a quantidade de casos registrados, o total de registros nos livros, a amostra não utilizada e a utilizada para fins desta pesquisa:
ANO
QUANTIDADE DE REGISTROS
Registros (100%)
Não utilizada (%) Utilizada
2007 202 22 180 2008 232 27 205 2009 00 00 00 2010 386 147 239 2011 69 134 15 119 TOTAL 954 211 743
Quadro 4 - Quantidade casos registrados e utilizados na pesquisa
Fonte: Livros de ocorrência
Visto não se tratar de uma pesquisa quantitativa, não consideramos relevante a quantificação dos itens não computáveis em categorias, ou exemplificá-los, visto não serem utilizados para a análise.
Portanto, esta pesquisa caracteriza-se como uma pesquisa documental, a qual “[...] vale-se de materiais que não receberam ainda um tratamento analítico, ou que ainda podem ser reelaborados de acordo com os objetivos da pesquisa” (GIL, p. 51, 2009).
Para alcançar os objetivos propostos nesta pesquisa, e através de inúmeras leituras e releituras, buscamos os indicadores de semelhanças no material analisado, objetivando elaborar um sistema de categorias, que, no entendimento de Bardim (1977/2011) “[...] são rubricas ou classes, as quais reúnem um grupo de
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elementos genéricos sob um título genérico, agrupamento esse efetuado em razão dos caracteres comuns destes elementos” (p. 117).
Sendo a análise de conteúdo conhecida como uma técnica metodológica utilizada para a interpretação dos dados coletados em pesquisas após a coleta do material, construímos as seguintes categorias70, com suas subdivisões para análise: