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5.4 Coleta de dados

5.4.1 Instrumentos I: PMMA e IMMA

Durante as fases de aplicação anteriormente descritas, os testes PMMA e IMMA, ministrados individualmente, seguiram rigorosamente as indicações de seus respectivos manuais. Foi preciso preparar o ambiente, mesmo diante da infraestrutura presente no local, com alguns objetos como mesa, cadeira, lápis com borracha, aparelho de reprodução de áudio mono e estéreo, além das folhas de resposta T e R e CDs, pertencentes a cada uma das folhas e testes.

Todo esse material foi preparado na sala com antecedência aproximada de uma hora e meia, antes do início de todas as aplicações. Conforme os agendamentos eram feitos, havia sempre intervalos entre as aplicações, em virtude de a maioria dos participantes chegarem atrasados para os testes.

Ao chegarem ao CEES — tanto para os testes PMMA e IMMA quanto para as atividades disparadoras relacionadas à FOOCM —, participantes, pais e/ou responsáveis e pesquisadora realizavam as apresentações iniciais de praxe. Aos participantes e seus responsáveis eram fornecidas orientações e informações como a de que o acompanhante não poderia se afastar do local enquanto o teste fosse realizado com o menor. Também era explicitado para a criança que ela ficaria o teste todo a sós com a pesquisadora, dispensando a presença de seus pais ou responsáveis na sala, sendo que, às vezes, estaria agrupada a outros participantes, no caso das atividades disparadoras.

Essa abordagem era cuidadosamente feita com as crianças menores que, em alguns casos, apresentavam-se inibidas e até receosas por não conhecerem muito bem a pesquisadora e o local. No entanto, após algum tempo de conversa entre a pesquisadora e o participante, eles demonstravam confiança, não se importando mais com a ausência dos pais e/ou responsáveis. Vale lembrar que nenhum dos participantes pediu por seu responsável ou chorou durante a aplicação dos testes.

O participante era levado para a sala acústica para iniciar a aplicação do instrumento de Gordon (1986a;1986b). Ao adentrar no espaço da audiometria, a pesquisadora explicava detalhes sobre a sala e respondia a todas as perguntas decorrentes da curiosidade frente ao ambiente. Houve casos nos quais o teste demorou a iniciar, por conta do interesse demasiado do participante pelo CEES como um todo, pelas espumas que revestiam as paredes da cabine de aplicação, pelos fones, pelo vidro de isolamento; enfim, por tudo que lhes pareceu diferente, como se pode visualizar na Figura 26.

Figura 26 – Sala acústica

Fonte: Elaborado pela autora.

Ressalte-se que essa curiosidade foi constante e comum aos integrantes dos grupos G2 e G3. Também houve alguns casos em G1, porém esse grupo estava mais adaptado ao CEES, em virtude da presença no local todas as sextas-feiras.

Em um segundo momento, depois de saciada a curiosidade, o participante era acomodado na sala. Assim, lhe era entregue lápis com borracha e as folhas de resposta, de acordo com sua faixa etária e ano escolar, para que, primeiramente, pudesse anotar seu nome completo, idade e o ano escolar. Em seguida, a pesquisadora recolhia a folha R, deixando somente a folha T.

Desta maneira, iniciavam-se todas as etapas de explicação e treinamentos propostos rigorosamente pelo instrumento de Edwin E. Gordon, por meio do manual de cada um dos testes (PMMA e IMMA). Para garantir que o participante havia entendido a proposta do teste, a pesquisadora solicitava que ele repetisse a explicação de cada uma das etapas de como realizar o teste (PMMA ou IMMA). Feito isso, conforme a explicação dada pelo participante referente à execução do teste, a pesquisadora iniciava ou retornava à fase de explicação novamente. Para não constranger ou deixar a criança nervosa ou confusa, essa manobra era realizada sutilmente. Houve casos, comuns aos três grupos, nos quais os participantes disseram à pesquisadora que haviam entendido muito bem e dispensavam a repetição, tanto por parte deles, quanto da pesquisadora, sendo que alguns chegavam a insistir incisivamente para que não houvesse repetição.

Uma das preocupações durante a explicação e treinamento dos participantes era detalhar muito bem os aspectos musicais, expondo, no entanto, somente o necessário, principalmente no que consistia a definição de tons e ritmo. Ressalta-se que G1 e G2 nunca haviam estudado música, exceto G3, que era o grupo dos músicos.

A pesquisadora apoiou-se nos exemplos disponíveis no CD (faixas treino), que possibilitavam explicar exatamente aquilo que o participante ouviria e entre que elementos ele iria escolher. Também, com relação à marcação circular envolvendo as faces (feliz e triste), houve participantes que não conseguiram realizar a marcação circularmente durante a fase treino; dessa maneira, lhes foi concedido o direito de realizar outro tipo de anotação mais confortável.

Alguns participantes apresentavam grande ímpeto e ansiedade para realizar o preenchimento da folha de resposta. À vista disso, a pesquisadora teve que conter as impulsividades de determinados participantes, de acordo com as indicações do manual do teste, para que não preenchessem a folha de resposta antes do tempo determinado. Já aquele participante cujo comportamento era mais calmo, não se fez necessário a contenção para que esperasse os cinco segundos estabelecidos pelo instrumento entre uma sequência e outra. Embora alguns participantes tenham agido impulsivamente, todos conseguiram realizar o teste com bastante independência e sem comprometê-lo.

Ao longo da aplicação dos testes, seis participantes do grupo G1 apresentaram cansaço; o restante não necessitou de incentivo motivacional para chegar até o final. Em G2 foram sete casos e, em G3, nove participantes se mostraram um pouco exaustos. Os demais participantes apreciaram os testes e conseguiram ir até o final sem manifestar cansaço. Tais

comportamentos se explicitavam quando os participantes viravam a folha, precisamente da frente para o verso e outros sentiam o cansaço ao passarem da folha T para a R.

Cinco participantes, considerando G1, G2 e G3, mencionaram que os testes PMMA e IMMA eram extremamente lógicos e inteligentes. Além disso, disseram para a pesquisadora que, para realizar os testes com sucesso, era preciso concentração e foco, o que, segundo eles, tratava-se de um grande desafio para qualquer participante.