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Instrumentos, Tecnologia Educacional e Espaços

2.2 A CONSTRUÇÃO DE MODELOS EDUCACIONAIS

2.2.2 Ferramentas para a construção de Modelos Educacionais

2.2.2.3 Instrumentos, Tecnologia Educacional e Espaços

Historicamente, a educação utiliza-se de qua lquer tipo de m eio de com unicação como um instrumento complementar ou de apoio às atividades interativas entre professores e alunos.

Para esclarecer o qu e são e qu al a importância desse tipo de ferram entas pedagógicas, Claxton (2005) faz um a analogia entre o al uno e o cozinheiro. Um bom cozinheiro, para exibir seus talentos culinários, necessita de e quipamento. Ou seja, além de seus conhecimentos,

facas, fontes de calor e água, ralador, ingredientes e, até mesmo, calculadora, balança e telefone. O mesmo acontece com a aprendizagem. Além dos seus recursos internos (seu conhecimento, suas experiências, suas habilidades e seu te mperamento), o aluno necessita de ferram entas físicas e recursos materiais. "Não se pode aprender a escrever sem caneta e papel ou, em nível mais avançado, sem um dicionário e um livro de referências" (Claxton, 2005: 157).

Ainda de acordo com Claxton (2005: 159), as ferramentas de aprendizagem incluem o espaço físico (es cola), materiais (papel, caneta), instrumentos de alta e b aixa tecnologia (computadores, lápis), trabalhos de referência (livros), sistemas e linguagens sim bólicos (cálculos, planilhas), e tam bém pessoas (profe ssores, colegas de sala ). Conforme o te mpo passa, o aprendiz vai construindo e equipando su a oficina de resolução de problem as com ferramentas (externas e internas), aum entando seu potencial de aprendizagem , acumulando, originando e capitalizando de maneira inteligente o mundo exterior.

Assim como nossas ferramentas internas – nossas estratégias de aprendizage m – não tê m utilidade se não percebem os sua importância para o desafio presente, as f erramentas externas não têm utilidade se não reconhecemos sua existência e seu potencial. Em qualquer momento, o ambiente contém uma série de desafios de aprendizagem (muitos dos quais ignoram os) e também recursos e suportes.

O conjunto desses instrum entos, organizados para atingir objetivos definidos segundo um modelo educacional, recebe o nome de tecnologia educacional.

Buscando inicialmente a definição desse termo, encontra-se no Dicionário Interativo da Educação Brasileira – DIEB (Menezes e Santos, 2002) que Tecnologia Educacional é

toda ação educativa convertida em uma técnica apoiada em uma ciência. No entanto, diante do impacto das chamadas 'novas tecnologias', a expressão te cnologia educacional te m sido mais utilizada com referência às ferramentas tecnológicas que podem ser empregadas no dia a dia do professor, no intuito de incrementar o processo de ensino. O uso da palavra tecnologia, apesar de o termo referir-se a tudo aquilo que o ser humano inventou [...], está ligado, nesse caso, ao conjunto de invenções eletro-eletrônicas que a partir do século passado com eçaram a afetar a vida humana de for ma quase r evolucionária: telégrafo, telefone, fotografia, cinema, rádio, televisão, vídeo e computador. Dessa forma, a tecnologia educacional moderna engloba um forte componente de conhecimento científico – mas inclui, também, importante parcela de conhecimentos práticos, muitos dos quais só p odem ser adquiridos através do próprio exercício da atividade a que se aplica. Essa tecnologia, portanto, não engloba apenas as máquinas que distribuem as mensagens, mas também a organização e as pessoas que a fazem funcionar.

Assim, "a sala de aula pode ser considerada um a 'tecnologia' da mesma forma que o quadro negro, o giz, o livro e outros materiais são ferramentas ('tecnologias') pedagógicas que realizam a mediação entre o conhecimento e o aprendente" (Belloni, 2003: 54).

As novas tecnologias educacionais – satélite , cabo, telefone, redes de com putadores e internet – têm se destacado no apoio tanto à educação p resencial quanto à educação a distância e autoaprendizagem, pois, ao distribuírem sons, imagens e textos de um ponto para outro, podem suportar diferentes graus de diálogos entre profe ssores e estudantes e entre estudantes (Menezes e Santos, 2002).

A tecnologia educacional ou tecnologias e ducacionais, como preferem alguns autores, tem a ver com os espaços pedagógicos, de fo rma intrínseca, na construção de m odelos educacionais. Em relação aos espaços pedagóg icos, considerando os recen tes avanços tecnológicos, há de se questionar se a existênc ia de um único espaço básico de aprendizagem – como a sala de aula presencial – configur a a melhor alternativa que se tem condições de oferecer, tanto em termos de tempo como de espaço.

Talvez, ao invés de escolas nos modelos atuais, podemos ter outros espaços presenciais, específicos para determinadas funções e possi bilidades cognitivas, afe tivas, sociais, éti cas, baseadas em diferentes tipos de convivência e de temporalidades. Isso conjuntamente a diversos espaços virtuais, que colaborariam de forma dis tinta para a aprendizagem, trazendo elementos que, do ponto de vista prático, espaços presen ciais não poderiam prover, tais co mo uma convivência com uma diversidade tem poral, cultural, étnica e cognitiva m uito mais múltipla (Nova e Alves, 2002: 49).

Segundo Moran et al. (2006), o acesso a programas que facilitam a criação de ambientes virtuais coloca alunos e professores junto s na internet, permitindo que os professo res disponibilizem seus cursos e orientem as atividades dos alunos online, e que estes criem suas páginas pessoais, participem de pesquisas em grupo e discutam assuntos de seu interesse em fóruns ou chats.

O mesmo autor observa que houve uma passagem muito rápida do livro para a televisão e vídeo e destes para o com putador e a in ternet, mas as possibilidad es de ap rendizagem oferecidas por cada um desses m eios raramente são exp loradas. A esco la precisa estar preparada para interagir com o ritmo acelerado do mundo globalizado e da era da informação, incentivando o desenvolvimento de posturas mais autônomas e criativas por parte dos alunos. Para que is so se con cretize, os re cursos digitais devem ser cada vez m ais aplicados nos

materiais educacionais, com o objetivo de contextualizar e possibilitar diferentes aprendizagens (Torrezzan e Behar, 2008).

O ensino deve incluir um a mistura de t ecnologias que proporcionam a existência de momentos presenciais e virtuais, a adap tação ao ritmo pessoal dos aluno s, maior interação entre o grupo e avaliação m ais personalizada (Moran et al., 2006). O papel das tecnologias digitais não se lim ita apenas a configuraçõ es, formatações ou enquadram ento de conjuntos complexos de infor mação – elas têm uma função mais abrangente, devendo coatu ar no processo evolutivo da inform ação ao c onhecimento, possibilitando um a multiplicação de chances cognitivas.

Afirma Delcin (2005: 56) que

novas experiências pedagógicas podem surgir na conexão com as novas tecnologias digitais, impactar o ambiente escolar e transformá-lo em múltiplos ambientes cognitivos cooperativos, abertos a exploradores de outros mundos contextuais com suas linguagens inovadoras. Ambientes ricos em discursos, imagens, sentimentos e imensa reserva de desejos e signos que constituem a construção do ser humano, que está sempre a refazer, inacabada.

Pode-se concluir que os instru mentos, a tecnologia educacional e os espaços pedagógicos, em estreita articulação com a engenharia pedagógica, constituem ferramentas essenciais para a formulação de modelos educacionais. São recursos que promovem, facilitam, complementam e apoiam o encontro entre os alunos e as situações de aprendizagem.

Por isso, a definição das ferram entas na construção dos m odelos educacionais é extremamente importante na determ inação do comportamento da escola e dos educadores frente aos alunos. O planejamento dos conteúdos e a articulação entre as teorias de aprendizagem e o conjunto de ferram entas necessárias na construção do m odelo educacional devem ser cuidadosamente estruturados, a fim de assegurar a eficiência e a eficácia de en trega a uma clientela específica e ao m esmo tempo com a flexibilidade indispensável para a adequação contínua deste modelo à realidade em mudança.

Os modelos educacionais híbridos criados e implantados nas escolas de negócios e aqui selecionados, expressam a inovação que vem ocorrendo no cenário internacional, pod endo servir de referencial para a construção de modelos para a realidade brasileira.