É tão importante perceber o fenómeno do insucesso escolar, como descobrir meios para o combater. A busca do sucesso escolar é uma condição inerente à sociedade actual, é ela que aumenta as espectativas dos políticos, professores e famílias.
Devido à abrangência e à complexidade que está em causa nesta problemática, torna-se extremamente complicado focar em todas as soluções propostas para dar fim ao insucesso escolar. No entanto, a importância destas medidas é inquestionável, e como tal, apresentamos de seguida algumas das ideias propostas por diferentes autores.
A prevenção é um dos caminhos a seguir, apresentando-se como uma tarefa urgente e crucial no combate ao insucesso escolar. Mineiro (2000), citado por Monteiro (2010), indica um conjunto de medidas de carácter preventivo a serem aplicadas no meio escolar, através de factores sociais, escolares, psicológicos e pedagógicos.
Factores Sociais: Neste campo a prevenção deverá focar em acções de integração e participação dos pais no meio escolar, tentando envolver o mais possível os pais na vida escolar dos filhos.
31 Factores Escolares: Torna-se importante que o professor aplique com critério o reforço e o fortalecimento dos factores da personalidade, sem esquecer os níveis de curiosidade e motivação dos alunos. Além disso, é também necessário a criação de centros de recursos pedagógicos com a supervisão de professores especializados com o intuito de diagnostica e ultrapassar eventuais dificuldades de aprendizagem.
Factores Psicológicos: De modo a auxiliar o professor na recolha de informações que possam alertar para eventuais problemas dos alunos, revela-se de carácter fundamental a presença de um psicólogo escolar em acções de orientação pedagógica.
Factores Pedagógicos: É crucial que o professor, como principal interveniente na evolução do processo de ensino-aprendizagem dos alunos, domine modelos de observação sistemática, dinâmica, individualizada e colectiva, de forma a identificar e superar os problemas dos mesmos.
Martins (1993) sugere também um conjunto de medidas que visam ultrapassar os elevados índices de sucesso insucesso escolar, passando esta alteração pelos seguintes pressupostos fundamentais:
Alteração da mentalidade dos que tomam conta das políticas educativas; Adequação dos programas às diferentes populações escolares;
Articular as necessidades que a sociedade dispõe com o que cada aluno procura na escola;
Ajustar os processos de avaliação;
Esquecer a ideia que a escola está apta para democratizar a sociedade, o mesmo é dizer que a escola a reproduz;
Melhoria da organização escolar e processos pedagógicos; Maior participação dos professores na escola.
Com a crescente mundialização e a competitividade económica que assenta cada vez mais numa mão-de-obra especializada e qualificada, capaz de se adequar as novas tecnologias, é necessária uma mudança das práticas educativas escolares (Eurydice, 1995). Segundo esta perspectiva, existem alguns factores determinantes no sentido de contrariar o fenómeno do insucesso escolar massivo. Este conjunto de factores divide-se em dois grandes grupos, referindo-se um primeiro grupo às variáveis de estrutura:
32 gestão centrada na escola, a direcção da escola, a estabilidade do pessoal, a gestão dos programas curriculares, a imagem da escola de sucesso e a optimização do tempo dedicado às actividades de apoio. E, um segundo grupo, que integra as variáveis do processo: auscultação e a relação com o pessoal, sentido comunitário e clareza de objectivos (Eurydice, 1995).
No mesmo âmbito, Fonseca (2004) refere um rol de estratégias determinantes para uma escola de sucesso. Alertando para a necessidade de criação de centros de recursos especializados, com o intuito de diagnosticar e superar os problemas de aprendizagem, assim como o estabelecer por parte da escola, objectivos curriculares, métodos de ensino alternativos e a introdução de mudanças na organização pedagógica, através de horários que facilitem acções e recursos de intervenções pedagógicas a tempo parcial.
Grande parte das medidas apresentadas pelos diferentes autores, centram-se em estratégias de intervenção no âmbito escolar (instituição e agentes de ensino) família e aluno, destacando-se as estratégias relativas a uma melhor articulação dos diferentes intervenientes no processo de ensino-aprendizagem do aluno, ao aumento da autonomia da escola no que se refere à aplicação dos programas e métodos de estudo e à utilização de novos equipamentos no sentido de responder à individualidade de cada aluno, tendo em conta as necessidades da sociedade actual.
Monteiro (2010), num estudo em que verificou quais os factores que os alunos consideravam como mais importantes para o seu rendimento académico, obteve as conclusões seguintes:
É essencial que exista dentro do seio familiar um clima familiar harmonioso, uma vez que quando este clima favorável não se verificar, os problemas familiares poderão ser transferidos para o aluno, influenciando negativamente os seus resultados escolares;
Os alunos defendem a ideia de que todos os conhecimentos adquiridos na escolar deveriam ter aplicabilidade em futuras profissões, assegurando que dessa forma os resultados escolares seriam mais positivos. Uma vez que algumas matérias não são do seu interesse, pode despertar uma maior apatia e desmotivação e consequentemente um menor empenho pelos conteúdos dessas disciplinas;
33 A motivação é um factor preponderante para se obter o sucesso académico, pois determina se o aluno vai, ou não, adquirir o conhecimento, a compreensão ou a capacidade para efectuar determinada actividade ou tarefa;
Os alunos consideram que se os objectivos foram estipulados conjuntamente, entre aluno e pais, a sua motivação para aprender será maior, apontando sempre os objectivos a serem alcançados. Desta forma, os pais demonstram um maior interesse e proximidade na vida escolar do aluno. Para que os objectivos sejam atingidos é necessário haver uma concordância entre os objectivos definidos pelos pais e aluno;
O auxílio da escola na preparação para os exames é classificado pelos alunos como essencial. Assim sendo, é preponderante que as escolas criem condições que assegurem um apoio eficaz aos alunos, nomeadamente a criação de salões de estudo e aulas de apoio às diferentes disciplinas, esclarecendo eventuais duvidas dos alunos e ajudando-os a superar as suas principais dificuldades.