4 ARTICULAÇÃO DO CURRÍCULO ESCOLAR COM A PROMOÇÃO DA
4.3 INTERAÇÃO ENTRE O PROFESSOR E O NUTRICIONISTA NO CONTEXTO
A escola é um ambiente estruturador do desenvolvimento e da aprendizagem para a EAN. A escola carrega parte da responsabilidade em formar os conhecimentos e os comportamentos em torno desta temática, pois apresenta as dimensões do aprendizado, sejam as do ensino, sejam as das relações entre a família e a comunidade. Além disso, possui um cenário apropriado para o desenvolvimento da EAN, pois tem alunos em faixa etária favorável à implementação desta concepção.
Ocorreram avanços nas políticas públicas relacionadas à promoção da alimentação saudável nas escolas, porém ainda existem muitos entraves a respeito da EAN e nesse sentido, reconhecer a importância dessas ações na escola é um passo importante. Zancul e Oliveira (2007) verificaram ineficácia nas práticas de EAN e atribuíram isso a maneira como vem sendo desenvolvidas, de forma pontual, descontextualizada ou sem continuidade e sem estar inseridas no PPP da escola. Outro problema é o curto tempo de duração das intervenções realizadas nas escolas e o fato da alimentação ser abordada apenas no âmbito biológico, sendo desconsiderados os aspectos sociais, econômicos, culturais e comportamentais que envolvem a nutrição.
Para que o tema alimentação e nutrição faça parte da rotina da escola é necessária a reformulação do PPP, na busca por incluir alimentação saudável dentro do tema transversal saúde, objetivando ações que tenham continuidade nas diversas áreas de estudo e que promovam mudanças efetivas no comportamento do escolar, principalmente na hora da escolha do que comer. De acordo com Moraes (2010), as reformulações do PPP de uma escola fazem parte de um processo natural e para que isso aconteça faz-se necessária a iniciativa das pessoas envolvidas em alterar o planejamento de forma participativa.
No município de Porto Lucena são trabalhadas ações de EAN, porém estas são pontuais, em função de que são sete escolas e uma nutricionista com carga horária insuficiente para realizar atividades contínuas e ainda conciliar com a gestão da alimentação escolar e o atendimento ambulatorial na Unidade Básica de Saúde. Conforme Zancul e Valeta (2009), ainda ocorre a inadequação do número ou da carga horária de nutricionistas em muitos municípios brasileiros, o que pode
comprometer o desenvolvimento de todas as atribuições previstas pelo CFN ou dificultar o cumprimento das ações de forma adequada. Diante deste fato percebe-se diariamente na experiência profissional que o tempo não é suficiente para realizar todas as atribuições do cargo, assim ocorre um déficit na realização de ações de EAN.
Desta forma, a prática profissional do nutricionista enfrenta, algumas vezes, negação das ações de EAN como práticas no campo de trabalho para os nutricionistas, ficando geralmente em evidência as ações de caráter técnico e fiscalizador. Sendo que as ações técnicas tornam possível o oferecimento de refeições saudáveis em termos de nutrientes e condições sanitárias; caso essas atribuições não sejam bem desempenhadas, os estudantes poderão não ter uma alimentação escolar segura. Assim, com a grande demanda de atribuições do nutricionista que atua no PNAE torna-se necessário repensar e redimensionar o peso que as ações de EAN têm em sua rotina de trabalho. Elas não podem ser vistas como práticas pontuais, uma vez que a educação como processo interativo ocorre o tempo todo.
No município de Porto Lucena realizam-se atividades práticas como, oficinas, gincanas e atividades que buscaram estimular os estudantes a refletir suas práticas alimentares cotidianas em contraposição com algumas sugestões de alimentos que poderiam ser incluídos para tornar a alimentação mais variada, colorida e saudável. A partir deste momento serão descritas algumas atividades desenvolvidas como forma de mapear melhor a situação das ações de educação em saúde que são realizadas permanentemente no referido município.
São realizadas capacitações com as merendeiras com o intuito de discutir assuntos referentes ao processo de preparo da alimentação escolar. Também se buscou debater sobre a alimentação saudável na escola, de forma articulada com a EMATER/RS, com o objetivo de incrementar o cardápio, buscar maior qualidade e variedade nas preparações da alimentação escolar. As oficinas ministradas destacam sempre a responsabilidade das merendeiras em oferecer alimentos seguros e de qualidade aos alunos, bem como o seu potencial para a EAN, já que interagem todos os dias com os alunos. Segundo Germano e Germano (2001) é essencial a realização de atividades de capacitação de merendeiras devido a sua relevância para a produção de alimentos seguros, princípios de higiene pessoal e de alimentos devem ser continuamente reforçados e monitorados.
São realizadas atividades de promoção à saúde nas escolas, alusivas à semana da saúde na escola, referente ao PSE, instituída em 2012 pelo Departamento de Atenção Básica do MS, aborda anualmente temas mobilizadores trabalhados nas escolas por equipes de saúde e educação. A ação tem como intuito a promoção e a prevenção de agravos à saúde, aproximando as equipes de atenção básica e a comunidade escolar (BRASIL, 2007). Durante a semana da saúde na escola no município participam os profissionais da ESF de forma interdisciplinar, abordando diversos temas relacionados à prevenção da saúde. Sendo que a ESF coloca-se como estratégia central, procurando reorganizar o processo de trabalho em saúde mediante operações intersetoriais e ações de promoção, de prevenção e de atenção à saúde (MONKEN; BARCELLOS, 2005).
Outras atividades são as oficinas educativas, desenvolvidas junto com os alunos, os professores e a nutricionista, algumas vezes com o apoio da EMATER/RS, nas quais são elaboradas opções de preparações saudáveis. Essas ações procuram incentivar os alunos a incorporar no seu cotidiano as práticas saudáveis que aprenderam na escola e inclusive envolver os pais, como forma de torná-los sabedores das ações educativas realizadas na escola, possibilitando a reflexão sobre a qualidade dos alimentos consumidos e, com isso, incentivar a promoção e a formação de hábitos alimentares saudáveis.
Dentre as atividades realizadas, algumas contam com o apoio da SMEC, da SMS, do NASF, do Departamento da Assistência Social e auxílio da escola, envolvendo os alunos de forma lúdica com, brincadeiras, jogos, cartazes, atividades em grupo, teatros e, principalmente, com os temas de alimentação saudável, saúde bucal e atividade física. Estas atividades com articulação entre os diferentes setores permite que sejam organizadas de forma adequada para o melhor envolvimento dos alunos e, assim, obter maior efetividade no alcance do objetivo de promoção da saúde.
No desenvolvimento do projeto Pequeno Vigilante em parceria com a SMS e a SMEC são trabalhados temas como, valor nutricional, data de validade, armazenamento correto dos alimentos, perigos de contaminação e cuidados com o meio ambiente. Este trabalho tem como propósito contribuir na construção de uma nova prática e de um amplo entendimento do conceito de vigilância em saúde e responsabilidade fiscal, com ênfase na vigilância sanitária de alimentos. A expectativa é de mobilizar as crianças em relação à prática de atitudes saudáveis e
possibilitar que se tornem seus multiplicadores, visa construir um quadro de saúde mais promissor para as famílias e as comunidades envolvidas. O projeto é amplo, também são realizadas visitas em supermercados do município para que os alunos possam conferir a data de validade dos produtos, latas amassadas, tabela e valores nutricionais, entre outros cuidados que devemos ter antes de adquirir produtos para consumo.
Outro projeto que se buscou desenvolver com as escolas é o projeto Horta Escolar, com o intuito de despertar nos alunos o interesse para o cultivo de horta e conhecimento do processo de germinação. Deu-se oportunidade aos alunos de aprender a cultivar plantas utilizadas como alimento, conscientizar da importância de saborear um alimento saudável e nutritivo. Os alunos puderam consumir as verduras que foram semeadas, cultivadas e colhidas por eles, isso possibilita que se sintam responsáveis e sujeitos ativos no cultivo do alimento que estão consumindo.
Também são desenvolvidas reuniões com os pais, com o intuito de trazer as famílias para a escola e que elas possam conhecer mais sobre a alimentação escolar e confiar nesse alimento que é disponibilizado aos seus filhos todos os dias. Essa ação é desenvolvida dessa forma, pois a realidade do município mostra que os pais contribuem para que os alunos levem lanches não saudáveis de casa e, assim, os consomem na escola no lugar da alimentação escolar ou como adicional a ela. Busca-se valorizar o cultivo dos alimentos em casa, bem como o preparo que valorize a cultura alimentar e a sustentabilidade.
A partir do relato das atividades desenvolvidas no município analisa-se o conceito de EAN apresentado no art. 13, §1º da Resolução do PNAE de nº 38/2009. Essa Resolução define a EAN como sendo “o conjunto de ações formativas que objetivam estimular a adoção voluntária de práticas e escolhas alimentares saudáveis, que colaborem para a aprendizagem, o estado de saúde do escolar e a qualidade de vida do indivíduo…”. De acordo com a citada resolução:
São consideradas, entre outras, estratégias de educação alimentar e nutricional: a oferta da alimentação saudável na escola, a implantação e manutenção de hortas escolares pedagógicas, a inserção do tema alimentação saudável no currículo escolar, a realização de oficinas culinárias experimentais com os alunos, a formação da comunidade escolar, bem como o desenvolvimento de tecnologias sociais que a beneficiem (BRASIL, 2009).
Com base na citação que se refere à inserção do tema alimentação saudável no currículo escolar, ao refletir sobre as atividades educativas desenvolvidas, as entrevistas realizadas com as professoras e a própria rotina acompanhada durante o desenvolvimento da pesquisa, verificou-se a importância de existir a atuação articulada de ambos os profissionais (professor e nutricionista), o que não ocorre no município de forma efetiva. Isso impossibilita que os profissionais dialoguem, ampliem as discussões e todas as possibilidades de conteúdos que podem ser trabalhados com o tema alimentação e nutrição, fato que pode ocorrer quando há envolvimento dos dois profissionais para trabalhar a promoção da alimentação saudável.
Nesse sentido, propôs-se realizar um trabalho articulado com os professores das diferentes áreas, de modo a possibilitar o entrosamento entre nutricionista atuante nos programas de promoção da alimentação saudável e o professor. O trabalho articulado com os professores foi proposto com fins de realizar esta pesquisa e também para iniciar na escola uma ação interdisciplinar com o intuito de passar a discutir a temática alimentação e nutrição de forma contínua.
O nutricionista é um mediador entre o saber educacional e o saber da alimentação, tendo uma função determinante na implantação da EAN na escola (YOKOTA et al., 2010). Porém, de acordo com Albuquerque, Pontes e Osorio (2013), a formação acadêmica em nutrição parece ser insuficiente para trabalhar a EAN na escola, pois além de não ter muitos conhecimentos em relação à prática, também encontra dificuldades em relação aos conhecimentos pedagógicos necessários a um educador. Neste sentido, defende-se que as interações entre nutricionistas e professores precisam ser constitutivas do currículo escolar.
A EAN não se resume em focar na alimentação saudável restrita ao aspecto nutricional. Este conhecimento teórico pode decorrer da formação tradicional e do modelo biomédico de intervenção, que enfoca a doença em detrimento da saúde e seu contexto. A formação dentro do modelo biomédico representa uma barreira ao exercício da EAN pelo nutricionista, o qual deve seguir a Resolução nº 465/2010 que regulamenta as atribuições do nutricionista para a EAN voltada à comunidade escolar, articuladas aos gestores e aos coordenadores pedagógicos para o planejamento de atividade que envolve questões ecológicas e sociais da alimentação (CFN, 2010).
O professor é a pessoa mais adequada para trabalhar a aprendizagem com o aluno, de modo a auxiliar, por exemplo, a formação dos hábitos alimentares saudáveis. Porém, muitas vezes, não possui a compreensão adequada sobre a temática alimentação e nutrição. O nutricionista, por sua vez, ao inserir-se na escola, a fim de exercer a interdisciplinaridade, necessita estabelecer um diálogo entre o saber popular, o saber técnico apreendido na formação e o conhecimento multidimensional da alimentação (ALBUQUERQUE; PONTES; OSORIO, 2013). Por essa razão, na execução de atividades de EAN em escolas deve haver a ação conjunta desses dois profissionais, visto que os conhecimentos necessários a esta ação fazem parte da formação de ambos.
Ao introduzir essa ideia na escola as professoras mostraram-se interessadas e referiram a importância de se trabalhar com a temática, porém, mesmo assim, sugeriram que fosse trabalhado o tema na disciplina de Ciências, pois seria a área de maior possibilidade para trabalhar com o tema alimentação, segundo os professores da escola. Neste sentido, cita-se Boff (2011) ao referir que as resistências são inerentes ao processo de formação pela pesquisa, pois desestabiliza o professor, tirando ele dê sua rotina de trabalho ao se deparar com algo novo para qual não estava habituado, fazendo-o sentir angústia e medo.
Diante deste fato, verificou-se que as concepções educativas de muitos profissionais ainda não são críticas, geralmente são tradicionais, característica de uma formação baseada em um modelo tecnicista, fragmentado e centrado na transmissão de conhecimentos, o que pode ser apontado como uma das dificuldades que os profissionais enfrentam para desenvolver, em suas atividades cotidianas, um processo interativo da produção de conhecimento. Concorda-se com Boff (2011) ao argumentar que o currículo ao ser representado como um conjunto de conhecimentos e informações a ser transmitido aos estudantes não permite e/ou não os estimula a serem sujeitos de seu processo de ensino e aprendizagem, com possibilidades de criar, inovar e propor soluções para os problemas de seu dia a dia.
A interdisciplinaridade na EAN exige a integração de educadores, nutricionistas e merendeiras num trabalho conjunto e a interação das disciplinas do currículo escolar entre si com a realidade cotidiana da alimentação. Segundo Boog (2004), intervenções técnicas isoladas predominam em relação às interdisciplinares. Começou-se então, as discussões para trabalhar de forma articulada com a professora de Ciências do Ensino Fundamental, a qual relatou que trabalhava os
conteúdos de alimentação mais aprofundado no 8º ano, pois é o ciclo em que os conteúdos sobre o corpo humano e saúde são trabalhados na escola, seguindo então o sugerido no LD. Para conhecer a forma de trabalho da professora foram analisados os planos de aula, nos quais estavam dispostos os capítulos dos livros trabalhados, os textos e os questionamentos realizados. Verificou-se que os planos de aula eram construídos basicamente com os conteúdos retirados dos LDs.
Durante as discussões, a professora falou sobre o assunto que estava trabalhando com os alunos e sugeriu que fossem trabalhadas as consequências da obesidade e da alimentação não saudável para a saúde, pois este assunto não estava explicitamente presente no LD, portanto não havia sido trabalhado com os alunos. Mas a professora julgava ser importante em função do excesso de peso e hábitos alimentares inadequados que vivenciava cotidianamente na turma. Porém, esperava-se que as atividades educativas se constituíssem em uma EAN que envolvesse mais atores, que a professora e a nutricionista pudessem trabalhar juntas ao elaborar, ao planejar e ao desenvolver as atividades, assim seria possível ampliar as discussões e aprofundar os conteúdos a serem trabalhados. Neste sentido, cita-se o Marco de Referência para a EAN:
A prática da EAN deve fazer uso de abordagens e recursos educacionais problematizadores e ativos que favoreçam o diálogo junto a indivíduos e grupos populacionais, considerando todas as fases do curso da vida, etapas do sistema alimentar e as interações e significados que compõem o comportamento alimentar (BRASIL, 2012, p. 23).
Por mais que se apresentem propostas promissoras de avanços no campo da EAN, ainda é necessário ampliar a discussão sobre as suas possibilidades, seus limites e o modo como ela é realizada. A EAN é apontada como estratégica, porém, seu campo de atuação não está definido claramente. Existe uma diversidade grande de abordagens conceituais e práticas, a visibilidade de experiências com resultados positivos são poucas, os processos de planejamento são frágeis e a sua presença é insuficiente nos programas públicos. Também é necessário o investimento na formação dos profissionais envolvidos com relação às diferentes áreas do conhecimento, as metodologias e as estratégias (BRASIL, 2012).
A iniciativa em trabalhar ações de alimentação e nutrição em conjunto com a escola ocorreu por acreditar-se no disposto na Lei nº 8.234/91 que regulamenta a atuação profissional e refere que a assistência e a EAN constituem ações privativas
do nutricionista. No entanto, a promoção da alimentação saudável tem caráter mais amplo, perpassando não só ações de outros profissionais, como também iniciativas que transcendem os serviços de saúde.
Para realizar as ações sobre alimentação e nutrição na escola estruturou-se uma roda de conversa com os alunos. Esta iniciou com a discussão sobre o que os seres vivos precisam para sobreviver, entre as necessidades está a alimentação, então se iniciou discussões sobre os modos alimentares, os hábitos alimentares pouco saudáveis dos jovens, as carências nutricionais e os problemas de saúde recorrentes de um estilo de vida inadequado. Os alunos realizaram questionamentos, principalmente, sobre suas curiosidades sobre a alimentação, contaram o que aprenderam sobre isso nas aulas e também trouxeram exemplos sobre seus hábitos alimentares habituais. Verificam-se em alguns trechos das conversas os relatos dos alunos sobre seus hábitos e o que pensam sobre esse tema na escola:
“Era comentado às vezes na aula sobre as coisas que era bom… ter sempre uma salada junto quando nós vamos comer, porque se não tem faz falta” (A2).
“Na quinta série nós tivemos bastante sobre alimentação, a profe passou um trabalho sobre o que mais podia comer, o que fazia mal, deixa eu lembrar, ela passou bastante coisa aquele ano sobre alimentação. Eu acho que seria bom falar mais sobre isso pra mim e pros outros também, porque muita gente tem costume de tomar refrigerante e comer chips todo dia e não percebem o quanto faz mal né, eu acho que ajudaria” (A5).
“Uma doença que aconteceu comigo foi intoxicação alimentar, eu tive bastante problema, tive que ficar no hospital uma semana porque tipo naquela semana assim eu consumi muito doce, salgado, muita porcaria, muito refri e daí eu fiquei muito mal e foi de ter comido tanto aquelas coisas né” (A8).
Os enxertos de falas dos estudantes durante a roda mostram que eles recordaram os momentos na sala de aula em que foi abordada a temática alimentação e associaram o assunto com os seus hábitos alimentares cotidianos. Pipitone et al. (2003a) discorrem sobre a importância de proporcionar ao aluno conhecimentos científicos sobre temas relacionados à alimentação e nutrição, e consideram que o conhecimento escolar torna-se, para grande parcela da
população, a mais significativa condição de apropriar-se de conhecimentos científicos produzidos.
Em uma das falas um estudante relata alguns temas de discussões sobre a alimentação e nutrição e relata que deveria ser trabalhado mais na escola, pois muitos colegas têm hábitos alimentares inadequados e não percebem os prejuízos à saúde. Estudando a EAN no Ensino Fundamental, Pipitone et al. (2003a) relataram o pouco espaço para discussão sobre a temática na sala de aula. Os autores referem ainda que a decisão do professor em relação ao tempo direcionado para cada conteúdo é baseada em inúmeras situações, que incluem avaliações de âmbito local e nacional. Contudo, esta situação demonstra, atualmente, a posição dessa questão no currículo escolar.
Outra atividade desenvolvida foi com os rótulos alimentares. Solicitou-se para os alunos trazerem rótulos de produtos, então realizou-se questionamentos sobre as informações que constam nos rótulos e verificou-se que os estudantes apresentavam dúvidas especialmente quanto à gordura trans, aditivos, conservantes e corantes. Então realizou-se um mapeamento destes nos rótulos que trouxeram e utilizando alguns textos complementares verificaram-se os danos que podem causar à saúde, os trechos de conversa dos estudantes demonstram a repercussão da atividade realizada na escola:
“Eu geralmente só vejo as gorduras, mas olhando esses rótulos depois de saber quais são os aditivos e conservantes e o que eles fazem de ruim para a saúde percebi que preciso cuidar isso também na hora de escolher os