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4. A TELEVISÃO NO BRASIL

4.3. Interatividade e interdisciplinaridade

O presente estudo busca principalmente fundamentar a ideia de que se pode utilizar a televisão como veículo eficiente, eficaz e transmissor de mensagens e conhecimento sobre a educação para o meio ambiente; com efeito, o tema é pauta constante na mídia, e que também alcança hoje uma importância na legislação atual do Brasil, retratada na Lei nº 9795/99. Trata-se de uma política nacional que exige das instituições de ensino a promoção da educação ambiental de maneira integrada nos seus programas educativos, ou seja, o uso da educação ambiental na grade curricular das escolas de ensino fundamental (BRASIL, 1999).

O conceito de cultura de massa, - segundo Castells, citando Neuman, originário da sociedade de massa, - foi uma expressão direta do sistema de mídia, resultante do controle da nova tecnologia de comunicação eletrônica exercido por governos e oligopólios empresariais (Neuman, 1991 in CASTELLS, 2007, p.417). Assim, o sistema dominado pela TV, poderia ser facilmente caracterizado como meio de comunicação de massa ou grande mídia. Para todos os seus críticos, Marshall McLuhan declarou que o “meio é a mensagem”:

A modalidade de imagem de TV nada tem em comum com filme ou fotografia, exceto pelo fato de que oferece também uma gestalt não- verbal ou postulada de formas. No caso da TV, o espectador é a tela. É submetido a impulsos luminosos que James Joyce comparou a “bombardeios de luzes”. A imagem de TV não é um instantâneo estático. Não é uma fotografia em nenhum sentido, mas delineamento ininterrupto de formações desenhadas ponto a ponto pela varredura. O contorno plástico resultante, aparece pela luz através da imagem, não pela luz sobre ela, e a imagem assim formada tem a qualidade de esculturas e ícone, e não de uma foto. A imagem de TV oferece ao receptor cerca de três milhões de pontos por segundo. Desses, o receptor aceita apenas algumas dúzias a cada instante, para com eles formar uma imagem (McLUHAN, 1964, p.21 In CASTELLS. 2007, p.417).

Castells cita ainda Umberto Eco, que tem uma visão elucidativa para a interpretação dos efeitos da mídia em “A audiência produz efeitos ruins na televisão?”:

(...) aprendemos uma coisa: não existe uma Cultura de Massa no sentido imaginado pelos críticos apocalípticos das comunicações de massa, porque esse modelo compete com os outros (constituídos por vestígios históricos, cultura de classe, aspectos da alta cultura transmitidos pela educação, etc (ECO, 1977 In Castells, 2007, p. 420).

Segundo Napolitano (2007, p.12), há um fenômeno de difícil análise nas sociedades contemporâneas, um campo social dominado pela mídia, que dificulta a limitação entre as experiências vividas através das relações sociais tradicionais e as vividas mediante a mídia, “incorporando valores e comportamentos dos seus tipos e personagens”. O autor chama esse fenômeno de mediabilidade, que costuma realizar-se menos pelo conteúdo e

mais pelos códigos e linguagens de que se constitui a mídia. “Na TV, este fenômeno é particularmente importante e decisivo para sua inserção social”. Se usarmos esses conceitos de mediabilidade ao pensar na escola, usaremos o material gerado e veiculado como fonte de aprendizagem e os conteúdos e imagens deverão cumprir dois objetivos, como afirma Napolitano:

a) estimular uma reflexão crítica acerca dos conteúdos transmitidos pela TV e b) incorporar parte dos seus conteúdos e programas como fontes de aprendizado, articulando conteúdo e habilidades. (NAPOLITANO, 2007, p.13)

Beth Carmona,por sua vez, que defende o crescimento das TVs públicas, é necessário uma TV que valorize o público não somente como consumidor, mas fundamentalmente como cidadão. Diretora por mais de vinte anos da TV Cultura de São Paulo e mais tarde da TVE do Rio de Janeiro, lembra que a televisão pública como instituição, foi a primeira a investir no segmento infantil com objetivos sociais, culturais e educativos, no final dos anos 80. Segundo Rosenberg (2008, p. 83) “o “bom” programa é aquele que diverte e, sempre que possível, introduz conceitos que completam a formação da criança.” O ideal é que os programas funcionem como forma complementar de informação ao conteúdo escolar segundo a autora e complementa através de dados de pesquisa realizada no Canadá - Instituto de Desenvolvimento da Criança- de que a TV é um meio eficiente para auxiliar as crianças a resolver ou entender ao menos, problemas de ordem humana, entre eles a fome e o planeta e suas inúmeras questões.

Para Napolitano (2007, p.15) é preciso analisar a TV nos diversos usos dos conteúdos veiculados. Destaca ele quatro categorias envolvidas na realização social da TV, “que podem servir para pesar a relação entre TV e escola:” conteúdo de TV como forma de mercadoria (comprada por telespectadores-consumidores), de sociabilidade (partilhada por telespectadores-cidadãos), de comunicação (recebida por telespectadores- decodificadores) e de cultura (desfrutada por telespectadores-fruidores). Ao professor cabe “adaptar a discussão e o grau de aprofundamento do debate em torno da TV, de acordo com a faixa etária e escolar”. Afirma ainda que:

O uso da TV em sala de aula deve ser encarado como um projeto, de preferência coletivo, partilhado entre diversos profissionais de um estabelecimento escolar. O poder e a influência da TV só podem ser revertidos em conhecimento escolar na medida em que o uso da TV em sala de aula seja a conseqüência de um conjunto de atividades e reflexões partilhadas (o que não invalida as eventuais iniciativas individuais. (NAPOLITANO, 2007, p.25).

Com esse entendimento, é oportuno dizer que os alunos do Colégio Presbiteriano Mackenzie, lócus dessa pesquisa, estão inseridos em um ambiente urbano, com pouco ou nenhuma vivência com o ambiente natural, esse, infelizmente, já degradado em função do progresso e crescimento desordenado das grandes cidades. Sem contato com o meio ambiente, esses alunos não estão conscientes de sua parcela de responsabilidade, da inclusão desse tema em sua formação como cidadãos e a parcela de contribuição que lhes cabe, e são, na maioria das vezes, inconscientes dos formatos de participação que podem caber à crianças dessa idade.

Para Abramovay e Castro, a escola muitas vezes está com problemas, tanto para os docentes como para os discentes, esses últimos, aliás desinteressados e indisciplinados, em salas de aula pequenas para o número crescente de alunos. Os docentes, por sua vez, encontram-se diante de uma nova realidade do alunado, sem saber como lidar com o desinteresse crescente pelos conteúdos (ABRAMOVAY; CASTRO, 2003, p. 455). Para estudiosos como Pfromm Netto, são inúmeras as causas desse desinteresse. Ele lista algumas dessas causas, entre as quais se destaca a pobreza de recursos auxiliares de ensino, desde bibliotecas, de salas de aula, até de aparelhagem e materiais audiovisuais, computadores e outros equipamentos (PFROMM NETTO, 2001, p.189).

Segundo Ruberti e Pontes:

Considerando os significativos avanços das tecnologias de informação e comunicação, à escola de nosso tempo compete o árduo trabalho de incorporar em suas práticas e teorias uma nova forma de ensino-aprendizagem, um processo voltado para a potencialização de competências para o uso de múltiplas linguagens que convergem, além disso, à destreza para se gerenciar em situações de comunicação que constroem as novas redes telemáticas multimídia. (RUBERTI, PONTES, 2001, p.3).

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