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5. EDUCAÇÃO AMBIENTAL E CIDADANIA

5.3. EDUCAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

5.3.2. PLANO INTERNACIONAL DE IMPLEMENTAÇÃO DA DÉCADA DAS NAÇÕES

O Plano Internacional de Implementação2 é um marco geral, para que todos os parceiros possam contribuir para a Década: não é prescritivo, e fornece orientações e conselhos para que as contribuições tenham como base os contextos de cada um.

Objetivo global: integrar valores inerentes ao desenvolvimento sustentável em todos os aspectos da aprendizagem – fomentar mudanças de comportamento que permitam criar uma sociedade sustentável e mais justa para todos. Uma idéia simples com implicações complexas: aprender de forma sustentável, com o desafio de estimular mudanças de atitudes e comportamentos na sociedade mundial, pois nossas capacidades intelectuais, morais e culturais requerem responsabilidades para com todos os seres vivos e para com a natureza como um todo. Para um mundo onde todos tenham oportunidade de se beneficiar da educação e de aprender: valores, comportamentos e modos de vida – um futuro sustentável requer transformação positiva da sociedade.

Objetivos Específicos:

- Valorizar a educação e a aprendizagem.

- Facilitar contatos, a criação de redes – intercâmbio e interação.

- Fornecer espaço e oportunidades para o aperfeiçoamento e promover o conceito de Desenvolvimento Sustentável e a transição a ele (Todas as formas de aprendizagem e de sensibilização dos cidadãos).

- Fomentar melhoria da qualidade do ensino e da aprendizagem.

- Desenvolver estratégias em todos os níveis, visando fortalecer a capacidade no que se refere à Educação e Desenvolvimento sustentável.

O Programa apresenta três áreas principais e tem a cultura por base: Sociedade: conhecimento das instituições sociais e do papel que desempenham na mudança e no desenvolvimento social, assim como dos

sistemas democráticos e participativos, que dão oportunidade de expressar opiniões, eleger governos, estabelecer consensos e resolver controvérsias.

Meio ambiente: consciência em relação aos recursos e à fragilidade do meio ambiente físico e aos efeitos das atividades e decisões humanas relativas ao meio ambiente, com o compromisso de incluir as questões ambientais como elemento primordial no desenvolvimento de políticas sociais e econômicas.

Economia: consciência em relação aos limites e ao potencial do crescimento econômico e de seus impactos na sociedade e no meio ambiente, com o compromisso de reduzir os consumos individuais e coletivos, levando em consideração o meio ambiente e a justiça social.

O modo de abordar os aspectos da educação para o desenvolvimento de cada país deve levar em conta os valores, diversidade, conhecimento, linguagens e uma visão mundial, tomando como base a cultura. Deve considerá-la como maneira de ser, de se relacionar, de se comportar, de acreditar e agir durante toda a vida, lembrando que ela (a cultura) está em constante evolução. Sobre valores, o tema central é o respeito ao próximo, incluindo as gerações presentes e futuras, a diferença, a diversidade, ao meio ambiente e aos recursos existentes no planeta que habitamos.

Busca de uma alta qualidade – Educação e Desenvolvimento Sustentável: - Interdisciplinar e holística;

- Aquisição de valores;

- Pensamento crítico e a capacidade de encontrar solução para os problemas; - Recorrer à multiplicidade de métodos;

- Processo participativo de tomada de decisão – como irão aprender; - Aplicação – integrar experiências;

- Relação com a vida local – abordar problemas locais e globais, com uma linguagem comum.

- Em todos os âmbitos - de forma que todas as pessoas tenham perspectiva de aprendizagem ao longo da vida (formal, não-formal e informal), desde a primeira infância até a idade adulta.

- Reorientação das abordagens educacionais: currículo e conteúdo, pedagogia e avaliações.

- Como Direito Humano: paz, segurança, igualdade de gênero, diversidade cultural, compreensão intercultural, saúde, HIV/AIDS, governabilidade, recursos naturais, mudanças climáticas, desenvolvimento rural, urbanização sustentável, prevenção e atenuação de desastres naturais, redução da pobreza, deveres das empresas e economia de mercado.

- Educação não-formal: - Organizações comunitárias; - Sociedade civil local;

- Local de trabalho; - Educação formal;

- Treinamento técnico e profissional; - Capacitação de professores;

- Educação superior;

- Inspetores educacionais; e - Órgãos políticos decisórios.

Atores: - Governo;

- Sociedade civil; - ONGs;

- Setor privado;

- Mídia e Agências publicitárias: dando apoio à sensibilização dos cidadãos; - Índios (populações mais vulneráveis ao Desenvolvimento Não Sustentável).

Estratégias interligadas: - Mobilização e prospectivas; - Consulta e responsabilização; - Parceria e redes; - Capacitação e treinamento; - Pesquisa e inovação;

- Tecnologias de informática e comunicação; - Monitoramento e avaliação.

A implementação da Educação - Desenvolvimento sustentável depende do nível de comprometimento e cooperação nos níveis locais, nacional, regional e internacional.

Resultados esperados - com indicadores usados no monitoramento e na avaliação:

- Avaliar a necessidade de recursos considerando os programas existentes e equipes disponíveis.

- Calendários de Fóruns, eventos e atividades sobre Educação e Desenvolvimento Sustentável (cinco anos).

Repercussão Socioeconômica:

A economia e a sociedade evoluem com fortes tendências quanto a demografia, a interdependência dos atores públicos e privados e o progresso científico e tecnológico. A diminuição da mortalidade infantil e as taxas de crescimento populacional aumentando em países pobres geram uma dinâmica de desequilíbrio, que traz pesados encargos para os países pobres em relação à alimentação, educação, saúde, imigração, que desencadeia a xenofobia pela escassez de empregos, concorrências sem barreiras, grande competição e falta de respeito quanto à diversidade (BLONDEL, 2005).

Um alto custo social:

- Recursos não-renováveis correndo o risco de se esgotarem (energéticos ou terras aráveis);

- Indústrias produtoras de poluição e perturbadoras da natureza (baseadas nas ciências físicas, químicas e biológicas);

- Disparidade entre produtividade e bem-estar (progresso técnico e progresso social);

- Desempregabilidade (substituição da mão-de-obra) nos países mais desenvolvidos.

Desafios:

- Fome ou extrema pobreza nos países pobres; - Crescimento demográfico nos países pobres;

- Crescimento da produtividade/geração de desemprego nos países industrializados.

Obs.: Ciência e tecnologia usadas para aumentar a população em alguns países e reduzir o emprego em outros, levando à disputa entre eles.

Será necessário usar os recursos de forma eqüitativa, o que pode significar enfrentar doenças como a AIDS (regulação demográfica na África - idêntica a da Idade Média européia). Proporcionar infra-estrutura e capital técnico necessário para um desenvolvimento equilibrado, revendo o conceito de riqueza (BLONDEL, 2005).

Os Processos de desenvolvimento não-sustentável pressionam os recursos naturais, enquanto padrões não-sustentáveis de produção e consumo, especialmente nos países desenvolvidos, ameaçam a fragilidade do meio ambiente natural, intensificando a pobreza em outros lugares.

A pobreza não é a causa do desenvolvimento não-sustentável, pois são os ricos que têm os maiores níveis de produção e consumo não sustentáveis. Eles estão aptos a fazer escolhas, enquanto os pobres, presos a um círculo de privação e vulnerabilidade, não podem fazê-lo e sem alternativas, fazem uso do seu entorno imediato.

Recursos – Desenvolvimento Sustentável exige dos países industrializados e em desenvolvimento: padrões responsáveis de produção e consumo e uma administração proativa de todos os tipos de recursos.

Comissão Brundtland: “DS é o desenvolvimento que resolve as necessidades atuais sem comprometer a capacidade das gerações futuras, de também satisfazerem suas próprias necessidades”.

No Desenvolvimento Sustentável vinculado ao processo de globalização, os problemas e desafios são de alcance mundial, relacionados com a sobrevivência do planeta, como morada da sociedade humana.

A globalização e seus efeitos ameaçam a sobrevivência das comunidades locais: minorias e povos indígenas.

As mudanças de padrões no comércio e na produção mundial incitam: - Desafios migratórios;

- Assentamentos; - Infra-estrutura; - Poluição;

- Esgotamento de recursos.

As conexões rápidas e densas (globalização) podem deter os efeitos ruins, se utilizadas para viabilizar ações mais efetivas e combinadas, como:

- Comunicação eletrônica;

- Capacidade de armazenamento e processamento de redes; - Transporte aéreo;

- Redes de mídia e outras.

O modo de abordar os distintos aspectos da educação para o desenvolvimento sustentável em cada país é influenciado pela composição cultural de cada nação, considerando “cultura” não somente a soma dos costumes e tradições, mas sim, o conjunto de valores que sustentam a cosmovisão dos sujeitos.

Essa proposta norteadora, pretende fazer com que haja o entendimento da necessidade de estimular as mudanças de atitudes, favorecendo a prática do respeito, da justiça e da responsabilidade.

Para atingir a coexistência pacífica entre os povos, é necessário reconhecer a diversidade cultural, encarando a cultura local como contexto vivo e dinâmico, incentivando o apoio às práticas que contribuam para a sustentabilidade.

Quando se trata de aspectos culturais no mundo contemporâneo, não podemos deixar de destacar a questão da Interculturalidade, pois a reflexão sobre interculturalidade deve considerar os processos históricos que envolvem o conceito de identidade cultural, principalmente nas aceleradas transformações da pós-modernidade. Stuart Hall apresenta uma introdução básica dessas relações:

A questão da identidade está sendo extensamente discutida na teoria social. Em essência, o argumento é o seguinte: as velhas identidades, que por tanto tempo estabilizaram o mundo social, estão em declínio, fazendo surgir novas identidades e fragmentando o indivíduo moderno, até aqui visto como um sujeito unificado. A assim chamada "crise de identidade" é vista como parte de um processo mais amplo de mudança, que está deslocando as estruturas e processos centrais das sociedades modernas e abalando os quadros de referência que davam aos indivíduos uma ancoragem estável no mundo social (Hall, 1997, p.7).

Num passado próximo, as identidades culturais operavam em territórios mais firmes, em relação à classe, gênero e sexualidade. Hoje, elas experimentam a dúvida e a incerteza como imperativo, fazendo-a fluir ou fragmentar-se na velocidade do efêmero.

Sendo um fenômeno social recente, atrelado principalmente às novas tecnologias que reconfiguram as dimensões de espaço/tempo, torna-se difícil apresentar um diagnóstico investigativo mais seguro e, portanto, cabe ao docente do século XXI a função de oferecer subsídios teóricos e práticos aos alunos acerca da interculturalidade, promovendo uma reflexão conjunta quanto aos desejos e possibilidades de se construir uma sociedade mais justa e feliz, resgatando principalmente a ÉTICA nas relações pessoais.

As três áreas abordadas no documento Décadas- sociedade, meio ambiente e economia - estão interconectadas entre si pela dimensão cultural, uma característica do desenvolvimento sustentável que devemos sempre ter em mente.

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