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Interatividades nas redes e no webjornalismo

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CAPÍTULO 2 – CIDADÃO PARTICIPATIVO, VISIBILIDADE E O

2.3 Interatividades nas redes e no webjornalismo

As redes sociais digitais são essenciais ao webjornalismo, assim, é importante apresentar neste tópico conceitos, características e tipos desses espaços de interatividade, uma vez que os receptores/produtores de conteúdo informativo, ou simplesmente usuários, utilizam diversas mídias digitais disponíveis na internet, como sites (sites pessoais ou portais dos próprios veículos de comunicação, os quais abrem espaços de interação), blogs (de jornalistas e blogueiros independentes, pessoais ou ligados a empresas jornalísticas) e redes sociais (institucionais ou pessoais). Essas mídias digitais permitem interações, que se concretizam em milhares (milhões) de seguidores, fans, usuários. De acordo com Recuero (2009, p. 15) “quando uma rede de computadores conecta uma rede de pessoas e organizações é uma rede social”. São pessoas que se conectam, independentemente do espaço físico, estabelecendo uma relação social.

Segundo Sbarai (2010), o crescente processo de interatividade não está apenas relacionado ao incentivo que leva o cidadão comum a participar ou mesmo colaborar com os conteúdos informativos. Para o autor, é necessário buscar compreender o motivo que leva estes cidadãos a colaborarem de maneira ativa dos conteúdos informativos dos veículos de comunicação que abrem este espaço para os seus leitores. Os usuários conectados em rede, de uma forma ou de outra, precisam estar totalmente integrados às novas tecnologias, saber como usá-las e aplicá-las de forma benéfica.

Usar a interatividade nas redes sociais como boa prática é uma questão de sabedoria e discernimento para o bem comum. As novas tecnologias proporcionaram esta inovação social, mas existem algumas diferenças nos aspectos de interatividade no mundo da comunicação e da informação.

ressalta a participação ativa do beneficiário de uma transação de informação. De fato, seria trivial mostrar que um receptor de informação, a menos que esteja morto, nunca é passivo. Mesmo sentado na frente de uma televisão sem controle remoto, o destinatário decodifica, interpreta, participa, mobiliza seu sistema nervoso de muitas maneiras, e sempre de forma diferente de seu vizinho. (LÉVY, 1999, p. 79).

O autor quis mostrar que a interatividade ocorre de qualquer forma, mas nem todos os conteúdos comunicacionais e informativos, como os veiculados pela televisão, rádio, ou mediados por telefone e internet, são iguais para todos que os recebem.

Entende-se que a mensagem recebida através destes canais pode gerar mediações diferenciadas de receptor para receptor, assim como a interatividade desta comunicação entre os receptores pode ser diferente conforme o nível de entendimento que cada receptor venha a ter, de acordo com aquilo que lhe for transmitido. Segundo Levy (1999, p. 79) “a possibilidade de reapropriação e de recombinação material da mensagem por seu receptor é um parâmetro fundamental para avaliar o grau de interatividade do produto como também em outras mídias”. O autor faz uma comparação da interação do receptor com a comunicação recebida em diversos meios e salienta que

a comunicação por mundos virtuais é, portanto em certo sentido, mais interativa que a comunicação telefônica, uma vez que implica, na mensagem, tanto a imagem da pessoa como a da situação, que são quase sempre aquilo que está em jogo na comunicação. Mas, em outro sentido, o telefone é mais interativo, porque nos coloca em contato com o corpo do interlocutor. Não apenas uma imagem de seu corpo, mas sua voz, dimensão essencial de sua manifestação física. A voz de meu interlocutor está de fato presente quando a recebo pelo telefone. (LÉVI, 1999, p. 81)

Entende-se que a interatividade proporcionada pelas mídias digitais possui aspectos diferentes que podem favorecer uma ou outras, dependendo do impacto que se quer proporcionar.

Recuero (2009, p. 31) corrobora as ideias de Lévy quando analisa que o

ciberespaço e as ferramentas de comunicação possuem particularidades a respeito dos processos de interação, há uma série de fatores diferenciais. O primeiro deles é que os atores não se dão imediatamente a conhecer. Não há pistas imediatas da linguagem não

verbal e a interpretação do contexto da interação precisa ser negociada durante o processo.

No campo do jornalismo, Mielniczuk busca compreender a interatividade estabelecida entre leitor e publicação. Em seu artigo “Interatividade como dispositivo do jornalismo online” (2000, pp. 124-125), a autora considera que

constituindo-se, um aspecto formador e formante da estrutura através da qual os produtos noticiosos são disponibilizados na web, a interatividade é mais do que uma simples característica, podendo ser lida como um dispositivo: algo que marca, condiciona e determina processos que interferem na produção, no produto e na recepção dos

sites jornalísticos desenvolvidos para a web. Pensar a questão da

interatividade relacionada à mídia é uma tarefa complexa não só pela natureza do assunto em si, mas pelo contexto de velozes transformações no qual este fenômeno está inserido.

As velozes transformações que a tecnologia ajuda a promover em todos os âmbitos, dentro de diferentes espectros sociais, de uma certa forma influenciam a interação e a participação do leitor naquilo que lhe é ofertado nos sites noticiosos. Diz Mielniczuk:

diante da forma de organização da informação (textos, sons e imagens – estáticas e em movimento) num meio digital, o leitor/usuário participa de uma situação de interatividade ao poder escolher, dentre a malha hipertextual, aqueles links que ele deseja e que lhe darão a continuidade da informação. A partir disso conclui-se que a interatividade é um elemento construtivo do hipertexto e que a simples ação de navegar pelo jornal online é por si só uma atividade interativa e que dependendo do hipertexto, esta situação será mais ou menos complexa. (MIELNICZUK, 2000, p. 135).

A potencialização da interação por meio de dispositivos digitais, como as redes sociais, promove “uma lógica diferenciada de funcionamento do produto jornalístico”, defende Mielniczuk (2000, p. 134). Por esta razão, a autora atribui à interatividade o papel bastante significativo, primeiro porque é “inerente ao hipertexto”, e segundo porque “pode determinar uma relação com características até então desconhecidas entre leitor (usuário) e texto”.

Para Raquel Recuero (2009, p. 30), “as diversas formas de expressão vão constituir os nós (ou nodos) dessas redes sociais”, sendo que os laços sociais serão resultantes das interações que ocorrerem entre esses usuários.

Pode-se compreender, diante da citação da autora, que a interatividade está intrinsicamente relacionada ao comportamento do usuário e que dependerá do interesse dele e de suas motivações em uma determinada comunidade para continuar interagindo.

Assim, o que se pode diferenciar da interatividade que ocorre no “jornalismo tradicional” para o jornalismo na web é o nível de interação. Nesse caso, os receptores podem contribuir e colaborar mais com a informação, gerando conteúdos de diversas naturezas, como vídeos, fotos, áudios, sugestões de pauta. Porém, a apuração e confrontação das informações fazem parte das práticas jornalísticas, essa pode ser umas das diferenças essenciais entre conteúdo gerado pelo jornalista e pelo cidadão comum.

De outro lado, Sbarai (2010, p. 8), ressalta que

no âmbito da produção jornalística colaborativa, a aproximação entre as pessoas e sua motivação para interagir com os outros se daria menos pelo anseio de compartilhar narrativas e experiências de desrespeito, como defendem os autores Honneth e Fraser, e mais pela vontade do sujeito de sentir-se parte de algo, de ter seu valor e sua contribuição reconhecida no processo de construção de um conhecimento coletivo.

Concordamos que a interatividade nas redes sociais digitais ocorre muito mais pela necessidade do indivíduo ter visibilidade social, “sentir-se parte de algo”.

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