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INTERDISCIPLINARIDADE E ADERÊNCIA AO OBJETO DE PESQUISA DO PROGRAMA EGC

APÊNDICE A – PROCEDIMENTOS DA PESQUISA

1.4 INTERDISCIPLINARIDADE E ADERÊNCIA AO OBJETO DE PESQUISA DO PROGRAMA EGC

Este trabalho insere-se no Programa de Pós-graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento (PPEGC), de natureza interdisciplinar, concentrando-se na área de Mídia e Conhecimento, por atuar na camada em que o ser humano interage com as tecnologias de comunicação, principalmente no que concerne aos sistemas com acessibilidade. Os problemas mais frequentes no acesso dessas tecnologias por pessoas com deficiência está no desenho, na forma como esses sistemas são projetados e implementados para interagirem com as pessoas, ou seja, na superfície da mídia. Portanto, o objeto de estudo desta pesquisa se relaciona com os objetos de formação e pesquisa do EGC na área de Mídia e Conhecimento, ao se alicerçar na inserção da tecnologia e de recursos inovadores para melhorar os sistemas de comunicação. Além disso, a pesquisa também se contextualiza nas outras áreas de concentração do programa, uma vez que utiliza aportes teóricos da Engenharia do Conhecimento ao abordar temas como busca por informações (information seeking), normalmente associado à Recuperação de Informação (RI).

Em relação à aderência do tema ao PPEGC é importante salientar que este trabalho compõe o grupo de pesquisa WebGD Acessível, que foi amparado pelos recursos do Programa Capes-Aux-PE Proesp/2009, realizado no âmbito do PPEGC e coordenado pelo professor doutor Tarcísio Vanzin, e pelo projeto de pesquisa MCTI/CNPQ/Universal 14/2014, coordenado pela professora Vania Ulbricht. Portanto, várias teses e dissertações que já foram defendidas ou estão em curso de fazê- lo, possuem a mesma temática em relação à acessibilidade para surdos, nas quais pode-se citar os trabalhos de Busarello (2011), Lapolli (2014), Obregon (2011), Pivetta (2016), Quevedo (2013), Saito (2016), Schneider (2012), entre outros. Em relação ao tema de busca por informações (information seeking) pode-se citar também o trabalho de Beppler (2008).

No que concerne à interdisciplinaridade do tema abordado ocorre a concentração e interligação de diferentes disciplinas necessárias para auxiliar os tradutores/intérpretes, designers e webdesigners no desenvolvimento de pistas proximais de navegação que promovam o sucesso dos surdos na busca de alvos de conteúdo em websites, agregando o referencial teórico proveniente de áreas como o design, a ciência da informação (arquitetura da informação, busca por informação (information seeking)) e a acessibilidade (surdos). Vale ressaltar que

a proposta resultante não é a simples soma desses campos, mas um construto teórico resultante de suas inter-relações. Além disso, ao fazer uso de metodologias que incluem os participantes surdos no processo de coprodução das recomendações, a pesquisa ultrapassa os limites interdisciplinares, adentrando no paradigma da transdisciplinaridade. 1.5 ESCOPO DO TRABALHO

Alguns fatores influenciam a aprendizagem da escrita por pessoas com deficiência auditiva. Entende-se que pessoas que possuem resquícios auditivos ou que se tornaram surdas após a aquisição da língua oral são propícias a aprenderem mais facilmente a escrita do que aquelas que não conseguem distinguir sons e que nasceram surdas. Como o que se pretende pesquisar são recomendações para a criação de pistas proximais que auxiliem a navegação de surdos que apresentam dificuldades com a escrita, adota-se como “surdo”, neste trabalho, apenas os pré-linguísticos e que utilizam a língua de sinais. Como o trabalho foi desenvolvido no Brasil, a língua de sinais adotada no trabalho é a Libras.

Esta pesquisa utiliza os aportes teóricos da Teoria da Coleta de Informações, que se baseia no comportamento animal em situações de caça de alimentos para explicar as tomadas de decisão em tarefas de busca de informações na web. No entanto, diferentemente de muitos trabalhos relacionados com esta teoria, a abordagem metodológica não é quantitativa. Em relação à recuperação de informações, neste trabalho limitou-se à pesquisa navegacional em computadores, não abordando os mecanismos de busca automática, uma vez que os existentes exigem um conhecimento prévio de termos na língua escrita e a implementação de um mecanismo de busca em sinais não é viável.

1.6 ABORDAGEM METODOLÓGICA

Esta pesquisa caracteriza-se como tecnológica, uma vez que busca a produção de algo novo e não o descobrimento de algo que já existe, como normalmente ocorre nas pesquisas científicas. Ao contrário das pesquisas científicas tradicionais que buscam descrever um fenômeno que ocorre naturalmente, na pesquisa tecnológica ocorre a formulação de métodos de ações que originam fenômenos artificiais. Esses fenômenos constituem um sistema ou objeto (artefato) criado a partir de propriedades idealizadas e produzidas para atender a uma necessidade de projeto (design) a fim

de servir a propósitos humanos. Assim, o conhecimento produzido pela pesquisa tecnológica não é descritivo como na pesquisa científica, mas sim prescritivo, uma vez que pode gerar uma lista de recomendações explicando como produzir ou interagir com esse novo sistema ou artefato (CUPANI, 2006). A pesquisa tecnológica, portanto, não busca tão somente descrever os problemas enfrentados pelos seres humanos, mas busca criar meios de solucioná-los. Por isso, a formulação de recomendações para a criação de pistas proximais de navegação para surdos caracteriza-se como tecnológica, uma vez que não pretende apenas levantar as dificuldades encontradas pelos surdos, mas encontrar formas artificiais para superá-las.

Para a realização da pesquisa será utilizada a abordagem qualitativa, uma vez que se entende que as ações das pessoas são motivadas por seus valores, sentimentos e experiências, que se relacionam internamente de acordo com o ambiente que se modifica. Nas pesquisas qualitativas os aspectos de cada cultura, economia, história e sociedade interferem nas ações dos indivíduos e, por isso, elas são difíceis de serem interpretadas, generalizadas, reproduzidas e quantificadas. Assim, esta pesquisa não se compromete com a generalização estatística ou com as relações lineares de causa e efeito (TERENCE; ESCRIVÃO FILHO, 2006).

Com relação aos fins, o estudo segue a definição da Adelaide University descrita em Gil (2010), no que tange a pesquisa básica estratégica, que se denomina como uma pesquisa voltada “à aquisição de novos conhecimentos direcionados a amplas áreas com vistas à solução de reconhecidos problemas práticos” (p. 27). Difere da pesquisa aplicada porque, apesar de possuir uma aplicação prática, não se limita a contextos específicos.

De acordo com seus objetivos, a pesquisa assume o caráter de pesquisa exploratória, uma vez que ela não busca explicar um fato ou descrever um fenômeno, mas sim construir pressupostos que resultarão em recomendações. Gil (2010) salienta que esse tipo de pesquisa proporciona a familiaridade com o problema, tornando-o explícito. Possui um planejamento flexível, que pode aliar levantamentos bibliográficos, entrevistas e outras técnicas de pesquisa.

Em relação aos métodos empregados, em função de sua natureza qualitativa, os dados são coletados a partir da pesquisa bibliográfica e do estudo de campo. Para Gil (2010), o estudo de campo compromete- se mais com o aprofundamento da pesquisa do que com descrição de características e variáveis. Esse tipo de pesquisa usa como foco uma determinada comunidade, a fim de investigá-la na realização de suas

atividades por observação direta e entrevistas para, dessa forma, captar as interpretações e explicações do grupo.

Para auxiliar na realização do estudo são utilizadas como técnicas de pesquisa os estudos bibliográficos integrativos (tradicionais e sistemáticos), as entrevistas semiestruturadas e os testes empíricos de usabilidade. Como método de análise de dados para as entrevistas adotou- se o Discurso do Sujeito Coletivo (DSC), conforme descrito por Lefèvre, Crestana e Cornetta (2003), e para os testes empíricos de usabilidade, a observação. Após a coleta e análise dos dados, é realizada uma triangulação para se obter uma lista preliminar de recomendações. Para a avaliação dessas recomendações adotou-se o Método Delphi, que é uma técnica de avaliação por especialistas que utiliza a aplicação de sucessivas rodadas de questionários a fim de se obter um consenso.

Para compreender sobre a escolha das técnicas de pesquisa adotadas, na Figura 1 são detalhados os passos que nortearão a investigação de acordo com os objetivos específicos e as respectivas técnicas de pesquisa e análise de dados adotados.

Os passos seguem a ordem de realização:

1. Revisão integrativa (para atender aos objetivos específicos 1 e 2). 2. Entrevista semiestruturada realizada com tradutores/intérpretes

(para atender aos objetivos específicos 1 e 2).

3. Teste empírico de usabilidade com usuários surdos realizado em protótipo de website criado para investigar as pistas proximais em Libras e em imagens, (para atender aos objetivos específicos 1 e 2). 4. Entrevista semiestruturada com surdos (para atender aos objetivos

específicos 1 e 2).

5. Elaboração das recomendações com base na triangulação dos dados obtidos nos testes empíricos de usabilidade, nas entrevistas com os intérpretes e com surdos e no referencial teórico (para atender ao objetivo específico 3).

6. Método Delphi com especialistas (para atender ao objetivo específico 4).

Figura 1 – Objetivos específicos e técnicas de pesquisa e análise de dados

Objetivos Técnicas

de pesquisa

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