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3 O QUE DIZEM OS RESULTADOS

3.1 Interdisciplinaridade

3 O QUE DIZEM OS RESULTADOS

Uma vez tendo concluído a leitura das transcrições, categorizei os dados de acordo com aquilo que falava mais alto no horizonte musical, emocional, social e profissional dos meus entrevistados: Interdisciplinaridade, Performance, Autoafirmação e Profissionalização emergiram como tópicos que revelavam suas impressões daquilo que fora mais impactante em suas vivências nos processos de montagens dos espetáculos musicais no projeto de extensão da EMUFRN.

3.1 Interdisciplinaridade

O primeiro ponto a ser destacado na fala de meus entrevistados é a importância que eles deram à união das três linguagens artísticas vivenciadas no processo de montagem e apresentação dos espetáculos musicais. Ao se trabalhar Música, Teatro e Dança ao mesmo tempo, se deparavam diante de um grande desafio. Desenvolver-se nessas três áreas, foi ressaltado de modo relevante, também pela diversidade e profundidade que cada uma delas compareceu na Interdisciplinaridade artística, conforme os comentários dos entrevistados:

...na parte profissional, eu fui exposto a todo tipo de exercício voltado tanto para música, como para dança, como para interpretação, e isso desenvolveu em mim áreas também que eram debilitadas. Eu faço o curso técnico em canto, então já tinha meio que a parte de música mais aprimorada. Então, ao entrar no projeto, a parte de teatro e dança acabou também que começou a ser mais aprimorada em mim e isso para mim foi muito bom (Entrevistado 6, 2018). Pra mim enquanto pessoa, rapaz foi muito aprendizado. Acho que foi uma consolidação desse meu período dentro da Licenciatura em Música na Universidade, porque eu posso aliar às disciplinas de Teatro que eu paguei com Maíra, Expressão Corporal, que tinha muita coisa a ver, música na cena também com Maíra no qual eu estava tocando e fazendo a direção musical, as disciplinas de canto coral. Então assim, tudo isso é como se fossem vários focos e no Teatro Musical isso tudo acontecia junto (Entrevistado 2, 2018).

Ao participarem de um processo de montagem de espetáculos musicais com abordagens educacionais, as pessoas desenvolvem as habilidades de cantar, dançar e interpretar. E essas linguagens, quando trabalhadas individualmente, já trazem por si grandes benefícios àqueles que as praticam e, no Teatro Musical, essas habilidades são potencializadas por serem

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trabalhadas em conjunto. Podemos verificar isso nas palavras de Santa Rosa (2006) em sua dissertação:

Neste trabalho, defendemos o pressuposto de que o Musical é uma prática interdisciplinar muito rica entre a música, o teatro e a dança, e que pode ter grandes contribuições ao processo de ensino-aprendizagem. Acreditamos também, que a prática do Musical apresenta grandes chances de desenvolvimento pessoal para os alunos envolvidos no que diz respeito a questões ´psicossociais, cognitivas, musicais e artísticas (SANTA ROSA, 2006, p. 23).

De acordo com a fala da autora, podemos entender que a prática do Teatro Musical proporciona não só a ampliação dos horizontes artísticos referente à essas três linguagens, mas também possibilita o desenvolvimento pessoal em vários aspectos da construção humana, através das formas de se expressar de quem nela está inserido. A respeito da Música e seus benefícios, vemos que

O trabalho com música deve considerar que ela é um meio de expressão e forma de conhecimento. A linguagem musical é um excelente meio para o desenvolvimento da expressão, do equilíbrio, da autoestima e autoconhecimento, além do poderoso meio de integração social (BRASIL, 1998, p. 49 apud SANTA ROSA, 2006, p. 24).

Então, a música além de desenvolver o ser nos aspectos técnicos como percepção, afinação, ritmo, entre outros inerentes de sua prática, trabalha também os aspectos sensitivos e afetivos como afirma SANTA ROSA (2006, p. 25). Assim, entende-se que a prática musical é capaz de traduzir sensações, sentimentos e pensamentos através dos sons, promovendo a integração entre os aspectos afetivos, estéticos e cognitivos assim como a comunicação e a interação social.

Em relação aos aprendizados especificamente musicais, pude observar nossa ampliação de repertório, uma significativa aproximação com instrumentos de banda, com o ouvido harmônico para ouvir e cantar em polifonia dos naipes, com as modulações, respiração adequada e projeção vocal. Também desenvolvíamos a precisão rítmica tais como as entradas após as introduções e interlúdios instrumentais, dinâmicas variadas e combinação com batimentos corporais, gestos e movimentos/deslocamento no espaço e improvisos de última hora.

A dança, por sua vez, traz grandes benefícios ao trabalhar questões como a noção de espaço, o trabalho corporal desenvolvendo lateralidade e psicomotricidade, possibilidades de

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expressões diversas, além de contribuir nos aspectos relacionados à saúde de quem exerce sua prática. Sobre isso, vemos no texto a seguir que:

A dança possibilita a educação integral, pois como processo educacional faculta: perfeita formação corporal; espírito socializador; possibilita o processo criativo; desenvolve aspectos éticos e estéticos. Ela é a manifestação da essência do ser humano nas suas faculdades físico mental e emocional pela necessidade intrínseca do mesmo se expressar e comunicar-se com seus semelhantes. A nossa sociedade compartimentaliza muito o homem: primeiro ele pensa, depois cria e por fim age. A dança/educação procurando desenvolver as potencialidades integradas do ser concorre para a educação integral (NANNI, 2002, p. 129 apud MIRANDA, Lia e SANTOS, 2016).

A dança também trabalha os aspectos sensitivos e emocionais do ser humano, elevando ainda mais seu poder de expressão e comunicação.

A dança como arte conceitual, portanto, é forma de comunicação e expressão, é uma das manifestações inerentes à natureza do homem, presentes nos acontecimentos de sua vida: nascimento e morte, guerra e paz, celebrações e rituais. Ela estabelece íntima relação com as emoções e sentimentos humanos; antecede como forma de comunicação à própria linguagem falada, característica hoje tão escassa ao homem contemporâneo. (NANNI. 2008, p. 181 apud MEIER; Juline Kuhn e KAUFMANN, Lisete Hahn, 2015; RES18).

A linguagem teatral, por sua vez, traz consigo inúmeros benefícios e contribuições para o desenvolvimento de quem estiver envolvido com suas práticas. Ela amplia as possibilidades da comunicação como forma de expressão, trabalhar as questões psicológicas contribuindo para a diminuição da timidez conforme os relatos de Santa Rosa (2006).

Segundo Santa Rosa (2006), o contato com a linguagem teatral ajuda as pessoas de diferentes idades a perderem continuamente a timidez, a desenvolver o espírito de equipe nos trabalhos, e a terem mais desenvoltura nas situações em que são necessárias o uso do improviso, além de adquirirem um maior interesse pela leitura e seus diversos autores, Ingrid Dormien Koudela (2006) argumenta que: “o teatro é um exercício de cidadania, é um meio de ampliar o repertório cultural de qualquer estudante” (KOUDELA, 2006, apud SANTA ROSA, 2006, p. 26).

Diante do exposto entendemos que essas três linguagens artísticas, ao serem observadas individualmente apresentam múltiplas contribuições para o ser humano, especialmente no desenvolvimento das capacidades cognitivas, sensitivas, emotivas e afetivas, além de propiciar o crescimento das relações interpessoais entre os seus envolvidos.

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