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Verificamos que alguns aprendizes já apresentavam, antes do início das atividades propostas no semestre, elementos que nos permitem caracterizar a sua relação com produtos culturais em LI, especialmente séries, como marcada pelo interesse individual bem-desenvolvido. Esse tipo de interesse, conforme tratado na seção 1.2, pode ser observado, por exemplo, quando há uma predisposição relativamente duradoura de entrar em contato novamente com o objeto de interesse ao longo do tempo. Outras características significativas que definem essa fase de desenvolvimento de interesse são: a perseverança na procura por esse contato, mesmo diante de frustrações ou desafios, a

existência de conhecimento aprofundado a respeito do objeto de interesse, assim como a busca por aprofundamento ainda maior, por meio da formulação de perguntas e da procura por feedback de pessoas habilitadas.

Pudemos observar a presença de algumas dessas características na atuação de Roger. Trata-se de um aprendiz que, desde o primeiro semestre de 2016, quando houve a coleta inicial de dados para a pesquisa, demonstrava ter interesse desenvolvido por produtos culturais, principalmente séries e filmes. Em notas de campo tomadas durante aquele período, aparecem traços sinalizando esse tipo de interesse. Alguns dos exemplos podem ser vistos a seguir:

05/04/2016 O Roger tem o Darth Vader de screen saver no celular, e no computador, uma foto de Game of Thrones.

19/04/2016 O Roger veio conversar comigo no início da aula; ele queria me perguntar sobre o significado da seguinte frase que viu numa série: “I did warn you”. Primeiramente ele me perguntou como se diz ‘Eu te avisei’; eu disse “I told you”, e então ele se corrigiu, dizendo “‘Eu te alertei’, na verdade”, e concluiu, afirmando “Eu diria ‘I warned you’”.

Eu disse que estava certo, e então ele falou “Mas eu vi num seriado alguém dizendo ‘I did warn you’”. Em seguida, eu expliquei para ele o uso do verbo auxiliar para enfatizar o que se quer dizer.

No segundo semestre de 2016, período em que ocorreu a segunda fase da coleta de dados, Roger demonstra ter mantido o interesse por produtos culturais em LI. A seguir, apresentamos incidências que apontam nessa direção, conforme reveladas por dados coletados no período citado, por meio de três instrumentos de coleta distintos. Primeiramente, alguns dados obtidos através de notas de campo:

18/08/16 [...]

Outro dado importante nessa aula ocorreu quando o Roger disse que está à procura de um livro para ler em inglês. [...] Disse que está pensando em tentar o Harry Potter; eu disse então a ele que tinha uma aluna do segundo período que estava lendo esse livro em inglês e gostando bastante.

23/08/16 Nessa aula, os alunos fizeram uma atividade do livro, na qual tinham que completar a frase ‘Happiness is...’.

A frase do Roger foi “Happiness is watching TV series”; A do Joel foi “Happiness is listening to music”.

01/09/16 [...]

Quando todos se foram, o Roger veio tirar uma dúvida sobre vocabulário com o qual teve contato assistindo à entrevista com um ator realizada no programa do comediante norte-americano Jimmy Fallon. Notei que ele estava bem à vontade, talvez pelo fato de perceber que eu dou abertura a esse tipo de contato e conteúdo.

Podemos perceber, então, que o interesse do aprendiz por produtos culturais em LI se manifesta de diferentes maneiras: pela procura de algum livro de ficção, nessa língua, para leitura; pela relação que estabelece entre assistir séries e o sentimento de felicidade; e pelo fato de assistir a um programa no qual normalmente são realizadas entrevistas com atores e atrizes que costumam figurar em elencos de filmes e séries de sucesso atuais.

Nas aulas referentes aos dias 18/08/16 e 01/09/16 (assim como naquelas dos dias 05/04/16 e 12/05/16, ainda no período inicial de coleta de dados), conforme retratadas nos excertos de notas de campo apresentados, percebe-se que Roger procura o PP para tirar suas dúvidas em relação a itens linguísticos presentes nos produtos culturais com os quais mantem contato, assim como para pedir sugestão de livros para leitura na língua-alvo. Desse modo, com base no modelo de desenvolvimento de interesse de Renninger e Hidi (2016), citado anteriormente, é possível estabelecermos relação entre as atitudes de Roger descritas e algumas características elencadas pelas autoras para descrever a atuação de aprendizes que demonstram interesse individual bem-desenvolvido por determinado conteúdo. Além de apresentar características presentes também na fase anterior, como o fato de reengajar-se com conteúdo independentemente, ter sentimentos positivos e ser reflexivo em relação a ele, o aprendiz também aprecia e procura feedback de modo ativo.

Conforme discutimos na seção 1.2, aprendizes nessa fase do desenvolvimento de interesse procuram aproveitar oportunidades de ampliar o conhecimento sobre seu objeto de interesse, a partir da interação com pessoas que possam fornecer feedback às suas perguntas, servindo-lhes como “andaime” na busca por entendimento mais aprofundado a respeito do referido objeto (RENNINGER, 2000, p. 390).Verificamos a ocorrência de atitudes dessa natureza por parte de Roger, a partir do exame de dados provenientes de outros instrumentos de coleta utilizados. Ao final da aula do dia 8 de setembro de 2016, gravada em áudio e posteriormente transcrita, o aprendiz se aproxima do PP, enquanto a maioria da turma se retira da sala, e relata algo percebido enquanto assistia a uma série na noite anterior:

Roger: Ontem de madrugada eu tava assistindo série... e tava chamando a:: ... a mulher pra ir no cinema, assistir um filme... só que era um filme antigo... aí ela não queria ir, ela falou pra ele... é: “you can netflix it at home”

PP: Usou como verbo? Roger: É

PP: Que legal-

Roger: “You can netflix it”

Algumas observações podem ser feitas em relação ao trecho exposto. Primeiramente, ao dizer que estava assistindo a uma série “de madrugada”, sendo que o curso que frequenta na universidade é integral, com aulas de manhã e à tarde, o aprendiz apresenta indícios de que pode perseverar na procura por contato com o objeto de interesse, encontrando horários alternativos para realizá-lo. Além disso, Roger demonstra querer receber feedback pelo fato de ter conseguido perceber algo novo ocorrendo no uso da LI, que é o emprego da palavra ‘netflix’, um substantivo, como verbo. Num trecho da entrevista realizada com o aprendiz, ele demonstra ter consciência de sua atuação no que se refere ao contato com séries fora da sala de aula e à procura por feedback durante as aulas:

PP: Tá... entendi... e você achou... assim, legal esse tipo de, de trabalho com séries, uma série que você já conhecia, já gostava, o que que você achou, assim, desse tipo de experiência, assim?

Roger: Então, era uma coisa que eu já fazia... e só se tornou oficial... digamos assim... porque isso eu já, já... fazia em casa, né, assistia série... e trazia dúvidas que eu tinha de lá... pra cá

PP: Sim... é, você já fazia isso antes, né Roger: A única coisa é que... ficou oficial

Roger também demonstrou reconhecer “a contribuição de outros para a disciplina”, fator citado por Renninger e Hidi (2016) como característico na atuação de aprendizes com interesse individual bem-desenvolvido. Em notas de campo tomadas durante uma das aulas da turma 3, na primeira fase de coleta de dados, o PP registrou a lembrança de algo que havia acontecido na semana anterior, em aula para a turma 2, à qual pertencia Roger naquele período:

25/05/16 É interessante, porque, na semana passada o Roger já havia dito que depois

que me viu explicando para o Otávio sobre perguntas em que o sujeito e o

verbo não são invertidos, ele percebeu esse padrão numa cena de um

episódio de uma série a que já havia assistido, mas não havia notado tal padrão.

Percebe-se, então, que, na situação descrita por essas notas, Roger prestou atenção às perguntas que outro aprendiz, Otávio, fez ao PP, envolvendo frases interrogativas nas quais não se inverte a posição sujeito-verbo, e à explicação dada por esse último. Então, com base no conhecimento obtido dessa forma, ele foi capaz de perceber esse tipo de ocorrência enquanto assistia a uma série. Dessa forma, Roger parece beneficiar-se da contribuição de outros em relação ao conteúdo do seu interesse, conforme dissemos anteriormente, apresentando mais uma característica vinculada ao interesse individual bem-desenvolvido. De acordo com Renninger e Hidi (2016), aprendizes nessa fase de desenvolvimento de interesse “podem procurar compreender essas contribuições de modo ativo, e é provável que procurem feedback”214. Atuando dessa maneira, o aprendiz amplia

a quantidade de itens linguísticos que podem ser percebidos (noticed) ao manter contato com séries, contribuindo para o desenvolvimento do processo de aprendizagem da língua- alvo.

Ressaltamos que, mesmo em casos como o do aprendiz Roger, que já apresenta interesse desenvolvido por séries, é importante que se realizem atividades como as propostas neste estudo, pois, de acordo com Hidi e Renninger (2006, p. 112), “sem o suporte de outras pessoas, qualquer fase de desenvolvimento de interesse pode se tornar dormente, regressar a uma fase anterior, ou desaparecer completamente”215. Outro motivo para a realização de tais atividades, considerando-se alunos com interesse bem- desenvolvido por séries, está relacionado à motivação para a prática oral da língua-alvo em sala de aula, em discussões envolvendo os episódios assistidos em casa. Verificamos que um número expressivo de aprendizes apontou tais discussões como uma das práticas que mais apreciaram, dentre aquelas que compuseram a experiência com o produto cultural citado. Enzo, por exemplo, que no questionário inicial havia relatado manter contato frequente com séries (mais de uma vez por semana), ao ser solicitado, na entrevista, a fazer uma avaliação sobre as atividades, discorreu, conforme pode ser visto

214 No original: “[...] may actively seek to understand those contributions, and are likely to seek feedback”. 215 No original: [...] without support from others, any phase of interest development can become dormant, regress to a previous phase, or disappear altogether.

no trecho apresentado a seguir, sobre os motivos que o fazem considerar as discussões relevantes para a aprendizagem:

PP: No seu questionário, você afirma que assiste séries frequentemente, mais de uma vez por semana... o que você achou da experiência de ter que assistir a um episódio por semana de uma série da sua escolha como parte das atividades do curso?

Enzo: É:: ... eu acho que foi... foi interessante porque é uma coisa que

eu já tô acostumado a fazer... e aí mistura, tipo, um pouco do... do, desse processo de aprendizagem com... com uma diversão, então,

tipo, dá pra- assimilar bem as coisas... então, o fato da gente comentar aqui, eu olhar pras pessoas e saber, tipo, que eles assistiram o mesmo... o mesmo seriado, e a gente tem... e aí a gente pode conversar sobre

uma coisa que... nos agrada... e praticando inglês, eu acho que é uma

coisa bem interessante mesmo... é muito mais fácil de aprender,

muito mais fácil de assimilar, eu acho... buscar as palavras, tal, e tentar lembrar, essas coisas, eu acho que... é muito bom, ainda mais

por ser uma coisa que, tipo... é: a gente num, num... num é igual na

sala, que a gente já- a gente acabou de ler o texto e aí a gente vai conversar, né... porque acho que tem muito também... é:: de ver a

palavra e esquecer ela muito fácil, muito rapidamente... e quando a

gente assiste o seriado... e cê tá prestando atenção e tem um contexto, tal... aí é mais fácil de você... puxar todo aquele contexto, até chegar na palavra e às vezes é mais fácil pegar aquela palavra de

volta, uma palavra que você acabou de aprender, sabe, uma coisa mais

fácil de... assimilar, eu achei

Percebe-se, portanto, no que se refere ao excerto apresentado, que Enzo faz uma comparação entre práticas orais que são feitas a partir de textos lidos em sala de aula, e aquelas que foram promovidas durante a pesquisa, com base em episódios das séries que os alunos escolheram para a experiência. Segundo o aprendiz, é “muito mais fácil de assimilar” itens linguísticos percebidos nas séries, devido ao fato de que “cê tá prestando atenção e tem um contexto”, o que torna “mais fácil de você... puxar todo aquele contexto, até chegar na palavra”. De acordo com Sockett (2014, p. 115), uma das vantagens da aprendizagem por meio de séries está relacionada ao fato de que as histórias que constituem cada episódio são apresentadas em contexto que se torna familiar para os aprendizes, à medida que o número de episódios assistidos aumenta, facilitando a compreensão do conteúdo linguístico presente. Além disso, a atenção a aspectos como expressões faciais, gestos e entonação dos personagens pode, segundo o autor, “levar a

um rico processo de decodificação e facilitar o resgate do bloco linguístico numa data futura”, como parece ter ocorrido com Enzo216.

Na sequência, o aprendiz aborda novamente a lembrança de palavras presentes nas séries e cita outros aspectos envolvidos nas discussões sobre os episódios assistidos que, na sua visão, podem contribuir para a aprendizagem da LI:

PP: Cê diz assim, é: ...

Enzo: Eu senti pelo menos, quando eu conversei com eles, assim, que...

quando eu voltava, assim, funcionava, sabe, umas coisas, assim, eu lembrava de umas palavras, assim, ‘nossa, lembrei’ e tal... sabe

PP: Voltava, como assim? Que que cê quer dizer? É:: ...

Enzo: Ah, a expressão ou... ou... é: alguma palavra em específico que aconteceu, sabe, alguma coisa específica... num sei, alguma ação... e aí, tipo, você tentando... descrever aquilo também já... já ajuda, né, bastante no inglês, que é uma coisa que a gente faz frequentemente, né, quando a gente quer... quando a gente não sabe, não sabe a palavra mas... é: ... isso também ajuda a buscar, né

PP: Cê tá falando, é: ... bem especificamente da... das discussões... sobre os episódios que vocês tinham assistido

Enzo: Isso

Primeiramente, Enzo demonstra ter se surpreendido quando constatou que conseguia ‘resgatar’, durante as discussões, palavras percebidas no contato com a série Breaking Bad, ao dizer: “quando eu voltava, assim, funcionava [...], eu lembrava de umas palavras, assim, ‘nossa, lembrei’”. Em seguida, afirma que mesmo no caso de não conseguir recordar-se de alguma palavra específica, a tentativa de descrição “também já... já ajuda [...] bastante no inglês, que é uma coisa que a gente faz frequentemente [...] quando a gente não sabe [...] a palavra”. Posteriormente, na parte final da entrevista, Enzo confirma ter gostado das discussões, sinalizando, por outro lado, que elas poderiam ter sido feitas de modo mais frequente:

PP: [...] a gente acabou... não, não... fazendo tantas discussões... em relação aos episódios assistidos [...] você acha, você falou que gostou das discussões, né?

Enzo: Gostei

216 Verificamos ocorrências semelhantes a partir dos relatos dos aprendizes Bianca e Paulo, as quais serão

PP: Você ficou com a expe[ctativa] Enzo: [Acho que poderia] ter mais PP: É

Enzo: Poderia ter mais

A aprendiz Priscila, que, assim como Enzo, já demonstrava interesse bem- desenvolvido por séries antes do início das atividades envolvendo esse produto cultural, também afirmou ter gostado das discussões feitas em sala de aula. Primeiramente, seu interesse por séries pôde ser verificado a partir de suas respostas aos itens 6 e 7 do questionário inicial, em que ela declarava ter interesse por quatro tipos de artefatos cultuais em LI, na seguinte ordem de preferência: séries, músicas, filmes e livros. Em seguida, no item destinado a aferir a frequência habitual de contato dos aprendizes com séries, Priscila assinalou a opção ‘Diariamente’. Ao final do semestre, na entrevista, a aluna indica ter mantido o mesmo nível de interesse relatado no início, como podemos observar no trecho seguinte:

PP: [...] houve alguma modificação em relação ao seu interesse por séries ou produtos culturais em língua inglesa, de modo geral, nesse semestre?

Priscila: Não, continua- ah, continua- eu sempre gostei muito de música, de série

PP: Ahã

Priscila: Filmes, nem tanto PP: Tá

Priscila: Filmes, eu acabo... num, num assisto tanto... mas o, ã... eu sempre gostei, então... não teve diferença, eu continuo gostando

Na sequência da entrevista, quando o PP pede para que Priscila faça uma avaliação das atividades realizadas no semestre, a aluna destaca, então, as discussões, sinalizando a presença de aspectos afetivos positivos na prática da oralidade baseada nas séries, como pode ser observado no excerto a seguir:

PP: [...] o que você achou das atividades, de como elas foram feitas, assim... ã: escolher uma série... assistir um episódio por semana, responder um questionário... fazer algumas discussões aqui com os

colegas... como que você viu isso, assim, você enquanto uma aluna... alguém que já tinha contato antes...

Priscila: Eu::, a parte das discussões eu acho muito interessante, porque:: ... ... porque você:: ... primeiro, que você vai, escuta... porque é sempre bom, você, quando você... principalmente quando cê tá

gostando... no caso da série, cê assiste, se cê gosta da série cê... quer comentar sobre ela... então essa discussão é, é bem gostosa, ainda mais que você... é:: ... se você for discutir em inglês, cê já vai... cê

meio que força, né PP: Ahã

Priscila: a:: ... porque às vezes a gente até sabe, mas... tem que se

forçar... a, a formar as frases, né, acho que é uma forma de... de aprender

Nota-se, portanto, que Priscila considera o interesse pela série como algo que motiva a prática oral, pois, nas palavras da estudante, “se cê gosta da série, cê... quer comentar sobre ela... então essa discussão [...] é bem gostosa”. Além disso, o fato de ter “que se forçar [...] a formar as frases” ao conversar com colegas sobre os episódios assistidos representa, na sua visão, “uma forma de [...] aprender” a língua-alvo.

De modo semelhante, Gilberto avalia que a prática oral realizada com base em conteúdos que são do interesse dos aprendizes pode ser mais benéfica no desenvolvimento da capacidade de se comunicar do que outros tipos de práticas, como podemos observar no seguinte trecho de sua entrevista:

PP: [...] em relação... é:: ... às atividades, [...] o que que você achou, assim? [...] você é alguém que já tinha contato, bastante, né, com produtos culturais e tal... aí... é: e aí esse semestre então, [...] vocês assistiram a um episódio por semana de uma série... é: na casa de vocês, responderam um questionário por semana, né... teve algumas discussões aqui sobre os episódios [...] É: qual a sua opinião?

Gilberto: Eu acho que... é bom pro aprendizado, assim, principalmente pra quem não... costuma fazer isso, ou mesmo pra quem assiste já... mas pelo menos tentar assistir alguma coisa com legenda em inglês ou sem legenda... isso... muda bastante, assim, você aprende muito mais fazendo esse tipo de coisa... então... e dis- e conversando sobre as séries também é bom porque você... conversar em inglês... sobre algo que

você gosta... acho que é melhor pra aprender a falar, assim, às

vezes... do que ficar falando sobre... ... por exemplo, essas... alguns

temas já definidos, assim, cê ficar conversando sobre isso não é tão interessante quanto falar sobre algo que você tem interesse

Ao analisarmos as notas de campo referentes à aula do dia 5 de outubro de 2016 (turma 3 – fase 2), encontramos dados que vão ao encontro do que Gilberto relatou na

entrevista, sinalizando motivação do aprendiz para a prática oral baseada numa série do seu interesse:

05/10/16 Enquanto Arthur, Giovane e Jorge conversavam, Gilberto e Júlia também o faziam, cada grupo abordando a série escolhida. Houve um momento em que parecia que a conversa entre Gilberto e Júlia já havia terminado, e não havia mais nada que pudessem falar sobre aquele episódio. Então, Júlia se virou para prestar atenção na conversa do outro grupo. Nesse momento, eu achei que as atenções ficariam voltadas para tal grupo até o fim da atividade. No entanto, alguns segundos depois, Gilberto chamou novamente a atenção de Júlia para fazer algum outro comentário sobre o episódio que ambos assistiram, e então a conversa entre eles perdurou por mais alguns minutos.

Podemos perceber, assim, que enquanto Júlia tem a sua atenção voltada para a discussão que era realizada por aprendizes de outro grupo, Gilberto a chama novamente, dando continuidade à conversa envolvendo o episódio de Doctor Who que ambos haviam assistido. Esses dados tornam-se mais significativos por dizerem respeito a um aprendiz