Pode ser definido como o interesse da parte ativa em obter tutela jurisdicional de uma situação subjectiva através de um determinado meio processual. O correspondente interesse da parte passiva passa por impedir a concessão daquela tutela.
Art 20º/1 CRP - direito de acesso aos tribunais
Art 30º/2 - interesse em demandar e o interesse em contradizer - correlativos entre si.
O Prof Miguel Teixeira de Sousa simplificou substancialmente a sua posição Não confundir este pressuposto com com a Legitimidade processual
Art 30º/2 - Interesse processual
Parte da doutrina discorda - Prof. Lebre de Freitas
Deveria haver um art próprio do interesse processual mas não existe
MTS - O interesse não vem consagrado em mais lado nenhuma a não ser no art 30º/2 Como está tudo no mesmo art muitas vezes confunde-se mas não tem nada a ver
Diferença:
Legitimidade - “interesse” - se sou sujeito da relação controvertida, tenho interesse porque me afeta - saindo beneficiado ou prejudicado do resultado da ação
Interesse Processual - Critério - saber se aquela pessoa precisa ou não da tutela dos tribunais Ex: Hoje para despejar alguém ja não é preciso propor uma ação contra essa pessoa
Para isso não há necessidade de tutela por porte dos tribunais - não tem necessidade de tutela - não tem interesse processual
É necessário ter interesse em estar em processo em abstrato - para resolver o meu problema preciso do processo Nunca há interesse de só uma das partes
Ou têm ou nao têm
Precisar da tutela dos tribunais - a solução é sempre a mesma do lado ativo e passivo - vê-se em conjunto - o interesse processual é aferido globalmente
É correlativo - para o autor e para réu ao mesmo tempo
Afere se sempre no momento de propor a ação - ou seja com a atuação do autor
Posição anterior do Prof MTS:
Estávamos perante interesse processual quando havia necessidade de tutela e o meio escolhido pelo autor era o mais adequado
O Prof voltou atrás relativamente ao critério da adequação do meio processual escolhido pelo autor A adequação do meio já não é um requisito para o Prof MTS
Tornou muito mais fácil ver se há interesse processual ou não
Passou apenas a corresponder à necessidade de resolver o litígio através dos tribunais
Necessidade de Tutela por parte dos Tribunais:
Estamos a falar de formas extra judiciais razoáveis, nomeadamente quando é o próprio legislador que as cria Tornou-se algo muito menos processualmente interessante - passou a ser menos relevante
Só temos de analisar a necessidade de tutela jurisdicional
Não há interesse processual e não têm necessidade de recorrer aos tribunais quando há alguma forma fora destes para resolver o litígio - meios extrajudiciais de resolução de litígios
Nestas situações se isto se verificar - não há necessidade de tutela
Estaremos perante:
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Uma exceção dilatória-
Insanável-
De conhecimento oficiosoLevará à Absolvição do réu da Instância
Problema relativo ao art 577º Não fala do interesse processual
“Entre outras” - MTS diz que entra aí
Enquanto o Prof MTS tinha a ideia mais abrangente relativamente ao conceito de interesse processual houve
Parte da doutrina veio falar do art 535º/2
Este art não tem nada a ver com interesse processual, é sobre o pagamento de custas do processo A regra, em direito português é:
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Se o autor ganhar: réu suporta as custas-
Se o autor perder: é ele que suporta as custas Quem perde pagaO juiz, no fim da sentença decide sempre quem é que paga as custas
Há algumas situações do art 535º em que o legislador vem dizer que, independentemente do resultado da ação, o autor paga sempre as custas
Muitas dessas situações correspondiam àquilo que o Prof. MTS entendia como falta de interesse processual A doutrina contrária dizia que o Prof MTS estava enganado, o legislador não se esqueceu do Interesse Processual na lista de exceções dilatórias - simplesmente não quis que a sua falta levasse a uma exceção dilatória com a correspondente absolvição do réu da instância
O legislador lembrou-se de situações de falta de interesse e introduziu-as - o juiz conhece do mérito da causa mas o autor paga as custas
Para estas posição doutrinária a falta de interesse processual não conduz à absolvição do réu da instância
O Legislador sabe que existem situações de falta de interesse - as que achou importantes introduziu neste art - o juiz vai conhecer do mérito da causa mas se não há interesse, o autor paga as custas independentemente de ganhar ou de perder
MTS - admite que a doutrina tem parcialmente razão - alguns exemplos de falta de interesse vêm no art 535º e essas conduzem ao pagamento das custas
Mas há muitas outras que não se encontram nele previstas
Todas aquelas em que falta o interesse e não vêm preenchidas neste artigo levam à absolvição da instância
A Divergência é sobre o que se deve fazer nas outras situações do art 535º:
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O legislador não lhes deu relevância, logo não acontece nada-
MTS - falta interesse por isso dá-se a absolvição do réu da instância
MTS nem concorda muito que todo o art 535º/2 trate de situações de falta de interesse processual Sá aceita das alíneas c) e d)
Antigamente, o Prof dizia que era necessária a necessidade de tutela e adequação do meio processual No entanto alterou o Manual e deixou de fazer sentido
Reconhece que são excepções do legislador no art 535º à sua solução de absolvição do réu da instância No entanto, não acha que são tudo exceções
Casos da alínea c):
Se o autor já tem na sua mão um titulo executivo - autor paga as custas - se em vez de ir para a ação executiva fosse para a declarativa - usou um meio inadequado - está a fazer toda a agente perder tempo - caso típico em que há inadequação do meio processual
Se o prof agora diz que só é critério necessário para o interesse processual a necessidade de tutela - torna-se confuso
Uma coisa é dizer que o conceito abstrato de interesse processual existe sempre que há necessidade de tutela ou o meio utilizado é o adequando - os dois vetores continuam lá
O problema é que todas as situações em que o meio não é adequado estão no art 535º/2 - Prof. MTS não consegue encontrar outras - em que o meio não seja adequando e o resultado nao seja apenas o pagamento das custas pelo autor mas sim a absolvição do réu da instância
Ainda não tem mesmo uma posição assente - está em evolução
Como resolver em contexto de caso prático:
Olhar para a situação:
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Se é um caso do art 535º/2 aplica-se - pagamento das custas pelo autor-
Se for um caso das alíneas a) e b) - caso de divergência doutrinaria-
Se for um caso das alíneas c) e d) - toda a gente concorda que falta interesse e há pagamento das custas em vez da absolvição do réu da instância-
Se for um caso fora das alíneas - temos de ir ver se há ou não necessidade de tutela por parte dos tribunais - se concluirmos que não precisa - e que há outro meio eficiente de chegar ao mesmo resultado de forma extrajudicial - estamos perante a falta de interesse processualMTS - exceção dilatória e absolvição do réu da instância Doutrina contraditória - não tem relevância
O Interesse Processual existe para gastar dinheiro e tempo tanto às partes como ao país - forma de administração da justiça