Direito Processual Civil I - Apontamentos
Autores - Lado ativo - propõe a ação
Réus - lado passivo - contra quem a ação é proposta
Mais do que um autor e mais do que um réu - litisconsórcio - Pluralidade de partes Problema que os autores querem ter resolvido
Quando o juiz resolve o problema entre as partes - juiz está a conhecer do mérito da causa
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Juiz toma uma decisão sobre o problema que opõe as partes 1. Decisão de mérito2. Decisão de forma - o juiz por algum motivo declara que não está em condições de decidir sobre o problema que opõe as partes
Ex: Maria bateu na Joana e a Joana propõe uma ação contra a Maria
Joana quer uma indemnização - sempre que se pronuncia sobre o direito à indemnização está a conhecer do mérito da causa
Não há direito a indemnização porque a ré por algum motivo é inimputável O juiz está a conhecer do mérito da causa
Se o juiz estiver a dizer que o autor propôs a ação num tribunal incompetente - conheceu da forma da causa - não está em condições de conhecer do mérito da causa porque faltava um pressuposto processual
Pressuposto processual - se falta, o juiz não pode decidir do mérito da causa - condição que tem de estar preenchida para que tal aconteça
Exemplos de pressupostos processuais:
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Competência-
Legitimidade-
Capacidade judiciária-
Personalidade judiciária-
Em algumas situações é obrigatório estarem acompanhados por advogadoSe alguma destas causas não se verificar é porque falta um pressuposto processual e o juiz não pode decidir sobre o mérito da causa
MOMENTOS DO PROCESSO CIVIL
1º momento do processo:
Autor escreve uma petição inicial e entrega-a
- Hoje entrega-se uma petição inicial através do sítios - forma electrónica Através deste ato inicia-se o processo
Não está nas mãos do tribunal se o processo se inicia ou não mas este começa a partir da entrega da petição inicial Tribunal faz:
1. Autuação - cria uma pasta para o processo (secretaria) Não é relevante - ato meramente administrativo
2. Distribuição - distribuir aquele processo a um juiz concreto - hoje em dia faz se através de um processo aleatório num computador
O facto de se distribuir não significa que o juiz vá logo ler o processo - neste momento ainda não tem contacto com o processo
3. Citação do réu - feita pela secretaria oficiosamente (sem ninguém pedir ou suscitar)
Autor tem o dever de na petição inicial indicar a morada do réu e a secretaria envia uma carta registada para o réu, para a sua morada, dizendo que foi proposta uma ação contra si e segue a petição inicial - é dito se é ou não obrigatória a presença de um advogado
Só a partir do momento em que o réu é citado é que este passa a fazer parte do processo; até lé apenas o autor e o tribunal faziam parte do processo
Proceder - o autor ganhar
O pedido procedeu, a ação procedeu - ganhou o autor Difere de prosseguir - continuar
- Quando o tribunal é incompetente não se pode dizer que não procedeu - Quando falta um pressuposto processual a ação não prossegue
Caminho do ato processual para a relação processual:
À relação processual dá-se o nome de instância - relação triangular - autor, réu e tribunal
Tipos de respostas do juiz:
Quando o autor propõe uma ação o autor pretende uma decisão de mérito que lhe seja favorável Quando o juiz diz que a ação procede - o juiz diz que condena o réu no pedido
O juiz não pode condenar em coisa diferente daquela que foi pedida - os seu limites são aquilo em que o autor pediu - só pode condenar nos exatos termos daquilo que lhe foi pedido
Condenar no pedido - dizer que o autor tem razão - decisão de mérito
Pode acontecer que o juiz conclua que o autor não tem razão - já não condena no pedido Absolve do pedido - absolvição do réu do pedido - decisão de mérito
O Juiz pode tomar outra decisão - que é uma decisão de forma - não está em condições de decidir da causa Absolvição do réu da instância - não é absolvido daquilo que o autor pediu, o réu é meramente absolvido daquela relação processual
Quando o réu é absolvido da instância, não havendo uma pronuncia judicial (do juiz) sobre o pedido que foi formulado, nada impede o autor de voltar a propor uma ação exatamente igual
Se o juiz conhece do mérito da causa, a relação entre as partes fica esclarecida Réu tem 30 dias para apresentar a contestação
Pode fazer:
1. Pedido reconvencional ou reconvenção - um pedido formulado pelo réu na contestação contra o autor - normalmente exige-se que tenha alguma relação para não tornar a ação demasiado complexa
Réplica - só existe se o réu fizer um pedido reconvencional 2. Defender-se daquilo que o autor disse
Defesa por impugnação - impugnar o que o autor disse - dizer que o que o autor disse não é verdade, não tem de impugnar tudo
Para facilitar o trabalho do juiz criou-se uma regra para ser fácil indicar o que é que o réu está a impugnar - o autor deve escrever a petição por números para o réu contestar indicando o número - as peças processuais do autor e do réu - petição inicial e contestação - têm de ser escritas por números - chamam-se articulados Existem 3 tipos de articulados: petição inicial; contestação; réplica
Os requerimentos não tem de ser escritos por artigos - são tudo o resto que as partes apresentam O juiz nunca tem de escrever nada por artigos
3. Defesa por exceção
Introduzir um elemento novo no processo
Ja não estamos numa defesa em que o réu apenas disse que era mentira, o réu acrescenta ago de novo Podem existir:
- Exceções peremptórias - quando esse algo de novo tem a ver com o mérito da causa Ex: estava sobre coação - para ser absolvido do pedido
O juiz em regra não pode oficiosamente suscitar exceções peremptórias
- Exceções dilatórias - quando essa coisa nova tem a ver com a forma - verificação de uma situação que faz com que o juiz não possa conhecer da situação - art 577º
Ex: celebra o contrato mas o autor não estava acompanhado de advogado e a lei diz que era obrigatório - absolvição do réu da instância - 576º/2 - se proceder (existir mesmo, esta exceção dilataria) o réu vai ser absolvido em instância
Nem todas as exceções são delgadas pelo réu, o juiz também pode suscitar exceções - O juiz pode ele próprio conhecer da exceção sem ninguém a suscitar - fá-la oficiosamente Terminada a fase dos articulados o processo é entregue ao juiz - processo vai concluso ao juiz Recebe os autos e começa a ler
Chegando ao fim da leitura tem de tomar uma decisão
2ª fase - fase da gestão do processo / Antes era a fase do Saneamento
1. Antes do despacho saneador o juiz tem de fazer um despacho pré-saneador/ despacho de aperfeiçoamento
Serve para o juiz convidar o autor ou o réu a mudar coisas dos articulados
Fazer com que determinados pressupostos processuais que estão em falta passem a estar preenchidos Convites que evitam que tenham de existir absolvências da instância
Não é obrigatório - apenas se achar que dá jeito, mas nunca pode haver uma absolvição da instancia antes do juiz convidar as partes a corrigir os erros existentes
2. Audiência prévia
Teoricamente existe mas muitas vezes os juizes agarram-se às suas excepções para não a fazer Art 591º
Momento em que o autor responde àquilo que o réu disse - se o réu suscitar alguma exceção dilatória na contestação - o primeiro momento em que o autor pode responder é na audiência previa - direito ao contraditório
3. O juiz tem de decidir se a ação prossegue ou não
Obriga o juiz a avaliar se estão preenchidos os pressupostos processuais Analise meramente formal
Quando analisa pressuposto a pressuposto se pode ou não decidir sobre o mérito da causa profere um despacho saneador - lista de contas com pressupostos processuais
Se houver uma exceção dilatória - vai absolver o réu da instância
Se o juiz considerar que o processo deve continuar iniciam-se uma série de atos que têm como objetivo a produção de prova
Despacho do art 596º
Faz uma lista de tudo aquilo que ainda falta provar
A seguir vamos para a fase do julgamento - fase da audiência final Produz-se prova, ouvem-se as testemunhas, os peritos…
Terminada a audiência, fazem-se as alegações finais e passamos para a última fase que é a da sentença
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Pode absolver o réu da instância-
Absolvição no pedido-
Condenação do pedidoPRINCÍPIOS PROCESSUAIS
Princípio da instrumentalidade:
O processo civil não é um fim em si mesmo, destina-se a permitir determinadas situações subjectivas através de critérios legais, não tem uma finalidade própria.
Existe porque há a necessidade de tutelar estas mesmas situações subjectivas
A lei subjectiva utiliza a expressão direitos indisponíveis ou relações jurídicas indisponíveis - matérias em relação às quais a vontade das partes não produz efeito nenhum, a lei estabelece um regime e mesmo que as partes o queiram afastar não podem - limite à autonomia privada e à vontade das partes
A mesma limitação que existe no direito subjectivo à vontade das partes existe também no direito processual Consagração expressa no art 289º
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Confissão-
Desistência-
PedidoNo âmbito de uma relação jurídica indisponível - em que a vontade das partes não é relevante Exemplo:
Estabelecimento da maternidade ou da paternidade - não é possível fazê-lo de forma totalmente voluntária Ideia fundamental de que aquilo em relação ao qual a vontade das partes não é relevante fora do processo então tampem não o será dentro do processo
O processo é um instrumento para fazer valer direitos materiais
Nunca posso através do processo conseguir produzir efeitos que não conseguiria produzir assim fora do processo
Princípio do Dispositivo:
Ideia de que no processo civil estamos perante interesses de caracter privado 2 regras fundamentais:
1. Nenhum processo se inicia a não ser que algum dos interessados na resolução do litígio solicite a sua resolução pelo tribunal - ainda que o juiz tenha conhecimento de algum tipo de incumprimento, nenhum juiz pode iniciar uma causa procurando obter a condenação do devedor - vertente do impulso processual Depende de uma das partes
2. Disponibilidade sobre o objeto - o objeto da causa é também delimitado pelas partes
Concretamente, incumbe sempre às partes/ao autor que propõe a ação, formular um pedido - 552º/1/e) - autor tem o ónus de formular um pedido
Sem a formulação deste pedido o processo tem um vício grave
Art 615º/1/e) - refere as causas de nulidade da sentença - nula quando o juiz condena em quantidade superior ou em objeto diverso do pedido - aquele pedido que o autor tem o ónus de formular na petição inicial é importante porque é ele que delimita o âmbito de conhecimento do tribunal
É necessário apresentar uma causa - os factos que fundamentam o pedido - sou proprietário de uma casa mas porquê?
Art 5º/1 CPC - às partes cabe alegar os factos essenciais das causas de pedido - ideia de que ao autor cabe alegar os factos que integram a causa do pedido - 552º/1/d) - além de formular o pedido tem o ónus de invocar a causa A causa de pedido é vinculativa para o tribunal
O juiz não pode mudar a causa de pedido mas com os mesmo factos o juiz pode alterar a solução jurídica 5º/3 Discussão na Doutrina Portuguesa sobre quais os factos que integram a causa de pedido:
Discussão decorre da redação do preceito no artigo:
Art 5º/2/b) fala dos pactos complementares ou concretizadores Teixeira de Sousa - não integra a causa pedido
O que são os factos que a lei qualifica como complementares?
Podem ser adquiridos durante a pendência da causa
Sao factos que complementam factos que integram a causa pedido
Exemplo: é possível em determinadas condições denunciar o contrato de arrendamento - contrato é denunciado para a habitação do filho mas por hipotese, noa é invocada e provada a relação de filiação entre o proprietário e o filho - estamos perante um facto complementar - ninguém deixou de perceber o qq o autor queria
Art 5º/3 - juiz goza de plena liberdade quanto à qualificação jurídica dos factos alegados pelo autor
Princípio da Gestão Processual:
Art 6º/1 parte final
Juiz pode adotar mecanismos de simplificação que garantam a justa resolução do litígio num prazo razoável Pode gerir o processo
Em vez de seguir a tramitação tal como ela consta na lei, adapta a tramitação da melhor forma possível para que esta se desenrole de forma mais rápida - adapta-a à especificidade do caso
Instrumento de tempo de que o juiz se serve para esta gestão processual - 547º - adequação formal - instrumento através do qual o juiz exerce a gestão processual
547º - sugestões ao juiz para que a tramitação fique mais curta - concretização do principio da gestão processual Formas de processo:
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Especial-
ComumAspeto material - Oficialidade - art 6º - celeridade fixação de prazos Aspeto instrumental
Verifica-se normalmente no momento do despacho pré-saneador
Princípio do Contraditório:
Sendo formulado um pedido deve ser dada oportunidade à contraparte de responder, se pronunciar e ser ouvido.
Garantia que assegura a cada uma das partes um direito à reposta - 3º/1
Quando é levantada uma questão por alguma das partes o juiz deve ouvir a parte contrária antes de decidir Neste caso o tribunal deve informar a parte que tem direito a ser ouvida e dar lhe tempo suficiente para o fazer Audição previa permite evitar as decisões surpresa e justifica-se nas seguintes situações:
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Tribunal considera relevante matéria de facto ou de direito mas que passa despercebida às partes-
Tribunal qualifica determinada matéria de facto de maneira diferente daquela que as partes qualificaram-
Quando o tribunal conhece oficiosamente matéria de facto não alegada pelas partes - poderes inquisitório - 986º/2 - não inclui os factos instrumentais e complementares porque estes são adquiridos durante a instrução da causaSó se incluem os ditos factos essenciais
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Quando uma determinada questão é irrelevante mas depois perceba que não o é e por isso chama as a pronunciarem seDever de consulta das partes:
Não e dispensado quando o tribunal entenda que deveriam ter considerado determinada matéria de facto ou de direito
A não audição previa das partes constitui uma nulidade processual!
A decisão que recair é nula porque ha excesso de pronuncia e violação das ditas decisões surpresa - 615º/1/d) Há uma exceção importante - contraditório deferido
Principio do contraditório não é absoluto
Existem situações em que esta audição é posterior ao proferimento da decisão do tribunal
Ex: providencias cautelares - o tribunal pode decidir decretar a providencia e só depois vir convidar o requerido a pronunciar-se
Um credor que tem justificado receio de perder a sua garantia patrimonial - aquilo que interessa é imediatamente conseguir a garantia patrimonial que o credor esta na iminência de poder perde e depois de estar segura, pedimos ao requerido que venha pronunciar se - pode acontecer que ai a providencia cautelar seja levantada
O contraditório só pode ser afastado pela lei
Não é possível celebrar nenhum acordo em que se vincule a não se defender numa ação posterior Fica ferido de nulidade por isso podemos sempre exercer o direito o contraditório
Podemos não contestar mas o direito é nosso e não é alienável
Dupla consequência do princípio do contraditório:
Vertente negativa - ninguém pode ser afetado nos seus interesses ou direito por uma decisão num processo em que não é parte - ex: testemunha
Vertente positiva - implica que todo aquele que pode ser afetado por uma decisão num processo tem a faculdade de poder ser parte
Nulidade processual por violação do principio do contraditório Seria necessária a repetição de todos os atos processuais depois disto
Principio de Cooperação:
Dever de cooperação do tribunal Deveres do tribunal:
1. Dever de prevenção ou de advertência quanto aos vícios sanáveis 2. Dever de esclarecimento
Sempre que o magistrado tiver dúvidas sobre matéria de facto ou de direito deve pedir as partes para prestarem esclarecimentos
3. Dever de auxiliar as partes
Visível na remoção de dificuldades que estejam subjacentes ao exercício dos seus direitos ou faculdade EX: sempre que um autor ou um réu precisa de obter uma informação que esta na posse de serviços administrativos
4. Dever de consulta
Dar oportunidade ao autor e réu sobre o que pode vir por ai para evitar as ditas decisões surpresa
O Tribunal deve ouvir as partes ainda que possa conhecer sobre matéria que não seja necessariamente obrigatória, percebendo que pode causar um impasse que as partes não estão à espera, pedir que se venham pronunciar ao processo e dizer de sua justiça
Ex: autor baseia o seu pedido no contrato celebrado pelo seu e não invocar a nulidade do contrato, o tribunal ao tomar conhecimento do contrato vê que é nulo mas não o pode declarar como tal sem convidar as partes a pronunciarem se sobre o tema
Poderes funcionais:
No âmbito do dever de cooperação do tribunal para com as partes implica a substituição de poderes discricionários por poderes deveres
Poderes que servem de instrumento para o exercício da cooperação não podem ser exercidos discricionariamente Omissão destes deveres traduz-se numa nulidade processual
Tribunal deixa de praticar um ato que não podia deixar de praticar- 195º/1 Esta nulidade só se torna patente quando o tribunal profere uma decisão final
Conciliar 195º/1 com 615º/1/d) 666º/1 e 685º - momento próprio para arguir da nulidade da decisão
Principio da cooperação também e manifesta na posição reciproca dos sujeitos processuais para com todos os outros
É transversal o dever de correção de ilegalidade patente no art 9º/1
Divergência Doutrinária:
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Prof. Miguel Teixeira de Sousa - Sempre que o juiz se aperceba de um vício formal em algum dos documentos que seria sanável através da correção de uma das partes e não a convidar a saná-lo ha uma nulidade processual-
Prof. Lebre de Freitas - o juiz pode cooperar, não é uma obrigação sua e as partes é que deveriam ter feito de forma diferente pelo que não se verifica qualquer nulidade processualPrincípio do Inquisitório:
Qualquer meio de prova que o juiz queira pode fazê-lo pode pedir todas as diligencias probatórias
So as pode pedir para fazer prova de factos que as partes tenham alegado - limitado pelo principio do dispositivo
Princípio da igualdade das partes:
Posição de plena igualdade entre si e ambas devem ser iguais perante o tribunal Corolário do principio da igualdade perante a lei - 13º CRP
Imparcialidade do órgão
Há ónus que recaem sobre as partes
A igualdade não obsta a que as partes podem criar entre elas partes através de um comportamento e juízo, desigualdades
Se o autor não provar - tem o ónus da prova - se não o exerceu criou uma situação de desigualdade Estes ónus processuais criam uma assimetria das partes
Dever de tratamento igual:
Proibição de criar situações de desigualdade entre as partes
Excepto sempre que exista uma situação substancialmente desigual e que o tribunal deva tratar por isso de forma desigual
Ex: fixação de uma multa e deve ser visto como uma concretização do princípio do tratamento desigual por partes desiguais
O que conta não é a igualdade formal mas sim a igualdade material e substancial Correção de desigualdades:
590º/2/b) impõe ao juiz convidar as partes a aperfeiçoar
Consequência da violação deste principio - nulidade processual
Principio da Boa Fé:
Art 8º
Litigância de má fé:
Alguma das partes ou as duas atua em seria violação dos deveres de lealdade e de providade Art 542º/2 - exemplos
374º/1 858º 866º Dever de verdade:
Implica que a parte não deve divulgar factos que sabe que não são verdade nem impugnar os que sabe que são verdade
Vertende de veracidade subjetiva:
É imposto à parte que não minta mas não é imposto que tenha a certeza do que afirma
Se tiver em dúvida se tem fundamento ou não, que deve apresentar aquela contestação, sim deve apresenta-la Não se pode levar para à litigância de ma fé o facto de um autor não ter a certeza
Podemos discutir se se exige que a parte venha repor a verdade sobre uma afirmação não exata afirmada pela parte contrária:
Ha que entender que o dever de verdade só impõe que não minta em afirmações próprias e a seu favor mas não impõe que diga a verdade sobre uma afirmação errada da contraparente que até a ajuda
Mentir em juízo:
Quem alega aquilo que sabe que não é verdade
As partes alegam muita coisa que não têm a certeza que não é verdade - não é mentir em juízo, é muito comum e permitido às partes
Quem omite uma parte relevante dos factos também não está a falar verdade - também é considerado litigante de má fé - não observa o dever de complitude
Consequências:
1. Multa e indemnização se a parte contrária a pedir - mas não basta
2. O processo tem de terminar ou o ato fica sem efeito - ideia que não resulta da lei mas que é evidente Simulação Processual:
Autor e réu simulam o litígio
ex: autor e réu combinam uma ação de reivindicação de um imóvel Sancionada com o disposto no art 612º CPC
Se o juiz se aperceber deve terminar o processo
Se não se aperceber constitui um recurso extraordinário - o 3º prejudicado pela simulação pode impugnar a decisão
Divergência Doutrinária:
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Além da litigância de má fé há possibilidade de dar relevância ao abuso do processo ou do direito de reação-
Teixeira de Sousa - naturalmente existe abuso de processo - 542º/b) - abuso do processo existe sim mas no enquadramento da litigância de má fé e não como outra possibilidade de sancionar o comportamento abusivo fora destaPrincipio da Auto-suficiência:
Ex: a parte pode dizer que nada tem a ver com determinada ação e que por isso é parte ilegítima - se a parte é ilegítima será que tem legitimidade para arguir a sua própria ilegitimidade? Sim!
Ex2: O tribunal tem competência para apreciar a sua própria competência? Sim!
Tudo se resolve no processo e dentro deste
Tudo o que é relevante para ele se aprecia nele próprio
ESPÉCIES DE AÇÕES E PROCESSOS
Art 10º
As ações distinguem-se entre ações declarativas e ações executivas, consoante o seu fim.
Ações declarativas:
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De simples apreciação-
De condenação-
ConstitutivasAção de simples apreciação:
O autor pede ao tribunal que declare a existência ou inexistência de um direito ou de um facto jurídico
É uma ação de utilização rara, cuja admissibilidade geral foi durante muito tempo discutida que reveste manifesta utilidade em certos casos em que se pretende obter o reconhecimento de um direito mas que tem dado lugar a dificuldades em outros casos em que a sua utilidade é menos nítida.
Com ela, a declaração do direito encontra se no seu estado mais puro.
Ação de condenação:
Sem prejuízo de o tribunal dever ainda emitir aquele juízo declarativo, dele se prende também que, em sua consequência, condene o réu na prestação de uma coisa ou de um facto.
O pressuposto lógico da condenação é também a violação de um direito, mas não é necessário que a violação esteja consumada à data do recurso a juízo ou mesmo à data da sentença
Ação constitutiva:
Exerce-se um direito potestativo, o juiz do tribunal ja não se apresenta limitado, como nas outras duas subespécies anteriores, pela situação de direito ou de facto pré existente: perante o pedido de alteração de situações jurídicas das partes, o juiz, pela sentença, cria novas situações jurídicas entre elas, constituindo, impedindo, modificando ou extinguindo direitos e deveres que, embora fundado em situações jurídicas anteriores, só nascem com a própria sentença.
A Ação Executiva:
Tem como finalidade a realização coativa de uma prestação devida. Não se trata de declarar direitos preexistentes ou a constituir.
Com ela passa-se da formulação concreta da norma jurídica para a sua atuação pratica, mediante o desencadear do mecanismo da garantia
Pode ter como finalidade a reintegração de um direito real, mediante a entrega da coisa sobre que incide ao respetivo titular ou a realização especifica de uma prestação obrigacional nao pecuniária, primária ou de indemnização
Especificados na lei - títulos executivos - dão a certeza ao juiz de que o autor tem um direito
Tipos de processos em função do critério de decisão:
Distinção do direito romano:
Situações em que ambas as partes queriam recorrer a tribunal - jurisdição voluntária Situações em que as partes nao estavam de acordo - jurisdição contenciosa
Não há processo civil onde não exista conflito de interesses, sendo este a sua base.
Processos de Jurisdição Voluntária: Art 986º e ss
Processos de jurisdição voluntária hoje em dia já não correspondem totalmente à ideia tradicional de que ambos os litigantes estão de acordo em recorrer aos tribunais
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Nestes, os tribunais não estão vinculados aos factos alegados pelas partes-
Não há possibilidade de recurso para o supremo tribunal de justiça-
987º - têm um critério de julgamento próprio - normalmente os tribunais decidem segundo o critério de legalidade mas podem ter outros - podem adotar em cada caso a solução que julguem mais conveniente e oportuna - decidem de acordo com um critério de descricionariedade - típico destes processos - não há na ordem jurídica portuguesa nenhum outro processo em que se julga segundo o critério de descricionariedadeOs processos de jurisdição voluntária visam a prossecução de interesses não organizados em conflito.
Casos em que através do processo se intenta prosseguir o interesse de uma pessoa determinada.
Exemplos: interdição, curadoria provisória de bens do ausente, regulação do poder paternal, divorcio por mútuo consentimento)
Considera-se necessária uma cuidadosa avaliação dos interesses particulares em jogo, que o juiz, melhor do que uma entidade administrativa, está em condições de assegurar
Processos de jurisdição voluntária VS Processos de jurisdição contenciosa:
Geralmente os processos são de jurisdição contenciosa Destinam-se a dirimir um conflito de interesses entre as partes
O autor e o réu têm interesses conflituantes e por isso o autor pede ao tribunal que resolva esse conflito proferindo a respetiva decisão em conformidade com a lei aplicável ao caso concreto
Nos processos de jurisdição voluntária não existe conflito de interesses a dirimir, mas apenas um interesse fundamental que o juiz procura regular da forma mais conveniente e oportuna.
A ausência de um conflito de interesses não significa que não possa haver um conflito de opiniões sobre o mesmo interesse
Nestes a função do juiz tem vindo a ser classificada como uma função administrativa
Distinção entre Processo Comum e Processo Especial - art 546º
O legislador entende que determinados processos pelo seu objeto necessitam de uma tramitação que ele próprio define para aquele caso - processos especiais
O processo especial aplica-se nos casos expressamente designados pela lei
O processo comum é aplicável a todos os casos a que não corresponda o processo especial - 542º/2 O processo comum constitui a regra enquanto que o especial será a exceção
Existe uma grande diversidade de processos especiais, consoante o tipo de providencias que o autor se propõe a alcançar quando instaura a ação
Processo Comum:
Dentro do processo comum devemos distinguir entre processo declaratório e processo executivo:
Segue forma única
552º/1/c) exige que o autor indique, na petição inicial, a forma do processo
Processos Especiais:
São regulados pelas disposições que lhes são próprias
Subsidiariamente porque a tramitação do processo comum é muito mais exaustiva do que a especial, aplica-se o processo comum
Se o autor estiver perante uma forma especial de processo mas propor uma ação em processo comum aplica-se uma nulidade processual - art 193º
Constituem processos especiais:
Processos contenciosos especiais:
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Processo de prestação de caução - 906º-
Processo de prestação de contas - 941º-
Processo de consignação em depósito - 842º-
Processo de divisão de coisa comum - 925º-
Processo de regulação e repartição de avarias marítimas - 953º e 955º-
Processo de reforma dos autos - 959º-
Processo de indemnização contra magistrados - 967º-
Processo da revisão de sentenças estrangeiras - 978º-
Processo de justificação da ausência - 881º-
Processo de liquidação da herança vaga em benefício do estado - 939º-
Processo de divórcio e separação sem consentimento do outro cônjuge - 931º-
Processo de tutela de personalidade - 878º - para casos urgentes e que exijam uma decisão definitiva-
Processo de apresentação de coisas e documentos-
Processo de inquérito judicial à sociedade-
Processo especial para injunção e cumprimento de obrigações pecuniárias emergentes de contratos DL 269/98 - o montante não pode exceder 15.000 euros correspondentes a metade da alçada da Relação - 1 caso contrário aplicar-se-á o processo comumNas injunções, se for uma transação comercial não tem limite
Necessário ter uma obrigação pecuniária (dinheiro), emergente de um contrato (prestações acordadas)
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Processo de insolvência e recuperação de empresas-
Processo de expropriação litigiosaAlçada do tribunal:
1
Entende-se por alçada um valor, fixado pela lei até ao qual um tribunal de instância julga definitivamente as causas da sua competência O conceito de alçada interessa pois, antes de mais, aos recursos: a decisão proferida em causa de valor contido na alçada do tribunal que a profere, não é, em regra, susceptível de recurso ordinário, ao passo que a proferida em causa de valor superior a essa alçada é, desde que seja desfavorável para o recorrente em valor superior a metade da mesma alçada
Alçada da relação é de 30.000 euros
ANÁLISE DA PRETENSÃO - A CAUSA DE PEDIR
O pedido ou pretensão apresenta-se duplamente determinada: no seu conteúdo, referido ao direito material, consiste na afirmação de uma situação jurídica subjectiva atual ou, na ação constitutiva, da vontade de um efeito jurídico baseado numa situação subjectiva atual.
Pode falar-se numa determinação material e de uma determinação processual da pretensão Ao autor não basta formular o pedido
Tem também de indicar a causa de pedir, isto é, alegar os factos constitutivos da situação jurídica que quer fazer valer ou negar.
Questionou-se se a causa de pedir era necessária:
-
Para a teoria da individualização - bastava ao autor indicar o pedido, com o que todas as possíveis causas de pedir podiam ser consideradas no processo, de tal modo que ao responder à pretensão a sentença decidia em absoluto sobre a existência ou não da situação jurídica afirmada pelo autos-
Para a teoria da substanciação - a afirmação da situação jurídica tem de ser fundada em factos que exercem a função de individualizar a pretensão para o efeitos da conformação do objeto do processo.Hoje é esta última teoria que está mais do que consolida no nosso sistema processual
O autor deve, na petição inicial, expor os factos que servem de fundamento ao pedido - esses factos constituem a causa de pedir e esta, delimita os pedidos para o efeito de, juntamente com ele e com as partes ser identificada a causa
Esta é insusceptível de ser repetida sem ofensa de caso julgado como lógica de consequência da coincidência do objeto da decisão com o objeto do pedido
A nossa lei define a causa de pedir como o facto jurídico constitutivo do efeito pretendido pelo autos, como tal, contraposto aos factos impeditivos, modificativos e extintos desse mesmo efeito.
Definição que aponta para a referência fundamental do conceito, para as normas de direito substantivo em cuja previsão se contém o facto pelo qual estatuem o efeito jurídico pretendido.
A parte que invoca o direito tem de alegar os respetivos factos constitutivos, isto é, todos aqueles que integram a previsão da norma ou das normas materiais que estatuem o efeito pretendido.
É admissível completar a sua previsão com uma alegação tardia de factos que a petição inicial omitiu
A falta de alegação desses factos dá lugar à absolvição da parte contrária por insuficiência da fundamentação de facto do pedido ou seja, por insuficiência de uma causa de pedir que se deixou incompleta
Através da alegação desse facto construtivo, a causa d pedir exerce a sua função delimitados do pedido ou pretensão, individualizando-o e, por outro lado, simultaneamente, exerce essa sua outra função, que o fundamenta O pedido do autor, conformando o objeto do processo condiciona o conteúdo da decisão de mérito, com que o tribunal lhe responderá: o juiz, na sentença, deve resolver todas as questões que as partes tenham submetido à sua apreciação, não podendo ocupar-se de outras e não pode condenar em quantidade superior ou em objeto diverso do que se pedir, sob pena de nulidade.
Ao autor não basta formular o pedido, este tem de ser fundamentado: de facto e de direito
O autor tem de indicar os fatos constitutivos da situação jurídica que quer fazer valer ou negar, ou integrantes do facto cuja existência ou inexistência afirma, os quais constituem a causa de pedir.
A causa de pedir são FACTOS
Que factos fazem parte da causa de pedir?
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Lebre ferias - interpretação mais extensa-
Miguel Teixeira de Sousa - mais restrita, menos factosEm casos concretos, esta distinção, para cada um dos autores, pode significar ou não a aplicação do art 62º/b), por exemplo
O juiz não pode alterar as situações de facto mas pode alterar as situações de direito Basicamente, na identificação da causa de pedir, devemos contar a história do caso concreto
Temos de procurar a fonte das obrigações para identificar o facto que se pretende incluir na causa de pedir
Pode ser:
-
Responsabilidade civil-
Contratos-
Enriquecimento sem causa-
Negócios Unilaterais-
Gestão de NegóciosLebre de Freitas:
Estão na causa de pedir todos os factos que têm de ter ocorrido para o direito surgir Miguel Teixeira de Sousa:
De entre todos os factos que têm de ter ocorrido para o direito surgir, temos de escolher aqueles que são suficientes para individualizar a pretensão
Ressalva:
O juiz não pode conhecer oficiosamente os factos que integram a causa de pedir - MTS - têm de ser alegados pelas partes
Daí que o professor diga que é uma questão mais restritiva
Os outros factos que também têm de ser alegados mas que ficam de fora - são os designados factos complementares e a esses já se aplica o art 5º/2
O professor Lebre de Freitas acha que tanto os factos do 5º/1/2 - essenciais e complementares, ambos fazem parte da causa de pedir
Exemplos:
1. Nas ações que têm como objeto um direito de credito a causa de pedir é a celebração de um contrato
Não é o incumprimento que faz nascer o direito de crédito mas sim a celebração do contrato - facto que deu origem ao incumprimento
2. Celebração do contrato de promessa de compra e venda com possibilidade de execução especifica
- Aqui o incumprimento já deve fazer parte a causa de pedir, pretende-se que o juiz se substitua ao réu no cumprimento
Art 830º - execução especifica - tem como pressuposto a existência de algum tipo de incumprimento para além da celebração do contrato
Direitos diferentes têm factos que lhes dão origem diferentes
3. Quando a fonte é a Responsabilidade Civil - os factos que integram são a ocorrência de um facto, um dano, a culpa e o nexo de causalidade - contando a história do caso em concreto
Ilicitude não deve ser enquadrada uma vez que se trata de um juízo jurídico LF - Todos seriam essenciais e complementares
MTS - diria quais é que eram os essenciais que fariam possível individualizar a pretensão - seriam só os factos e os danos - esses é que são a causa de pedir oficial - 62º/b)
4. Quando se quer pedir uma indemnização em concreto e esta é devida ao incumprimento, este já faz parte da causa de pedir - reconhecimento de que causou danos
VALOR DA CAUSA
Art 296º e ss CPC
O valor da causa, monetariamente expresso, representa a utilidade economica do pedido Quando o pedido tem por objeto uma quantia pecuniária líquida - quantia certa em dinheiro
Essa quantia constitui a utilidade tida em vista por quem deduz, independentemente de ser pedida a condenação do seu pagamento, a simples apreciação da existência do direito a essa quantia ou a sua realização em ação executiva; nos outros casos há que encontrar o equivalente pecuniário correspondente à utilidade visada - benefício
Para a fixação do valor atende-se ao momento em que o pedido é deduzido, sem prejuízo de o valor inicial vir a ser corrigido nos processos em que a utilidade económica do pedido se define na sequência da ação, como é o caso dos de liquidação de patrimónios.
Quando a parte não indica o valor da causa ao juiz fixa-o mais tarde - o juiz deve corrigir o valor da causa correto
COMPETÊNCIA INTERNACIONAL
No caso prático, só interessa determinar a competência internacional, se os factos tiverem conexão com mais do que uma ordem jurídica
Ponto 1:
Verificar se o conflito é plurilocalizado
- Começar sempre o caso prático por indicar esta questão.
Situações em que o sujeito A, português com domicilio em Lisboa, viajou para Paris, teve lá um acidente de carro com um Francês com domicilio na Alemanha - que ordem jurídica é que se deve aplicar no caso de algum deles intentar uma ação?
2 possíveis cenários:
Se o mundo fosse perfeito:
Todos os países eram amigos e diziam: sempre que houver problemas com conexão com vários países, quando uma das partes quiser propor uma ação, essa parte propõe a ação sempre no país do seu domicilio.
-
Nunca existiriam conflitos positivos de jurisdição - mais do que um tribunal a considerar-se competente - sempre que isto acontece é bom para o autor porque tem muitas opções de escolha-
Nem conflitos negativos de jurisdição - nenhum dos tribunais se considera competente para resolver o litígio - muito mau para o autorOs países também poderiam ter feito um critério por matérias:
-
Ex: questão relacionado com um contrato - tribunal relevante era o do pais onde foi celebrado esse mesmo contratoSe houvesse para cada situação um critério único não haveria conflitos positivos nem negativos de jurisdição Se nenhum dos países fosse amigo:
-
Portugal dizia que os seu tribunais são competentes para X-
Espanha fazia o mesmo-
E assim sucessivamente nos restantes paísesSe cada país fizesse a sua lista unilateralmente, tínhamos muitos conflitos positivos e negativos
Durante muitos anos o que aconteceu foi isto - uma lista de situações em que se consideravam competentes para decidir
Ainda temos estas regras - art 62º e 63º CPC
-
Regras unilaterais fixadas pelo legislador português e que dizem quando é que os tribunais portugueses são competentes-
Todos os países têm na sua lei processual civil regras destasProblema:
Hoje em dia temos uma situação mista - somos “amigos” de alguns países e não de outros Com alguns temos tratados e com outros não
Para além disso, fazemos parte da UE Situação complexa:
Temos ao mesmo tempo regras unilaterais, tratados e regulamentos - todos a falar da competência dos tribunais portugueses
Temos uma panóplia de leis potencialmente aplicáveis e em cada caso prático temos de escolher o instrumento jurídico que se aplica ao caso em concreto.
Às vezes, estas regras até se contradizem:
Art 71º - em matéria contratual as ações devem ser propostas no tribunal do domicilio do réu
Regulamento 1215/2012 - art 7º/1/a) - matéria de contratos são propostas no lugar onde a obrigação deveria ser cumprida
Regras conflituantes
Como é que sei que instrumento jurídico aplicar?
Ponto 2:
Se for plurilocalizado, de entre os mil instrumentos normativos que regulam a competência internacional dos tribunais portugueses, ver qual é que é aplicável àquele caso concreto
Ver os Âmbitos de Aplicação:
CPC e o regulamento 1215/2012 Quando é que se aplica o CPC?
A regra: os tribunais portugueses utilizam os art 62º e 63º CPC sempre que uma ação vem parar a Portugal A ação é proposta em Portugal, vê as regras e aplica-as
Se lá estiver consagrada julga o litígio, se não absolve o réu da instância
-
em regra aplicamos a nossa leiNão aplicamos o CPC sempre que se aplica o regulamento 1215/2012
-
Primado da UE - 8º CRPSe o regulamento se aplicar, o CPC não se aplica
Um tribunal português deve ir primeiro ao regulamento verificar se este se aplica ou não
Quando é que se aplica o regulamento?
Preenchimento de 3 âmbitos de aplicação:
1. Material
Art 1º do regulamento - aplica-se a ações que versem sobre matéria civil ou comercial - sempre que é um contrato dizemos: é matéria civil ou comercial
Mas se entrar no âmbito do nº2 tem a delimitação negativa e já não se aplica - verificar se não entra em nenhuma das exceções do nº2
2. Temporal
Art 66º - ações intentadas desde 10 de janeiro de 2015
O que interessa é a propositura da ação e não o acontecimento dos factos
3. Espacial/ Subjetivo
Art 6º - não diz o mesmo que o 4º Falar sempre do art 6º!
O artigo está escrito pela negativa - diz a que ações é que o regulamento não se aplica Temos de fazer uma leitura à contrario
Diz que temos de aplicar a lei do nosso estado membro sempre que o réu não tem domicilio no estado membro
Se o réu tiver domicilio num estado membro aplico o regulamento Primeira dificuldade - não sabemos quais é que são os estados membros Há exceções que se encontram na parte entre virgulas:
O regulamento só se aplica se o réu tiver domicilio em estado membro ou se estiver no art 18º/1, 21º/2, 24º e 25º (exceções em que mesmo sem domicilio nume estado membro o regulamento também se aplica)
Se o regulamento disser que Portugal não é competente - acaba a aplicação da lei
Se não tiver domicilio no estado membro temos de ir ver as exceções que podem fazer com que se aplique o regulamento mesmo que não tenha domicilio no estado membro
Art 18º/1 - situação especifica de consumo
Art 21º/2 - situação especifica de contrato de trabalho
Art 24º - aplica-se independentemente do domicilio do réu - às situações lá descritas
- as regras e competência funcional são como um seta que aponta para um mapa - ex: em direitos reais é o tribunal onde o imóvel está situado
Art 25º - pactos de jurisdição - são acordos entre as partes no sentido de determinarem qual o tribunal competente a nível internacional - as partes escolhem um país
- Ver os requisitos de jurisdição do pacto e tem de ter escolhido um país da UE - aplica-se o regulamento neste caso mesmo que o réu não tenha domicílio num estado membro
Temos de passar pelos 4 artigos para ver qual é que se aplica ao caso concreto
Estas exceções servem para determinar o tribunal competente e a lei aplicável - sempre que aplicarmos estas exceções temos de fazer duas conclusões distintas - para ver se o regulamente é aplicável e depois para ver qual o tribunal competente a aplicar a norma.
IMPORTANTE:
No final de cada caso de competência internacional é essencial o instrumento normativo aplicável (regulamento ou lei civil do país em causa) e o tribunal competente ou incompetente!!
Há 3 capítulos - consumo, trabalho e seguros - matérias em que as posições das partes são muito discrepantes
-
Continente e consumidor-
Patrão e trabalhador-
Seguradora e seguradoDaí a necessidade de existência de exceções para a aplicação do regulamento em alguns destes casos
Concluindo que o regulamento se aplica:
Vamos ver as regras sobre competência do regulamento
Identificar qual o tribunal competente:
Até ao art 26º, retirando os que servem para fixar o âmbito, os restantes artigos dizem qual é o tribunal competente
Estas regras têm uma hierarquia entre elas:
25º - competência exclusiva a não ser que as partes escolham outro tribunal
1. Se for um caso do art 24º não há necessidade de procurar mais nenhum artigo uma vez que este diz respeito a competência exclusiva
Os contratos que transmitem direitos reais ainda se consideram matéria contratual e por isso nao se aplica o 24º/1 - o que se vai analisar é a validade do contrato - Jurisprudência do TIJ - pedidos contratuais e não reais - problema na celebração do contrato e não sobre a validade do direito real em si
2. Art 15º, 19º e 23º - estão acima do art 25º por causa do estipulado no art 25º/4
3. Art 25º
4. Art 10º a 23º - seguros, trabalho e consumo - regulada apenas pela respetiva secção - competências especificas
5. Art 4º - regras gerais; Art 7º/8º/9º - são regras especiais
Art 5º diz nos como é que estas se relacionam - nenhum prevalece sobre os outros, entre a regra geral e especiais nenhuma prevalece sobre as outras, o autor pode optar por quais quer aplicar
Matéria regulada em cada uma estes últimos artigos:
Art 8º - situações especiais de vários réus ou vários pedido Art 7º:
-
1 - matéria contratual e indemnizações contratuais-
2 - matéria extracontratual - indemnizações-
3 - infrações penais - quando há um crime e danos-
4 - direito de propriedade destinado à recuperação de objeto cultural-
5 - exploração de sucursal Art 9º - naviosRequisitos dos Pactos de Jurisdição:
1. Tem de ser o pacto de jurisdição que escolhe um tribunal de um estado membro 2. O domicílio deixou de ser um requisito - não é relevante
3. Tem que haver um pacto de jurisdição
4. Tem de identificar uma determinada relação jurídica - delimitação clara da relação jurídica - não é possível fazer um pacto de jurisdição para todas as situações jurídicas que venham a ocorrer entre A e B
5. Tem de ser celebrado por escrito ou de acordo com as outras alíneas do art 25º, requisito disjuntivo e não cumulativo, apenas é preciso verificar-se uma das formas enuncianda no artigo
6. Não pode afastar as regras dos art 15º 19º 23º e 24º - se o fizer não produz efeitos nenhuns
7. O pacto não pode ser substantivamente nulo nos termos da lei do estado que as partes escolheram para regular o seu conflito - causas de nulidade do código civil
8. Mesmo que o contrato seja nulo não fica a validade do pacto de jurisdição afetada automaticamente - a sua validade tem de ser avaliada à parte
Se todos estes de verificarem aplica-se o art 25º
Após percorrer estes requisitos e a sua respetiva verificação considera-se que o regulamento se aplica
No entanto, é necessária retirar a segunda conclusão na análise da competência internacional que é a de verificar
Se não preencher o âmbito dos artigos 24º nem dos artigos 15º, 19º e 23º, aplica se o artigo 25º
Depois de vermos que os tribunais portugueses são competentes pelo regulamento não podemos tocar nos artigos 63º, 62º e 94º!!
Se o regulamento é aplicável nunca se aplicam estes artigos do CPC
Normas de Competência Internacional no CPC:
Há 5 normas de Competência Internacional no CPC Art 63º
É praticamente igual ao 24º
Em 2013 ficou ainda mais parecido com este.
Tudo aquilo que este artigo poderia fazer para que os tribunais portugueses tivessem competência, o âmbito espacial do regulamento acaba por se preencher sempre pelo art 24º, por isso o regulamente aplica-se - hoje em dia o art 63º não serve para determinar a competência internacional.
Neste sentido tornou-se irrelevante
Apenas naquilo em que o art 63º seja mais amplo do que o 24º é que o podemos aplicar.
Art 62º
As alíneas são alternativas, basta que um deles seja competente para o aplicar:
A) Critério da coincidência ou da dupla territorialidade
Lógica: o legislador não quis perder tempo a fazer normas a mais - economia legislativa Ex: art 73º - divórcio - diz respeito à regra sobre território
Se o autor tiver domicílio em Braga, a competência é dos tribunais de Braga
Não podemos concluir se os tribunais de Braga são competentes antes de ver se os portugueses são competentes
Aquilo que o art 62º faz é remeter para o art 72º a competência territorial e internacional - ambas!
O 62º remete para as regras de competência territorial - dos art 70º a 84º - excepto o 80º/3 - este só se utiliza quando já se sabe que os tribunais competentes são os portugueses.
Contratos - 62º/a) + 71º/1 - competência internacional/ competência territorial - 71º/1 B) So é preciso identificar a causa de pedir - critério de causalidade
C) De aplicação quase inexistente - serve para situações em que é ou objetiva ou subjectivamente impossível alguém recorrer aos tribunais e tem de ter alguma conexão pessoal ou real - tem de ser impossível aceder à justiça de outra maneira e haver uma conexão relevante com o estado português (domicilio, nacionalidade, grande proximidade de outra natureza qualquer) - critério da necessidade
Aplica-se a casos de catástrofes naturais
Art 94º
Pacto de jurisdição
Há também uma hierarquia na aplicação das normas do CPC:
1. 63º 2. 94º 3. 62º
Depois de concluirmos que os tribunais portugueses são competentes temos de ver a competência interna:
A competência interna divide-se em diversos fatores:
1. Em razão da Jurisdição/matéria/ordem jurisdicional Se é dos tribunais administrativos e fiscais ou dos judiciais Cada um tem a sua hierarquia própria
Art 4º do estatuto dos tribunais administrativos e ficais - interpretação à contrario 2. Em razão da Hierarquia
Todas as ações começam pela 1ª instância
A alçada só serve para identificar para onde é que estas podem subir em recurso
Vai sempre ser proposta no tribunal de 1ª instancia porque não é de competência do STJ nem da Relação (identificar todos os art de competência em razão da hierarquia)
3. Em razão do Território:
Olhamos para o tema da ação e se for uma das matérias que entra nas regras especiais do 70º ao 89º aplicamos essa
Se não for juízo dessas vamos para o art 80º ou 81º.
EXCEÇÃO: Casos em que, em abstrato nada têm a ver com Portugal mas em que existe um pacto de jurisdição pelo art 25º do regulamento, atribuindo competência a Portugal - temos mesmo de ser competentes
No entanto, as regras normalmente aplicáveis não apontam para o território português
Vamos à competência territorial e nada indica que possa ser em Portugal que se venha a propor a ação.
Aplicamos o art 80º/3 - se mais nada tiver ligação a Portugal vamos utilizar aqueles critérios e se mais nenhum der propõe-se a ação em Lisboa.
Só não se vai para a regra geral para ver se são ou não competentes
Mas se já sabemos que os tribunais portugueses são definitivamente competentes temos mesmo de aplicar o art 80º/3
Este aplica-se só quando os tribunais portugueses são competentes - o 80º/3 não é utilizado para descobrir se Portugal é competente
Questão Doutrinária da Dupla Funcionalidade:
Alguns autores defendem que podemos retirar do regulamento competência territorial - Miguel Teixeira de Sousa Todas as regras que apontam para o Estado em concreto, apenas lhe concedem competência internacional
Art 7º do regulamento, por exemplo - diz os tribunais “do lugar”
Prof. MTS entende que, quando o legislador se refere “ao lugar” está a determinar a competência internacional e territorial porque está a ir ao lugar especifico dentro do estado.
Nestes casos, quando aplicamos a regra que dá competência internacional - dupla funcionalidade - falamos dela na competência internacional e na territorial!
4. Em razão da Matéria:
Portugal está dividido em termos de organização de justiça em Comarcas Em cada comarca há um tribunal de comarca
A partir de 2013 - criaram-se os tribunais de competência territorial alargada - Art 83º da LOSJ 1ª coisa a fazer:
Ver se há, para o caso em concreto, algum tribunal de competência alargada competente
Dizer que, em razão da matéria, esta ação não é da competência dos tribunais de competência territorial alargada - 111º e ss da LOSJ
Se for da competência desses tribunais não é do de Comarca - competência residual São tribunais que têm uma matéria muito especifica:
-
Tribunal da propriedade intelectual - art 111º LOSJ-
Tribunal da concorrência, regulação e supervisão - art 112º LOSJ-
Tribunal marítimo - art 113º LOSJ-
Tribunal da execução das penas - art 114º LOSJ-
Tribunal central de instrução criminal - art 116º LOSJA sua competência e jurisdição abrange mais do que uma comarca.
Dentro das Comarcas existem vários tipos de tribunais:
Juízos de Proximidade:
Existem dentro das Comarcas, não há ações ali propostas, não interessam para razões de competência
Servem para, se houver uma audiência com pessoas daquela zona em vez de ser em Santarém, por exemplo, pode se julgar lá a pessoa - em vez de serem as pessoas a deslocarem-se para o tribunal competente que pode ficar longe do seu domicilio, é o juiz.
- Meramente burocrático e administrativo Ações não se propõem nos juízos de proximidade Irrelevante para efeitos de caso pratico.
2ª coisa a fazer:
Juízos de Competência Especializada:
Não são nem o juízo cível central nem juízo cível local, são os outros todos.
Começamos por afastar todos aqueles que não são o local civil nem o central civil:
Trabalho, família, comércio, crime… (ver os que estão na lista do art 81º)
3ª coisa a fazer:
De seguida, vamos ver o juízo central cível - 117º Vão para o juízo cível central as ações de matéria civil Requisitos para o processo seguir para o juízo central cível:
-
Forma de processo comum-
Valor superior a 50 000 euros - não esquecer que se houver mais do que um pedido temos de somar os seus valoresRequisitos para o processo seguir para o juízo local cível:
-
Forma de processo especial-
Valor inferior a 50 000 euros-
Tem competência residual - fica com todos os processos que não é dos outros juízosJuízos de Competência Genérica:
Apenas depois de saber qual é o território competente é que consigo saber quais os tribunais em concretos daquela comarca
Vai para o juízo de competência genérica quando não há todos os tipos de tribunais de competência especializada Para efeitos de casos práticos vamos fingir que em todas as comarcas existem todos os juízos - nunca vamos chegar à competência genérica
Questão da Competência em razão da Forma de Processo:
CPC foi feito de novo e só depois é que alteraram a LOSJ - esta ainda inclui no regime das incompetência aquela que advém da forma do processo
No CPC foi retirada a forma de processo das incompetência
Assim, por analogia, a incompetência sobre a forma de processo é considerada relativa
INCOMPETÊNCIA 1ª Fase:
Ver qual a norma de competência que foi violada Ver se a respetiva incompetência é absoluta ou relativa
Pode haver mais do que uma incompetência no mesmo caso pratico
- Se 1 leva a absolvição e outra a remessa - o juiz deve sempre absolver o réu da instância Há 2 incompetências que podem resultar de normas de violação do regulamento:
-
Internacional-
Territorial - nos casos em que o regulamento tem dupla funcionalidade 2ª Fase:Averiguar se é ou não de conhecimento oficioso:
Normalmente o caso pratico diz o que é que o autor e o réu disseram - só no caso de nada dizer é que é relevante ver se pode ou não ser de conhecimento oficioso, caso contrário o juiz limita-se a apreciar o que foi alegado pelas partes - se estas alegaram algum tipo de incompetência o juiz deve apreciá-la.
3ª Fase:
O que é que o juiz deve fazer?
1. Continuar com a ação e conhecer do mérito da causa - Ex: se não for de conhecimento oficioso e as partes não alegarem
2. Absolver o réu da instancia
3. Pode haver remessa para o tribunal competente
Ver até quando é que o juiz pode conhecer oficiosamente:
-
Se na sentença-
Ou no despacho saneadorA remessa é só entre tribunais portugueses:
- Caso contrário há a violação da soberania Indeferimento liminar da petição inicial:
Até à citação só temos dois sujeitos processuais - tribunal e autor Instância - relação triangular (autor, tribunal e réu).
Até ao fim dos articulados o juiz não tem contacto com o processo - é assim em 99% dos casos EXCEÇÃO:
Casos em que o juiz tem contacto com o processo antes - providencias cautelares:
-
A situação pode ser tão urgente que o juiz pode ter de decidir antes de ouvir o réuSe o juiz se aperceber que é incompetente e se for de conhecimento oficioso - a consequência não pode ser absolvição do réu da instância porque ele ainda não faz parte da instancia - ainda não foi citado
Indeferimento liminar da petição inicial é a mesma coisa mas quando o réu não está na instância - não nos vai aparecer nos casos práticos porque não vamos ter providências cautelares
Artigos relativos a Incompetência presentes no Regulamento:
Art 26º do Regulamento - Pacto Tácito:
É o nome que se dá à situação em que o regulamento se aplica, a ação é proposta num tribunal incompetente mas essa incompetência não decorre da violação do art 24º, pode ser de todos os outros artigos, o réu contesta mas não diz que o tribunal é incompetente
Entendemos que se o autor escolheu um tribunal diferente daquele que resultava do regulamento, se o réu compareceu e não disse que o tribunal era incompetente - depreende-se que o réu está a aceitar
- Tribunal torna-se competente em virtude da falta de alegação da incompetência Só pode acontecer se o réu tiver aparecido e apresentar a sua contestação
Se o réu nem sequer contestar ai ja não podemos aplicar o 26º, aplicamos o art 28º Atribuí competência apenas em razão da nacionalidade
Comparecer = Contestar Art 28º:
Se o réu não comparecer
Pode ser de Conhecimento Oficioso mas tem de verificar determinadas condições:
-
O lugar onde a ação foi proposta não pode ser o do domicilio do réu-
O réu não pode ter comparecido - não praticou o primeiro ato processual que lhe era permitido - contestação Art 27º:Caso de violação do art 24º
É sempre de conhecimento oficioso, quer o réu compareça ou não.
Violação do Art 24º
Após se concluir que o regulamento se aplica, que é um caso do art 24º, que os tribunais competentes são os franceses, mas a ação foi proposta em Portugal:
-
Art 24º foi violado - gera incompetência absoluta em razão da nacionalidade-
Art 27º diz-nos que é de conhecimento oficioso-
O juiz deve absolver o réu da instância - art 99º/1/1ª parte CPCSe o réu compareceu e alegou a incompetência não há a necessidade de mencionar nenhum destes artigos uma vez que o juiz tem de a conhecer.
A questão do conhecimento oficioso tanto pode ser averiguada à luz dos artigos de competência interna como do regulamento, dependendo do instrumento normativo aplicável
TABELA DE INCOMPETÊNCIA
LEGITIMIDADE DAS PARTES
Noção:
Para que o juiz possa conhecer do mérito da causa, torna-se necessário que as partes, para além de terem personalidade e capacidade judiciárias, tenham legitimidade para a ação.
A legitimidade consiste na posição das partes numa determinada ação
O pressuposto processual da legitimidade exprime a relação entre a parte no processo e o objeto deste (pretensão ou pedido)
-
A parte terá legitimidade como autor se for ela quem juridicamente pode fazer valer a pretensão, admitindo que a pretensão tenha existência.-
A parte terá legitimidade como réu se for ela a pessoa que juridicamente se pode opor à pretensão do autor, por ser a pessoa cuja esfera jurídica é diretamente atingida pela providência requerida, se a ação vier a proceder.É, portanto, necessário, que estejam na posição de autor e de réu, as pessoas que são titulares da relação jurídica controvertida - caso contrário seriam partes ilegítimas e a decisão que viesse a ser proferida sobre o mérito a causa não teria eficácia pois não poderia vincular os verdadeiros titulares.
Divergência quanto à posição objetivista e subjetivista das partes no processo:
A questão radicava em saber qual a relação controvertida a que se devia antender:
-
A apresentada pelo autor na petição inicial - decorrente da relação jurídica processual descrita pelo autor-
A que viesse a resultar da própria causa - relação matéria controvertida que se viesse a apurar como real e verdadeira no decurso da açãoHoje, acolhe-se no CPC a teoria que faz corresponder a legitimidade das partes à titularidade da relação controvertida descrita pelo autor da petição inicial
Nº3 - a lei procura dar ainda mais precisão a estes conceitos dispondo que na falta de indicação da lei em contrário, são considerados titulares do interesse relevante, para o efeito da legitimidade, os sujeitos da relação controvertida, tal como é configurada pelo autor - atualmente a relação controvertida tem a configuração que o autor lhe quis dar A posição subjetivista foi a acolhida pela ultima revisão do código
O que é que torna uma parte Ilegítima?
Pode haver 2 respostas:
Ilegitimidade Singular:
Uma parte pode ser ilegítima porque em função do pedido e da causa de pedir há alguém que não tem nada a ver com aquele processo, ou seja, este é o tipo de legitimidade que se afere em função do objeto - ver se a parte tem
Olha-se para o objeto do processo e para a pessoa e vê-se que a relação existe
Se concluo que alguém está naquele processo e não tem nada a ver com o que é pedido, a única solução é afastá-la do processo - absolvição do réu da instância por falta de um pressuposto processual
Esta falta de legitimidade, como se afere em função dos factos que ocorreram e não se podem alterar os factos já passados, é insanável
Diz respeito a casos muito raros e absurdos
Se o único réu for ilegítimo - absolvo-o da instância - a ação termina
Se propuser contra 2 réus - mando só o ilegítimo embora e a ação procede contra o verdadeiro réu Não é possível tirar uma pessoa ilegítima e trocá-la por uma legitima
Como é que se verifica a legitimidade singular?
1º motivo - não ter nada a ver com aquele processo Como é que eu sei isso?
Art 30º 30º/1
Interesse direto em demandar e interesse direto em contradizer - em si, este art não quer dizer nada Nº3 - interesse para efeitos de legitimidade - vai explicar o que o legislador quis dizer no nº1
É parte legitima = têm interesse - aqueles que são sujeitos da relação material controvertida tal como configurada pelo autor
Relação controvertida = factos descritos - olhar para a história contada pelo autor e ver quem é que são os intervenientes diretos
Aquilo que é possível existir é a lei dar legitimidade a outras pessoas que não estas
Sendo ambos partes legitimas, a decisão terá efeito útil, ficando a causa definitivamente julgada.
Ex: O credor tem interesse direto em pedir ao tribunal que condene o devedor ao pagamento da importância que este lhe deve. O devedor tem interesse direto em intervir como réu porque é na sua esfera jurídica que se irá repercutir o efeito da eventual condenação no pagamento.
Atualmente, raramente se fala em ilegitimidade das partes, deixou de se tornar necessário ter em conta a verdadeira relação jurídica tal como realmente se constituiu - o tribunal ja não terá de averiguar se a relação jurídica de direito substantivo, cuja discussão lhe é submetida, se estabeleceu entre o autor e o réu.
A ilegitimidade existirá naqueles casos em que, se verificar, divergência entre as pessoas identificadas pelo autor e as que realmente foram chamadas a juízo - quando as pessoas chamadas não forem sujeitos da relação controvertida delineada pelo autos
A ilegitimidade perdeu, portanto, grande parte do interesse que tinha como pressuposto processual O réu passará a ser absolvido do pedido em muitos casos em que anteriormente era absolvido da instância.