2. A COMPREENSÃO TEXTUAL NOS LDLP
2.2 INTERPRETAÇÃO E COMPREENSÃO TEXTUAL NO LDLP
Interpretar e compreender o que se lê e o que se escreve é fundamental para a leitura de mundo do sujeito na sociedade. E, para que o aluno tenha um bom entendimento do que o texto trata em seu conteúdo, é preciso que toda sua formação escolar seja de qualidade, seguindo os PCN, mas também dando liberdade para o indivíduo se expressar, mostrar suas experiências, seu saber na sala de aula. A interpretação, a compreensão e a leitura de um texto precisam ter início desde os primeiros anos de ensino da língua.
O aluno é um sujeito e, como tal, ele é um ser de linguagem que sempre estabelece relações sociais, o que possibilita o desenvolvimento de suas práticas discursivas: “Nessa perspectiva discursiva, a linguagem é entendida como um processo de interlocução, que pressupõe a constituição de e por sujeitos numa determinada situação histórica e social” (GUIMARÃES, 2012, p. 95). Nesse sentido, não se pode considerar a linguagem apenas como um conjunto de regras linguísticas, mas sim como uma forma de interação, estabelecendo um modo de dialogar com o outro, de se relacionar, expor ideias, pensamentos, dentro de uma vivência social.
A escola tem um papel importante no processo de socialização de um sujeito, pois ela deve contribuir na formação de leitores críticos. Ela deve possibilitar que o aluno compreenda que ler é criar significados a partir de múltiplas leituras do mundo:
[...] os sujeitos são vistos como atores/construtores sociais, sujeitos
ativos que – dialogicamente – se constroem e são construídos no texto,
considerando o próprio lugar da interação e da constituição dos interlocutores. [...] nessa perspectiva, o sentido de um texto é construído na
é, pois, uma atividade interativa altamente complexa de produção de
sentidos [...]. (KOCH; ELIAS, 2010, p. 10-11, grifo das autoras).
E essa leitura precisa estar centrada na pluralidade de textos e sentidos que a língua portuguesa possui, principalmente aqueles voltados para as atividades de interpretação e compreensão textual. O sujeito passa a trazer seu olhar da língua dentro de uma realidade social e histórica, ou seja, seus conhecimentos adquiridos por meio de suas experiências, de suas vivências em sociedade, fazem com que esse indivíduo possua um outro modo de entender a língua. “Isso faz da prática da interpretação uma atividade fundamental da vida humana, da interação social” (BAGNO, 2002, p. 24). O indivíduo vai interpretar o que lê de uma maneira, baseando- se na formação discursiva que possui.
Assim, a compreensão de um texto vai se diferenciar de uma pessoa para outra. E, dentro de uma sala de aula, onde há uma diversidade grande de histórias de vida, cada educando vai ter sua interpretação sobre o texto. Nesse meio, é fundamental o papel do professor de mediar esse “campo de ideias” que surge. Direcionar cada opinião sobre determinado texto faz com que professor-aluno construam e produzam conceitos sobre os assuntos abordados.
Um dos componentes curriculares de Língua Portuguesa do PNLD (2017), referente à leitura, diz que essa disciplina tem o papel de desenvolver o estudante em sua proficiência na leitura, compreensão do texto e do mundo, podendo ele se desenvolver como um cidadão crítico na sociedade, não importa o campo que o aluno utilizará, mas que seja eficiente em sua formação escolar, “[...] para as demandas básicas do mundo do trabalho e do pleno exercício da cidadania” (PNLD, 2017, p. 17). Com isso, o sujeito desenvolve suas competências discursivas, tanto na fala quanto na escrita, que podem ajudá-lo nas suas relações sociais. É preciso notar que nem sempre o educando compreende o que lê, pois há uma certa deficiência na própria leitura. Por isso, a necessidade de o sujeito entender bem os constituintes que compõe um texto, para que ele aos poucos desenvolva competências linguísticas para sua compreensão num todo.
Observar a compreensão e a leitura, presentes no LDLP, pode permitir um aprendizado mais amplo, pois o aluno com liberdade em sala de aula pode expor seu saber sobre o texto que está lendo. Por isso, é preciso que esse processo seja realizado com a orientação do educador: “da atividade mais simples (decodificação) à mais complexa (compreensão) o leitor aprendiz necessita de um orientador” (CURI,
1998, p. 48). Trazer suas experiências a partir da leitura reforça as práticas discursas desses sujeitos, trazendo várias referências de sua história para aquele ambiente. Para Geraldi (2006), o contato com o texto reforça o crescimento de significados do aluno, pois ao longo dos seus processos de leitura, o discente reforça tudo aquilo que já aprendeu e/ou leu:
O autor, instância discursiva de que emana o texto, se mostra e se dilui nas leituras de seu texto: deu-lhe uma significação, imaginou seus interlocutores, mas não domina sozinho seu processo de leitura de leitor, pois este, por sua vez, reconstrói o texto na sua leitura, atribuindo-lhe a sua (do leitor) significação (GERALDI, 2006, p. 91).
É importante ressaltar que o educador, muitas vezes, é necessário para poder intermediar o processo de leitura com esse aluno. Nesse caso, o profissional é o interlocutor presente, como explica Fonseca e Geraldi (2006, p. 107), “[...] que responde-pergunta sobre questões levantadas pelo processo que executa”, entre o leitor e o texto. Essa interação entre professor e aluno serve como um meio de melhorar a aprendizagem tanto do educador, como do educando. O docente sempre estará instigando o estudante a formular uma interpretação, uma ideia do que o texto propôs, quais os diversos significados que podem ser encontrados ali, os diferentes entendimentos que cada um tem. “Buscar esse sentido implica a compreensão do que está dito somada à do que não está dito e também significando no texto” (GUIMARÃES, 2012, p. 131). Para isso, o sujeito constrói esse sentido ao desenvolver conexão entre suas partes, sendo o texto, os saberes de mundo e as práticas discursivas que ali se formam.
Uma das críticas que são feitas perante a escola é que o texto não é trabalhado em sua dimensão total, mas com a finalidade de fazer o aluno escrever dentro das normas linguísticas, que o ajudará a passar no vestibular e tirar uma nota boa no Enem. Geraldi (2006, p. 90) pontua dois aspectos negativos quando se trabalha com texto em sala de aula:
Na escola não se escrevem textos, produzem-se redações. Estas nada mais são do que a simulação do uso da língua escrita.
Na escola não se leem textos, fazem-se exercícios de interpretação e análise de textos. E isso nada mais é do que simular leituras.
Novamente, no exemplo acima, o texto é trabalhado de forma superficial, sem o devido aprofundamento que ele merece. O grande interesse das escolas são as
aprovações em vestibulares, que estabelecem um status diante da sociedade. Por isso é que o texto, muitas vezes, não é aprimorado dentro da sala de aula, já que isso demanda tempo e possibilita novos pensamentos críticos, o que não é interessante para um determinado público social. Entretanto, fundamental ressaltar que, apesar de algumas escolas verem a educação como um mercado, há outras também que buscam um ensino mais humano, voltado para uma formação crítica, que se importa com o desenvolvimento social do educando. Professores mais antigos e novos profissionais na área da educação estão procurando ensinar os conteúdos programáticos com aulas de forma mais dinâmicas, participativas e inclusivas.