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2. A COMPREENSÃO TEXTUAL NOS LDLP

2.4 O PROCESSO DE LEITURA DO SUJEITO ARGUMENTATIVO

A leitura é um importante caminho para a construção social do indivíduo. Aqui, não se refere somente ao processo de alfabetização e de leitura na sala de aula, mas sim como o aluno consegue construir significados e produzir conhecimentos. Com o ato de ler, é possível trabalhar interpretação e diálogo com o educando, evidenciando essas outras possibilidades de ver e interpretar o mundo de forma crítica, bem como lhe dar a oportunidade de inserção social:

A questão da aprendizagem da leitura é a discussão dos meios através dos quais o indivíduo pode construir seu próprio conhecimento pois, sabendo ler, ele se torna capaz de atuar sobre o acervo de conhecimento acumulado pela humanidade através da escrita e, desse modo, produzir, ele também, um conhecimento (BARBOSA, 1994, p. 28).

Compreende-se que, com a educação, a pessoa passa a ter conhecimento do que acontece ao seu redor. E também desenvolve sua formação crítica. Lima (2001,

p. 123) afirma que a educação “é algo que forma, de-forma e trans-forma, pois a leitura e escrita nos constituem e revelam o que somos”. A leitura e a escrita possibilitam que esse aluno adquira noção do que acontece em sociedade e com isso desenvolva sua criticidade. A partir desse conhecimento é que o indivíduo se modifica no mundo.

Isso revela que ler em sala de aula pode influenciá-los na percepção de sujeito ativo na sociedade, a partir do momento em que eles “lerem” o mundo, utilizando também os saberes que eles adquiriram em sua vida. Com isso, os alunos passam a “selecionar e reelaborar o conhecimento, de modo a aplicá-lo, nas suas experiências, tendo uma relação entre o texto e a subjetividade” (LIMA, 2001, p. 101). Assim, a leitura em sala de aula permite a troca de ideias, de valores, a construção da crítica e um olhar mais analítico sobre o mundo:

A escola, como um dos órgãos responsáveis pela difusão da leitura, como um lugar onde se aprende a ler e a escrever, a formar ou não o gosto pela leitura, a transformar não-leitores em leitores críticos, constitui-se foco de atenção da ideologia de uma determinada classe social (a do poder) que procura inculcar de maneira natural padrões de comportamento a todos os indivíduos, através de sua legislação, programas de ensino, conteúdos, metodologias e avaliações.

Pensar leitura, portanto, implica discutir esta escola, refletir as relações que estabelecem a partir da concepção de linguagem e de leitura que fundamenta a prática do professor no seu dia-a-dia e conhecer as relações que os alunos constroem com o ato de ler.

[...] Estamos falando, sim, de uma visão sócio-interacionista (Vigotsky), onde a formação do indivíduo se faz no processo de conhecimento – construção de significados (interação) entre sujeito e objeto – cuja ação do sujeito sobre o objeto é socialmente mediada. (FERREIRA, 1994, p. 16-17).

Nesse contexto, a escola tem o dever de proporcionar o prazer com a leitura. Como vimos, alguns educandos começam pela instituição a ter contato com o texto e ela deve estar atenta às necessidades e anseios que esses educandos têm sobre a leitura, assim práticas pedagógicas dinamizadoras podem ajudar nesse desenvolvimento, como saraus literários, clube do livro, contadores de histórias, jornal mural, são ações que podem despertar uma procura maior pela leitura. Por isso, a necessidade de o professor ser um importante interlocutor desse trabalho, permitindo que esses sujeitos possam despertar esse interesse – ler – a partir do contato com o texto:

Quando aprendemos a absorver conhecimentos por meio de uma leitura, muitas barreiras culturais deixam de existir. Passamos então de simples receptores a participantes diretos, entusiasmados pelo furor de aprender sempre mais, proporcionando uma nova visão diante dos fatos, possibilitando

uma argumentação crítica e construtiva, para surtir efeito e transformações sobre o que está sendo recebido. (MIRANDA, 2006, p. 99)

Essa mediação entre o sujeito e o objeto possibilita uma educação mais eficiente e dinâmica com o educando, pois permite que o aluno se envolva com a leitura. E esse processo faz com que eles – sujeito e leitura – se tornem um só. O ato de ler é de extrema importância para a vida do aluno e deve ser uma constante atividade em sala de aula. A leitura torna-se, nesse sentido, fundamental para a construção do conhecimento. Assim, cabe ao educador orientar, muitas vezes, o tipo de leitura do seu discente, ou seja, é importante o professor trabalhar com uma diversidade de gêneros discursivos, e não apenas leituras “prazerosas” – aquelas que são da preferência do aluno –, pois o educando precisa conhecer as diferentes leituras que existem no meio social.

A escola também tem papel fundamental nesse processo, pois precisa aproveitar os saberes já adquiridos dos seus educandos. As leituras vivenciadas em sala de aula devem reforçar ainda mais os conhecimentos desses sujeitos, principalmente quando esses conhecimentos são reconhecidos e explorados pelo professor. Ao ver um outdoor, ao enviar uma mensagem de texto pelo celular ou ao retirar o dinheiro da carteira para pagar o ônibus, essas são ações que envolvem a leitura, mas muitas vezes os sujeitos não as percebem dessa forma. Com isso, é importante preservar o saber do educando dentro do ambiente escolar, e também fora dele, assim como estimular essas práticas na sociedade.

Devido a essa importância da leitura na vida escolar e social do sujeito, é fundamental o professor orientar essa busca pelo conhecimento em sala de aula e incentivar sempre por novos saberes proporcionados pela leitura. Assim, como uma das funções do educador é esse incentivo a ler, é preciso compreender se os novos professores estão preparados, com isso é essencial entender como se dá a formação desses profissionais antes de vivenciarem o dia a dia da sala de aula.