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Interpreta¸c˜ ao Cin´ etica da Temperatura (T )

Como j´a mencionamos em outra ocasi˜ao, a temperatura de um corpo se relaciona com a energia de agita¸c˜ao dos ´atomos e mol´eculas deste corpo.

Mostraremos agora como os f´ısicos do s´eculo passado, ba- seados no modelo cin´etico de um g´as, chegaram a esta con- clus˜ao. A express˜ao p = N mv2/3V , que havia sido obtida

baseando-se no modelo cin´etico, pode ser escrita como

pV = N mv

2

3

Comparando-a com a equa¸c˜ao de estado de um g´as ideal, pV = nRT , que havia sido obtida experimentalmente, conclui-se que

N mv2

3 = nRT

Mas sendo NA (o n´umero de Avogrado) o n´umero de

mol´eculas que existe em 1 mol e sendo n o n´umero de moles que corresponde a N mol´eculas, ´e claro que

N = nNA

e com este valor de N na igualdade anterior, vir´a nNAmv2

3 = nRT

ou, simplificando e reescrevendo

mv2= 3(R/N

A)T

e dividindo-se os dois menbros desta igualdade por 2, temos 1

2mv

2= 3

2(R/NA)T

Observe que o primeiro membro desta express˜ao representa a energia cin´etica m´edia das mol´eculas. Esta energia cin´etica m´edia ser´a representada por EC. O quociente

R/NA que aparece no segundo membro, ´e constante, pois,

como j´a sabemos, tanto R quanto NA s˜ao constantes. Este

quociente ´e muito importante, ´e representado por kB e ´e a

famosa constante de Boltzmann: kB= 1, 38× 10−23J/K

Desta maneira, chegamos a seguinte express˜ao:

EC= 3

2kBT

que mostra ser a energia cin´etica m´edia das mol´eculas de um g´as diretamente proporcional a sua temperatura abso- luta, isto ´e, quanto maior for a energia cin´etica m´edia das mol´eculas, maior ser´a a temperatura do g´as. Destacamos, ent˜ao que: a temperatura absoluta, T de um g´as est´a rela- cionada com a energia cin´etica m´edia de suas mol´eculas.

Em uma amostra, podemos dizer que a ´unica energia exi-

tente ´e a energia de cada part´ıcula, sendo N o n´umero de part´ıculas, a energia mecˆanica total da amostra ´e E = N EC.

Essa energia mecˆanica total ´e por defini¸c˜ao a energia in- terna Eint.da amostra. Logo, substituindo essa rela¸c˜ao na

express˜ao da energia cin´etica temos: Eint.= N

3 2kBT

ou, como N = nNAe kB= R/NA, temos

Eint.=

3

2nRT

Pense um Pouco!

• Quando um g´as absorve calor e seu volume ´e mantido fixo, para onde vai a energia ganha? Explique. • Se um g´as num pist˜ao isolado se expande e realiza um

trabalho mecˆanico, o que acontece com sua tempera- tura? Explique.

Exerc´ıcios de Aplica¸c˜ao

1. (ACAFE) Um recipiente cont´em H2 a 27◦C. Podemos

afirmar que a energia cin´etica m´edia de suas mol´eculas ´e: a) 2, 2× 10−21 J

c) 6, 2× 10−21 J d) 7, 1× 10−21 J e) n.d.a

2. (Mack-SP) Um tanque possui 2, 0 mol de h´elio a 17◦C.

Adimtindo que nessas condi¸c˜oes o h´elio se comporta como um g´as ideal, a energia mecˆanica (interna) do sistema ´e dada por: a) 6, 2× 103J b) 7, 2× 103J c) 2, 4× 103J d) 2, 2× 103J e) 1, 5× 103J

3. (UFRN) Uma certa massa gasosa se encontra a uma tem- peratura de 36◦C, podemos afirmar que a energia cin´etica

m´edia de suas mol´eculas ´e de: a) 6, 4× 10−21J b) 1, 2× 10−21J c) 2, 5× 10−21J d) 4, 3× 10−21J e) 5, 3× 10−21J

Exerc´ıcios Complementares

4. (ACAFE) Quando aumentamos a temperatura de um g´as ´e correto afirmar que:

a) a velocidade de suas mol´eculas permanece constante b) a velocidade de suas mol´eculas aumenta

c) a velocidade de suas mol´eculas diminui

d) nada podemos afirmar a respeito da velocidade e) a energia cin´etica das mol´eculas diminui

5. (UFCE) Um recipiente A cont´em 5 mol de H2a 32◦C,

e um outro recipiente B possui 6 mol de O2 `a mesma tem-

peratura. Podemos afirmar que:

a) a energia cin´etica m´edia das mol´eculas ´e a mesma nos dois recipientes

b) a energia cin´etica m´edia das mol´eculas do recipiente A ´e maior do que as do recipiente B

c) a energia cin´etica m´edia das mol´eculas do recipiente A ´e menor do que as do recipiente B

d) depende do tamanho dos recipientes

e) n˜ao ´e possivel determinar nada a respeito das energias cin´eticas das mol´eculas

6. (UEM-PR) As mol´eculas de um certo g´as possuem uma

energia cin´etica m´edia de 20, 7× 10−23J, podemos afirmar

que a temperatura em ◦C desse g´as:

a) ´e 243

b) est´a acima de 243 c) ´e 200

d) ´e zero

e) est´a abaixo de−243

Termodinˆamica Aula 5

Modelo Molecular de um G´as

As leis que descrevem o comportamento dos gases, foram obtidas experimentalmente. Vamos agora tentar relacionar

estas leis com o comportamento das part´ıculas que cons- tituem o g´as, isto ´e, seus ´atomos ou suas mol´eculas. Os cientistas intensificaram seus estudos sobre a estrutura mo- lecular dos gases, baseando-se nas seguintes suposi¸c˜oes:

1. um g´as ´e constituido de pequenas part´ıculas, ´atomos ou mol´eculas;

2. o n´umero de mol´eculas existentes em uma dada massa gasosa ´e muito grande;

3. a distˆancia m´edia entre as mol´eculas ´e muito maior do que as dimens˜oes de uma mol´ecula;

4. as mol´eculas de um g´as est˜ao em constante movimento, e este movimento ´e inteitamente ao acaso, isto ´e as mol´eculas se movimentam em qualquer dire¸c˜ao. Ao estabelecerem estas hip´oteses, os cientistas estavam ten- tando descrever o comportamento de um g´as atrav´es do mo- vimento de suas mol´eculas, isto ´e, estavam supondo que as leis dos gases poderiam ser obtidas aplicando-se as leis da

Mecˆanica ao movimento das mol´eculas, tratando-as como

se fossem part´ıculas. Desta maneira, os cientistas estrutu- raram um modelo para descrever o comportamento de um g´as.

Este modelo ´e denominado modelo cin´etico em virtude de se basear no movimento das mol´eculas do g´as.

C´alculo Cin´etico da Press˜ao (p)

Como vimos, no modelo cin´etico de um g´as, o n´umero de mol´eculas ´e muito grande e elas est˜ao em constante movi- mento. Em conseq¨uˆencia disto, as mol´eculas colidem conti- nuamente contra as paredes do recipiente que cont´em o g´as, exercendo uma press˜ao nessas paredes. Como o n´umero de colis˜oes ´e muito grande, n˜ao se percebe o efeito do choque de cada part´ıcula. O que se observa ´e o efeito m´edio da frequente sucess˜ao de colis˜oes, que ocasiona o aparecimento de uma for¸ca cont´ınua, sem flutua¸c˜oes, pressionando as pa- redes do recipiente. Portanto, a press˜ao que um g´as exerce sobre as paredes do recipiente que o cont´em ´e devida as incessantes e cont´ınuas colis˜oes das mol´eculas do g´as con- tra as paredes do recipiente. Aplicando as leis da mecˆanica as colis˜oes das mol´eculas contra as paredes do recipiente, os f´ısicos do s´eculo passado obtiveram uma express˜ao ma- tem´atica, relacionando a press˜ao exercida por um g´as com as seguintes grandezas:

N — n´umero de mol´eculas do recipiente V — volume do recipiente

m — massa de cada mol´ecula

v2 — m´edia dos quadrados das velocidades das mol´eculas

A express˜ao a que chegaram foi a seguinte:

p = 1

3(N/V )mv

2

Analisando esta express˜ao vemos que:

• p ∝ N: este resultado ´e intuitivo pois, quanto maior for o n´umero total de mol´eculas, maior ser´a o n´umero de colis˜oes contra as paredes e, portanto, maior ser´a a press˜ao exercida pelo g´as;

• p ∝ 1/V : de fato, quanto maior for o volume, maior ser´a a distˆancia que uma mol´ecula ter´a que percor- rer para colidir contra as paredes e, consequentemente, menor ser´a o n´umero de colis˜oes, isto ´e, menor ser´a a press˜ao exercida pelo g´as;

• p ∝ m: este resultado era esperado pois, quanto maior for a massa de um mol´ecula, maior ser´a a sua quan- tidade de movimento (~q = m~v) e assim, maior ser´a a for¸ca que ela exerce ao colidir contra a parede do recipiente;

• p ∝ v2: realmente, quanto maior for v2, mais rapida-

mente as mol´eculas estar˜ao se movimentando. ´E f´acil perceber que, nestas condi¸c˜oes, maior ser´a a for¸ca que cada mol´ecula exercer´a ao colidir contra a parede e, al´em disso, maior ser´a o n´umero de colis˜oes.

Interpreta¸c˜ao Cin´etica da Temperatura (T )

Como j´a mencionamos em outra ocasi˜ao, a temperatura de um corpo se relaciona com a energia de agita¸c˜ao dos ´atomos e mol´eculas deste corpo.

Mostraremos agora como os f´ısicos do s´eculo passado, ba- seados no modelo cin´etico de um g´as, chegaram a esta con- clus˜ao. A express˜ao p = N mv2/3V , que havia sido obtida

baseando-se no modelo cin´etico, pode ser escrita como

pV = N mv

2

3

Comparando-a com a equa¸c˜ao de estado de um g´as ideal, pV = nRT , que havia sido obtida experimentalmente, conclui-se que

N mv2

3 = nRT

Mas sendo NA (o n´umero de Avogrado) o n´umero de

mol´eculas que existe em 1 mol e sendo n o n´umero de moles que corresponde a N mol´eculas, ´e claro que

N = nNA

e com este valor de N na igualdade anterior, vir´a nNAmv2

3 = nRT

ou, simplificando e reescrevendo

mv2= 3(R/N

A)T

e dividindo-se os dois menbros desta igualdade por 2, temos 1

2mv

2= 3

2(R/NA)T

Observe que o primeiro membro desta express˜ao representa a energia cin´etica m´edia das mol´eculas. Esta energia cin´etica m´edia ser´a representada por EC. O quociente

R/NA que aparece no segundo membro, ´e constante, pois,

como j´a sabemos, tanto R quanto NA s˜ao constantes. Este

quociente ´e muito importante, ´e representado por kB e ´e a

famosa constante de Boltzmann: kB= 1, 38× 10−23J/K

Desta maneira, chegamos a seguinte express˜ao:

EC= 3

2kBT

que mostra ser a energia cin´etica m´edia das mol´eculas de um g´as diretamente proporcional a sua temperatura abso- luta, isto ´e, quanto maior for a energia cin´etica m´edia das mol´eculas, maior ser´a a temperatura do g´as. Destacamos, ent˜ao que: a temperatura absoluta, T de um g´as est´a rela- cionada com a energia cin´etica m´edia de suas mol´eculas.

Em uma amostra, podemos dizer que a ´unica energia exi-

tente ´e a energia de cada part´ıcula, sendo N o n´umero de part´ıculas, a energia mecˆanica total da amostra ´e E = N EC.

Essa energia mecˆanica total ´e por defini¸c˜ao a energia in- terna Eint.da amostra. Logo, substituindo essa rela¸c˜ao na

express˜ao da energia cin´etica temos: Eint.= N

3 2kBT

ou, como N = nNAe kB= R/NA, temos

Eint.= 3

2nRT

Pense um Pouco!

• Quando um g´as absorve calor e seu volume ´e mantido fixo, para onde vai a energia ganha? Explique. • Se um g´as num pist˜ao isolado se expande e realiza um

trabalho mecˆanico, o que acontece com sua tempera- tura? Explique.

Exerc´ıcios de Aplica¸c˜ao

1. (ACAFE) Um recipiente cont´em H2 a 27◦C. Podemos

afirmar que a energia cin´etica m´edia de suas mol´eculas ´e: a) 2, 2× 10−21 J

b) 3, 2× 10−21 J c) 6, 2× 10−21 J d) 7, 1× 10−21 J e) n.d.a

2. (Mack-SP) Um tanque possui 2, 0 mol de h´elio a 17◦C.

Adimtindo que nessas condi¸c˜oes o h´elio se comporta como um g´as ideal, a energia mecˆanica (interna) do sistema ´e dada por: a) 6, 2× 103J b) 7, 2× 103J c) 2, 4× 103J d) 2, 2× 103J e) 1, 5× 103J

3. (UFRN) Uma certa massa gasosa se encontra a uma tem- peratura de 36◦C, podemos afirmar que a energia cin´etica

m´edia de suas mol´eculas ´e de: a) 6, 4× 10−21J

b) 1, 2× 10−21J

c) 2, 5× 10−21J

d) 4, 3× 10−21J

Exerc´ıcios Complementares

4. (ACAFE) Quando aumentamos a temperatura de um g´as ´e correto afirmar que:

a) a velocidade de suas mol´eculas permanece constante b) a velocidade de suas mol´eculas aumenta

c) a velocidade de suas mol´eculas diminui

d) nada podemos afirmar a respeito da velocidade e) a energia cin´etica das mol´eculas diminui

5. (UFCE) Um recipiente A cont´em 5 mol de H2a 32◦C,

e um outro recipiente B possui 6 mol de O2 `a mesma tem-

peratura. Podemos afirmar que:

a) a energia cin´etica m´edia das mol´eculas ´e a mesma nos dois recipientes

b) a energia cin´etica m´edia das mol´eculas do recipiente A ´e maior do que as do recipiente B

c) a energia cin´etica m´edia das mol´eculas do recipiente A ´e menor do que as do recipiente B

d) depende do tamanho dos recipientes

e) n˜ao ´e possivel determinar nada a respeito das energias cin´eticas das mol´eculas

6. (UEM-PR) As mol´eculas de um certo g´as possuem uma

energia cin´etica m´edia de 20, 7× 10−23J, podemos afirmar

que a temperatura desse g´as ´e: a) ´e 243◦C

b) est´a acima de 243◦C

c) ´e 200◦C

d) ´e 0 ◦C

e) est´a abaixo de−243C

Termodinˆamica Aula 7

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