2.2 Obras de John Hick sobre sua hipótese pluralista
2.2.5 An Interpretation of Religion: Human Responses to the Transcendent – Uma
Publicado primeiramente em 1989 no Reino Unido e nos Estados Unidos e em 2004 nos mesmos lugares. O livro tem cinco partes: Introdução, Fenomenologia, Ambiguidade Religiosa do Universo, Epistemologia, Pluralismo Religioso, Criteriologia e o Epílogo.
Neste livro Hick fala de sua hipótese que tem como ponto de partida a ambiguidade religiosa existente no universo, fenômeno este que pode ser experienciado e entendido tanto de uma forma religiosa como de uma forma espontânea tal como um fenômeno produzido segundo as leis da natureza. Esta ambigüidade leva o autor a argumentar que o fato religioso é integralmente racional para aquelas pessoas que o experimentaram religiosamente e elas se entregaram com confiança de que tiveram realmente uma legítima experiência e nela embasaram suas vidas e sua fé. Isto ocorre firmado no princípio que tem sido chamado de “a aproximação crítica da confiança” segundo o qual é racional confiar em nossa experiência exceto quando se tem alguma razão para duvidar dela. Hick considera razoável aplicar este princípio à experiência religiosa embora ela seja diferente da experiência sensorial que é compulsória e ao contrário da religiosa é narrada por todas as pessoas.
Uma interpretação religiosa de religião
Há muitos modos de interpretar a religião. Hoje ao tentar entender a religião há que se percebê-la sob os dois pontos de vista o religioso e o científico. As modernas descobertas das ciências humanas, embora auxiliares são, praticamente, irrelevantes se a interpretação for religiosa. A hipótese de Hick leva em consideração os dados e as teorias da ciência que a própria ciência usa para mostrar de que modo “a resposta dos seres humanos à Realidade Transcendente tomou tão desconcertante pluralidade de formas que a história registra”116. Um esforço provável uma vez que o fato de ser adepto desta ou daquela tradição religiosa se prende à circunstância biográfica de seu nascimento; se nascer em lar cristão será provavelmente um cristão, se em um lar judeu um judeu e assim por diante. Contudo não se pode ficar restrito à tradição em que nasceu, pois há a possibilidade de adeptos de uma crença se converter a outra embora no caso das grandes tradições religiosas isto ocorra em um percentual muito baixo.
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Religião como um conceito de família-semelhança
Pesquisadores têm variadas propostas para definir “religião” e a principal divisão entre elas é – definições naturalistas e definições religiosas, sendo que esta se refere a uma resposta consciente do ser humano à provocação de uma Realidade que o transcende e ao mundo, caracterizado como um poder cósmico, um Deus pessoal. A naturalista descreve a religião como uma atividade ou estado da mente humana. Uma espécie laica de visão de mundo. Nesse sentido, levanta a questão se o Teravada Budismo – sem fé no Supremo Ser, o tradicional Confucionismo apontado como uma ética social e o Marxismo ateísta poderiam ser classificados como religiões ou quase-religiões. Todas elas são, contudo mecanismos estratégicos humanos de definição que incorporam decisões que podem ser aceitas ou atacadas e que, através dos tempos, têm provocado discussões e debates. Wittgenstein pontua na discussão do conceito família-semelhança o fato de na família existirem semelhanças, porém não há características que cada membro deva ter, obrigatoriamente. Elas são distribuídas esporádica e gradualmente nas gerações e as diferenciam das demais famílias. Esta analogia Hick aplica às diferentes tradições e com ela pretende lançar uma luz sobre as diferentes fés não para propor uma essência comum a todas, pois para ele não existe tal essência embora cada fé enfatize a existência de uma Realidade Transcendente e libertadora.
A crença no Transcendente
Ao se elaborar uma definição de religião se tem por trás do processo uma decisão e cada “uma revela ou esconde uma ou mais obrigações solenes. Cada uma pode ser aceita ou criticada. Pode-se descrever uma religião, porém não se pode adequadamente defini-la”117.
Cada estudioso dependendo de seu ramo de estudos focaliza nesse ou noutro recurso. Os recursos evidenciados por Hick primariamente neste livro é a fé no Transcendente. O Transcendente é o seu centro de interesse partindo do conceito semelhança-família em que cada pesquisador focaliza seu interesse no que lhe interessa. A vantagem deste conceito semelhança-família é que tanto crentes como descrentes têm lugar no decorrer da discussão religiosa.
Quando se trata os estudos da religião de forma global vê-se com maior claridade a ingerência do elemento humano neles e dessa forma percebe-se inconfundivelmente a falibilidade de suas afirmações. Os crentes das tradições crêem que elas têm uma origem divina e que não há uma contribuição humana periférica e, portanto falível na formação de
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seu núcleo de convicções. Atualmente é de conhecimento a profunda influência das culturas, que por sua vez são atingidas por um complexo de fatores do clima, da geografia, da economia e da política, nas suas respectivas religiões. O exemplo disto é o Deus das religiões monoteístas sempre masculino. “Modernos historiadores da religião têm feito tais observações de como as comunidades pastorais nômades pensam sua divindade em termos masculinos, em contraste com consolidadas comunidades agrícolas que tendiam pensar o Divino em termos femininos”118.
Quando se generaliza uma teoria corre-se o risco de falhas e limitações. Toda interpretação passa pela respectiva visão da cultura. Têm-se pessoas e comunidades elevadas moralmente e outra não, isto se explica pela mistura ética do caráter dos seres humanos que se reflete nas religiões, Desse modo ao se defender a crença na Realidade Transcendente não se pretende afirmar o valor moral da religião, mas enfatizar nela a presença do elemento humano.
Os Problemas de Terminologia
A terminologia é também responsável por desentendimentos dentro da pluralidade religiosa. Cada religião tem a sua forma própria de expressar e muitas vezes falha no seu objetivo de comunicar. Diversos nomes são usados como o Transcendente, a Última Realidade, o Supremo Princípio, o Eterno Um, Jeová etc. Hick prefere o termo “Real” para designar a Realidade Última de todas as tradições religiosas pois não é propriedade de nenhuma e é um termo familiar, um nome genérico e neutro. Não só este, mas muitos outros problemas terminológicos surgem, em um nível inferior, surgem nas discussões sobre as várias tradições.
Esboço de argumento
O Universo é ambíguo e assim pode-se percebê-lo de modo religioso ou naturalista, é uma escolha cognitiva fundamental de cada um que é contínua com o elemento interpretativo dentro da sua experiência do físico e do ético caráter do ambiente. Experimentam-se no meio ambiente três níveis de significados ou interpretação: o físico, o ético e o religioso. Fisicamente experimenta-se o mundo como nosso ambiente no qual tem que se aprender sobre as possibilidades de viver e florescer. Neste grau de desenvolvimento experimenta-se a liberdade cognitiva no seu nível mínimo. Continua a interpretação física, mas, eticamente
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envolve um grau maior de liberdade cognitiva que o anterior. Neste nível toma-se conhecimento que se está acompanhado de outros seres humanos e um rol de regras e normas têm que ser adotadas para a convivência. Num crescendo chega-se ao nível religioso e uma maior liberdade cognitiva tem lugar.
Pode-se dizer que tanto a interpretação religiosa do mundo como a naturalista são ambas racionalmente apropriadas para aqueles que as escolhem. Contudo podem estar as duas equivocadas. O argumento da racionalidade de escolha do modo religioso de interpretar abre espaço para o pluralismo religioso uma vez que diversas formas de experiência religiosa ensejam o surgimento de diferentes e incompatíveis respostas que são expressas de modo diferente, cada uma de acordo com a sua cultura e sua linguagem.
O que estrutura a experiência religiosa é o conceito de deidade que cada cultura constrói, daí as diferenças, os contrastes e conflitos entre as religiões que podem ser, em princípio, resolvidas por históricas evidências, mas que na prática tal não ocorre. Há conflitos a respeito das origens e destino de cada fé. Estas questões não conseguem ser respondidas pelos atuais e limitados conhecimentos humanos.
PARTE UM
O Caráter Soteriológico da Religião Pós-Axial
Apesar da imensa variedade da fenomenologia da religião em que fatos discordantes são atacados e destruídos dois conceitos interpretativos sobreviveram – o conceito da universalidade da religião, o ser humano é um ser religioso e o conceito das religiões pré- axiais – a distinção entre as religiões pré-axiais e as pós-axiais.
Eliade em consenso com outros historiadores sugere que “O sagrado é um elemento na estrutura da consciência e não um estágio da história da consciência”119. Entretanto, isto não significa que todos os seres humanos têm o mesmo grau de religiosidade. O que se aplica também às sociedades. Umas são mais religiosas outras são menos. Mesmo as sociedades tradicionalmente seculares possuem em algum grau, características religiosas. A religião pré- axial tem duas dimensões, uma psicológica e outra sociológica. A primeira para que se dê estabilidade diante dos mistérios da vida e da morte e a sociológica para manter a unificação da comunidade assim como a sua lealdade.
A era axial foi preparada por uma série de movimentos pré-axiais que a antecederam. Surgiram nesta época preparada para tal as religiões mundiais – na China Confúcio e Lao T-
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zu; na India Gautama, o Buda e Mahavira, os fundadores do Jainismo e, provavelmente, ao final deste período o Bhagavad Gita. Na Pérsia, Zoroastro com uma Religião pré-revelacional que sobrevive até hoje com poucos adeptos na pequena comunidade dos Parsi que influenciaram com suas idéias de escatologia o Judaísmo e através dele o Cristianismo e provavelmente o Islã. Surgiram os grandes profetas hebreus Amos, Oséias, Jeremias, os Isaias em Israel, na Grécia Pitágoras, Sócrates, Platão e Aristóteles. Individualmente emergia a autoconsciência substituindo a comum mentalidade de sociedade. Formava-se aos poucos uma pessoal abertura à Transcendência.
O tempo da religião tribal e nacional, com poucas exceções, foi sendo ocupado pelas grandes religiões formando uma consciência da Realidade Última e nada de tão extraordinário em religião surgiu desde então. Isto significa ver Jesus e o Cristianismo, Muhammad e o Islamismo como principais novos desenvolvimentos da corrente profética da vida religiosa semítica e o Mahayana como advindo do primitivo Budismo.
O período axial é um conceito de concentração de eventos religiosos. Mudanças com tal magnitude e incidência propiciaram a emergência de criaturas humanas excepcionais que se tornaram difusoras de uma nova consciência religiosa dando origem aos movimentos que se conhece hoje como as grandes tradições religiosas.
A religião axial tem uma dimensão psicológica e uma sociológica. Psicológica porque tem a função impedir a instabilidade do sentido da vida e a sociológica que mantém a união da tribo, ambas para resguardar a fraqueza própria do ser, mas não se relacionam com uma transformação salvífica. Esta forma ainda existe em alguns pequenos focos em partes da África, Américas, Indonésia e Malásia e Ilhas do Pacífico.
Nos termos da fenomenologia religiosa os movimentos religiosos que emergiram na era axial em contraste com os movimentos da era pré-axial mostravam uma estrutura soteriológica. Sua mente humana se tornava consciente de si como uma realidade distinta e com suas próprias possibilidades. Todos eles à sua maneira reconheceram a insuficiência, a finitude e a precariedade da vida humana bem como viram a perfeição além do humano, perceberam que havia alguma coisa de muito grande. O que era e é, ansiosamente, esperado a salvação-libertação, cada tradição com uma denominação distinta para tal estado gratificante.
Transformação humana como Salvação-Libertação
O sentido geral do conceito salvação – libertação – e que toma variadas formas dependendo da religião onde é aguardado é a transformação operada na existência humana do auto-centramento à centralidade no Real. Cada tradição tem uma forma de apresentar este
processo salvífico. No Hinduísmo quando tal acontece o universal Atman assume o lugar do pequeno e individualista ego humano que desaparece. Há três caminhos para a final libertação que não se excluem mutuamente. Aquele que aspira ao conhecimento salvador deve se dedicar totalmente à busca, deve renunciar aos desejos terrenos e depois de longo tempo ou até após muitas vidas pode atingir o moksa e se tornar um jivan-mukta. O segundo caminho é o karma-marga, o caminho da ação engajado na vida do mundo; o terceiro caminho é o bhakti ou auto-doação ao Real encontrado no Divino Tu. É a via do auto-centramento para o centramento na Realidade.
Tanto no Hinduísmo como no Budismo a salvífica mudança é experimentada e explicitamente pensada como uma virada do ego para o Real. No Cristianismo, tal espécie de mudança também ocorre e consiste em uma auto-doação na fé na soberania e graça infinitas de Deus “que produz um novo espírito” que trás serenidade e faz deste crente uma ponte de trânsito do amor de Deus à sua criação. Na doutrina da expiação o sacrifício da cruz transforma o antigo ser em um novo ser aberto ao Espírito Santo e gradualmente santificado.
Assim, por esta doutrina oficial, a transformação do ser humano incorporado de qualidades como o amor, alegria e paz é secundária em relação à transação jurídica do ato expiatório de Cristo pelo pecado humano. As várias formas de doutrina da expiação são construções teoréticas. Porém, a modificação do ser expresso por uma nova relação com Deus é passível de experiência e de observação. Uma realidade que constitui a salvação de acordo com a tradição cristã. Jesus faz um forte chamado à transformação para uma vida centrada em Deus.
Nos ensinamentos cristãos o modelo de salvação baseado na concepção jurídica120 não está presente. O que está nos Evangelhos é a sua mensagem de abrir os corações a Deus e viver conscientemente em sua presença como instrumento de seu propósito na terra. Em nenhum momento sugere que para isto Jesus teria de se sacrificar na cruz. Até a parábola do filho pródigo mostra claramente o perdão gratuito do pai.
O islã não usa o conceito de “salvação” e não vê a condição humana como decaída pelo pecado envolvida pela culpa e alienada de Deus e que somente será redimida através de um ato expiatório. Distingue entre o estado islã, que é a auto-rendição a Deus e o seu contrário que é não se render a Deus, seu construtor e, é este o entendimento que eles têm da salvação, ou seja, a transformação da auto-centralidade para a centralidade no Real. A total submissão a Alá é a salvação/libertação cristã nas palavras do Islã.
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O conceito jurídico de perdão é remissão da pena ou da ofensa ou da dívida; ato pelo qual uma pessoa é desobrigada de cumprir o que era de seu dever ou a obrigação por quem competia exigi-lo.
No ponto de vista islâmico, se deve viver sempre na presença de Alá e na esfera de seu absoluto clamor. A vida secular não é separada da vida religiosa. A centralidade em Deus não se resume apenas em ser a Ele submisso, mas também viver em conformidade com as leis de Deus. Tudo na vida islâmica acontece dentro da obediência religiosa. “O caminho do Islã inclui a totalidade da cultura e a organização da sociedade. Não há distinção entre a igreja e o estado que é uma teocracia. O islã ou a existência centrada em Deus incorporado neste modelo terreno é uma vida de paz com Deus”121.
No tocante à transformação salvífica a ênfase de Hick está no elemento místico em cada caso. O termo misticismo é usado por ele para se referir àquelas formas de experiência religiosa nas quais a informação do Transcendente, transformada dentro da visão e audição cósmica, alcança a mente do místico mais diretamente do que se fosse mediada através do mundo. É de dentro do espectro experiencial como um todo, em ambas as formas – mística ou mediada – que o poder transformador da religião é sentido. A vitalidade do fenômeno religioso vem daí embora ele possa resistir como uma estrutura externa mesmo quando a sua vida espiritual interna estiver em fluxo baixo. A história das tradições religiosas não é um sinônimo da história da experiência central. Tanto o Cristianismo como o Islamismo são fortemente institucionalizadas e desta forma não se tem dúvida por que são as experiências místicas colocadas à margem pelos corpos institucionais destas religiões. O Hinduísmo e o Budismo, embora diferentemente, são tradições mais abertas ao misticismo tanto no foro familiar como no social.
Uma possível objeção é colocada por teólogas cristãs feministas contemporâneas que dão insight relevante e que seria um erro ignorá-lo. O pecado ao qual a antiga doutrina cristã se refere é o do orgulho e que se identifica com a auto-centralidade ou auto- fechamento. Considerando isto, Hick sugere que se faça uma distinção, de um lado a histórica realidade de dominação do homem sobre a mulher e de outro lado o distorcido desenvolvimento psíquico que tal situação produziu.
O Otimismo Cósmico da Religião Pós-Axial
Cada uma das grandes tradições religiosas tem mostrado a fraqueza e a limitação da humanidade, sua insegurança e sua responsabilidade para com o sofrimento. Estão todas envolvidas com a salvação e com a possibilidade de terem uma vida melhor manifestando-se
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de um transcendente. A esperança da salvação as alegra. Assim cada uma, em seu próprio caminho, constitui um Evangelho.
Assim é possível dizer que as religiões pós-axiais estão incorporadas de um otimismo cósmico. Hick concorda com William James quando este formulou os dois elementos básicos que ele chamou de hipótese religiosa. No primeiro a religião diz que “as melhores coisas são as coisas mais eternas, a sobreposição de coisas, as coisas no universo que atiram a última pedra, por assim dizer” e a segunda afirmação da religião é: “somos melhores agora se acreditarmos que a primeira afirmação é verdadeira”122 ·. O pós-axial otimismo religioso não parece afirmar a bondade do mundo neste presente estado intransformado, ao contrário, é negativo e com sentido pessimista.
O caráter de benignidade do universo que afeta todo o ser humano é o otimismo cósmico e em uma antecipação pela fé na esperança de alcançar ou receber finalmente a possibilidade de ter uma existência ilimitadamente melhor. Nas palavras de Julian Norwich, no fim “todos estarão bem, e todos continuarão bem e todo o tipo de coisa estará bem”123. Esta dimensão do pensamento religioso parece que emergiu dentro da consciência humana no período axial.
Os animais vivem o presente e não têm consciência de tempo, de passado e futuro embora provavelmente tenham ocasionalmente flashes de consciência de uma e outra recordação. Os seres humanos têm a consciência de tempo embora o futuro ainda não exista eles possuem expectativas, fazem suposições e planos sobre ele e o futuro é psicologicamente tão importante quanto o passado, diferentemente do que ocorre com os animais, aliás, a principal diferença entre humanos e animais, segundo Kümmel é a dimensão temporal que o ser humano tem que lhe dá um nível humano distintivo de significado. Também a dimensão espacial é distinta estruturada como o campo de visão – focal e franjal. A vida é essencialmente um movimento através do tempo no qual o ser humano pode ter ou não ter possibilidades de, gradualmente, se realizar ou falhar.
As grandes tradições crêem e empenham-se em que todos creiam na bondade ilimitada do transcendente e investem na convicção de que sendo assim a vida não pode ser algo ruim e sem sentido. Todos os seres humanos “têm o seu lugar na estrutura soteriológica do universo. Os Evangelhos declaram que o projeto da vida humana não é sem sentido e em vão”124.
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HICK, John H. As duas citações in AIR, p.56.
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NORWICH , Julian apud HICK, John H. AIR, p.57.
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Neste ponto, pode-se distinguir entre duas formas de perspectivas: a teológica e a escatológica. No tipo histórico-comum a expectativa se realizará ao fim da vida do ser humano e ele será julgado, a sentença será de salvação/libertação com incorporação no divino reino ou de condenação na escuridão; a outra é mais individual e não-histórica nela se acredita que o ego, no ápice de sua longa evolução espiritual, sairá finalmente do egocentrismo para dentro da sua verdadeira natureza, libertando-se dos grilhões da existência terrena. A