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INTERVENÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO NO SISTEMA DE SAÚDE

A ação judicial, como mecanismo individual para demandar a tutela de um direito fundamental, converteu-se no principal mecanismo de exigibilidade da atenção à saúde na primeira década de 2000. Em 2001, o direito à saúde participava com 25,7% do total de ações judiciais que tutelaram direitos fundamentais, cifra que aumentou gradativamente até atingir 41,5% em 2008, o valor mais alto em toda a série histórica, colocando-o como o segundo direito mais tutelado pelos colombianos (Defensoria do Povo da Colômbia, 2013).

Em resposta ao incremento da percentagem de ações judiciais em saúde, a Corte Constitucional fez a revisão de vários expedientes em 2008, identificando como problema jurídico de ordem geral, falhas na regulação do Ministério da Saúde, da

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Acordo 229 de 2002, artigo 06.

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Comissão de Regulação em Saúde e da Superintendência Nacional de Saúde, que em conjunto infringiam a obrigação constitucional de proteger, respeitar e garantir o direito à saúde.

A esse respeito destaca-se que, depois de 15 anos de implementação do referido sistema de saúde, os objetivos de cobertura universal e igualdade no plano de benefícios entre regimes não foram atingidos; e que mais da metade dos serviços solicitados pela via judicial estavam incluídos no POS dos regimes contributivo e subsidiado.

A situação denotava que o Plano Obrigatório de Saúde do regime contributivo adotado em 1994, apesar de ter incluído alguns tratamentos para doenças de alto custo como HIV, câncer e doença renal crônica entre 1995 e 2008, não contava uma metodologia que definisse a atualização dos seus conteúdos e suas exclusões.

Além disso, as ações judiciais analisadas pela Corte Constitucional evidenciaram que as EPS e IPS transgrediam o princípio de integralidade do atendimento quando negavam algum serviço necessário para tratar a condição de saúde do segurado, argumentando que não está incluído no POS, e que o Ministério da Saúde não tinha definido um procedimento para garantir a prestação de serviços de saúde não inclusos no POS, com exceção de medicamentos, que podiam ser autorizados pelos Comitês Técnico-Científicos (CTC) das EPS.

Também foram identificadas outras práticas que impediam o disfrute do direito à saúde, como a suspensão dos serviços depois de terminado o período de proteção trabalhista no regime contributivo, não reconhecimento de auxílios de doença e maternidade, negação do atendimento quando a pessoa não tinha dinheiro para copagamentos e coparticipações,

Em decorrência dos diferentes fatos apresentados, a Corte Constitucional promulgou a Sentença T-760 de 2008, cuja principal inflexão foi o esclarecimento do caráter constitucional do direito à saúde, que como direito humano fundamental demanda a atuação do Estado para sua garantia, proteção e respeito (Valência et al., 2012).

O judiciário argumentou que o direito à saúde compreende a possibilidade de acessar os serviços de saúde de maneira oportuna, eficaz e com qualidade; e que é suscetível de ser garantido mediante ação judicial de tutela nas seguintes circunstâncias: (I) quando os serviços são requeridos por sujeitos de especial proteção constitucional, como crianças menores de 18 anos; (II) quando os copagamentos constituem uma barreira econômica de acesso; (III) caso o serviço requerido seja uma prova diagnóstica;

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(IV) quando as seguradoras aceitam os pagamentos atrasados dos usuários, mas se negam a pagar as prestações econômicas; (V) quando algum ator do sistema impõe barreiras de tipo administrativo ou de informação; (VI) caso a atenção seja requerida para uma doença de alto custo e (VII) quando o serviço solicitado é requerido como parte do tratamento do paciente, mesmo que não esteja incluído no POS (Corte Constitucional da Colômbia, 2008).

A sentença objetivou criar condições para o exercício do direito fundamental à saúde e melhorar o controle estatal dos diferentes atores do sistema, ordenando um conjunto de medidas orientadas sobre os seguintes eixos:

- Plano Obrigatório de Saúde: definir o conteúdo dos planos de benefícios do RC e RS e uma metodologia para sua atualização periódica, de maneira que seus conteúdos fossem fundamentados nas necessidades de saúde e no perfil epidemiológico da população; igualar as cestas de benefícios do POS-C e POS-S para a população menor de 18 anos e definir um cronograma de unificação gradativa do POS para o restante da população do regime subsidiado; definir os mecanismos para garantir a sustentabilidade financeira da ampliação da cobertura; ampliar as competências dos comitês técnico-científicos das EPS para que defiram ou indeferiram as solicitações de tratamentos e procedimentos não inclusos no POS e adotar medidas para evitar demoras na prestação de serviços que fazem parte das cestas de benefícios.

– Financiamento: o Ministério da Saúde tinha que desenvolver ações orientadas a melhorar os procedimentos de recobro que as empresas seguradoras faziam ao FOSYGA pela prestação de serviços não cobertos pelo POS.

– Acesso à informação: as EPS passaram a ser obrigadas a entregar aos usuários no momento da filiação uma carta de direitos e deveres que incluísse informação sobre as instituições que brindam ajuda para exigir o cumprimento do direito à saúde e, uma carta de desempenho e qualidade das EPS e IPS, para garantir o direito à liberdade de escolha dos segurados. Também se ordenou ao Ministério da Saúde identificar as instituições que com maior frequência negavam serviços de saúde aos cidadãos, e desenvolver ações para evitar que as EPS e IPS impusessem barreiras de acesso aos segurados. Como medida complementar, as EPS começaram a enviar um informe trimestral à Comissão de Regulação em Saúde, à Superintendência Nacional de Saúde e à Defensoria do Povo, com a relação das solicitações de serviços não POS demandadas pelos segurados, que não foram discutidas no Comitê Técnico Científico (CTC); e

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aquelas solicitações que uma vez discutidas no CTC foram indeferidas, indicando as razões da negação.

Finalmente, a corte ordenou que fossem tomadas medidas para garantir a cobertura universal do seguro de saúde em 2010 e determinou que a quantidade de tutelas impostas fosse o principal indicador para avaliar o cumprimento das disposições emanadas da sentença (Valência et al., 2012).