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3. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS

5.2 ABCESSO SUBSOLEAR EM BOVINOS

5.2.1 Introdução

As lesões podais são consideradas as maiores causas de dor e desconforto na espécie bovina, gerando prejuízos econômicos (SILVEIRA, 2018).

Casos graves de úlcera de sola, lesão na linha branca do casco, necrose interdigital ou penetração por corpo estranho no membro, sendo inoculado microrganismos patogênicos, promovendo infecção, inflamação, levando o animal a claudicação grave (BLOWEY, 2008).

5.2.2 Caso clínico

Durante o estágio na Vet Grandes Soluções, foi atendido um bovino com abcesso subsolear, macho, 4 anos, raça Hereford, na cidade de Curitibanos–SC, no dia 04 de Setembro de 2019.

5.2.2.1 Exame Clínico

Anamnese: o proprietário relatou que o animal estava junto com os demais animais, e certo dia apresentou claudicação, não apresentando sinais de corte, hemorragias, no qual foi instituído tratamento com oxitetraciclina, não

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apresentando melhoras e só agravando o quadro, então solicitado serviços veterinários.

No exame visual, observando o animal se locomover, notava-se intensa claudicação, não apoiando corretamente o membro torácico esquerdo, devido a lesão. Para chegar ao melhor diagnóstico e tratamento, foi contido o animal, sedado com Xilazina5 (Cloridrato de Xilazina 2%) na dose de 0,05 mg/Kg, via IM , para posterior decúbito do animal e realização do procedimento.

Exame Físico: após contenção e decúbito, foi realizado palpação do casco, impondo pressão, eliminando conteúdo purulento do interior do casco. A limpeza da sola foi realizada com o auxílio de uma rineta e escova. Após limpeza foi visualizado o abcesso subsolear (Figura 4) e seu ponto de drenagem na sola do casco esquerdo próximo ao talão.

Figura 4 - Touro, Hereford, 4 anos, drenagem do abcesso subsolear.

Fonte: Arquivo pessoal (2019).

5.2.2.2 Tratamento

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Posterior a remoção de sujidades e material solear com rineta e escova, foi lavado o casco com água e amônia quaternária, deixando limpo o mesmo, seguido de desinfecção com iodo 50%, deixando o iodo agir por alguns minutos (Figura 5) e então injetado na lesão Mastifin6 (Sulfato de Gentamicina, Cloridrato de Brometaxina), seguido de curativo com gazes embebidas em iodo, faixa e atadura elástica autoaderente.

Figura 5 - Touro, Hereford, 4 anos, desinfecção do casco com iodo 50%.

Fonte: Arquivo pessoal (2019).

Após curativo, foi instituído o tratamento com Penfort PPU7 (Benzilpenicilina Procaína, Benzilpenicilina Benzatina, Dihidroestreptomicina) na dose de 25.000 UI/kg de Penicilina e 25 mg/Kg de Dihidroestreptomicina, via IM, repetindo a dose a cada 48 horas, totalizando 3 aplicações, associado com Prador8 (Meloxicam, Dipirona Sódica) na dose de 0,5 mg/kg de Meloxicam e 25 mg/Kg de Dipirona, via

6 Mastifin®. 7 Penfort®. 8 Prador®.

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IM, dose única, mais Maxicam Injetável9 2% (Meloxicam), na dose de 0,5 mg/Kg, via IM, por 3 dias seguidos, iniciando o tratamento 48 horas após o procedimento.

5.2.2.3 Conclusão

O animal teve melhoras significativas, voltando a caminhar novamente, não sofrendo dor, podendo desempenhar suas funções, estando apto para a estação reprodutiva, não acarretando prejuízos aliado ao bem estar animal.

5.3 PROLAPSO DE VAGINA

5.3.1 Introdução

O prolapso de vagina é uma alteração na sua posição, que se observa quando o órgão apresenta uma inversão, projetando-se para o exterior da cavidade (SIMÕES, 2014).

Os principais fatores predisponentes para a ocorrência de prolapso de vagina em vacas é a tração excessiva em casos de parto distócico, relaxamento dos ligamentos, fêmeas idosas, multíparas, animais com hipocalcemia, aumento da pressão intra-abdominal (SHELDON, 2008).

5.3.2 Caso clínico

Durante o estágio na Vet Grandes Soluções, foi atendido um bovino, com prolapso de vagina, fêmea, 3 anos, raça Angus, na cidade de Lages–SC, no dia 13 de Agosto de 2019.

5.3.2.1 Exame clínico

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Anamnese: o proprietário relatou que o animal tinha entrado em trabalho de parto no início da manhã, onde devido ao excesso de crescimento do terneiro, não conseguiu parir naturalmente, tendo que ter intervenção, após manobras obstétricas, se exteriorizou o terneiro, no qual horas depois teve prolapso uterino.

Exame físico: animal estava em decúbito esternal, alerta, com desgaste físico, com hipocalcemia, sem alterações cardiorrespiratórias, prolapso uterino com sinais de canibalismo (Figura 6), devido ao grande tempo de exposição, atraindo aves.

Figura 6 - Bovino, fêmea, Angus, 3 anos, prolapso vaginal.

Fonte: Arquivo pessoal (2019).

Tratamento: foi realizado limpeza da vagina com água gelada e solução fisiológica, por toda a extensão do órgão, ficando limpo e diminuindo de tamanho, facilitando sua reintrodução para a cavidade.

A reintrodução foi realizada a partir de compressão de forma lenta, no sentido caudo cranial com o auxílio de compressas úmidas, até ser completamente reintroduzido. Após a reintrodução foi organizado o órgão,

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deixando na posição correta, não deixando porções invaginadas, podendo levar a recidivas.

Com o órgão na posição correta, foi realizada a sutura de Buhner, uma sutura eficiente de reter o prolapso uterino e vaginal, no qual é realizada com o apoio de uma agulha Guerlach e fio de algodão ou nylon para amarrar. Pós reintrodução do órgão e fixação, se iniciou a fluidoterapia (Ringer com Lactato), 5 litros, associado com Cálcio reforçado injetável (Gluconato de Cálcio)10, sendo diluído 200 ml, administrado de forma lenta, via intravenosa, associado com Cortflan11 (Dexametasona), na dose de 10 mg/Kg, via IM e antibioticoterapia com Enrogard 10% (Enrofloxacina)12, na dose de 5 mg/kg, via IM, por 6 dias seguidos.

5.3.2.2 Conclusão

Para se ter sucesso em casos de prolapso de útero e vagina, depende do tempo decorrido, e do grau de lesão e contaminação do órgão e alterações metabólicas como hipocalcemia. No qual o animal tratado, pós correção e tratamento para hipocalcemia, antibioticoterapia e antiinflamatórios, obteve melhoras, não tendo recidivas.

10 Gluconato de Cálcio®. 11 Cortflan®. 12 Enrofloxacina®.

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6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A realização do estágio é de extrema importância para o enriquecimento prático, teórico e social. Conhecendo novos métodos, novas pessoas, lugares, realidades diferentes, estando apto para solucionar os mais diversos casos clínicos.

O estágio a campo, permite ao estudante e futuro Médico Veterinário estar frente a varias realidades, em certas condições limitados de tecnologias, tendo assim que solucionar a problemas.

A importância da realização de um bom estágio final, permite ao estudante adquirir o máximo de conhecimento possível, estando pronto para o mercado de trabalho.

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REFERÊNCIAS

BLOWEY, Roger W.. Claudicação. In: BLOWEY, Roger W.. Medicina Bovina: Doenças e Criação de bovinos. 2. ed. São Paulo: Roca, 2008. CORBELLINI, C. N. Etiopatogenia e controle da hipocalcemia e

hipomagnesemia em vacas leiteiras. (Eds.) Anais do Seminário Internacional sobre deficiências Minerais em Ruminantes. Porto Alegre: UFRGS Editora, 1998. EDDY, Roger G. et al. Principais Doenças Metabólicas. In: BLOWEY, Roger W. et al. Medicina Bovina: Doenças e Criação de Bovinos. 2. ed. São Paulo: Roca, 2008.

JACQUES, F. E. S. Hipocalcemia puerperal em vacas de leite. 2011. 22f. Monografia (Trabalho de Conclusão de Curso) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2011.

KRAUS, K.H.; Hérnias. In: BORJRAB, M.J. (Ed.) Técnicas atuais em cirurgia de pequenos animais. 3. ed., São Paulo: Roca, 1996.

MAPA MINISTÉRIO DA AGRICULTURA PECUÁRIA E ABASTECIMENTO- MAPA. Projeções do agronegócio 2009/10 a 2019/20,. 2017.

NASCIMENTO, Luciane Desordi do.Relatório de Estágio Curricular

Supervisionado em Medicina Veterinária:Hipocalcemia Puerperal associada a hipomagnesemia em uma Vaca da Raça Holandesa Pós-Parto. 2016. 36 f. TCC (Graduação) -Curso de Medicina Veterinária, Departamento de Estudos Agrários, Universidade Regional do Noroeste do Estado do RioGrande do Sul, Ijuí, 2016. RIET-CORREA, Franklin. Outras doenças: Hipocalcemia. In: RIET-CORREA, Franklin et al.Doenças de Ruminantes e Equinos:Volume 2. 2. ed. São Paulo: Livraria Varela, 2001. Cap. 7. p. 523-525.

SAUER, Jones; GONZÁLEZ, Félix. Hipocalcemia da vaca leiteira. Porto Alegre: UFRGS Editora, 2011.

SHELDON, I. Martin. Período Pós-parto. In: BLOWEY, Roger W.. Medicina

Bovina: Doenças e Criação de bovinos. 2. ed. São Paulo: Roca, 2008.

SILVA, L.A.F.; FIORAVANTI, M.; FILHO, F.; EURIDES, D.; Sanidade dos bezerros leiteiros. In: (Eds.) Da concepção ao desmame. 1 ed. Goiânia: Talento Gráfica e Editora. 2001.

SILVEIRA, José A.s.. Estudo epidemiológico e clínico de afecções podais em bovinos de corte manejados extensivamente no sudeste do Pará. 2018. 7 f. Tese (Doutorado) - Curso de Medicina Veterinária, Universidade Federal do Pará, Pará, 2017.

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SIMÕES, João. PROLAPSOS UTERINOS EM RUMINANTES. 2014. 9 f.- Curso de Medicina Veterinária, Universidade de Trás-os-montes e Alto Douro, Vila Real, 2014.

RIET-CORREA, Franklin. Outras doenças: Hipocalcemia. In: RIET-CORREA, Franklin et al.Doenças de Ruminantes e Equinos:Volume 2. 2. ed. São Paulo: Livraria Varela, 2001. Cap. 7. p. 523-525.

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