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INTRODUÇÃO

No documento VIVIANE SIMAS DA SILVA (páginas 11-15)

Manaus, capital do Estado do Amazonas, faz parte do país do país rico em biodiversidade, cuja relevância é reconhecida em nível mundial, sobretudo, quando o tema é recursos hídricos. Tema este que desperta interesse global, especialmente num século, como o hodierno, tão marcado pela necessidade imperiosa da preservação do meio ambiente, principalmente, na reparação/preservação da água, recurso natural finito, limitado e em alguns lugares do mundo, escasso.

Á água, elemento essencial à vida no planeta e em quase todos os processos produtivos do indivíduo, sempre foi vista pelo homem como fonte inesgotável da natureza. Tem seu amparo e proteção na Constituição Federal, no art. 225 que determina que “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para às presentes e futuras gerações”.

Com o passar do tempo e a degradação ambiental, passou-se a observar a vulnerabilidade dos recursos hídricos existentes no planeta. Surge então a preocupação com o controle da água para consumo humano, da manutenção e da preservação do meio ambiente como um todo, para as próximas gerações.

Borsoi e Torres (1998) afirmam ter um aspecto alarmador a demanda do consumo de água que depende dos padrões e costumes da comunidade, da renda e da localização (se urbana ou rural). Estudos da Organização Mundial de Saúde mostram que a população rural em países desenvolvidos consome de 35 a 90 litros de água habitante/dia. Em contrapartida, em países subdesenvolvidos o consumo chega a ser mínimo, de até 5 litros habitante/dia. Já a demanda de água em zonas urbanas varia de 150 litros habitante/dia em áreas desprovidas de esgoto e até 1.500 litros por habitante/dia em zonas urbanas de edifícios e apartamentos.

Na indústria, uma fábrica de cerveja, por exemplo, utiliza em média 20m³ de água para produzir 1m³ de cerveja, sem contar com o utilizado para manutenção dos prédios. Outros dados alarmantes quanto à quantidade de água utilizada na produção de produtos são apresentados por Silva Filho em palestras apresentadas para o 8º Fórum Mundial da Água, onde para a produção de 1 kg de carne bovina são utilizados 16 mil litros de água.

O Estado Brasileiro preocupado com a preservação ambiental, especialmente da água, editou a Lei nº 9.433/1997, que instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos baseando-se nos seguintes princípios: a água é um bem de domínio público, recurso natural limitado, dotado de valor econômico e com vistas aos objetivos de assegurar à atual e às futuras gerações a necessária disponibilidade de água, em padrões de qualidade adequados aos respectivos usos.

Essas terras abrigam a maior parte da Amazônia, a qual se constitui como a maior reserva de água doce e potável existente no planeta. Manaus situa-se no coração da Amazônia, reduto de grande parte de sua rica biodiversidade, inclusive a hídrica. Para os historiadores é conhecida como a “Paris dos Trópicos”. Segundo PIB/IBGE de 2017, Manaus era a oitava1 cidade mais rica do Brasil devido à Zona Franca de Manaus, que concentra mais de 50% da arrecadação de impostos de toda a região Norte do país.

Não obstante sejam constantes os discursos acerca da preservação ambiental, a cidade de Manaus ainda convive com a cultura, já muito ultrapassada, da crença na perenidade dos recursos hídricos, de modo que, não é raro, ao andar pela cidade, deparar-se com atitudes de desperdício e uso indiscriminado da água.

Tal situação torna-se ainda mais preocupante quando se observa que é comum aos manauaras a captação de água proveniente de poços artesianos no ambiente doméstico.

Construídos, em sua maioria, sem nenhum controle e fiscalização, o que além de fomentar a sensação de inesgotabilidade de tal bem, agrava, sobremaneira, a salubridade e a preservação dos recursos hídricos locais.

Neste contexto, urge a necessidade de um estudo acurado sobre a questão da efetividade do cumprimento das leis de regência, sobretudo no que diz respeito à cobrança pelo consumo de água de poços artesianos, regulamentada a Política Estadual de Recursos Hídricos2, que apresenta a cobrança pelo consumo de recursos hídricos a fim de “reconhecer a água como bem econômico e dar ao usuário uma indicação de seu real valor3”.

O enfoque no consumo da água de poços artesianos detém-se à cidade de Manaus e parte do pressuposto de que, atualmente a capital amazonense não possui uma fiscalização rigorosa, e levantamento concreto da quantidade de poços perfurados no município, o que somado à espoliação urbana e distribuição discriminatória da água na cidade tem crescido de maneira vertiginosa.

1 Produto Interno Bruto dos Municípios. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Consultado em 5 de março de 2020

2 Lei nº 3.167, de 28 de agosto de 2007.

3 Art. 24 da Lei nº 3.167, de 28 de agosto de 2007.

Sabe-se, de forma empírica, que o número de poços, cisternas ou bicas clandestinas, perfurados sem o cuidado necessário à preservação dos aquíferos subterrâneos, tem crescido exponencialmente, em razão das invasões espalhadas por toda a cidade e pelo precário serviço prestado pela concessionária no abastecimento de água, de modo que os órgãos de controle não conseguem acompanhar as informações na mesma velocidade, colocando em risco toda rede subterrânea de água que pode sofrer contaminação dos lençóis freáticos.

Desta feita, é mister uma análise das águas subterrâneas e suas peculiaridades, bem como a apresentação das normas regulamentadoras, incluindo leis e princípios que servem de arcabouço a cobrança pelo consumo de águas, para fins de definição da natureza jurídica da referida cobrança. Por fim, uma análise do futuro desta cobrança e sua implicação na preservação dos recursos hídricos para a garantia de um meio ambiente sustentável.

Em relação à cobrança pelo consumo da água temos incorporada na mente da população, pelo princípio do Usuário-Pagador, que se deve pagar para utilizar a água (no caso específico), e consequentemente a aceitação do princípio do poluidor-pagador, que visa evitar a ocorrência de dano ambiental de forma preventiva, o que não implica em “pagar para poluir”,

“poluir mediante pagamento”, no entanto, se ocorrido o dano, atua repressivamente na reparação do mesmo (POMPEU, 2006).

Cobrar pelo consumo da água, segundo Rodrigues (2005) é um mecanismo simplesmente, educador, utilizado entre tantos para preservar a água, bem econômico e coibir desperdícios, tendo a educação ambiental como instrumento de preservação, ideia corroborada por Eid Badr que leciona o entendimento de que a educação ambiental, seja ela formal ou não, ganha importância por “promover no educando a conscientização crítica da importância do meio ambiente para a vida no planeta e da utilização dos recursos naturais com responsabilidade” (2017, p. 150).

É interessante observar que, em regra, o único requisito para a cobrança pela água seria o simples consumo; no entanto, a Lei nº. 9.433/1997, no artigo 12, §1º, faz questão de eximir da outorga pelo poder público, e consequentemente, do pagamento os usos para satisfação de necessidades básicas.

Enredando esta linha de ideias, tem o presente trabalho o intento de contribuir para a comunidade acadêmica e a sociedade em geral, visando apresentar a estratégia da cobrança pelo uso da água como meio de preservação dos recursos hídricos para garantia de um meio ambiente sustentável, protegendo o meio ambiente de geração que valoriza o desperdício.

Uma sociedade que permite que água limpa jorre por vazamentos nas vias públicas, onde lavam os carros com as mangueiras de pressão ligadas continuamente, e calçadas são

varridas não com vassouras, mas com jatos de água em nome da qualidade de vida e do benefício social necessita de uma gestão eficaz e eficiente de seus recursos hídricos disponíveis, através da utilização de tecnologia de ponta, recursos humanos qualificados e um amparo legal que sirva de meio inibidor e coercitivo (o pagamento pelo uso da água) aos desperdícios encontrados.

2. ÁGUAS SUBETERRÊNEAS: DAS ÁGUAS PROVENIENTES DOS POÇOS

No documento VIVIANE SIMAS DA SILVA (páginas 11-15)