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Introduction to Design - Asimow (1962)

No documento PIONEIROS DOS MÉTODOS DE PROJETO (1962-1973): (páginas 102-108)

4. REDES DOS PREDECESSORES

5.2 Introduction to Design - Asimow (1962)

O livro Introduction to Design: Fundamentals of Engineering Design de Morris Asimow, foi juntamente com a publicação de Arthur Hall, uma das primeiras publicações sobre métodos de projeto com esse viés ligado a pesquisa e sistematização. Foi lançado em 1962, como o primeiro livro de uma coleção voltada ao projeto, dirigida por James B. Reswick do Instituto de Tecnologia de Case120, sobre o título de The Fundamentals of Engineering Design, tendo entre os outros títulos da coleção: Reliability in Engineering Design - Reethof & Queen, Design with Computers - Curry, Communication in Engineering Design - Rosenstein;

Rathbone & Schneerer e Creativity in Engineering Design - Alger & Hays (BROADBENT, 1976).

5.2.1 Método geral de projeto (ou método de projeto)

Logo no início de seu trabalho, Asimow trata de apresentar uma filosofia do projeto de engenharia, que balizaria o seu método. Esta estaria compreendida em três partes principais: um conjunto de princípios consistentes e suas derivações lógicas; uma disciplina operacional que resulta em ação e, um instrumento de críticas, avaliador das vantagens e indicador de direções para melhorias. “A morfologia do projeto” é o título dado por Asimow ao seu método de projeto. Segundo ele esse processo é definido por sete fases principais de um modelo geral (figura 39), onde normalmente uma fase não começa antes que a anterior tenha sido completa (ASIMOW, 1968).

120 Em 1948, a Case School of Applied Science, foi renomeada para Case Institute of Technology. Em 1967, a escola se fundiu com sua vizinha, a Western Reserve University, para formar Case Western Reserve University.

Case Institute of Technology foi a primeira Escola de Engenharia a oferecer um programa em engenharia da computação, em 1963. Fonte: Ohio History Central <http://www.ohiohistorycentral.org/entry.php?rec=2482>

Figura 39: As fases de um projeto completo, Asimow (1968121). Fonte: Adaptado pelo autor.

O autor entende esta morfologia do projeto como a estrutura vertical de um projeto de engenharia relacionado à sua cronologia. Esta é definida por seus passos e suas interligações, realizados em cada fase do processo de projeto (ASIMOW, 1968;

BROADBENT, 1976). Asimow apresenta os passos realizados dentro das três primeiras fases do projeto como um fluxograma, que era um modo de relatar processos industriais e se popularizou naquela época como um modo de descrever algoritmos de computador. De qualquer forma, são produzidos a partir de ‘inputs’ e ‘outputs’ e tomadas de decisão, como um fluxo de informação, onde o seu esqueleto é o processo, ou os passos.

121 Primeira edição em português. Primeira edição em inglês, 1962.

Figura 40: Fase I da morfologia do projeto, Asimow (1968). Fonte: Adaptado pelo autor.

Dentro de alguns processos (passos), são sugeridos métodos específicos, como é possível notar no exemplo da fase de Estudo de Exequibilidade, para o auxílio na análise e na tomada de decisão (figura 40). Assim como na fase seguinte (Projeto Preliminar) onde são sugeridos métodos matemáticos, para a construção de arquétipos e para a otimização (figura 41).

Figura 41: Fase II e III da morfologia do projeto, Asimow (1968). Fonte: Adaptado pelo autor.

Embora não apresente de forma detalhada como as fases preliminares o autor também informa os passos existentes nas fases posteriores relacionadas com o ciclo produção- consumo. Por fugirem do foco deste trabalho, não serão apresentados detalhes destas.

Broadbent (1976) ao caracterizar o método de Asimow colocou:

Seu método procede, claramente, da Engenharia de Sistemas. Como Hall, Asimow descreve duas escalas de operação, uma das quais constitui um laço (loop) dentro da outra; A maior, a estratégia, ele chama de morfologia de projeto122 (BROADBENT, 1976, p.247).

Para Morris Asimow, cada passo presente nas fases seria composto pelo que ele chamou de “processo de um projeto” (figura 42), que seria, analogamente, a verticalidade da morfologia do projeto, a estrutura horizontal. Essa seria uma sequencia típica de resolução de problemas dividida em seis etapas: (i) Análise da situação problema; (ii) Síntese das soluções; (iii) Avaliação e Decisão; (iv) Otimização; (v) Revisão; (vi) Execução.

122Tradução nossa.

Figura 42: Processo de um projeto. Fonte: Adaptado pelo autor.

O próprio autor admite a semelhança com o processo geral de resolução de problemas (análise, síntese, avaliação/ decisão), e que dependendo da natureza do problema esse processo necessitaria de um ou mais atos completos de pensamento (ASIMOW, 1968;

BROADBENT, 1976).

5.2.2 Teorias (ou métodos específicos)

Como já apresentado, Asimow trata de alguns métodos específicos, para o auxílio de alguns passos dentro do projeto. Contudo, o autor sugere que estes mesmos métodos pela sua natureza generalista também poderiam ser usados no “processo de um projeto”, auxiliando na decisão e na otimização e, sendo assim, estariam presentes em todas as fases do projeto de engenharia. Os métodos tratados pelo autor se dividem em quatro categorias:

Métodos de Análise – Análise de necessidade, onde é sugerida a colaboração de pesquisas de mercado, além da colaboração de outros profissionais como projetistas industriais ou especialistas em fatores humanos (Ergonomia). Análise de atividades123, método de análise retirado da Ergonomia e com suas origens na Teoria da atividade124, sendo uma forma sistemática de descrever as interações humanas com um sistema.

Métodos de auxílio à Decisão – Matrizes de seleção (figura 43) e inferências estatísticas e bayesianas, por exemplo, para medir o grau de confiança. Vindos da Teoria da Confiabilidade125 e da Teoria da Decisão sobre influência da Estatística, esses métodos eram utilizados pela Engenharia de Sistemas como pode ser observado no livro System Engineering Handbook de Machol (ed.) (1965). De acordo com Machol (1965), a Teoria estatística da decisão na Teoria de Sistemas é essencialmente uma generalização e unificação da clássica Teoria estatística. Asimow também faz referencia a Edwin T. Jaynes, um dos fomentadores da interpretação da Teoria da probabilidade como uma extensão da lógica.

123 Task Analysis.

124 Activity theory.

125 Reliability theory.

Figura 43: Conjunto de avaliação na forma de uma matriz. Fonte: ASIMOW, 1968.

Por fim, o autor trata de arquétipos matemáticos e de métodos para otimização. Dentre estes a Programação Linear comumente associada à Pesquisa Operacional. E métodos para problemas não lineares, como o método do declive máximo, de aproximação, ou dos multiplicadores langrangianos, que permite encontrar extremos (máximos e mínimos) de uma variável suscetível a restrições, entre outros provenientes das análises numéricas.

Embora Asimow não explicite suas influências é possivel, em certa medida, verificar áreas e disciplinas às quais ele faz menção. Dentre essas áreas a Pesquisa Operacional e a Engenharia de Sistemas desempenham um papel principal, como é possível notar devida a semelhança nos procedimentos. Broadbent (1976) também identifica que a descrição do processo de projeto é feita quase inteiramente com termos da Teoria da informação.

Conforme Asimow, “Como temos visto, um projeto é, essencialmente, uma atividade de processamento de informações. Num projeto de grande tamanho, a quantidade de informações a ser processada é imensa.” (ASIMOW, 1968, p.112) O autor coloca que esse processo consistiria na reunião, no manuseio e na organização criadora de informação relevante para a situação problematizada. Ainda segundo o autor:

Esse processo prescreve a derivação de decisões, que são otimizadas, comunicadas e testadas; tendo um caráter iterativo, pois, frequentemente, na ação, surgem novas informações ou ganha-se nova compreensão, as quais exigem a repetição das operações anteriores (ASIMOW, 1968 p. 64- 65).

Não por acaso, os conceitos relacionados com a informação que é comunicada estejam presentes em 26 das 64 palavras da descrição de Asimow (BROADBENT, 1976).

A rede de áreas presentes nas citações de Asimow (1968) está na figura 44, abaixo.

Figura 44: Redes das áreas relacionadas às referências bibliográficas do autor, Asimow (1968).

No documento PIONEIROS DOS MÉTODOS DE PROJETO (1962-1973): (páginas 102-108)