3. O ESTATUTO DA CIDADE – LEI 10.257/2001 E O PLANO DIRETOR
3.3 Principais instrumentos
3.3.7 IPTU progressivo no tempo
O Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) progressivo, como instrumento tributário e financeiro da Política Urbana, está previsto no art. 4.º, IV, a, e no art. 7.º do Estatuto da Cidade.
Sobre o IPTU, bem ensina o pesquisador Carlos Henrique Dantas da Silva, conforme segue:
“O imposto, de competência dos Municípios, sobre a propriedade predial e territorial urbana tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de bem imóvel por natureza ou por acessão física, como definido na lei civil, localizado na zona urbana do Município (art. 32).
Para os efeitos desse imposto, entende-se como zona urbana a definida em lei municipal, observado o requisito mínimo da existência de melhoramento indicados em pelo menos dois dos incisos seguintes, construídos ou mantidos pelo Poder Público: I - meio-fio ou calçamento, com canalização de águas pluviais; II - abastecimento de água; III - sistema de esgotos sanitários; IV - rede de iluminação pública, com ou sem posteamento para distribuição domiciliar; V - escola primária ou posto de saúde a uma distância máxima de três quilômetros do imóvel considerado (§ 1º).
A base do cálculo do imposto é o valor venal do imóvel. Na determinação da base de cálculo, não se considera o valor dos bens móveis mantidos, em caráter permanente ou temporário, no imóvel, para efeito de sua utilização, exploração, aformoseamento ou comodidade (art. 33).
Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular do seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título (art. 34)”. (SILVA, 2008, p. 58).
Para Alexandre Sturion de Paula (2007, p. 80), trata-se de um imposto progressivo no tempo sobre os imóveis urbanos, mediante majoração da alíquota pelo prazo de cinco anos consecutivos quando do descumprimento das condições ou de prazos estabelecidos para parcelamento, edificação ou utilização compulsória do solo urbano não edificado, previstos no art. 5.º da Lei.
Como instrumento de política ambiental urbana para cumprimento da função social da propriedade, o tributo ambiental deixa de ser apenas instrumento jurídico para abastecer os “cofres públicos” para assumir caráter importante ao viabilizar a função social da cidade e da propriedade urbana.
Deste modo, quando descumpridas as condições ou prazos definidos no art. 5.º para parcelamento, edificação ou utilização compulsórios, incidirá o tributo ambiental a ser cobrado de forma progressiva, salientando que esta progressividade vai até o limite de 15% para que não haja caráter confiscatório.
Depois de decorridos cinco anos da cobrança do IPTU progressivo, o proprietário tenha cumprido a obrigação do art. 5.º, o município poderá proceder a desapropriação, que é um dos instrumentos utilizados no intuito da concretização da função social da propriedade urbana.
Neste sentido, lei municipal específica pode determinar que o proprietário edifique em local distinto daquele em que se situa seu imóvel ou alienar sua propriedade quando a mesma for considerada necessária para finalidades urbanísticas determinadas no artigo 35 do Estatuto da Cidade.
Denota-se que a cobrança do IPTU progressivo no tempo tem caráter extrafiscal. Por esta afirmação entenda-se que o referido instituto não tem a finalidade exclusiva de arrecadação em benefício da municipalidade. O aumento da
alíquota do imposto visa a justamente compelir o dono do imóvel a dar uma finalidade social para o mesmo.
Primeiramente, o proprietário deve ser notificado pelo Poder Público Municipal para o cumprimento da obrigação. Essa notificação representa, também, uma garantia ao proprietário, a fim de que ele não seja surpreendido por medidas coercitivas de aumento do IPTU e de desapropriação.
Depois de realizada a notificação, pode a obrigação ser averbada junto ao cartório de registro de imóveis, uma vez que o prazo para seu cumprimento somente inicia-se a partir deste momento.
O artigo 7° do estatuto da Cidade cuida do IPTU progressivo no tempo, e deixa claro que a aplicação desse modalidade de tributação progressiva está condicionada ao não cumprimento das condições e dos prazos previstos na forma do caput do artigo 5°, ou das etapas previstas no § 5° desse mesmo artigo, o Município, então, procederá à aplicação do IPTU progressivo no tempo, com a majoração da alíquota por cinco anos.
O valor da alíquota a ser aplicado a cada ano será fixado na lei especifica a que se refere o caput do artigo 5° e não será maior do que o dobro do valor referente ao ano anterior, respeitada a alíquota máxima de quinze por cento.
Caso a obrigação não esteja atendida em cinco anos, o Município manterá a cobrança pela alíquota máxima, 15%, até que se cumpra a referida obrigação, garantida a prerrogativa prevista no artigo 8° (desapropriação do imóvel)
Anote-se, outrossim, que o § 3° do artigo 7° veda a concessão de isenções ou de anistia relativas à tributação progressiva dos imóveis submetidos à obrigação de parcelar ou edificar.
A progressividade das alíquotas do IPTU como sanção pelo não- atendimento da função social da propriedade não guarda relação com o valor do imóvel.
Assim, conforme resume o autor Carlos Henrique Dantas da Silva, de forma bem clara:
“O IPTU é um imposto instituído pela União e pode ser coletado e fiscalizado pelo município. Tem origem legal no art. 156 da CF/88, podendo ser progressivo no tempo em razão do valor do imóvel e ter alíquotas diferentes, de acordo com a localização e o uso do imóvel, como estabelecem os arts. 156, § 1°, I e II, e 182, § 4°, II.
Tem como objetivo estabelecer uma conduta que proporcione ao mesmo tempo o bem-estar do proprietário e da sociedade e/ou alguma forma de aproveitamento que acabe por gerar trabalho e renda”. (SILVA, 2008, p.
90).
3.3.8 Desapropriação pelo descumprimento da função social da propriedade