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JAMES FADIMAN & ROBERT FRAGER

No documento Personalidade e Crescimento Pessoal Cap.1e2 (páginas 34-37)

SIGMUND FREUD E A PSICANÁLISE

ANTECEDENTES INTELECTUAIS

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cemos. O id não muda pela experiência, por- que não está em conta- to com o mundo exter- no. Seus objetivos sãc simples e diretos: redu- zir a tensão, aumentai o prazer e minimizar c desconforto. O id se es- força p a r a fazer issc através de ações reflexas (reações automáticas como espirrar ou piscar) e pela utilização de outras porções da mente.

O id pode ser comparado a um rei cegc que tem poder e autoridade absolutos, mas cujos conselheiros de confiança, principalmen- te o ego, lhe dizem como e onde utilizar estes poderes.

Os conteúdos do id são quase totalmente inconscientes. Eles incluem pensamentos pri- mitivos que jamais foram conscientes e pensa- mentos que foram negados, considerados ina- ceitáveis à consciência. Segundo Freud, expe- riências que foram negadas ou reprimidas ain- da possuem a capacidade de afetar o compor tamento da pessoa com a mesma intensidade sem estarem sujeitas ao controle consciente.

No id não há nada que corresponda à idéia de tempo, nenhum reconheci- mento da passagem do tempo, e (algo extraordiná-

rio que aguarda a devida atenção na reflexão filosó- fica) nenhuma alteração dos processos mentais pela passagem do tempo [...]. Naturalmente o id des- conhece valores, bem e mal ou moralidade. (Freud, 1933, p. 74)

O ego

O ego é a parte da psique que está em contato com a realidade externa. Ele se desen- volve a partir do id, à medida que o bebê toma

ciência de sua própria identidade, para aten- der e aplacar as constantes demandas do id. Para realizar isso, como a casca de uma árvo- re, o ego protege o id, mas também obtém ener- gia dele. Ele tem a tarefa de garantir a saúde, segurança e sanidade da personalidade. Freud pressupunha que o ego tem diversas funções em relação tanto ao mundo exterior quanto ao mundo interior, cujos anseios ele procura sa- tisfazer.

Suas principais ca- racterísticas incluem o controle do movimento voluntário e as ativida- des que resultam em au- topreservação. Ele se torna ciente dos eventos externos, relaciona-

Poderíamos dizer que o ego representa a razão e o bom senso, ao passo que o id representa as paixões indômltas. (Freud, 1933)

os aos eventos do passado e, mediante ativida- de, evita a condição, adapta-se a ela ou modi- fica o mundo externo para torná-lo mais segu- ro ou mais confortável. Para lidar com "even- tos internos", ele tenta manter controle sobre "as demandas das pulsões, decidindo se elas podem obter satisfação, adiando esta satisfa- ção para os momentos e circunstâncias favo- ráveis no mundo externo ou suprimindo suas excitações por completo" (1940, p. 2-3). As ati- vidades do ego consistem em regular o nível de tensão produzida pelos estímulos internos e externos. Um aumento de tensão é sentido como desconforto, ao passo que uma diminui- ção de tensão é sentida como prazer. Portanto, o ego busca o prazer e procura evitar ou minimizar a dor.

Assim, o ego é originalmente criado pelo id como tentativa de lidar com o estresse. En- tretanto, para fazer isso, o ego deve, por sua vez, controlar ou modular as pulsões do id, para que a pessoa possa perseguir modos realistas de lidar com a vida.

O ato de namorar serve como exemplo de como o ego controla as pulsões sexuais. O id sente a tensão oriunda da excitação sexual insatisfeita e, sem a influência do ego, reduzi- ria esta tensão através de atividade sexual ime- diata e direta. Dentro dos limites de um namo- ro, contudo, o ego pode determinar quanta ex- pressão sexual é possível e como estabelecer situações em que o contato sexual seja mais satisfatório. O id é sensível às necessidades, ao passo que o ego é sensível às oportunidades.

O superego

Esta última parte da estrutura da perso- nalidade se desenvolve a partir do ego. O superego serve como juiz ou censor sobre as atividades e pensamentos do ego. Ele é o repo- sitório de códigos morais, de padrões de condu- ta e dos construtos que

formam as inibições pa- ra a personalidade. Freud descreve três funções do superego: consciência, auto-observação e for- mação de ideais. Como consciência, o superego atua para restringir, proi-

[O superego] é como um de- partamento de polícia secre- to, detectando Infalivelmente eventuais tendências de pul- sões proibidas, especial- mente do tipo agressivo, e punindo o indivíduo Ine- xoravelmente se elas estive- rem presentes. (Horney, 1939, p. 211)

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bir ou julgar a atividade consciente, mas ele

também age inconscientemente. As restrições inconscientes são indiretas, aparecendo como compulsões ou proibições. "O sofredor [...] se comporta como se estivesse dominado por um senso do qual nada sabe" (1907, p. 123).

O superego desenvolve, aperfeiçoa e man- tém o código moral de um indivíduo. "O superego de uma criança, na verdade, se cons- trói sobre o modelo, não de seus pais, mas do superego de seus pais; os conteúdos que o pre- enchem são os mesmos, e isso torna-se o veí- culo da tradição [...], as quais se propagaram dessa forma de geração para geração" (1933, p. 39). Portanto, a criança aprende não ape- nas os reais limites em qualquer situação, mas também as visões morais dos pais.

Relação entre os três subsistemas

O objetivo primordial da psique é man- ter - e quando necessário, recuperar - um nível aceitável de equilíbrio dinâmico que ma- ximize o prazer da redução de tensão. A ener- gia que é utilizada se origina no id impulsivo primitivo. O ego existe para lidar realistica- mente com as pulsões básicas do id. Ele tam- bém intermedeia as demandas do id, as res- trições do superego e a realidade externa. O superego, oriundo do ego, atua como um freio moral ou força contrária às preocupações prá- ticas do ego. Ele define diretrizes que defi- nem e limitam a flexibilidade do ego.

O id é inteiramente inconsciente, ao pas- so que o ego e o superego o são somente de forma parcial. "Sem dúvida, grandes porções do ego e do superego podem permanecer in- conscientes, sendo, na verdade, normalmente inconscientes. Isso significa dizer que a pessoa não sabe nada de seus conteúdos, e que é ne- cessário despender esforço para torná-la cons- ciente deles" (Freud, 1933, p. 69).

A psicanálise, método terapêutico desen- volvido por Freud, tem por objetivo principal fortalecer o ego, torná-lo independente das pre- ocupações excessivamente severas do supere- go, e aumentar sua capacidade de conhecer e controlar material anteriormente reprimido ou oculto no id.

FASES PSICOSSEXUAIS DE DESENVOLVIMENTO

Quando um bebê torna-se uma criança, uma criança um adolescente, e um adolescente um adulto, ocorrem mudanças claras no que se deseja e em como os desejos são satisfeitos. As mudanças nos modos de

satisfação e nas áreas fí- sicas de gratificação são elementos básicos da des- crição de Freud das eta- pas de desenvolvimento. Freud utiliza o termo fi-

xação para descrever o que ocorre quando uma pessoa não progride normalmente de um está- gio para outro e permanece excessivamente en- volvida com um determinado estágio. Uma pes- soa fixada em um determinado estágio terá a tendência de buscar satisfação de modos mais simples ou mais infantis.

A psicanálise é a primeira psicologia a entender se- riamente o corpo humano i n t e i r o c o m o um lugar para viver [...]. A psicaná- lise é profundamente bio- lógica. (Le Barre, 1968)

A fase oral

A fase oral começa no nascimento, quan- do tanto as necessidades quanto a satisfação envolvem principalmente os lábios, a língua e, um pouco mais tarde, os dentes. A pulsão bá- sica do bebê não é social ou interpessoal; é sim- plesmente receber alimento e aliviar as tensões de fome, sede e fadiga. Durante a alimentação e quando vai dormir, a criança é acalmada, acariciada e embalada. A criança associa tanto o prazer quanto a redução da tensão a estes eventos.

A boca é a primeira área do corpo que o bebê aprende a controlar; a maior parte da energia libidinal disponível inicialmente se di- rige ou se concentra nesta área. A medida que a criança amadurece, outras partes do corpo se desenvolvem e tornam-se zonas importan- tes de satisfação. Entretanto, parte da energia permanece afixada ou catexiada aos modos de gratificação oral. Os adultos possuem hábitos orais bem desenvolvidos e um interesse crôni- co pela manutenção de prazeres orais. Comer, sugar, mascar, fumar, morder e lamber ou es- talar os lábios são expressões físicas desses in- teresses. As pessoas que estão sempre mordis- cando alimentos, ou que comem excessivamen-

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te, e os fumantes podem estar parcialmente fi- xadas na fase oral.

A fase oral tardia, após o aparecimento dos dentes, inclui a satisfação de instintos agressivos. Morder o seio, o que provoca dor na mãe e resulta na retirada do seio, é um exemplo desse tipo de comportamento. O sar- casmo adulto, bater na comida e fofocar fo- ram descritos como relacionados a esta etapa de desenvolvimento.

É normal manter algum interesse nos pra- zeres orais. A gratificação oral pode ser consi- derada patológica somente quando é um modo dominante de satisfação, ou seja, se uma pes- soa é excessivamente dependente de hábitos orais para aliviar a ansiedade ou tensão não relacionada à fome ou sede.

A fase anal

À medida que a criança cresce, novas áreas de tensão e satisfação chegam à consciência. Entre as idades de 2 e 4 anos, as crianças ge- ralmente aprendem a controlar o esfíncter anal e a bexiga. A criança presta especial atenção à urinação e à defecação. O treinamento higiê- nico estimula um interesse natural pela auto- descoberta. O aumento do controle fisiológico é acompanhado da percepção de que este con- trole é uma nova fonte de prazer. Além disso, as crianças rapidamente aprendem que o nível crescente de controle gera atenção e elogio dos pais. O inverso também ocorre: o interesse dos pais pelo treinamento higiênico permite à cri- ança demandar atenção tanto pelo controle bem-sucedido quanto por erros.

As características adultas associadas à fi- xação parcial na fase anal são a excessiva dis- ciplina, parcimônia e obstinação. Freud obser- vou que estes três traços geralmente são vistos juntos. Ele fala do "caráter anal", cujo com-

portamento pode estar ligado a difíceis expe- riências sofridas durante este período na in- fância.

Parte da confusão que pode acompanhar a fase anal se deve à aparente contradição en- tre o elogio e o reconhecimento generosos, por um lado, e a idéia de que a higiene íntima é "suja" e deve ser mantida em segredo, por ou-

tro. A criança inicialmente não entende que seus movimentos intestinais e sua urina não são valorizados. As crianças pequenas adoram ver as fezes desaparecendo pelo vaso sanitário quando se puxa a descarga, muitas vezes ace- nando ou dizendo adeus às suas evacuações. E comum que uma criança ofereça parte da eva- cuação aos pais como presente. Diante do elo- gio por tê-las produzido, a criança pode ficar surpresa e confusa se os pais reagem com nojo. Nenhum outro aspecto da vida contemporâ- nea é tão sobrecarregado de proibições e ta- bus quanto a higiene íntima e os comporta- mentos típicos da fase anal.

Afasefálica

A partir dos 3 anos, a criança entra na fase fálica, que se concentra nos genitais. Freud sustentava que esta fase é mais bem descrita como fálica porque é o período em que a crian- ça adquire consciência de ter ou não um pê- nis. Esta é a primeira fase em que as crianças tornam-se conscientes das diferenças sexuais. Freud tentou entender as tensões que a criança sente durante a excitação sexual - ou seja, prazer com a estimulação das zonas genitais. Na mente da criança, esta excitação está relacionada com a proximidade física dos pais. O desejo por este contato torna-se cada vez mais difícil de satisfazer; a criança luta para conquistar a intimidade que os pais têm entre si. Essa etapa se caracteriza pelo desejo da criança de ir para cama com os pais e pelo ciú- mes da atenção que os pais dão um ao outro. Freud concluiu de suas observações que, du- rante este período, tanto os homens quanto as mulheres desenvolvem temores em torno de questões sexuais.

As reações das crianças aos pais durante a fase fálica foram interpretadas por Freud como possíveis ameaças à satisfação de suas necessidades. Assim, para o menino que dese- ja estar perto da mãe, o pai assume alguns dos

atributos de um rival. Ao mesmo tempo, o menino deseja o amor e afeição do pai, pelo qual a mãe é vista como rival. A criança se en- contra na insustentável posição de desejar e de temer ambos os pais.

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REFLEXÃO PESSOAL

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