2.5 O PROCESSO ADMINISTRATIVO LATO SENSU
3.1.6 JARI’s
A legislação de trânsito brasileira estabeleceu no artigo 16 que cada órgão ou entidade executivos de trânsito ou rodoviário, ou seja, a Superintendência da Polícia Rodoviária Federal, DEINFRA-Departamento de Infra-Estrutura, ao DAER Departamentos de Estradas e Rodagens, aos DETRANs e aos Municípios integralizados ao Sistema Nacional de Trânsito, devem instituir e instalar a JARI - Junta Administrativa de Recursos de Infrações.
Será constituída por um colegiado que ficará responsável pela análise e julgamento dos recursos interpostos contra as penalidades aplicadas pelas autoridades de trânsito as quais ela estiver ligada. (MARTINS, 2006, p. 138).
A Resolução 147/03 do CONTRAN, de 19 de setembro de 2003, estabelece que para o funcionamento das JARIs deverá respeitar diretrizes para a elaboração do Regimento Interno das Juntas Administrativas de Recursos de Infrações. (MARTINS, 2006, p. 138).
3.1.6.1 Competência das JARI’s
A competência das JARI’s está regulamentada no artigo 17 do Código de Trânsito Brasileiro, a qual estabelece:
Art. 17. (...)
I – julgar os recursos interpostos pelos infratores;
II – solicitar aos órgãos e entidades executivos de trânsito e executivos rodoviários informações complementares relativas aos recursos, objetivando uma melhor análise da situação recorrida;
III- encaminhar aos órgãos e entidades executivos de trânsito e executivos rodoviários informações sobre problemas observados nas autuações e apontados em recursos, e que se repitam sistematicamente.
3.1.6.2 Recursos a JARÍ
As alegações ou argumentos que discutem o "mérito" da infração são de competência de análise da JARI - Junta Administrativa de Recursos de Infrações, e devem estar presentes no recurso contra a penalidade de multa, que só é possível após o recebimento da Notificação da Penalidade, etapa esta posterior a Defesa de Autuação. (MARTINS, 2006, p.142).
É no recurso contra a penalidade que pode ser discutido a questão referente ao mérito, como por exemplo o excesso de velocidade em razão de emergência, ou outros elementos que possam demonstrar o porquê da penalidade aplicada deve ser cancelada.
O julgamento dos recursos em primeira instância contra penalidades a infrações de trânsito é feito pela Junta Administrativa de Recursos de Infrações - JARI, que tem como uma de suas características a completa autonomia de convicção e de decisão, obedecendo os
princípios da administração pública, pois tem o dever de respeitar a legalidade expressa. (MARTINS, 2002, p.147).
Segundo o doutrinador Portão (2006, p.82), exemplifica a resolução 139/2002 da seguinte forma:
A JARI é composta por juntas onde os membros indicados por várias organizações da sociedade civil julgam os recursos interpostos, sendo que o julgamento de cada recurso é apreciado por no mínimo três membros, um deles atuando como relator que deve analisar as alegações do recorrente e formular seu parecer por escrito, parecer que pode ser acolhido ou rejeitado pelos outros dois membros, conforme resolução 139/2002 do CONTRAN.
Conforme Martins (2002, p.150) a notificação da penalidade de multa por infração de trânsito apresenta duas partes distintas:
1 - Notificação propriamente dita, onde são informados todos os dados relativos à infração cometida e à penalidade aplicada, em conformidade à legislação aplicável.
2 – Emissão de taxa usada para o pagamento do valor da multa na rede bancária.
O pagamento é sempre de responsabilidade do proprietário do veículo independente de quem tenha sido o condutor indicado. (MARTINS, 2002, p. 137).
O prazo para o infrator recorrer é de trinta dias da data do recebimento da penalidade, sendo que não há efeito suspensivo, porém caso não for julgado em trinta dias pela Junta, poderá ser concedido efeito suspensivo, conforme artigo 285 do CTB. (PORTÃO, 2004, p.92).
A notificação de penalidade é encaminhada para o endereço constante no cadastro do proprietário do veículo. Os proprietários de veículos devem manter atualizado seu endereço junto ao DETRAN, pois caso a notificação seja devolvida por desatualizarão de endereço, será considerada válida para todos os efeitos.(MARTINS, 2006, p. 135).
O artigo 280 §3º dá respaldo para que o agente lavre o auto de infração em trânsito. O proprietário receberá automaticamente no período máximo de 30 dias em sua residência a notificação, para que ela tome conhecimento e, se desejar, interpor o recurso no período de 30 dias.
Segundo considerações de RIZZARDO (2000, p.660), em não sendo possível a abordagem do infrator segue:
O agente de trânsito está amparado no artigo 280, § 3º qual diz que não sendo possível a autuação em flagrante, o agente de trânsito relatará o fato a autoridade no próprio auto de infração, informando os dados a respeito do veículo além de outras informações.
No julgamento de um recurso, será apreciado o pedido da parte, ou seja, apontando as falhas do preenchimento do auto de infração, ou ainda as razões para cometer a infração de trânsito, denominado mérito da infração.
A decisão da JARI poderá ser pelo provimento, que implica no cancelamento da infração e de suas penalidades, ou ainda pelo seu improvimento, o qual mantém-se a penalidade aplicada.
Segundo Portão (2004, p.92):
O recurso ao CETRAN somente poderá ser interposto recursos os quais pretendem o julgamento do mérito, não acatado pela JARÍ, e que para tal recurso a multa deverá ser paga antes do recurso e sua guia de pagamento ficara anexada ao processo, que segundo artigo 286 do CTB é imprescindível para a interposição do recurso junto ao CETRAN.
Da decisão da Junta que determinar o provimento do recurso cabe recurso pela autoridade que impôs a penalidade, no prazo de trinta dias do recebimento da decisão da Junta, conforme artigo 288 do CTB. (MARTINS, 2002, p.151).
O recurso a JARI deve obedecer o disposto no Código de Trânsito Brasileiro, bem como a legislação complementar em vigor.
3.1.6.3 Prazo para interpor recurso a JARI
O prazo estabelecido para a apresentação do recurso perante a autoridade de trânsito é de 30 dias a partir da efetivação da notificação da penalidade, conforme dita o artigo 282, §4º do CTB. (MARTINS, 2006, p.142).
Desta maneira, o artigo 282, §4º do CTB trás o prazo previsto para a interposição do recurso:
Art. 282. Aplicada a penalidade, será expedida notificação ao proprietário do veículo ou ao infrator, por remessa postal ou por qualquer outro meio tecnológico hábil, que assegure a ciência da imposição da penalidade.
[...]
§ 4º Da notificação deverá constar a data do término do prazo para apresentação de recurso pelo responsável pela infração, que não será inferior a trinta dias contados da data da notificação da penalidade.
Como não foi disciplinada na legislação de trânsito brasileira, qualquer forma de se notificar o resultado dos recursos à JARI, pode-se considerar que o meio postal AR seja utilizado para conhecimento das decisões das JARIS. (MARTINS, 2006, p. 152).
Quem verifica a tempestividade do recurso é a autoridade de trânsito. Ao verificar que o mesmo foi protocolizado fora do prazo, devera informar no despacho de encaminhamento do recurso, para que a JARI analise a questão. (artigo 285,§2º, in fine).
A autoridade não poderá deixar de receber o recurso mesmo que interposto depois de transcorrido o lapso temporal assentado no CTB.