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Junho 2018 FLEXÃO NORMAL SIMPLES

No documento 2018 - UFMG - Apostila - Concreto Armado I (páginas 45-124)

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2.1 - Introdução

Dentre os esforços solicitantes (entes mecânicos aferidos ao centro geométrico da seção transversal, obtidos pela integração conveniente das tensões nessa seção) o momento fletor M, é em condições normais, o esforço preponderante no dimensio- namento de peças estruturais como lajes e vigas.

Quando o momento fletor atua segundo um plano que contenha um dos eixos principais da seção transversal, a flexão é dita normal. Se esse momento atua isola- damente tem-se a flexão normal simples. Se simultaneamente atua uma força nor- mal N a flexão é dita normal composta. Quando atua apenas momento, com compo- nentes nos dois eixos principais de inércia da seção transversal, a flexão é dita oblí- qua simples e se acompanhada de força normal é dita oblíqua composta.

Normalmente o momento fletor atua em conjunto com a força cortante V, po- dendo, no entanto em situações ideais, ser o único esforço solicitante. Nesse caso tem-se a flexão pura, situação ilustrada na figura 2.2, no trecho entre as cargas si- métricas P, quando se despreza o peso próprio da viga.

Segundo o item 16.1 da NBR 6118:2014, o objetivo do dimensionamento, da verificação e do detalhamento é garantir segurança em relação aos estados limites último (ELU) e de serviço (ELS) da estrutura como um todo ou de cada uma de suas partes. Essa segurança exige que sejam respeitadas condições analíticas do tipo:

Sd (MSd

onde Sd é a solicitação externa de cálculo e Rd é a resistência interna de cálculo.

Como a solicitação estudada é o momento fletor, a equação 2.1 no seu segundo termo (entre parênteses) foi adaptada: momento externo solicitante de cálculo ( MSd)

menor ou igual ao momento interno resistente de cálculo (MRd), mostrados na figura

2.1.

Figura 2.1 – Esforços solicitantes externos e internos na seção transversal

Na figura 2.1, a seção transversal retangular de uma viga é mostrada a es- querda e parte da sua vista lateral é mostrada a direita. Na vista lateral a seção trans- versal é uma linha vertical, onde estão concentrados em seu centro geométrico (CG) os esforços externos solicitantes NSd e MSd. Como é flexão simples, a força normal

solicitante é igual à zero (NSd = 0). Por equilíbrio ( FHORIZ.= 0) as resultantes internas

de compressão no concreto Rcc e de tração no aço Rst são iguais. A resultante no

concreto é obtida pela integração das tensões normais de compressão do concreto (σc), atuantes na área com hachuras da seção transversal, definida pela profundidade

(x) da linha neutra (LN). A resultante no aço é obtida pelo produto da área de aço, As

(steel), pela tensão de tração no aço, σs.

Para garantir a segurança o momento externo solicitante de cálculo MSd tem de

ser menor ou igual ao momento interno resistente de cálculo MRd, que conforme a

figura 2.1 é dado pelo binário (duas forças iguais, paralelas e de sentidos opostos separadas por uma distância z, o braço de alavanca) interno resistente, MRd:

MSd ≤ MRd = Rcc z = Rstz (2.2)

Quanto ao comportamento resistente à flexão pura, sabe-se que sendo o con- creto um material bem menos resistente à tração do que à compressão, tão logo a barra seja submetida a um momento fletor capaz de produzir tensões de tração supe- riores àquelas que o concreto pode suportar, surgem fissuras de flexão, transversais ao eixo da barra, próximas ao centro da viga e fissuras inclinadas próximas aos apoios, conforme mostrado na figura 2.2. As primeiras são devidas à flexão, maior no centro, e as últimas devido ao cisalhamento, maior nos apoios.

Figura 2.2 – Fissuras de flexão

Caso não existisse as armaduras de flexão e de cisalhamento essas fissuras provocariam a ruptura total da viga. Os esforços internos de tração são transmitidos às armaduras por meio da aderência aço-concreto. É como se as armaduras “costu-

rassem” as fissuras, conforme esquematicamente mostrado na figura 2.2, o que im-

pede que as mesmas cresçam indefinidamente. Conforme será visto adiante no capí- tulo referente à fissuração, a abertura e o controle dessas fissuras dependerão subs- tancialmente das características e do detalhamento final da armadura de flexão.

 A ruína de uma peça à flexão é um fenômeno de difícil caracterização, devido basicamente à complexidade envolvida no funcionamento conjunto aço-concreto. Por- tanto para que esta tarefa seja possível convenciona-se que a ruína de uma seção à flexão é alcançada quando, pelo aumento da solicitação, é atingida a ruptura do concreto à compressão ou da armadura à tração.

2.2 – Solicitações normais

Por solicitação normal entende-se toda solicitação que produza na seção trans- versal tensões normais. Nesse grupo estão naturalmente a força normal, o momento fletor ou ambos atuando simultaneamente.

 A ruptura do concreto à compressão é considerada atribuindo-se, de forma con- vencional, encurtamentos últimos para o concreto. Para seções parcialmente compri- midas admite-se que a mesma ocorra, quando o concreto atinge na sua fibra mais

comprimida o encurtamento limite último (1.9c). Para se-

ções totalmente comprimidas o encurtamento máximo da fibra mais comprimida varia de

Para o aço admite-se que a ruptura à tração ocorra quando se atinge um alon- gamento limite último = 10‰. O alongamento máximo de 10‰ deve-se a uma

limitação da fissuração no concreto que envolve a armadura e não ao alongamento real de ruptura do aço, que é bem superior a esse valor.

 Atinge-se então, o estado limite último - ELU, correspondente à ruptura do con- creto comprimido ou à deformação plástica excessiva da armadura. O momento fletor

cu, ver equações (1.9b) e

c2 a cu (ver hipóteses básicas adiante).

solicitante de cálculo MSd é o momento de ruptura, enquanto o momento de serviço

será o de ruptura dividido pelo coeficiente de ponderação das ações

f  Sd serv γ M M    (2.3)

2.2.1 – Hipóteses básicas e domínios de deformação

Conforme o item 17.2 da NBR 6118:2014, na análise dos esforços resistentes de uma seção de viga ou pilar, devem ser consideradas as seguintes hipóteses bási- cas:

1 - As seções transversais se mantêm planas após a deformação, os vários casos possíveis são ilustrados na figura 2.3 (como consequência, a deformação em um ponto qualquer da seção é proporcional à sua distância a linha neutra);

2 - A deformação das barras passivas aderentes em tração ou compressão deve ser a mesma do concreto em seu entorno (perfeita aderência aço-concreto);

3 - As tensões de tração no concreto, normais à seção transversal, devem ser des- prezadas no ELU (resistência nula do concreto à tração);

4 - Para o encurtamento de ruptura do concreto nas seções parcialmente compri- midas considera-se o valor convencional de εcu (domínios 3, 4 e 4a da figura 2.3).

Nas seções inteiramente comprimidas  (domínio 5) admite-se que o encurta- mento da borda mais comprimida, na ocasião da ruptura, varie de εcu a εc2, man-

tendo-se inalterado e igual a εc2 a deformação a uma distância [(εcu- εc2) / εcu], a

partir da borda mais comprimida, a ser discutida adiante (ver figura 2.3);

5 - Para o alongamento máximo de ruptura do aço considera-se o valor convencional de  (domínios 1 e 2 da figura 2.3) a fim de prevenir deformação plástica excessiva;

6 - A distribuição das tensões do concreto na seção se faz de acordo com o diagrama parábola-retângulo da figura 2.4c (já definido anteriormente na figura 1.2), com a tensão de pico igual a f c = 0,85f cd (ver tabela 1.11). Permite-se a substituição

desse, por um diagrama retangular simplificado de altura y = λ x (figura 2.4d),

onde o parâmetro λ  pode ser tomado igual a:

f , ou seja:

λ  =0,8 para f ck ≤ 50 MPa (grupo I)

(2.4)

λ  =0,8 - ( f ck – 50 ) / 400 para f ck > 50 MPa (grupo II)

 A tensão constante atuante até a profundidade y pode ser tomada igual a:

αcf cd quando a largura da seção, medida paralelamente à LN,

não diminuir a partir dessa, para a borda mais comprimida;

(2.5a)

0,9 αcf cd no caso contrário.

Sendo αc definido como (ver figura 2.5):

αc = 0,85  para f ck ≤ 50 MPa

(2.5b)

αc = 0,85 [1,0 – (f ck – 50) / 200]  para f ck > 50 MPa

 As diferenças de resultados obtidos com esses dois diagramas são pequenas e aceitáveis, sem necessidade de coeficiente de correção adicional.

7 - A tensão nas armaduras deve ser obtida a partir das suas deformações usando os diagramas tensão-deformação, com seus valores de cálculo.

Figura 2.4 – Diagramas tensão-deformação para o concreto

Figura 2.5 – Valores de f c para o diagrama σxε retangular simplificado

 A figura 2.4b mostra o diagrama de deformações para um ELU (estado limite último) qualquer de uma seção retangular parcialmente comprimida, com profundi- dade da linha neutra igual a X e deformação (encurtamento) máximo igual ao limite de ruptura do concreto εcu. As figuras 2.4c e 2.4d mostram os diagramas de tensões

de compressão no concreto, considerando o diagrama parábola-retângulo e o retan- gular simplificado, respectivamente.

Na figura 2.4c os trechos, constante e parabólico, do diagrama parábola-retân- gulo têm alturas ac1 e ac2 respectivamente. Por semelhança de triângulos (ou por regra

de três simples) determina-se, a partir da figura 2.4b, a distância ac2 = (εc2 / εcu)(X) e

a seguir a distância ac1 = (X - ac2) = [(εcu - εc2) / εcu](X).

 A resultante total de compressão no concreto, Rcc, é a soma das resultantes

Rcc1 e Rcc2, dos trechos com tensões constante e com variação parabólica, respecti-

vamente (Rcc = Rcc1 + Rcc2).

Conforme a hipótese básica 6, para o diagrama parábola-retângulo, a tensão constante é sempre igual a f c = 0,85f cd. Considerando-se concretos do grupo I (até

classe C50) em que εcu = 3,5‰ e εc2 = 2‰, as alturas dos dois trechos do diagrama

de tensões ficam: ac2 = [2 / (3,5)](X) = (4 / 7)(X) e ac1 = (X – ac2) = (3 / 7)(X). Para

essa situação as resultantes Rcc1 (trecho constante) e Rcc2 (trecho parabólico) ficam: bX f  21 9 X 7 3 b f  R  c c cc1   bX 0,809f  bX f  21 17 R cccc bX f  21 8 X 7 4 b f  3 2 R cc2cc

 A resultante do trecho parabólico Rcc2, é igual à resultante em um trecho de

tensão constante, f c= 0,85f cd, com altura [(2/3) ac2] e ponto de aplicação, a partir da

linha neutra, igual a [(5/8) ac2].

 As resultantes totais Rcc das figuras 2.4c e 2.4d serão equivalentes se adicio-

nalmente, a distância Z até a LN, nos dois casos, for a mesma. Na figura 2.4c, o equi- líbrio exige que:

Z R  Z R  Z R cc1 1 cc2 2 cc X 14 11 X 7 4 X 2 1 Z 1            X 0,584X 238 139 R  Z R  Z R  Z cc 2 cc2 1 cc1     X 14 5 X 7 4 8 5 a 8 5 Z2 c2 ( )

Os valores encontrados 0,809 e 0,584, para o diagrama parábola-retângulo, são aproximadamente iguais aos valores 0,8 e 0,6, que representam respectivamente a altura do diagrama retangular simplificado e do ponto de aplicação da sua resultante, conforme a figura 2.4d. Demonstra-se nesse caso específico do grupo I (f ck ≤ 50 MPa,

λ = 0,8), onde εc,max = εcu = 3,5‰, perfeita equivalência entre os dois diagramas.

Quando εc,max < εcu = 3,5‰ os resultados entre os dois diagramas apresentam dife-

renças maiores, mesmo assim, conforme a hipótese básica 6 é permitido a substitui- ção do diagrama parábola-retângulo pelo retangular simplificado. Isso facilitará bas- tante o dimensionamento no ELU, como visto ainda nesse capítulo.

Na figura 2.3 (domínios de deformação da NBR 6119:2014) a seção transver- sal, mostrada à esquerda, apresenta uma armadura tracionada ou menos comprimida (As) e outra, mais comprimida ou menos tracionada (A’s). A profundidade da linha

neutra X é considerada positiva da borda mais comprimida para baixo. Na vista lateral da viga, mostrada à direita, a seção transversal indeformada é representada por uma linha vertical. Depois de carregada a seção se deforma e conforme a hipótese simpli- ficadora 1 (seções transversais se mantêm planas após a deformação), a seção fica inclinada. Na seção deformada os alongamentos (tração) são marcados do seu lado esquerdo e os encurtamentos (compressão) do lado direito.

Para a construção da figura 2.3 a seção transversal sem deformações, portanto sem solicitação, inicialmente é tracionada pelo seu centro geométrico produzindo t ra- ção uniforme. Nessa situação a seção solicitada desloca-se verticalmente para a es- querda (alongamento) e como o concreto não resiste à tração (hipótese básica 3), a única possibilidade de se ter um estado limite último é tracionar igualmente as duas armaduras com a deformação última do aço εsu= 10‰ (hipótese básica 5). Com isso

a seção transversal é deslocada para a reta “a”, ou reta da tração centrada, onde

são normalmente dimensionados os tirantes (peças preponderantemente solicitadas à tração) sem momentos. Caso as armaduras não sejam simétricas haverá momento fletor.

O domínio 1 de deformações começa na reta “a”, onde a seção solicitada é

paralela à seção sem solicitação. Nessa situação o prolongamento dessas duas se- ções se cruzam no infinito, quando a profundidade da linha neutra vale ( X) = - ∞ (para cima). Continuando a solicitação da seção a partir da reta “a”, pode-se dar uma pe-

quena excentricidade da força normal de tração produzindo uma flexo-tração com alongamento maior na armadura As (mais tracionada). Para que se tenha um estado

limite último o alongamento nessa armadura tem de ser εsu= 10‰, valor da deforma-

ção da armadura As para todas as solicitações nesse domínio. Conforme figura 2.3

todas as solicitações no domínio 1, passam pelo ponto A.

Girando-se em torno desse ponto, o domínio 1 abrange todas as solicitações desde a reta “a”, onde X = - ∞, até numa situação limite onde a profundidade da linha

neutra é nula, ou seja, X = 0. Nesse domínio a seção está inteiramente tracionada, com solicitações variando desde a tração centrada até flexo-tração (tração não uni- forme) sem compressão.

O domínio 2 é caracterizado também pelo ELU correspondente à deformação plástica excessiva do aço, ou seja ponto A. A seção transversal é parcialmente com- primida, até que no limite, seja atendido simultaneamente o ELU para a ruptura do concreto à compressão, ou seja, εc= εcu. As solicitações possíveis nesse domínio são

de flexo-tração com excentricidades maiores que as do domínio 1, naturalmente fle- xão simples pois se tem simultaneamente resultantes de compressão (concreto) e de tração (aço), e flexo-compressão com excentricidades pequenas, sem ruptura à compressão do concreto, ou seja, εc ≤ εcu.

 A profundidade da LN varia desde X = 0 até a profundidade limite X = X2L, que

por semelhança de triângulos na figura 2.6, resulta:

d 10 ε X ε cu 2L cu     (2.6)

Figura 2.6 – Profundidade limite do domínio 2 (X2L) 0,259d d 10 3,5 3,5 X2L  

 para concretos do grupo I (2.6a)

d 10 ε ε X cu cu 2L 

para concretos do grupo II (2.6b)

Onde d é altura útil da seção, distância da borda mais comprimida da seção até o centro da armadura mais tracionada As e εcu é o encurtamento de ruptura do

concreto, dado nas equações (1.9a) e (1.9b).

Por simplicidade os valores ‰ foram suprimidos das deformações nas equa-

ções (2.6) além de serem consideradas em módulo. Nessas equações a profundidade X2L, em valorabsoluto, não depende do tipo de aço usado, mas do grupo do concreto.

Em muitos casos é conveniente usar o valor relativo da profundidade limite do domí- nio 2, um valor adimensional dado por:

0,259 d

X

ξ2L  2L  para concretos do grupo I  (2.7a)

10 ε ε ξ cu cu

 A partir do X2L não se pode mais girar a seção pelo ponto A, o que produziria

deformações superiores à εcuno concreto. Portanto, a parir desse ponto a seção deve

girar em torno do ponto B, desde a deformação na armadura εsu = 10‰ até a defor-

mação εyd, correspondente à tensão de escoamento de cálculo do aço. Esse domínio

particular de deformação é o domínio 3 da figura 2.3, caracterizado basicamente pela flexão simples (seções subarmadas) e flexo-compressão com ruptura à compressão do concreto e com o escoamento da armadura As. A linha neutra varia desde a pro-

fundidade limite do domínio 2 até ao valor limite do domínio 3, X3L (figura 2.7).

Figura 2.7 – Profundidade limite do domínio 3 (X3L)

Como as deformações do aço nesse domínio estão no intervalo εyd ≤ εs≤10‰,

a tensão na armadura As é constante e igual à f yd (figura 1.5). Na figura 2.7 o valor

X3Ltambém é obtido por semelhança de triângulos resultando:

d ε ε X ε cu yd 3L cu     (2.8)

yd 3L 3L ε 3,5 3,5 d X ξ  

 para concretos de classes até C50 (2.8a)

yd cu cu 3L ε ε ε ξ 

 para concretos de classes C55 até C90 (2.8b)

Nota-se nas equações 2.8 que as profundidades absoluta e relativa limites do domínio 3 dependem do tipo de aço usado e do grupo do concreto. Os valores relati- vos desse domínio estão apresentados na tabela 2.1, juntamente com os do domínio 2, que só dependem do grupo do concreto.

Tabela 2.1 – Valores limitesde ε para o concreto e ξL para os domínios

Deformações limites do concreto e profundidades relativas dos domínios 2 e 3

CLASSE εc2 ‰ εcu ‰ ξ2L= X2,L /d ξ3L=X3,L /d CA 25 εyd=1,035‰ CA 50 εyd=2,070‰ CA 60 εyd=2,484‰ Até C50 2,000 3,500 0,259 0,772 0,628 0,585 C55 2,199 3,125 0,238 0,752 0,602 0,557 C60 2,288 2,884 0,224 0,736 0,582 0,537 C65 2,357 2,737 0,215 0,726 0,569 0,524 C70 2,416 2,656 0,210 0,720 0,562 0,517 C75 2,468 2,618 0,207 0,717 0,558 0,513 C80 2,516 2,604 0,207 0,716 0,557 0,512 C85 2,559 2,600 0,206 0,715 0,557 0,511 C90 2,600 2,600 0,206 0,715 0,557 0,511

No domínio 4 a seção continua girando em torno do ponto B desde a posição final do domínio 3 até que, a deformação na armadura As, seja nula. Embora possível,

nesse domínio o dimensionamento à flexão simples (seções superarmadas) deve ser evitado por questões econômicas, como será visto mais adiante. A armadura As

trabalha com uma tensão de tração menor ou igual à f yd, não aproveitando de forma

racional o material constituinte mais caro do concreto armado. Portanto, a solicitação preponderante desse domínio deve ser a flexo-compressão.

 A profundidade limite desse domínio é X4L= d, ficando a profundidade relativa:

1

ξ4L  (2.9)

Na figura 2.3 ainda se pode girar em torno do ponto B até que seção tenha deformação nula na fibra inferior mais tracionada. Isso caracteriza um domínio de de- formação muito pequeno que recebe um nome secundário, domínio 4a, caracterizado pela flexo-compressão com ambas as armaduras comprimidas. A linha neutra varia de d até a altura total da peça h.

Se continuasse a girar em torno do ponto B a seção transversal estaria inteira- mente comprimida e nessa situação o encurtamento na fibra a [(εcu – εc2) / εcu] h da

borda mais comprimida seria maior que εc2, o que contraria a hipótese básica 4, ou

seja: em peças inteiramente comprimidas o encurtamento da fibra mais comprimida varia de εcua εc2, desde que a [(εcu – εc2) / εcu] h dessa borda o encurtamento seja

constante e igual a εc2 (figuras 2.3 e 2.8). Isso significa que no domínio 5 a seção gira

em torno de um terceiro ponto, o C da figura 2.3. Esse domínio se caracteriza por peças submetidas à flexo-compressão com as armaduras comprimidas, até a situação limite da compressão centrada, reta b.

 A figura 2.8 representa a situação de deformação correspondente ao final do domínio 4a e ao início do domínio 5. Nessa situação, onde X = h, as distância a0-2

a2-u são obtidas por regra de três simples, resultando:

2 0 c2 cu a ε h ε     (2.10a) h 7 3 a h 7 4

a02   2u  para concretos do grupo I (2.10b)

2 0 u 2 cu c2 2 0 h a h a ε ε a  

Figura 2.8 – Início do domínio 5 - Localização do ponto C

Naturalmente nesse domínio a flexão simples não é possível, sendo o mesmo caracterizado pela flexo-compressão com excentricidades maiores e capazes de com- primir inteiramente a seção transversal. Esse domínio vai desde a situação mostrada na figura 2.8 até a reta “b”, da compressão centrada, onde a profundidade limite da

linha neutra vale (X5L) = + ∞.

2.3 - Seções subarmada, normalmente armada e superarmada

No caso particular da flexão simples, dos cinco domínios existentes ficam eli- minados os de número 1  (seção totalmente tracionada), 4a e 5 (seção totalmente comprimida) restando, pois, os domínios possíveis 2, 3 e 4.

Os domínios 2 e 3 correspondem ao que se denomina seção subarmada onde a armadura escoa à tração antes da ruptura do concreto à compressão, sd yd, com

a armadura tracionada trabalhando com a máxima tensão de cálculo, f yd. O domínio

4 corresponde ao que se denomina seção superarmada, onde o concreto atinge o encurtamento convencional de ruptura εcu antes da armadura escoar, yd, com a

armadura tracionada trabalhando com tensões inferiores a f yd.

Costuma-se chamar normalmente armada uma seção que funciona no limite entre as duas situações acima, isto é, na qual, teoricamente, o encurtamento último convencional do concreto comprimido e a deformação de escoamento do aço ocorram simultaneamente. Na figura 2.3 a situação de peças normalmente armadas ocorre no limite entre os domínios 3 e 4.

Segundo o professor Tepedino, J. M.-(1980), em suas apostilas de notas de aula, “em princípio, não há inconveniente técnico na superarmação, a não ser, talvez, alguma deformação excessiva por flexão, fato que pode ser prevenido. No entanto, a superarmação é antieconômica, pelo mau aproveitamento da resistência do aço. Por isto mesmo, sempre que possível, devem-se projetar seções subarmadas ou normal- mente armadas, sendo a mesma desaconselhável pela NB R 6118” .

 A NBR 6118:2014 prescreve no item 14.6.4.3 limites para redistribuição de mo- mentos e condições de dutilidade:

“A capacidade de rotação dos elementos estruturais é função da posição da linha neutra no ELU. Quanto menor é (  x/d), tanto maior será essa capacidade.

Para proporcionar o adequado comportamento dútil em vigas e lajes, a posição da linha neutra no E LU  deve obedecer aos seguintes limites:

a) (x /d) 0,45  para concretos com f ck  50 MPa; ou (2.11a)

b) (x /d) 0,35  para concretos com 50 MPa < f ck ≤ 90  MPa; (2.11b)

Esses limites podem ser alterados se forem utilizados detalhes especiais de armadu- ras, como, por exemplo, os que produzem confinamento nessas regiões.” 

E no item 17.2.3, dutilidade de vigas:

“Nas vigas é necessário garantir boas condições de dutilidade respeitando os limites de posição da linha neutra (x/d) dados em 14.6.4.3, sendo adotada, se necessário, armadura de compressão.

 A introdução da armadura de compressão para garantir o atendimento de valores me- nores da posição da linha neutra x , que estejam nos domínios 2 ou 3, não conduz a elementos estruturais com ruptura frágil. A ruptura frágil está associada a posições da linha neutra no domínio 4, com ou sem armadura de compressão. ” 

 Analisando-se a tabela 2.1 construída para concretos de classes C20 até C90 e os valores limites de (x/d) dados acima, para garantir o adequado comportamento dútil, nota-se que para os três tipos de aços usados essas profundidades relativas limites são maiores que os valores ξ2L e menores que os valores ξ3L da tabela. De

agora em diante os valores relativos limites serão ξL = (x/d)L = 0,45 para concretos

com f ck≤ 50 MPa e ξL = (x/d)L = 0,35 para concretos com 50 MPa < f ck≤ 90 MPa; e

tanto um quanto o outro valor estão localizados no domínio 3.

2.4 - Seção retangular submetida à flexão simples

Segundo Tepedino (1980) “no caso da seção retangular, pode-se, sem erro

considerável e obtendo-se grande simplificação, adotar, para os domínios 2 e 3 (seção subarmada ou normalmente armada), o diagrama retangular para as tensões no con- creto, permitido pela NBR 6118”, representado na figura 2.4d.

Na figura 2.9 tem-se uma seção retangular submetida apenas a um momento solicitante de cálculo Md, ou seja Nd = 0, onde:

 b  – largura da seção retangular (na NBR 6118:2014 é dado por bw, onde “w”

significa nervura ou alma – web. Suprimido por simplicidade na flexão de se-

ções retangulares, esse índice será usado na flexão de seções T, mais à

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