1. INTRODUÇÃO
1.5 JUSTIFICATIVA
Este estudo oferece contribuição científica à literatura da educação ambiental porque aprofundou discussões pertinentes ao meio ambiente, em tema voltado à convergência entre comunicação, educação e questões ambientais.
Intensificar estas reflexões na educação é atender a uma demanda existente, pois: ―a degradação ambiental e a crise da sociedade do trabalho (OFFE, 1989; CASTEL, 1998), e a consequente queda na qualidade de vida e aumento da exclusão/desigualdade social, estão a exigir no nosso entender uma discussão que aprofunde a articulação entre trabalho, meio ambiente e desenvolvimento econômico, pois se questiona até que ponto os recursos naturais e a humanidade suportarão o modelo hegemônico de produção, trabalho e consumo‖. (DELUIZ; NOVICKI, 2004, p.2).
Neste contexto, reconhecidas as implicações do modelo hegemônico, este estudo ofereceu a compreensão de que a educação ambiental surge da necessidade de desenvolver nas sociedades mundiais a preocupação com a vida no planeta. Considerou que, por meio da educação ambiental, se reconhece o papel dos conhecimentos ambientais como a oportunidade de mudar valores e comportamentos.
A relação da sociedade com o meio ambiente pautada na busca de sustentabilidade procura diminuir os efeitos das atividades produtivas na degradação ambiental. Tendo a
sustentabilidade como objetivo, os setores produtivos delegam à educação ambiental um dos instrumentos de promoção do desenvolvimento sustentável.
Este estudo apresentou a consideração de que à educação ambiental se atribui a responsabilidade de minimizar os problemas da crise ambiental global, pois a concepção da mesma inclui humanismo, ação social preventiva da degradação dos recursos naturais e ação corretiva da desigualdade social.
É importante desenvolver estudo sobre educação ambiental porque a civilização global apresenta interesse pelas questões ambientais. O momento, portanto, é propício à promoção das práticas de educação ambiental nas escolas. Principalmente para corrigir a cultura existente, que traz a visão de meio ambiente sob um modelo reducionista, simplificando a compreensão ambiental à supremacia do homem sobre os outros seres vivos.
Desta forma, tornou-se pertinente promover oportunidades de superação do pensamento existente no senso comum, que enxerga nos recursos naturais a matéria-prima para o bem estar e a garantia de sobrevivência humana no planeta. Há relevância nesta tese porque a educação ambiental é uma forma de promover aprendizagens que mudem esta concepção de supremacia do homem sobre as outras espécies. Por meio de reflexões dialógicas, o sistema de valores que compõem a nossa cultura deve ser repensado.
Esta pesquisa traz elementos para, na prática da formação em serviço7, se materializar reflexão teórica sobre educomunicação e educação libertadora, enquanto se pratica educação ambiental.
Esta oportunidade permite refletir sobre questões da obrigatoriedade de incorporar a dimensão ambiental à educação, pois atualmente se buscam cumprir exigências das políticas públicas para o ensino fundamental, que preveem na legislação o ensino formal da educação ambiental de forma transversal nos ambientes escolares.
As atividades de educação ambiental nas escolas, conforme será visto nesta tese, estão desarticuladas das práticas sociais e não são aplicadas sob a perspectiva crítica. Contudo, se a legislação prevê ministração de educação ambiental em qualquer nível e modalidade de ensino, conforme Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999 (BRASIL, 1999) e Decreto Nº 4.281,
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de 25 de junho de 2002 (BRASIL, 2002), torna-se imprescindível encontrar mecanismos de aplicação da dimensão ambiental na educação formal.
A Lei nº 9.795 dispõe, ainda, no art. 2º, que a “educação ambiental é um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não formal”. (BRASIL,1999, p.1).
Esta tese apresenta reflexões sobre crescimento econômico e sustentabilidade, sob o entendimento de que estas questões devem ser trabalhadas de forma dialética, pois não há maneiras de afirmar que, tanto sob o ponto de vista social quanto sob o ponto de vista ambiental, na contemporaneidade se promove desenvolvimento sustentável, dando continuidade a um debate relevante nos estudos de educação ambiental.
A educação para o meio ambiente é explicada como uma dimensão da educação que pode mudar o pensamento: de reducionista8 a complexo e sistêmico. Sua prática permite desconstruir conceitos preestabelecidos de desenvolvimento, progresso, necessidade de consumo.
Porém, o resultado de estudos desenvolvidos no Brasil demonstra que as ações de Educação Ambiental aplicadas nas escolas geralmente contemplam o perfil conservador9 ou pragmático10. Esta é uma confirmação a que se chegou inicialmente através da pesquisa: "o que fazem as escolas que dizem que fazem Educação Ambiental". (TRAJBER; MENDONÇA, 2006).
Diferentemente, a educação ambiental pensada e praticada de forma crítica nesta tese discute os problemas ambientais advindos da desigualdade social e da exploração desmedida. Desta forma, os referenciais teóricos deste estudo são de grande importância acadêmica, científica e social, contribuindo para associar campos de pesquisa ainda pouco explorados: a
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Nesta tese, o reducionismo é entendido como uma vontade de diminuir drasticamente o domínio de fenômenos primitivos existentes na natureza.
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Layrargues e Lima (2011) consideram que a educação ambiental conservacionista é uma prática educativa que tem como horizonte o despertar de uma nova sensibilidade humana para com a natureza, desenvolvendo-se a lógica do ―conhecer para amar, amar para preservar‖, orientada pela conscientização ―ecológica‖ e tendo por base a ciência ecológica.
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Layrargues e Lima (2011) explicam que essa perspectiva percebe o meio ambiente destituído de componentes humanos, como uma mera coleção de recursos naturais em processo de esgotamento, aludindo-se então ao combate ao desperdício e à revisão do paradigma do lixo que passa a ser concebido como resíduo, ou seja, que pode ser reinserido no metabolismo industrial. (LAYRARGUES E LIMA, 2011, p.9).
educação ambiental crítica e a educomunicação. Estas áreas contribuem para mudar a forma de refletir sobre as questões ambientais.
A partir da realização deste estudo defende-se que a educomunicação pode mudar o pensamento humano sobre meio ambiente. A forma de ensinar que desenvolve conhecimentos ambientais com autonomia possibilita trazer para a escola as experiências de vida subjetivas.
Esta pesquisa observa a dimensão pedagógica de processos comunicativos na educação para o meio ambiente. A educomunicação é percebida, neste caso, como a maneira de ensinar que abrange o caráter emancipatório e crítico da expressividade verbal em sala de aula.
Pode-se atribuir importância a esta pesquisa também baseada na revisão sistemática de literatura, conforme visto anteriormente. Ao revelar a inexistência de publicação semelhante, esta tese tem temática inédita, aborda assunto de amplo interesse e amplia reflexões já existentes na comunicação, na educação e nas pesquisas de educação ambiental.
A busca de superação do adestramento ideológico, em que se entrega ao sujeito a culpabilidade da degradação ambiental, encontra na educomunicação uma oportunidade. A prática de educomunicação na educação ambiental, por se tratar de um processo autônomo e crítico, modifica a compreensão utilitarista de meio ambiente.
Desta forma, analisar as contribuições da educomunicação para o desenvolvimento da educação ambiental crítica é um estudo importante para a reflexão também das maneiras de educar, pois a educomunicação é uma dimensão da educação que rompe com o modelo vigente. Daí decorre sua importância para a epistemologia da educação. Embora restrito a uma escola, este estudo abrange a generalidade dos professores de ensino fundamental brasileiro.
A opção metodológica adotada confere universalidade a esta pesquisa: primeiro porque a experiência se realiza em uma escola que cumpre a legislação nacional. Depois, porque as políticas educacionais aplicadas em qualquer outro estabelecimento de ensino do território nacional garantem regularidade de práticas quanto ao currículo prescrito.
Ao seguir o modelo tradicional à maioria das escolas públicas brasileiras, a Escola Municipal Tancredo Neves serviu de referência quanto à reprodução das mesmas práticas nos diferentes espaços, que seguem orientações pedagógicas hegemônicas e repetitivas em quase todos os ambientes formais de ensino.
Quando se pensa nos educadores que participaram deste estudo como sujeitos observados, há também validade universal que se remete à conjuntura educacional brasileira. Isto se justifica porque o contexto em que se encontram inseridos é o mesmo que os educadores enfrentam em diferentes localidades, decorrente do descaso e da desvalorização a que a categoria profissional dos docentes é submetida no Brasil.
Então, esta pesquisa se demonstra oportuna e relevante para a prática docente, porque procura identificar experiências de educação ambiental crítica no ensino, promove reflexão sobre uma dimensão da educação que possui episteme nas áreas de comunicação e de meio ambiente, por meio de uma prática crítico-emancipatória.