(Gustavo Fernandes) {Ele}
No dia marcado, você não havia chegado, no lugar esperado, que você me tinha falado.
Fiquei sob a lua esperando você, no tempo que estava passando, Te liguei mas você não me respondia, o que te passava então depois dessa tardia?
O que eu faria então?
{Ela}
Ah, minha alma, que danças indelicado, ele deve estar pensando no que me pareia, neste dia, ou numa noite inteira.
A minha alma que de juventude se maquia,
espera em suma cobiça: “ao alto se clareia de riquezas maiores”
{Nós líricos}
Nossa juventude hoje espera, nossa juventude ainda aguarda, Alguém que venha lhe convencer, de que seremos só eu e você, mesmo nesse vai e vem dos carros, os faróis ligados.
A nossa noite se fará talvez por mais cem anos.
Me dá-te tua mão em um singelo abraço, que eu vejo o tempo passar pelo seus olhos.
GUSTAVO FERNANDES, ou “brandente”. Aspirante a escritor.
Natural de Belo Horizonte, onde começou a moldar o seu senso poético, nunca participou de nenhum concurso literá-rio. Seus textos falam do emocional das pessoas, dos proble-mas citadinos.
E SQUECIDOS
(Hilda Maria Vieira Lacerda) Por detrás das páginas amarelas do meu caderno Estão escritas palavras flutuantes...
Prisioneiras das minhas armadilhas poéticas Ai de mim!
Ai de mim!
Torturado pela ânsia de liberdade Escrevo sobre os poetas malditos Esquecidos a sua própria sorte
Certamente que serão os filhos do futuro Conectando um novo mundo
Sonhando com flores desabrochantes.
Lá estarão eles fazendo parte do certame De palavras emaranhadas com pedaços De poesias retalhadas em minha pele.
Por detrás das páginas amarelas do meu caderno Estão escritas palavras delirantes
Libertas das minhas armadilhas poéticas Ai de mim!
Ai de mim!
Esquecidos,
Enlouquecidos, poetas malditos.
HILDAMARIA VIEIRA LACERDA, natural de Maceió-AL, poe-tisa, professora do Ensino Fundamental I, ama a fotografia, a leitura e a escrita, a literatura em geral. Tem quatro livros edi-tados, sendo dois de poesias livres “Essências” e “Sintonia Poé-tica”, um de haicai, “Metamorfoseando”, e um de história infantil, “Lilo, o aprendiz de pescador”.
Í DOLOS
(Humberto Schvabe)
Destacando a eficácia sem se preocupar com a eficiência O homem busca desculpas para suas imperfeições Idolatra o poder e os poderosos sem distinção Em busca de um melhor lugar no balcão Faz da crítica a marginais e criminosos O justificar suas falhas e conluios No dissimular suas fraquezas.
Desmerece a miséria, os pobres e os desvalidos Em sua insensibilidade, incompetência E a egocêntrica irracionalidade No sonho bobo do poder;
Para mostrar poder Para viver poder Para no poder Buscar poder Mais poder Ser poder E ter.
HUMBERTOSCHVABEé jornalista em Curitiba-PR, e hoje inicia uma vida de poeta. Seu primeiro livro “Venço Eu Vence Você”
(ainda inédito) tem em seu conteúdo trabalhos como este.
A FRICASIL
(Indemar Nascimento) Amarrado no tronco, eu vi a morte se aproximando Sangrando, pra me dar forças, meus irmãos cantando O fruto de amor já nasceu amaldiçoado
Condenado, ser só mais um escravo
Tirado da minha terra, em um navio fui jogado
No escuro amargurado, sem saber do meu destino, acorrentado!
Vi muitos “ficar” doentes e não aguentar
E os que morriam, cruelmente, eram jogados em alto mar Pisando em um solo desconhecido, eu vi minha vida se perder Entre as chicotadas nas costas e a cana pra colher
Minha dona na casa grande foi violentada Enquanto eu na senzala sem aguentar
O corpo pedindo descanso, Sinhozinho falando “trabalhe”
Ouvindo uma voz gritando em mim, implorando pela liberdade Nos dias de feriados, sentia um pouco da Mãe África que na hora chegava
Na palma, no tambor, no canto que ecoava
Já pedi até à morte que me levasse, não só pelas pancadas, mas é sim Como se fosse um animal, vendido! Tiraram meu filho de mim Meu corpo cansado de tanto esforço
Prevendo meu futuro no fundo do poço
Ouvi falar sobre os quilombos, pensei que só era uma forma de termos esperança
De sentir livre, na África, no tempo da nossa infância Continuei triste, na solidão
Foi aí que tomei uma louca ou uma sábia decisão Eu e minha dona, fugimos sem ninguém perceber Corremos, corremos mas foi tanto
Que quando notaram nossa falta já estávamos longe Nos caçaram mas não nos alcançaram...
Cheguei! Pensei que meus olhos estavam me enganando com a miragem mais bela, mesmo sem acreditar mas acreditando
Me ajoelhei com minha moça e chorei
O quilombo era verdade, viva a liberdade e a paz invadiu Hoje eu sou livre, na AFRICASIL!
INDEMARNASCIMENTOé poeta, rapper e músico da periferia soteropolitana. Desponta no cenário artístico da Bahia com um trabalho de cunho autoral, letras fortes e rima marcada, peculiar ao movimento hip hop moderno e com forte referên-cia à vida em comunidade e periferia da cidade. Participa de saraus como o Fala Escritor, Sarau da Onça e outros, na cidade do Salvador.
A I DE MIM
(Isabella Luiz) Tranco as portas do meu peito
Que só posso caber em mim Não sei viver direito Isso só me diz respeito Troco o não pelo sim Ai de mim!
Que abro as portas com medo Que ainda escondo segredos Que ainda embrulho mentiras Que nem tiro o pó da mobília Que bebo frases antigas Como quem bebe gim Ai de mim!
Que tive sonhos tão belos Que provei do amor mais sincero Vivi e morri numa noite
Que fui bom filho com esmero E agora nada mais espero Que não seja o fim
ISABELLALUIZé natural de Recife-PE. Graduanda de letras da Universidade Federal de Pernambuco, poetisa amadora, ro-mântica fatídica. Tem contos publicados em sites voltados à li-teratura e poesias publicadas na coletânea “Som de Poetas”, da Papel D´Arroz Editora, no prelo.