4.1 OS PROJETOS DE COOPERAÇÃO CIENTÍFICA E A COOPERAÇÃO RECEBIDA
4.1.2 Laboratórios Virtuais da Embrapa no Exterior Labex
4.1.2.1 O projeto Labex
Os Laboratórios Virtuais da Embrapa no Exterior (programa Embrapa – Labex) intensificam a inserção da Embrapa na Cooperação Científica Internacional, representando a Embrapa o Brasil em solo estrangeiro. O programa se caracteriza como um dos instrumentos estratégicos capazes de alinhar a Embrapa e o Brasil à trajetória da fronteira da inovação e do conhecimento científico e tecnológico para o setor agropecuário e o agronegócio nos anos 90- caracterizado pelas mudanças globais relacionadas aos tema de desenvolvimento econômico e avanços científicos e tecnológicos.180 O programa significou, sobretudo, o estabelecimento de
laços fortes entre a Embrapa e os principais centros mundiais de excelência em ciência e tecnologia, em áreas estratégicas para o desenvolvimento agropecuário. 181
Estes laboratórios consistem em acordos bilaterais ou multilaterais com países desenvolvidos, e têm como objetivo promover a interação de pesquisadores em instituições renomadas de pesquisa e centros de excelência em ensino. Pesquisadores brasileiros – selecionados pelo SRI por meio de processo seletivo - passaram a participar de projetos de cooperação cientifica internacional, obtendo acesso a tecnologias de ponta e ao desenvolvimento de pesquisas prioritárias no sentido de desenvolver novas tecnologias e conhecimento de forma cooperada, em áreas de comum interesse dos países desenvolvidos.182
O Labex nascia, portanto, como
[...] uma ampliação do tradicional programa de treinamento da Embrapa, já que passou a oferecer a seus pesquisadores mais experientes, um estágio de treinamento a mais que os conhecidos mestrado, doutorado e pós-doutorado no exterior. De outro lado, aprofundava os objetivos e ambições do programa, porquanto o Brasil e o pesquisador nele envolvido deixavam de ser receptores de informações para serem parceiros na geração de novos conhecimentos em áreas como biotecnologia, segurança alimentar, agricultura de precisão, nanotecnologia, transgenia e alterações climáticas globais.183
180 Id. 181 Id.
182 FRANCO, Luiz Filipe de Oliveira. Perspectivas da cooperação internacional brasileira: o Labex e o
desenvolvimento tecnológico agroindustrial. 2013. 18 f., il. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Gestão do Agronegócio)—Universidade de Brasília, Planaltina-DF, 2013. p. 12
183 Memoria Embrapa. Laboratórios Virtuais. Disponível em: <http://hotsites.sct.embrapa.br/pme/laboratorios-
Segundo o Programa Orientador do Programa Embrapa – Labex, a missão dos laboratórios é “promover e desenvolver oportunidades de cooperação científica internacional na fronteira do conhecimento e monitorar a ciência, tecnologias inovadoras e inovação na agricultura, antecipando riscos e oportunidades”. 184 Nesse sentido, a principal atividade
desenvolvida na cooperação cientifica é o compartilhamento de informações e a troca de experiências com pesquisadores estrangeiros, com o propósito de enriquecer suas bases teóricas e promover a inovação tecnológica.185 Além disso, os pesquisadores brasileiros
representam o Brasil nas políticas de desenvolvimento, através de posicionamento estratégico, ao defender diversos assuntos de interesse da pesquisa agropecuária brasileira.
O programa surgiu no final da década de 90, a partir da necessidade de a Embrapa e o SNPA estarem sintonizados aos avanços do conhecimento cientifico mundial da agricultura. A decisão esteve apoiada no amplo relacionamento que a Empresa apresentava com universidades e centros de excelência científica internacionais em agropecuária, e no fato de que, através destes relacionamentos, muitas dessas instituições concordaram em colocar seus laboratórios, bem como suas instalações e equipamentos de alta precisão e qualidade “à disposição dos pesquisadores da Empresa para a realização de investigações científicas que fossem de interesse comum entre estas e a Embrapa.”186 Sendo assim, constitui-se laboratório
virtual “[...] porque não constrói prédios, nem compra equipamentos, mas trabalha em cooperação com as instituições estrangeiras em projetos de interesse comum.” 187
4.1.2.2 Áreas de atuação
A ideia do Labex surgiu ao final da década de 90, sendo os Estados Unidos o pioneiro na implementação do programa. O Labex – Estados Unidos surgiu em 1998, tendo como
184 EMBRAPA (Brasília). Secretaria de Relações Internacionais. DOCUMENTO ORIENTADOR DO
PROGRAMA EMBRAPA-LABEX. 2015. Disponível em:
<https://www.embrapa.br/documents/10180/3417583/Documento+Orientador+do+Programa+Embrapa+- +Labex/f7458e97-7ff3-4bd7-ad62-cd86c5fb1f98>. Acesso em: 05 set. 2015
185 FRANCO, Luiz Filipe de Oliveira. Perspectivas da cooperação internacional brasileira: o Labex e o
desenvolvimento tecnológico agroindustrial. 2013. 18 f., il. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Gestão do Agronegócio)—Universidade de Brasília, Planaltina-DF, 2013. p. 12
186 Memoria Embrapa. Laboratórios Virtuais. Disponível em: <http://hotsites.sct.embrapa.br/pme/laboratorios-
virtuais>. Acesso: 20 set. 2015
187 TERRA WETZEL, Clóvis. Sementes e mudas. Produtividade recorde no campo. Agroanalysis: A revista de
agronecócio da FGV, São Paulo, v. 24, n. 4, p.E5-E6, abr. 2004. Disponível em: <
principal parceiro o Serviço de Pesquisa Agrícola (ARS) do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), e os recursos provenientes do PRODETAB (Projeto de Apoio ao Desenvolvimento de Tecnologia Agropecuária para o Brasil), e através de empréstimo tomado junto ao Banco Mundial.188 O Labex – EUA tem como focos de pesquisa as áreas de
nanotecnologia, recursos genéticos, sanidade animal, mudança climática global, utilização de novos produtos agrícolas, modelagem, controle integrado de pragas, agricultura de precisão e segurança alimentar.189
Depois da experiência bem sucedida nos Estados Unidos, o programa passou a se expandir para outros países. O Labex – Europa é produto de um acordo entre a Embrapa e Agrópolis International190, em Montpellier - França, assinado em janeiro de 2001 e posto em
operação em 2002. Desde então, suas ações têm se expandido pelo continente europeu, estando presente hoje em quatro países: França, Inglaterra, Holanda e Alemanha. Luis Fernando Vieira e Pedro A. Arraes Pereira colocam que “A agenda europeia para a pesquisa científica e tecnológica de interesse da Embrapa é extensa e complexa, uma vez que deve representar o interesse de uma enorme diversidade de culturas e status de desenvolvimento”.191 Nesses laboratórios, as áreas de pesquisa são: tecnologia avançada,
tecnologia agroalimentar e agroindustrial, tecnologia de conservação e manejo sustentável do meio ambiente.192
Em 2009, é inaugurado o Labex Coreia do Sul, com sede no International Technology Cooperation Center (ITCC), em Suwon. O programa fora a primeira experiência do Labex na Ásia, tendo como parceria a Rural Development Administration (RDA)193 da Coreia do Sul e
apoiado financeiramente pelo Banco Mundial e pelo Banco Interamericano de
188 EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA. Labex Estados Unidos. Disponível em:
<https://www.embrapa.br/labex-estados-unidos.> Acesso: 20 set. 2015
189 Id.
190 A Agropolis International é um consórcio regional formado por 28 instituições de investigação e ensino
superior, entre elas os principais institutos franceses de pesquisa agropecuária, parceiros da Embrapa: CIRAD (Centro de Cooperação Internacional para a Pesquisa Agrícola para o
Desenvolvimento), INRA(Instituto Nacional de Pesquisa Agronômica) e IRD (Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento). O principal objetivo da é o desenvolvimento econômico
e social das regiões mediterrâneas e tropicais (Embrapa, 2015)
191 VIEIRA, Luis Fernando; PEREIRA, Pedro A. Arraes. Embrapa Labex Avançando com os donos do
conhecimento. Revista de Política Agrícola, v. 14, n. 4, p. 52-62, 2005.
192 EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA. Labex Europa. Disponível em:
https://www.embrapa.br/labex-europa. Acesso: 20 set. 2015
193 A RDA é a organização do governo sul-coreano criada em 1950 e responsável pela pesquisa agropecuária no país. (Embrapa, 2015)
Desenvolvimento. As pesquisas estão voltadas principalmente para projetos baseados em melhoramento animal, melhoramento vegetal, e recursos energéticos vegetais.194
O quarto laboratório da Embrapa, também em território asiático, inaugurado em 2012. Na Chinese Academy of Agriculture Science (CAAS)195, em Pequim. As linhas de pesquisa no Labex – China estão voltadas para os recursos energéticos, tendo como foco inicial o intercâmbio, caracterização e avaliação de recursos genéticos vegetais visando apoiar os principais programas de melhoramento genético das duas instituições. 196 No ano de 2012,
fora assinado também um acordo entre a Embrapa e Japan International Research Center for Agricultural Sciences (JIRCAS) para o estabelecimento do Labex no Japão, o programa ainda encontra-se em fase de consolidação.197 A figura 6 a seguir apresenta a atuação dos Labex no
mundo.
Fonte: A Embrapa e a Cooperação Internacional: atuação no continente africano. Brasília, 2014.
194 Embrapa. Labex Coreia do Sul. Disponível em: https://www.embrapa.br/ /labex-coreia-do-sul. Acesso: 20 set. 2015
195 Fundada em 1957, a CAAS é a maior instituição de pesquisa agropecuária da China, com 39 centros espalhados pelo país. (Embrapa, 2015)
196 Embrapa. Labex China. Disponível em: https://www.embrapa.br/labex-china. Acesso: 20 set. 2015
197 EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA. Programa Embrapa Labex. Disponível
em: < https://www.embrapa.br/programa-embrapa-labex.> Acesso: 20 set. 2015
4.1.2.2 Mecanismos de funcionamento
Os Labex adotam mecanismos estratégicos para o seu funcionamento, que são tomados realizados “[...] com base no mapeamento permanente para diagnosticar o potencial técnico- científico de grupos de pesquisa, suas instituições de PD&I e países onde estão situados.”198 O
desafio implica, ainda, na escolha correta da agenda de prioridades, na redução dos tempos de geração do conhecimento e de sua incorporação aos segmentos produtivos, mapeamento e seleção de instituições e grupos de excelência e participantes do programa, bem como no estabelecimento de alianças importantes no desenvolvimento da missão.
Para isso, faz-se importante mencionar alguns mecanismos utilizados no desenvolvimento do programa, são eles: 1) Definição das áreas temáticas e dos parceiros internacionais; 2) Processo de negociação para hospedagem do Programa; 3) Seleção dos participantes (coordenadores e pesquisadores) mediantes os procedimentos e critérios de seleção estabelecidos pela SRI 4) Acompanhamento e avaliação das atividades desenvolvidas pelo programa – por meio de relatórios técnicos solicitados aos pesquisadores Labex.199 O
programa ainda prevê que seja contínuo o investimento em ciência, tecnologia e inovação, e a importância de que se mantenha um fluxo rápido de informações sobre os avanços na fronteira da ciência e da tecnologia.200 Além disso, os países participantes do programa
possuem centros de pesquisa de alta qualidade e dispõem de tecnologia de ponta, que serão aplicadas aos setores produtivos e de industrialização, possibilitando o crescimento do setor agropecuário, tornando-o competitivo a nível nacional e internacional.
198 EMBRAPA (Brasília). Secretaria de Relações Internacionais. DOCUMENTO ORIENTADOR DO
PROGRAMA EMBRAPA-LABEX. 2015. Disponível em:
<https://www.embrapa.br/documents/10180/3417583/Documento+Orientador+do+Programa+Embrapa+- +Labex/f7458e97-7ff3-4bd7-ad62-cd86c5fb1f98>. Acesso em: 05 set. 2015
199 EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA (Brasília). Secretaria de Relações
Internacionais. DOCUMENTO ORIENTADOR DO PROGRAMA EMBRAPA-LABEX. 2015. Disponível em:
<https://www.embrapa.br/documents/10180/3417583/Documento+Orientador+do+Programa+Embrapa+- +Labex/f7458e97-7ff3-4bd7-ad62-cd86c5fb1f98>. Acesso em: 05 set. 2015
200 VIEIRA, Luis Fernando; PEREIRA, Pedro A. Arraes. Embrapa Labex Avançando com os donos do