'1. Lago IA
A ceramica atribuida a esta fase e bastante escassa e possui urn valor de amostragem relativamente limitado.
Toda de fabrico manual, revela past as grosseiras que possuem uma quantidade assinala vel de particulas de mica. As pe~as sao mal cozidas e a varia~ao de cores nas superficies permite sup~r uma cozedura irregu
lar. As cores das pastas variam entre 0 cinzento e 0 cast anho. Os acaba
mentos sao rudimentares e, na maior parte dos casos, as superficies sao rugosas, ou registam entao urn alisamento incipiente.
A nivel morfologico constatamos apenas a exist enc ia de potes (forma 1) e de raros potinhos, ou pucaros (forma 2).
Os potes estao nesta fase representados exclusivament e POl' 7 f ragmentos de bordos, quatro dos quais esvasados.
Dos fragmentos inseridos na forma 2, verificamos a presen~a de 1 com bordo esvasado e de 2 com aba soer gu i da.
o
escas so numero de pe~as desta fase nao nos permite considera90es mais detalhadas sobre as suas caracteristicas morfologicas.
o
un ico fragmento de base possu i f undo plano alargado, mas nao pode ser considerado dentro do grupo da cerimica da Idade do Ferro. As suas caracteristicas de fabrico, bern como 0 contexto estratigrafico on de foi encontrado permitem antes i nt egr a-Io t ecnicamente no Bronze Final.Esta fase forneceu apenas urn fragmento de uma asa em fi ta, de SeC9aO rectangular e um fragmento decorado com urn motivo triangular, preenchido com tra~os paralelos a um dos seus lados.
provoca urn acentuado contraste com a cor das pe~as.
Formas
A nivel morfologico destacamos a ocorrencia nest a fase de duas novas formas, que se vem juntar aquelas que sao ja conhecidas da fase anterior. Referimo-nos as malgas ou tigelas (forma 3) e as panelas ou tachos de asa interior (forma 4).
Forma 1
Variantes mo rfologicas
Os potes registam tres variantes de bo rdos: esvasados (A) (25%), em aba soerguida (8) (54%) e em aba horizont al (21%).
Dimensoes
Os diametros registados sao relativamente variados e parecem articular-se com as possiveis fun~oes desempenhadas por estas pe~as. A maioria esta compreendida entre 19 e 29cm, pelo que seriam recipientes de dimensao medi a . No entanto, se confrontarmos os diametros com a forma dos bordos, verificamos que a articula~ao destes atributos
e
desigual.Assim, verificamos que os potes de maiores dimensoes sao aqueles que possuem predominantemente bordos da forma 8 e C, ou seja, bordos em aba, parecendo adaptar-se preferencialmente a uma fun<;ao de armaze nagem. Os potes de bordos esvasados (A) apresentam, de um modo geral, dimensoes mais pequenas sendo sempre medios e pod em ter sido usados com out ras finalidades.
87
DlAMETROS A B C
19-20 2 1 0
21 -22 2 2 1
23-24 1 2 0
25-26 3 2 0
27-28 0 1 2
29-30 4 3 0
31-32 0 2 1
33-34 0 1 0
35-36 0 1 1
37-38 0 2 1
39-40 0 1 1
>40 0 6 4
TOTAlS 12 24 14
Forma 1. Tabela dos diametros .
DlAMETROS A B C TOTAlS
(medios) 19-30 (g randes)
31-40 (muito grandes)
> -
4012 100% 11
7
6 46%
29%
25%
3
4
4
27% 26
36% 11
36% 10 55%
23%
21%
TOTAlS 12 100% 24 100% 11 99% 47 99%
Forma 1. Tabela da s d imen soes.
Funcional.idade
Alguns pot e s com bordos esvas ados e sinais de fuligem nas s uperfl cies, fac t o que
em aba s oerguida nunca constatamos
registam entre os
exemplares que possuem aba horizontal. Verificamos,no entanto, que sao as pec;as com diametros compreendidos entre 19 e 29cm que registam predomi nantemente esta caracteristica, sendo ela mais rara nas pec;as com diametros superiores. Do mesmo modo, e perceptivel que existe uma maior quantidade de fragmentos com bordo em aba soerguida a registar vestigios de utilizac;ao sobre 0 lume.
Considerando na variavel X todos os fragmentos que possuem superficies queimadas e na Y todos os outros, verificamos que cerca de 43% dos fragmentos incluidos na forma 1 devem ter pertencido a recipientes para cozinhar. Simultaneamente, constata-se que sao os potes com bordos em aba soerguida que registam mais frequenteme nte vestigios dessa func;ao (67% para 33% nos de bordo esvasado).
FUN<.;OES A B
c
TOTAlSX 4 33% 16 67% 20 43%
Y 8 67% 8 33% 11 100% 27 57%
TOTAlS 12 100% 24 100% 11 100% 47 100%
Forma 1. Tabe la de distribuiC;ao dos potes de acordo com a sua func;iio.
A correlagao do diametro com a variavel X permite-nos verificar que s ao os potes de capac idade med i a (19-30cm) que registam mais frequentemente sinais de terem side usados sobre 0 lume (75%).
DlAMETROS A B TOTAlS
19-30 4 100% 11 69% 15 75%
31-40 5 31% 5 25%
TOTAlS 4 100% 16 100% 20 100%
Forma 1. Tabela dos diamet ros dos potes usados sobre 0 lume.
A analise das formas dos bordos, dos diametros e da possivel
89
fun~ao desempenhada pelos potes , permite-nos admiti r a existencia de uma
correla~ao entre funci onal idade, capacidade e caracteristicas morfologicas dest a forma.
Com efeito, verificamos que as pe~as de mai or capacidade registam bordos predominantemente com aba soerguida, ou horizontal, podendo ter sido usados preferencialmente para armazenagem, uma vez que raramente encontramos vestigios da sua utiliza~ao 3.0 lume, constatada apenas na primeira variante. Estas formas de bordos, adaptar-se-iam mais facilmen
te ao suporte de uma tampa. Sao aliis estas as pe~as que registam maio
res diimetros, possuindo por conseguinte maior capacidade.
Os potes com bordos esv~sados parecem possuir uma menor capacidade, sendo sempre de dimensoes medias e podem ter s ido usados com outras fun~oes. Uma delas foi sem duv i da 0 seu uso na cozinha, mas , as suas menores dimensoes poderiam tambem permi tir a sua utiliza~ao no transport e.
Os potes com aba soerguida testemunham pelo menos dois tipos de
fun~oes. Aqueles que possuem menor capaeidade pareeem ter sido usados para eozinhar (67%). Os de maiores dimensoes poderiam desempenhar prefe
reneialmente fun~oes de armazenagem.
Forma 2
Variantes mor~olo9icas
Os potinhos, ou puearos assinalam maioritari amente bordos esvasa
dos (67%).
As suas dimensoes sao bastant e variavei s. Eneontramos recipientes muito pequenos, com di ametros inferiores a 10cm, poueo representados
(1 0% ) e outros, urn pouco maiores, com diametros ent re 10 e 18cm (90%).
DI.dMETROS A B
7-8 0
9-10 0
11-12 2 1
13-1 4 3 0
15-16 3 2
17-18 5 3
TOTAlS 14 7
Forma 2. Tabela de frt'quencia dos diametros.
DlMENSOES A B TOTAlS
Muito pequenos 7-10 Peq ue nos
11 -18
1
18 7%
93%
1
6 14%
86%
2
19 10%
90%
TOTAlS 14 100% 7 100% 21 100%
Forma 2. Tabela das dimensoes (%).
Func ionalidade
Tal como acontece com os potes
e
frequente regis tar 0 aparec imento de pegas inseridas nesta forma com vestigios de fuligem nas superfi
cies. Elas constituem 52% do total dos f ragmentos atribuidos a esta forma. Tal facto sugere que esta for ma deve ter side igualmente ut iliza
da com varias fungoes, nomeadamente para be ber, conter liquidos, ou solidos e ainda para cozinhar alimentos. Verificamos, todavia que as
91
pe<;as as quais pode ser atribuida a ultima fun<;ao, sao aquelas que possuem maior capacidade (11-19cm) e bordos da variante B.
FUN<;;OES A B TOTAlS
x
5 36% 6 86% 11 52%y 9 64% 1 14% 10 48%
TOTAlS 14 100% 7 100% 21 100%
Forma 2. Tabe la de distribui<;ao dos pot inhos ou pucaros de acordo com a sua fun<;ao.
Algumas pe<;as incluidas nesta forma possuem asas. Estao colocadas entre 0 l a bi o e a parte alta da pan<;a e possuiam sec<;ao pentagonal.
Constatamos contudo 0 aparecimento de um fragmento de parede de uma pe<;a com uma asa anelar, que julgamos corresponder igualmente a um pucaro.
Forma 3
As tigelas estao representadas nesta fase p~r dois uni c os fragmentos, com paredes arqueada s, que possuiriam provavelmente f undo raso. Os seus diimetros sao variados, oscilando entre os 14 e 30cm.
Forma 4
As pane las ou tachos de asa interior sao igualmente pouco frequentes nesta fase. Pos suem diametros varia veis, mas de um modo geral mais pequenos do que aqueles que as sinalamos na fase seguinte, nos exem
plares pertence ntes a mesma forma.
As paredes sao pouco espessas e as asas sao, nesta fase, estrei
tas e ma is pequenas do que aquelas que sao habituais nest e genero de recipientes.
Bases
Os f ragmentos de bases encontrados nesta fase registam qua tro variant es. A maioria possui fundo recto (A) (33%), ou fundo recto alargado (B) (47%). Regi stamos t odavia a ocorrencia de f ragmentos com
fundo concavo (e ), que constitui a variante menos re presentada (7%) e com fundo concavo alargado (D) (13% ).
Qualquer das vari a ntes consideradas mostra diametros variados, podendo ter pertencido a pe<;as de capacidade e func ionalidade bastante di fere ntes. No entanto, verificamos que as bases de maiores dimensoes correspondem as variantes Be D.
Algumas das bases de f undo plano alargado registam impressoes estabili zadoras na parede externa.
Asas
Os fragmentos de asas registam uma certa variedade de formas.
Observamos a presenc;a de as as pertencentes a panelas ou tachos de asa interior, com secc;oes c irculares (17%) e semi-circula~es (5,5%).
Dos fr agmentos que podem ser, pelas suas caracteristicas, atri
buidos a pucaros destacamos quatro variantes.
A mais representada possui secc;ao pentagonal. Encontramos ainda asas de s eCC;ao rectangular, triangular e com molduras na s uperficie externa.
As asas salientes, em es cocia, perfuradas horizontalmente estao i gualmente representadas nesta fase. Seriam provavelmente as as de grandes pot es e pareeem adaptad<l;s a suspensao das pe<;as. Embora a sua ocorrenc ia seja relativamente rara em relac;ao a outras fo rmas de asas, veri ficamos 0 seu apareeimento noutros castros de NO portugues, nomeada
mente em Briteiros (ALMEIDA 1974,185 ) e em Santo Estevao da Facha (ALMEIDA et ~ 1981 ,58).
Decora~oes
Os fragment os decorados desta fase sao poueo numerosos, mas registam uma certa variedade de tecnicas e de motivos ornamentais .
Observamos a presenc;a de motivos incisos, mais frequente s, de motivos impressos e ainda de decora<;oes plast icas obtidas pela aplicaC;ao de cordoes , posteriormente decorados com incisoes formando espinha.
o
tema mais frequente esta representado pelas caneluras, que aparecem sempre associadas a outros motivos . Estes sao: triangulos preenchidos com t ra<;os pa ralel os; series de incisoes e as series de SSS i mpressos .Os circulos concentricos sao pouco frequentes e foram obtidos por impressao, surgindo em composic;oes decorativas, em que entram tambem os
93
Triangulo. Ilecl;Culodos
C. , (U · los I I,;ongulo•
ssss
Fig. 5. Compos1. c;oes - decorat 1vas . da Fase lB.
---t riangulos.
Temos ainda a destacar a presen~a de um fragmento que regista uma
decora~ao recticulada obtida pelo cruzamento de tra~os profundament e i ncisos.