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O povoado fortificado do Lago, Amares.

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(1)

1

Ca d erno s de Arqueolo gi a

Monografias

poyoado fortiflcado do Lago, Amares.

Manuela Ma rtins

BRAGA - 1988

(2)

1

Cadernos de Arqueologia

Monografias

o ovoado fortifieado do Lago, Amares.

Manuela Ma rtin

(3)

FICHA TECNICA

Autor: Maria Manue l a Martins - Pro­

f essora Auxiliar da Univer­

sidade do Minh o.

Edi~ao: Camara Mun icipal de Amares e Unidade de Arqueologia da U.M.

Composi~ao

e

lmpressao: Reprografia e Publica<,foes da Univ e rsi­

dade do Minho.

Tiragcm: I 000 cxcmplares Deposito Legal n.O 21419/ 88

(4)

Nota Previa

o

presente estudo que integra a memoria das escava~oes realizadas entre 1980 e 1982 no povoado fortificado do Lago, em Amares, e a inter­

preta~ao dos seus resultados, foi inserido num trabalho de amb ito mais vasto, subordinado ao tema "0 'Povoamen:.to p/l.o:.to-lUA:.to/Lico e a Romani..­

3a<;ao da aaua do Cl.J../I/jO medi...o do /Lio Cavado". Esse trabalho constituiu a disserta~ao de doutoramento da autora, apresentada a Universidade do Minho no ana de 1987.

Ao texto inicial, foi apenas acrescentada uma parte final, correspondente as conclusoes, a fim de permit i r a publica~ao monografica desta esta~ao. 0 trabalho obedece, p~r isso, a uma estrutura que foi seguida igualmente no estudo de outras esta~oes, nomeadamente dos povoados de S. Juliao e Barbudo, localizados em Vila Verde e integrados tambem na rede hidrografica do rio Cavado.

o

interesse cientifico do povoado do Lago e a necessidade de dar satisfa~ao publica dos s ubsidios recebidos para a sua escava~ao justificam perfeitamente esta edi~ao. No entanto, ela 56

e

possivel gra~as ao apoio que nos foi concedido por varias institui~oes. Nesse sentido nao podemos deixar de e xpressar aqui os nos 50S agradecimentos ao Instituto Portugues do Patrimonio Cultural, que subsidiou na integra os trabalhos de campo, a Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho, que apoiou a sua realiza~ao e ao Museu Regional de Arqueologia D. Diogo de Sousa, responsavel pela marca~ao, restauro e desenho do espolio.

A

Camara MlJnicipal de Amares e a Universidade do Minho agradecemos a opor­

tunidade de tornar agora publicos os resultados obtidos.

A toda equipa que participou nas escava~oes e ainda aqueles que tornaram possivel a realiza~ao grafica deste trabalho expressamos tambem o nosso mais profundo reconhecimento.

Braga, JAN 1988

(5)

a

memoria do Dr. Manuel

Braga da Cruz

(6)

Sumario

Introdu<;ao . . . ..•. . . • . . • . . . • . . . ••••••.•• ..• •. 9 Localiza<;ao e contexto geogrifico . . . • . •• ••• ...•.•• .• . .••.•• ••••. 9

o

estudo do povoado. Objectivos e metodologia . . . .. . . 10 As escava<;6es • . . . • • . . . • • . . . • . . . •••. . .. •• ••••. •. •••.• .• ••.•• •. .•..• 12 1. Sondagem na muralha: corte A . . . .•.•. . . . . . • . . . • . ... .• •. ••• 12 2. Sondagens de 1981 e 1982: cortes 1 a 10 ... . . .... . . . 30 Fases de ocupa<;ao e cronologia do povoado ••..•.. • •...• .•.• .•.••..• 62 1. Estrati9rafia e c r onologia interna ••..•••. •• •• •• •..•••. ••••• ••• 64 2. Fases de ocupa<;ao e cronologia relativa •.••• •.••••. •• .•...••••• 71 Organ iza<;ao do pov oado . . . • • • . . • . . • . . . • • . • • . . . • . •.•.••• • • .. .•••• •• • 73

1. Estruturas defensivas 75

2. Estruturas domesticas 77

Ceramica ••. .• ••••.••.••••..••...••.•••••••••... .•••• •.•...•••.•. 81

1. Lago IA 86

2. Lago IB 86

3. Lago IIA 95

4. Lago IIB 109

Considera<;oes finais •...••••.••.•••••.••••.•••••••..•.•...•••.•••• 139 Notas . . • . . ••..• •.••.••••..••••.•••••••..••••..•.•.••..•••..••..•• . 147 Bibliografia •.• •.••••..•••.•••••.••••••••..••••.•.••••.•.••..••••• 151

(7)

INTROCUcAo

o

povoado fortificado do Lago localiza-se na margem direita do rio Cavado, na freguesia de Lago, no concelho de Amares (Est. I). Iden­

t ificado por Manuel Braga da Cruz, provavelmente na decada de 30 deste

(1) T

s ec ulo ,sera no entanto dado a co~hecer por Carlos eixeira, a quem se deve a primeira refe rencia cartografica da esta<;ao (TEIXEIRA 1955-56, fig. 1). Posteriormente, sera citado na bibliografia arqueo ogica, sempre de forma sumaria (SOUSA 1971-72,180-181) e nao ra ro a propos ito da sua proximidade de urn dos locais onde tradicionalmente

e

admitida a pas sag em da Ge ira sobre 0 Cavado (SILVA 1958,139).

A originalidade e interesse deste povoado reside , contudo, na sua topografia. Localizado em pleno vale (Est. 11-1) possui uma posi<;ao de destaq ue em rela<;ao ao rio, cujo percurso domina numa extensao aprec ia­

vel. Assenta nurn pequeno cabe<;o de baixa altitude, em forma de tronco de cone aplanado e possui apenas urna plataforma de configura<;ao poligonal irr egular, parcialmente circundada por uma muralha. Estas caracteristi­

cas conferem ao povoado uma fisionomia propria que 0 distingue claramen­

' · d ·_ · h (2)

t e dos t 1p1COS castros a reg1ao rn1n ota •

A importancia geo-estrategica do sitio, bem como a invulgaridade da sua organiza<;ao defensiva, determinaram 0 nosso interesse pelo seu es tudo. Tres campanhas de escava<;ao, realizadas entre 1980 e 1982, fornec eram um conj unto relevante de dados relativos i vida deste habitat abrindo-nos , simultaneamente , novas perspectivas sobre as modalidades de povoamento na Prot o-historia da regiao.

o SiT.Io. LOCALlZAc;Ao E COOTEXTO GEOGRAFICO

o

povoado assent a numa pequena colina de baixa altitude, com a cota maxima de 65 ,30m (Est. IX) e tem as seguintes coordenadas

9

(8)

geograficas: 41° 36' 36" Lat. N./Oo

43' 17" Long. E. Lx. 0 aces so faz-se a partir da sede de freguesia pOI" um caminho que , contornando 0 povoado pelos lados Oeste e SuI , conduz ao rio.

o

substrato do cabec;o e granitico, de tipo porfiroide de grao medio, ou fino a medio (TEIXEIRA e.;t .alJ..i 1974) e mostra-s e em certas zonas muito alterado. Esta coberto POI" restos de um antigo deposito flu­

vial, assina lado pela presenc;a de abundante cascalho, sobreposto pOI"

sedimentos de espessura variavel, que registam vestigios de ocupac;ao humana.

Apesar da sua bai xa altitude 0 sitio oferece boas defesas natu­

rais: a Norte a plataforma cai ravinosa sobre um profundo fossa que separa 0 povoado de um outr~ cabec;o mais pequeno que the fica sobrancei­

ro (Est. II-2l e a Este sobre um largo vale que bor deja 0 rio (Est.

11-1 l; a Sul 0 pend~r da vertente e mais suave, pois esta esbate-se em desniveis s ucessivos que nao chegam a fo r mal" tabuleiros . 0 lado oeste e o menos defendido. Ai, a vertente, embora com inclinaC;ao assinalavel, morre poucos metros abaixo da plataforma, no caminho que segue para rio.

o

aspecto aplanado do to po do cabec;o parece resultar da aCC;ao erosiva do rio, sendo contudo provavel que a actividade humana the tenha conferido maio r r egularidade.

A superficie da plataforma esta coberta pOI" especies arboreas de plantio recent e, pinheiros e eucaliptos e pOI" um dens~ manto de herba­ ceas e gramineas. Quando l i mpa, deixa ver alguns raros blocos de pedra toscamente trabalhados arrancados pOI" antigos trabalhos de lavoura, bern

_ . (3 1 como abundantes fragme ntos de ceram~ca

A contornar a plataforma, no lado oeste, sao v i siveis pequenos troc;os bem conservados da face externa da unica fortificac;ao do povoado.

o

ESTlO) DO POVOADO. OBJECTIYOS E NETODOLOGIA

A nossa intervenc;ao no povoado foi determinada, em parte pela sua localizac;ao e em parte tambem pelas suas singulares caracteristicas topograf icas.

A pr oximidade do si ti o em rel a.t;ao a um dos t raqa.dos admi tidos

para a via XVIII e 0 aspecto quase poligonal da unica plataforma do cabec;o chegaram a suscitar a sua interpretac;ao como acampamento

0

(9)

romano (4) No entanto, nao existia qualquer elemento que permi tisse

considerar uma ocupa~ao segura do sitio na epoca romana. Com efeito, a grande maioria dos fragmentos ceramicos recolhidos na superficie do solo era de fabrico indigena, semelhante, por conseguinte, aos que aparecem nos castros da regiao.

Neste sentido, 0 nos so interesse resultou da importancia estrate­

gica do sitio, cuja interpreta~ao parecia

a

partida polemica, e do facto de este se distinguir topograficamente dos povoados mais conhecidos da regiao do Minho, que ocupam altitudes mais significativas, possuindo

. - f . (5)

outro tipo d e organlza~ao de enSlva .

Os objectiv~s que caracterizaram a nossa interven~ao no terreno foram sendo sucessivamente precisados com base nos resultados obtidos ao longo das diferentes campanhas.

A nossa primeira preocupa~ao consistiu em tentar definir 0 siste­

ma defensivo do povoado e em obter elementos para a sua data~ao. Foi esse 0 propos ito que norteou os primeiros trabalhos de campo, realizados em finais de 1980 e principios de 81 (6). Caracterizaram-se pela abertur a de um corte, no lado oeste da esta~ao, perpendicular

a

muralha, num dos locais em que esta se apresentava bern conservada (Est. IX). Com uma area considerave l, que abrangeu parte da plataforma, toda a largura da mura­

lha e ainda a vertente a te ao caminho, este corte permitiu estabelecer uma articula<;ao estratigrafica clara entre a ocupa<;ao do cabe<;o e a muralha defensiva, fornecendo igualmente importantes elementos sobre a

_ (7) sua constru<;ao .

Os resultados obtidos nesta campanha levaram-nos a sondar, em 1981 (8), 0 lado este do povoado. Procuramos confirmar ai a sequencia estratigrafica observada no corte A e detectar vestigios da fortifica<;ao nesse sector. Foram entao abertas quatro sondagens (cortes 1 a 4) (Est.

IX) que abrangeram, embora espa<;adamente, uma area de 21m de comprimen­

to. Os resultados nao confi r maram as nossas expectativas. Nao so nao indent ificamos qualquer vestigio de estruturas defensivas, como tambem const atamos uma grande erosao da plataforma e uma fraca sedimenta<;ao, sendo escassos os vestigios arqueo16gicos.

Em 1982 (9) fe i sondada a superficie da plataforma na area com­

preend ida entre 0 corte A e os cortes escavados em 1981. Um conjunto de seis sondagens (cortes 5 a 10) (Est. IX) permitiu obter, embora sem solu<;ao de continuidade, urn perfil estratigrafico significativ~ da s uperficie do cabe<;o.

11

(10)

Os trabalhos desenllolll i dos nestas tres campanhas de escalla<;ao acabaram pOl' fornecer uma primeira "radiografia" do pOlloado, no sentido Este-Oeste. A massa de dados obtida respeitante, quer a organiza<;ao defensilla, quer as fases de ocupa<;ao do sitio, foi considerada satisfa­

to ria para urn estudo prel iminar da esta<;ao.

Os dados recolhidos serao analisados POl' cortes. Para cada urn deles serao descritas as estruturas e a estratigrafia.

As estruturas de pedra foram indillidualizadas com letras, as fos­

sas com numeros. As camadas foram sempre numeradas de baixo para cima:

no corte A com numeros romanos, seguidos de letras que indillidualizam os diferentes nilleis; nos restantes com algarismos a r a bes; as camadas que enchem as fossas foram identificadas com letras minusculas.

No corte A foi feita uma articula<;ao entre os diferentes estratos e as estruturas defensillas 0 que permitiu descreller a estratigrafia POI' fases. Nos restantes cortes procuramos, sempre que poss i lle l, art icular entre si as camadas equillalentes. Foram assim definidas, para 0 conjunto dos sectores interllencionados em 1981-82, duas fases de ocupa<;ao, poste­

riormente relacionadas com as que foram indillidualizadas no corte A.

AS ESCAVAcjSes

1. Sondagem na muralha. Corte A

Este corte foi implantado entre as coordenadas X=121-124m e Y=-1-20m, possuindo portanto. as dimensoes g lobais de 21m metros de comprimento PO l' 3 de largura (Est. I X) .

A met odol ogia de escalla<;ao seguida t e ve em conta, quer os objec­

tillos propostos, quer as caracteristicas do pOlloado. No lado interno, ate a f ace lIisiliel da mu ralha, f oi feita uma decapagem em toda a exten­

sao do corte c om lIista a detec<;ao da fac e interior daquela estrutura.

Uma lIez est a identificada, subdillidiu-se a area a escallar, a fim de se obter uma lei tura pre llia da estratigrafia (Est. 111-1). Nes te sub-corte desceu-se abaixo das camadas arqueologicas, tendo sido es callado 0 hori­ zonte mais recente do terra<;o flullial. Foi assim identificado urn outro horizonte, aparentemente da mesma forma<;ao, que assenta directamente na areia de altera<;ao graniti ca.

(11)

A descoberta de um muro adossado a face interna da muralha, apenas com uma face, interpretado como um reforgo daquela es trutura, implicou a sua desmontagem (Est. IV-1). Pudemos assim compreender clara­

mente a sua construgao, bem como a relagao entre as duas estruturas. A evidencia de niveis arqueologicos sob a fortificagao, justificou tambem a sua desmontagem integral, que tornou possivel 0 estudo da fase de ocupagao mais antiga do sitio (Est. V-1).

Os trabalhos realizados na vertente (Est. IV-2), entre a face externa da muralha e 0 inicio do caminho, numa extensao de 10m, permiti­

ram identificar um fossa defensivo, escavado na rocha e implantado na base da vertente. A sua descoberta levou-nos a prolongar 0 corte inicial em mais 3m, visando a escavagao do enchimento da estrutura. Esta tarefa so viria a ser parcialmente concretizada em 1982, quando obtivemos a necessiria autorizagao do proprietirio do terreno (Est. V-2).

o

facto de sobre 0 fossa correr um caminho particular condicionou bastante os trabalhos de escavagao. Incapacitados de alargar 0 corte e de 0 manter aberto por mais tempo, dada a utilidade publica do caminho, vimo- nos forgados a entulhi-lo, nao tendo sido possivel atingir a rocha (10).

A. Estruturas, estratigrafia e fases de ocupa~ao

Este corte forneceu uma imagem bastante clara da sequenc ia de ocupagao deste sector do povoado (Est. X-1).

As estruturas de pedra resumem-se a muralha (est. A), ao seu muro de reforc;o (est. B) e a um outro, paralelo as outras construgoes, mas execut ado em epoca posterior (est. C). Registou-se ainda a presenga de um tosco a linhamento de pedras, que acompanha 0 perfil Norte do corte e que encosta a estrutura B.

Devemos assinalar igualmente a existencia de alicerces de estru­

t uras, abert as no nivel do terrago pleistocenico (Est. V-1) e a detecgao de virias lareiras. distr ibuidas pelas diferentes camadas assinaladas no corte.

Estruturas

A muralha (est. A) tem a largura de 2,30m e assenta directamente nos niveis arqueologicos anteriores.

E

uma estrutura pouco cuidada, de 13

(12)

0

faces toscas, orga ni zadas com pedras de dimensao, forma e talhe irregu­

lares (Est. 1V-1 e 2). Entre os blocos, a preencher os intersticios, existem pedras mais pequenas e terra. As cara cteristicas dos blocos e seu aspecto irregular most ram que a pedra foi simplesmente partida e nao faceada.

A altura da face interna da estrutura mostrou-se bastante irregu­

lar e nao excede os dois metros na zona mais alta. A face e xterna apre­

senta dimensoes mais homogeneas, que nao ultrapassam, todavia, 0 metro de altura. A potencia da camada de derrube detectada no enchimento no fossa permite, entretanto, considerar que a muralha deveria ser bas tante mais elevada (Est. V-2).

o

miolo da estrutura e constituido por terra solta e por pedras nao talhadas, de dimensoes variaveis, dispostas caoticamente.

A muralha e reforc;ada internamente por urn muro (est. B), de altura irregular, com cerca de 1,20m na zona mais alta. Tudo i ndica que as duas estruturas sao contemporaneas, pois assentam nos mesmos estra­

tos. Trata-se de urn mu r o composto apenas por uma face, constru i da tambem com pedra s simplesmente partidas (Est. 111-2). 0 s eu enchimento, compos­

to por pedras miudas e terra, encosta directamente a face interna da muralha.

A estrut ur a C foi interpretada como urn reforc;o mais tardio da muralha, visto possuir apenas uma face virada a plataforma, aparentando suster 0 enchimento que encosta a fortificac;ao.

E

de assinalar que a face desta est r utura foi feita ja c om pedra faceada, 0 que denota, em relac;ao as est r uturas A e B, urn certo avanc;o tecnico (Est. 111-1).

o

fosso, i dentificado na base da vertente, foi aberto na rocha, sendo ev identes os vestigios do corte da pedra. Uma vez que nao foi possivel escavar integral mente 0 enchimento da estrutura nao chegamos a determinar nem 0 seu perfil, nem a sua largura. Pensamos, todavia, que a incl inac;ao acentuada do material de derrube no interior do fossa 56 pode ser explicad3 pe la proximidade da sua outra face. A es trutura nao deveria ser, por conseguinte, muito larga e 0 seu perfil seria com alguma proba bilidade em V.

Pa r ece-nos i ndiscutivel que a muralha e o fos s a contemporaneos. As duas estrut uras articulam-se, nao 56 em termos opera­

ciona is de defesa, como tambem pela necessidade de materia-prima: nao existindo no cabec;o afloramentos rochosos significativos, e provavel que a ped r a indi spensavel a edificac;ao da muralha tenha side obtida pelo

(13)

proprio corte da rocha que vi r ia a formar 0 fosso.

A disposic,;ao e caracteristicas das camadas la, Ib e Ie, formando um talude de terra, bastante compacto, levou-nos a considera-las como fazendo parte de uma muralha de terra batida, anterior

a

fortificac,;ao de pedra (Est. IX). Das suas dimensoes iniciais pouco sabemos, uma vez que a altura e mesmo a largura da construc,;ao devem ter side alterada·s pela implantac,;ao das estruturas posteriores.

A escavac,;ao da vertente tornou visivel, pouco abaixo do talude, um profundo corte das camadas que compoem 0 terrac,;o, sobrepostas tambem aqui

a

areia granitica que cobre a rocha (Est. IV-2). Desse corte resultou a formac,;ao de um degrau, que acentuou 0 declive da vertente, inicialmente de pendor mais suave.

Parece-nos possivel admitir que a construc,;ao do talude, exigindo razoavel quantidade de terras e 0 corte identificado na vertente, impli­

cando a remoc,;ao de um volume consideravel das mesmas, sejam contempora­

neas, completando-se mesmo em termos de funcionalidade def ensiva.

Os alicerces de estruturas, abertos no terrac,;o fluvial, sao de difici l caracterizac,;ao. Alguns sao certamente buracos de poste, outros pod em cor responder a pequenas fossas, de finalidade desconhecida e outros pod em ter servido como regos (Est. XI). Estes testemunham a pre­

senc,;a neste sector de estruturas de caracter habi t ae ional, feitas de materiais pereciveis.

As lareiras sao abundantes, mas nenhuma delas foi encontrada associada a qualquer outra estrutura. Possuiam diferentes formas. Por vezes eram simples buracos abertos na terra, limitados por um pequeno aro de pedras toscas. Dent ro, possuiam niveis de cinzas e carvoes.

Outras, tinham uma base de pequenas pedras, nao raro calcinadas, dispos­

tas de forma mais ou menos circular. Outras ainda eram compostas por uma base de barre endurecido, por vezes delimitada por pedras e quase sempre coberta de cinzas e carvoes .

Est ratigrafia e fases de ocupa9ao

A leitura estratigrafica permitiu estabelecer uma articulac,;ao clara entre as camadas e a organizac,;ao das estruturas defensivas, tendo sido possivel definir tres sequencias de ocupac,;ao, que compreendem varias camadas (Est. IX).

Uma 1<! ocupac,;ao es t a representada pelo conjunto das camadas numeradas com l e e anterior

a

construc,;ao da muralha de pedra:

15

(14)

c.la - Are i a fina, pouco argilosa de cor cinzenta c l ara.

E

compacta e apresenta abundante material de origem granitica e quartzitica, bern como seixos rolados;

c.lb - Areia fina, pouco argilosa, de cor cinzenta, bastante cOmpacta. Integra pequenos e abundantes seixos rolados;

c.lc - Areia fina, de cor castanha, compacta. Possui pequenas bolsas de cores amarela e cinzenta e a pr e senta material de origem granitica e quartzitica, alem de seixos rolados;

c.ld - Areia muito fina, argilosa, compacta, de ton'ilidade ca stanha escura. Apresenta uma composic;ao semelhante as a nte riores e ainda pontos de carvao dispersos;

c.ld1- Variac;ao ma is escura da camada Id.

Este conjunto de camadas desenvolve-se imediatamente sobre os niveis quaternarios, compostos pelos depositos fluviais ja referidos. 0 mais antigo, de cor amarelada, e composto por abundantes seixos rolados, sendo sobreposto po r outro, muito argiloso, de cor vermelha alaranjada, que integra abundante material rolado. Foi neste ultimo nivel que se assinalaram os alicerces de estruturas que se encontram preenchidos pela camada Id1 (Ests. IX e XI).

A camada Id podera ser interpretada como nivel de ocupa c; ao, contemporaneo do talude, formado pelas camadas la, Ib e Ic. Essa inter­

pretac;ao fundamenta-se na existencia de lareiras, bolsas de argila cozi­

. _ (11)

da, bern como C1nzas e abundantes ca rvoes •

As camadas numeradas com II correspondem a uma 2~ fas e de ocupa­

<;[0 , sendo posteriores

a

muralha de pedra e ao seu reforc;o.

c. l la Areia mui ta fina, bastante argilosa, compacta, de cor cinzenta escura. Integra material de tipo fino e medio de origem granitica e quartzitica, seixos rolados e pontos de carvao d ispersos;

c. IIa1

-

Bolsa de areia muito fina, ar gilosa, de cor cinzenta escura.

E

compacta e revela pequenos seixos rolados e carvoes;

c. IIa2

-

Bolsa de areia fina, muito argilosa de cor cinzenta.

Possui material de tipo fino e carvoes;

c.IIb Areia muito fina, argilosa, compacta, de cor cinzenta muito escura. Tem material granitico e quart zi tico,

(15)

pequenos seixos e mui tos carvoes.

c.llb1 - Balsa de areia muito fina, muito argilosa, de cor cinzenta clara;

c. l lc - Areia muito fina, argilosa, de cor castanha escura, compacta. Integra material de tipo fino e media de origem granitica.

A existencia de la('eiras e de balsas de cinzas e carvoes, nas camadas IIa e lIb, permit iu interpreta-las como niveis de ocupa~ao.

A constru~iio da estrutura C define uma terceira sequencia de

ocupa~iio do sitio

a

qual correspondem as camadas identificadas com a numero III. A constru~iio desta tosca estrutura, apenas com uma face, parece ter sido determinada pela necessidade de suportar a derr ube da muralha que cobre completamente a estrutura B.

c.llla - Areia muito fina e argilosa, de cor amarelo-torrado.

E

compacta e apresenta material fino de origem granitica;

c.lIIa1 - Balsa de areia fina, bastante argilosa, de cor c inzenta;

c.lllb - Areia fina, argilosa, de cor castanha, compacta. Inte­

gra pequenos seixos rolados e algum carviio;

c.lllc - Apresenta as mesmas caracteristicas da camada IlIa ; c.llld - Areia fina, argilosa, cinzenta escura.

E

compacta e tem

carvoes e material granitico de tipo fino;

c.Ille - Areia fina, argilosa, de cor acinzentada. Possui abun­

dantes carvoes, seixos rolados e material granitico, de tipo fino.

A camada III e constituida par material de derrube, numa matriz de areia final pouco argilosa, de cor bej e. A IlIa pode relacionar-se direct amente com a constru~ao da muralha e tem caracteristicas de aterro.

QueI' a camada IIIb, quer ainda a IIId revelaram a presen~a de larei r as, podendo corresponder a niveis de ocupa~ao. Os estratos de entulhamento do fossa est ao identificados com a numero IV. Comegaram a de posi ar-se apos a abandono do povoado. Embora nao t enha sido atingida a rocha, julgamos que a camada IVb, correspondente a um espesso derrube, devera constituir urn dos primeiros niveis, senNa mesmo a primeiro, do

17

(16)

enchimento da estrutura (Est. V-2).

c.IVa1 - Areia fina, argilosa, compacta de cor lIariavel entre 0

castanho e 0 castanho amarelado, com seixos e algum material de origem grani tica;

c.IVa2 - Bolsa de areia fina, acinzentada, bastante compacta;

c.IVa3 - Areia fina, argilosa, compacta, de cor castanha alaran­ j ada .

A camada IVa1 pare e r esultar da "1avagem" dos mat eriais fin~s da lIertente, tendo servido posteriormente de leito de escorregamento do material de derrube da muralha. 0 mesmo fenomeno repete-se em I Va3. As duas camadas seguintes correspondem

a

demoli~ao da muralha.

c. I Vb - Nivel de demo l ic;ao composto por abundante mater i a l de tipo medio e grosseiro. A matriz e de areia fina, pouco argi l osa e pouco compacta, de cor castanha amarelada;

c.IVc - Idem, com material de tipo fino, medio e grosseiro, em matriz de areia fina, argil osa, compacta, de cor negra.

Sao bem evidentes e facilmente distinguilleis dois niveis de derrube. 0 mais ant igo apresenta material muito concentrado e e bastante espesso. 0 mais recente, sendo mais fino, revela-se mais rarefei to em mater i al grossei ro.

As camadas que se vao sobrepor ao derrube, ainda com alguns raros elementos de demoli C;ao, correspondem, com excep~ao da IVe , a deposic;oes naturais que vao tender a estabilizar a lIertente e a horizontalizar 0

solo sobre 0 foss o.

c. I Vd - Are ia f i na, argilosa, compacta, castanha acinzentada, com algu ns seixos e material de t ipo fino e medi o;

c. I Ve - Bolsa compos ta por cinzas e ca r ll oes,

c. I Vf - Areia fina, argil osa, compacta, de co r cast a nha. Tern seixos rol ados e elementos graniti cos de t ipo medio e gross eiroj

c.IVg - I dem de IVd;

c.IVh - Are i a f i na, pouco a rg ilosa. compact a, de cor castanha c l ara;

(17)

c.lVi - Areia fina, pouco argilosa, compacta, de cor beje;

c.lVi1 - Bolsa de areia, pouco argilosa, de cor cinzenta cl ara;

c.l j - Areia fina , argilosa, muito compacta, de cor beje clara.

I ncorpora abundantes seixos rolados.

A camada IVj, aberta na lVi, corresponde a um leito de prepara~ao

de um antigo caminho, do qual encontramos ainda algumas pedras revol vidas .

o

quadro estratigrafico que acabamos de analisar most ra claramen­

te tres mementos distint os na organiza~ao da defesa Oeste do povoado mas nao fornece, todavia, elementos para caracterizar as estruturas habita­

cionais correspondentes. Os alicerces de constru~oes r el acionadas com a

1~ ocupa~ao do local, sugerindo a existencia de cabanas fe itas com mate­

riais pereciveis, constituem 0 testemunho mais preciso de estruturas de caracter domes tico no sector. A presen~a de numerosas lareiras em varios

nive~s sugere, par out ro lado, que esta area do pov oado deve t el" sido intensamente ocupada como zona residencial .

B. Espolio

Numeroses fragmentos de ceramica, dois cossoiros e uma lamina de silex retocada, constituem a espolio exumado nesta intervenGao.

1. Ceramica

A ceramica, bastante abundante, e toda de f abri co indigena. As swas caracteristicas de fabrico sao comuns

a

ceramica da l dade do Ferro

~ (12 )

do Noroeste portugues . Os fragmentos possuem de um modo geral pastas mal cozidas, com muita mica e abundantes graos de quartzo. 0 seu acabamento r i obtido par um alisamento mais ou menos intense das superfi ies.

Apenas quatro fragment os, provavelmente de uma mesma pe~a, proce­

dentes da camada l a, mostram uma composiGao diferente (Est. XII-2). Sao de fabrico manual e possuem pastas bern cozida , de oar avermel hada, que integram pequenissimos elementos de mica a bundantes graos de quartzo.

A superficie externa fo ' fortemente polida. Estes atributos de fabrico nao sao comuns na CeramiCa da ldade do Ferro, mas pocem encontrar- e em produtos do Bronze Final desta regiao (13). As caracteristicas de ate rro

19

(18)

da camada onde foram encontrados nao permitem, contudo, acrescentar quaisquer elementos mais precisos sobre a cronol ogia desses materiais, que aparecem associ ados a uma lamina de si lex retocada, igualmente sem

paralelo no espolio da Idade do Fer ro (Est. XII-1) (14)

A camada Ib nao forneceu ceramica. Na parte super i or da camada Ic foram identi ficados varios fragmentos de vasos de fabrico manual, com pas tas muito grosseiras, muito micaceas e superf icies rugosas. Estas caracteristicas sao comuns as do escasso numero de pe9as detect adas na camada Id (Est. XII-3 a 8 ).

No seuconjunto as camadas pertencentes

a

1! fase de "cupa<;ao, que podera ter sido relativamente curta, forneceram pouco material. Esse facto di ficulta a caracteriza9aO deste espolio em relaGao ao das fases segu intes.

o

miolo da muralha integrava alguma ceramica, 0 mesmo acontecendo com 0 seu muro de refor<;o. Sao materiais semelhantes aos das camadas Ic e Id, sendo provavel que as terras que compoem 0 enchi ment o das es trutu­

ras tenham provido da superfi cie do solo, formado na altura por essas camadas.

Bastante mais abundante e significativa

e

a ceramica exumada nas camadas coevas e posteriores a fortifica<;ao de pedra.

Embora a reduzida dimensao de al guns fragment os torne dificil reconhecer os respectivos fabricos, 0 manual pa rece aqui f rancamen te dominante, podendo-se apenas admit ir 0 uso esporadico do torno lento na camada lIb. A quali dade das pastas e dos acabamentos

e

bastante varia­

vel. Existem fragmentos bastante grosseiros com superficies rugosas e out ros, com pastas mais depuradas e superficies bem alisadas.

A t endenc ia para urn maior cuidado no fabrico das pe<;as

e

noto,-ia nas camadas mais modernas, poste riores ao muro C, onde encontramos ja testemunhos do uso do torno.

Os estratos que preenchem 0 fossa apenas forneceram raros fragmentos de ceramica de fabrico indigena, essencialmente provenientes de escorregamentos da vertente. Ai foram tambem descobertos dois fragmentos de anforas, de forma e cronologia indeterminadas.

Mau grado a abundancia de ceramicas exumadas no corte intern a do povoado, nao foi possivel recuperar qualquer forma completa. Neste sentido tivemos que nos limitar a analise dos fragmentos: bordos, bases, asas e fragmentos decorados.

Constatamos apenas a ocorrenc ia de quatro formas de recipientes

(19)

diferentes: potes, potinhos ou pucaros, mal gas ou tijelas e pane las ou tachos de asa interior.

Tendo em conta 0 e1evado numero de camadas decidimos apresentar a ceramica de acordo com as tres sequenci as de ocupa~ao definidas.

Obtivemos, assim, uma amostragem de espolio mais significativa para ca da fase, que simplifica as compara~oes. Colocamos, contudo, algumas reservas ao espol io da 1~ ocupa~ao dado 0 nume ro reduzido de pe~as que forneceu.

1~ OCUP. 2'! OCUP. 3~ OCUP.

FRAGMENTOS TOTAlS

Ia,b,c,d lla,b,c lla,b,c ,d,e

Bordos 10 77 86 173

Bases 1 30 19 50

Asas 1 18 11 30

Decora~oes 1 18 31 50

TOTAlS 13 143 147 303

Corte A. Distribui~ao da ceramica.

Formas

A maioria dos fragmentos de bo rdos pertence a potes, forma repre­

sentada maioritariamente nas tres sequencias de ocupa~ao registadas.

Podemos, todavia, constatar uma diminui~ao desta forma entre a 1~ e a 3~

ocupagoes. Essa diminuigao faz-se acompanhar de um aumento significativ~

das panel as ou tachos de asa interior, ausentes na prime i r a ocupa~ao e por um acrescimo menos importa nte ~as malgas, ou tigelas. Os pot inhos ou pucaros, revel am uma distribuigao mais ou menos semelhante ao 10ngo das t res sequencias.

21

(20)

1! OCUP. 2! OCUP. 3! OCUP.

FORMAS TOTAlS

Ia,b,c,d IIa,b,c IIIa,b,c ,d,e

Potes 7 70% 52 68% 46 53% 105 60%

Pot./Puc. 3 30% 21 27% 25 29% 49 29%

Tigelas 2 3% 4 5% 6 3%

P.a. i. 2 3% 11 13% 13 8%

TOTAlS 10 100% 77 101% 86 100% 173 100%

Corte A. Distribui~ao das fo rmas .

Os potes registam tres variantes de bordos: esvasados (A) (Est s.

XlI-4j XlII-6), em aba soergui da (8) (Ests. XII-3j XIII-4 e 5; XV-1 a 4) e em aba hori zontal (C) (Ests. XIII-1 a 3; XV-5 a 10). A sua di s tribui­

~ao ao longo da sequencia estratigrafica regis ta certas osc ila~oes.

Verifica-se uma diminui~ao assinalavel do numero de bordos esvasados entre a primeira e a segunda ocupa~oes. Pe lo contrario, os potes de bordos em aba soerguida revelam uma nltida tende ncia para aumentar a sua representatividade. Os potes de bordos em aba hori zontal, ausentes na prime i ra fa se, parecem ter uma breve eXistenCia, desaparece ndo nas camadas mais recent es.

1<! OCUP. 2 ;\ OCUP. 3<! OCUP .

FORMAS TOTAl S

Ia ,b,c,d IIa,b,c IIIa,b,c,d,e

A 4 57% 13 25% 12 26% 29 28%

B 3 43% 28 54% 33 72% 64 61%

C 11 21% 1 2°/ ' 0 12 11%

TOTAlS 7 100% 52 100% 46 100% 105 100%

Corte A. Tabela de distribui~ao das formas de bordos dos potes.

(21)

OCUPA<;OES "/.

FORMAS

.

"

"

A- ii

!

0 A-

i }

0 A-

Fig. 1. Corte A. Evolu~ao das formas de ceramica representadas na sequencia estratigrafica.

23

(22)

Os potinhos, ou pucaros revelam tendencias diferentes as registadas pelos pot es. Assim, os bordos esvasados (Ests. XIV-3 e 4;

XVIII-5 a 7 .

,

XX-2) t endem a aumentar sempre de modo significativo, enquanto que os bor dos em aba soerguida perdem importancia (Es ts. XIV-1 e 2'

,

XVI-2 e 3'

,

XVIII-2) . A variante C apar ece apenas na ultima sequencia de ocupa~ao (Est. XX-1).

1i! OCUP. 2i! OCUP. 3i! OCUP.

FORMAS TOTAlS

I a , b, c,d IIa,b,c IIIa, b,c, d , e

A 1 33% 14 67% 18 72% 33 67%

8 2 67% 7 33% 5 20% 14 29%

C 2 8% 2 4%

TOTAlS 3 100% .21 100% 25 100% 49 100%

Corte A. Tabela de distribui~ao dasformas de bordos de potinhos ou pucaros.

Classif i camos como mal gas ou tigelas um escasso numero de fragmentos, cujas dimensoes, formas de bordos e labios e sobret udo a

inc lina~ao das pa redes, sugerem pertencer a reci pientes para comer ou be ber.

Os fragmentos revelam bordos bastante diferenciados, podendo ser simples, constituindo 0 simples remate da panga (Est. XVI-9), oU espes­

sados interna e externamente formando neste caso uma pequena aba hor izontal (Es t. XVI -6), por vezes com uma concavidade destinada prova­

velmente a suportar uma tampa (Est. XVI-7).

As panelas ou t ac hos de asa interior encontram-se pouco represen­

tadas neste sector do povoado, sendo possivel que assinalem aqui um momenta inic ial da sua produ~ao.

Os exemplares da 2i! sequencia de ocupagao, sao de fabrico manual (Es ts. XVI-a; XVIII-10) . Os da 3!!, uns sao manuais (Est. XIX-2 e 3), outros sao ja feitos a torno (Est . XIX-1 e 4; XX-3 ). Os seus bo r dos regist am consideraveis var iantes: uns rematam em lanios espessados concavos (Est . XVI-a), outros em labios rectos hor izontais (Est. VIII-9 e 10 ), ou rectos inclinados para 0 interior (Est. XIX-1).

(23)

Bases

Os fragmentos de bases assina lam quatro variantes de fundos:

pIanos (A); pIanos ala rgados (8); concavos (C) e cone avos alargados (0).

1! OCUP. 2! OCUP . 3! OCUP.

FORMAS TOTAlS

Ia , b ,c, d IIa, b,c III a, b , c,d,e

A

8 C D

1 10

14 2 4

33%

47%

7%

13%

2 14

3

11%

74%

16%

13 28 2 7

26% 56%

4%

14%

TOTAlS 1 30 100% 19 101% 50 100%

Corte A. Distribui~ao das variantes de bases.

Observa-se uma pr edominanc ia das bases da forma B (Es ts. XIV-8;

XVI-11 e 12), que se torna quase exclus iva na ultima ocupa~ao, enquanto que as out ras va riantes se tornam cada vez menos si gnificativas, de sapa­

recendo mesmo uma delas (C) (Es ts. XIV-7 e 9; XVI-10).

As dimensoes das bases sao bastante diversificadas, nao ultrapas­

sando, contudo, os 30cm de diametro.

As bases de f undo pla no alargado (B ) e de fundo concavo al argado (C) ossuem uma ma i or amplitude de dimensoes .

E

entre estas va riantes que registamos a presenc;a dos maior es fragmentos, pOl' vezes com 0 fundo interno refor~ado peia aplica~ao de bocados de argila. Regi stam-se tambem, com alguma frequencia, impressoes es tabilizadoras nestes fundos (Est. XVI-12). Estas bases deverao tel' pert encido a potes de grandes dimensoes .

Asas

Os fragment os de asas apres nt am um numero relativamente diversificado de formas. Procuramos sistemat iza-las de acordo com as respectivas secc;oes. Detect amos a Presen~a de asas de sec~ao mais ou menos rectangular (Est . XI I-7), de as as definidas par doi toros paralelos nas extremidades da superficie extern (Est. XIV-11), de asas

25

(24)

de sec~ao triangular (Es t. XVII-4 ), de asas de sec~ao pentagonal (Est.

XVll-2 ), de asas de sec~ao ma is ou menos circular (Ests. XVl l -3; XIX-5 ), de as as de secgao semi-circular (Est. XVll-1) e ainda de asas molduradas

(Est. XlV-10).

As quatro primeiras formas referi das constituem variantes de asas de pucaros. Desenvolvem-se, quer sobre 0 bojo das pe~as (Est. XVII-4), quer s obre tudo entre 0 labio e a parte alta da pan~a (Est. XVll I-6 e 7).

As asas de sec~ao circular e semi-circular pertencem a panelas ou tachos de asa inter ior.

1i! OCUP. 2§! OCUP . 3§! OCUP.

FORMAS TOTAlS

la, b , c , d Ila,b, c llIa, b ,c,d, e

Rectangulares 1 2 11 % 3 10%

Molduradas 1 5,5% 1 3%

Tr i a ngulares 2 11% 2 7%

Pen t ago nais 7 39% 6 55% 13 43%

Circul ares 3 17% 4 36% 7 23%

Semi-circula r e s - 1 5,5% 1 9% 2 7%

Escocia 2 11% 2 7%

TOTAlS 1 18 100% 11 100% 30 100%

Corte A. Distribu i~ao dos fragmentos de asas.

Na 1i! ocupagao obser vamos apenas a presenga de um unico fragmento de asa, de secgao rect angular.

Ja

nos niveis correspondentes

a

2§! ocupa­

~ao deparamos com uma multipl icidade de formas que se restringe novamen­

te na ocupagao mais recente.

As asas de sec gao c i rcular regist am uma certa evolu~ao entre a 2~

e a 3~ ocupa~oes. Assim na 2~, os exemplares sao mais pequenos pare cendo adaptar-se a recipientes de menores dimensoes, de paredes mais finas. Na

3~ sao mais robust as, podendo associar-se a pe9as mais volumosas.

As asas molduradas em escopia aparecem apenas na 2i! sequencia de

ocupa~ao e mesmo ai em pequena quantidade.

(25)

Oecorac;oes

Apesar da presen<;a de urn nurnero bastante reduzido de fragmentos decorados, em relac;ao ao conjunto total da ceramica estudada, verifi­ cames a xistencia de urn numero diversifi cado de gramaticas decorat ivas, obtidas por incisao, estampilhado e decora<;ao pl astica. Sao frequentes os triangulos (Est. XII-8; XVII -8 e 9), os circulos conce ntricos (Est.

XVII-10), os SSS (Est . XVII-11 a 13), os puncionados (Est. XX-9 e 11) e os cordoes em relevo com incisoes em espinha (Est. XIV-12). A maior pa rte destes motivos associa-se a series de caneluras horizontais que podem tambem ocorrer sozinhas (Est. XVIII-5).

A distr ibui~ao destes temas ao longo das tres ocupa<;oes e bastan­ te diferente. Na 1'! ocupa<;ao registamos apenas a presen~a de um unico fragmento decorado com triangulos inscr itos. Na ocupa<;ao seguinte assiste-se a uma verdade ira explosao de gramaticas decerativas, que se restringem na ocupa<;ao mais recente. Nesta predominam as incisoes e os estampilhados quase sempre em associa<;ao com cane luras.

1~ OCUP. 2'! OCUP. 3'! OCUP.

FORMAS TOTAl S

Ia,b,c,d IIa ,b,c IIIa ,b,c,d,e

Triangulos 1 7 39% 8 16%

Recti culados - 1 6% 1 2%

I nc i soes 3 17% 11 35% 14 28%

SSS 3 17% 7 23% 10 20%

Circulos 2 11% 2 7% 4 8%

Co rdoes 2 11% 2 4%

Caneluras 11 35% 11 22%

TOT IS 1 18 101% 31 100% 50 100%

Corte A. Reparti<; ao dos temas decorativos.

dos mas

2. Liticos

Nas camadas co r res pondentes as 2'! e 3~ ocupa<;oes, f oram det ecta­ numerosos seixo rol ados de ori gem granit ica e uartzitica, com for­ e dimensoes bastant e irregulares. A maior part e aparenta prov ir dos

27

(26)

ni ve is de terra~o que cobrem 0 cabe90, nao sendo possi vel atribuir-lhes qualquer finalidade especifica.

A un ica pe9a litica detect ada neste corte provem da camada Ia e consiste num fragmento de uma lamina de silex retocada (Est. XII-1). A sua associa~ao com da is fragmentos de cerarnica Que consideramos tecnica­

mente enquadraveis no Bronze Final (Est. XII-2), permite supor que a pe9a possa ter a mesma cronologia, nao se conhecendo para ela quaisquer paralelos na Idade do Ferro.

3. Cossoiros

Neste cor te foram apenas identificados dois cossoiros feitos de ceramica. Urn deles (Est. XIV-13) provern da camada IIa e tem forma bulbosa, com a face supe rior concava. 0 out ro (Est. XVII-5) tern forma discoi de, assimetrica, com face superior convexa e foi encontrado na camada l Ib.

Qualquer destas formas e frequente nos cas tros do Norte do pais durante a Idade do Ferro(15).

C. Sintese

As sondagens realizadas na zona da mur alha permitiram observar a evolu9ao do sistema defensivo do povoado. A sequencia de estruturas e os numerosos niveis forneceram tambem elementos para caracterizar as primeiras fas es de ocupa9ao do s i t io. Ass im, foi possivel definir tres moment os distintos a partir da sobreposi9ao das estruturas que integram varias carnadas.

A um pr irneiro momento, que cons ideramos corresponder tambem ao inicio da ocupa9ao do cabe90, pertencem os vestigios de uma muralha de terra batida, formada pelas camadas la, Ib e Ic. Pouco sabemos das dimensoes originais desta estrutura, uma vez que a sua altura e prova­

velmente tambem a sua largura terao sido alteradas pela implanta9ao das est ruturas posteriores. Ela deveria ser, no entanto, mais desenvolvida.

A avaliar pelo que resta dos estratos relacionados com a constru<;ao desta primei ra estrutura, mesmo admitindo-se que possam ter sido parCialmente destruidos -pela impl anta9ao da muralha de pedra, e prova.vel que es te sistema defensivo tenha vigorado durante pouco tempo.

A este momenta sao reportaveis alguns buracos de poste, bern como

(27)

possiveis alicerces de estrut uras I encontrados na base do corte e esca­

vados no ni vel mais recente do terra~o quaternario. A pequena largura do cort e nao permite todavia reconstituir qualquer planta coerent e relacio­

nada com aquelas estruturas. De qualquer modo elas devem corresponder a alicerces de constru96es feitas de materiais pereciveis.

Os materiais associados aos niveis correspondentes a es ta fase sao bastante escassos e de um modo geral pouco caracteristicos . A cera­

mica, toda de fabrico manual, revela uma composi9ao micacea e

e

bastante grosse ira. As formas representadas restringem-se a potes e a potinhos ou puc ros.

Um segundo momenta de ocupa9aO esta representado pela cons tru<;ao e utiliza<;ao de uma muralha de pedra, refor<;ada internamente e por um fossa escavado no substrato rochoso, na base da vertente. As duas estru­

turas, bem como 0 desbaste das camadas de t erra<;o, realizado na verten­

te, a fim de aumentar 0 seu pendor, garantiram concerteza uma protec<;ao eficaz a este lado do cabe<;o, que possuiria escassas defesas naturais.

Embora tenham side registados alguns n1veis de lareiras nas cama­

das posteriores

a

const ru<;ao da muralha nao observamos qualquer alicerce de estruturas de caracter habi tacional relacionadas com esta fase. Toda­

via, a concentrac;;ao das lareir as junto

a

muralha sugere uma intensa ocupa<;ao deste sector do povoado.

E

provavel que este momenta corresponda igualmente a uma ocupa<;ao mais intensa da pl ataforma do ·cabe<;o. Podemos pelo menos admitir que a abertura de algumas fossas, posteriormente inutilizadas, deve remontar a esta fase.

Os materiais encontrados nas camadas que se rel acionam com a

utiliza~ao da muralha sao bastante mais abundantes do que aqueles que foram detectados na ocupa<;ao anterior, mas restringem-se unicamente

a

ceramica. Mau grado 0 seu genera lizado estado de fragmenta~ao verif ica­

mos que a ceramica

e

nesta fase funcion almente mais diversificada, registando-se 0 aparecimento de novas formas , como as t igelas e as pane­

las ou tachos de asa interior. A variedade de formas de bases e a profu­

sao de temas decorativos representados assinalam uma certa criatividade da olaria deste per iodo.

o

terceiro momenta de ocupa<;ao foi definido com base nas camadas

posteriores

a

const ruc;;ao de um muro, apenas com uma fac e, fe i to com pe­

dras faceadas, que parece corresponder a um segundo reforc;;o da muralha.

Este refort;o pode ser justificado como forma de suster 0 derrube da

29

(28)

muralha, mas denota tambem um des i nteresse pela repara~ao daquel a estr'u t ura.

Embora continuemos a registar a presen<.;a de lareiras junto

a

mural ha, nao assinalamos a presen~a de qualquer estrut ura de car'acter habitacional.

As sondagens real izadas na plat aforma mostraram entretanto que algumas das fossas, eventualmente abert as na fase anterior, foram ent u­

lhadas ao 10ngo deste momenta de ocupa <.;ao, pois rev elam um espolio bas­

tante semelhante aquele que foi encontrado nas camadas posteriores a constr'u<.;ao do mura C, ou sej a do refor~o da muralha.

Do ponto de vista da cer'ami ca esta ultima ocupagao correspondera

a

generaliza~ao do usa do torno, registando-se tambem certos progressos tecnicos a nivel da prepara~ao das pastas e dos acabamentos das pegas.

No entanto, a cer'amica vai manter ainda as suas caracteristicas funda­

mentais, nao se verificando qualquer altera~ao profunda a nivel morfol o­

gico. No essencia1 as formas que caraeterizam a produ<.;ao indigena das

ocupa~oes anteriores mantem-se, assinalando-se tao so certas pr eferen­

eias ao nive l dos bordos e das bases das pe<.;as .

2. Sondagens de 1981 e 1982: cortes 1 a 10

Os importantes resultados estratigraficos obtidos nos trabalhos realizados entre 1980-81 no corte da muralha levaram-nos a sondar uma outra zona do povoado, perto dos l imites da plataforma, com vista a deteetar novos vest igios da fortifica~ao e confirmar a est ratigrafia j a obtida.

Com esse propos ito foram abertos 4 cortes, numerados de 1 a 4, cuja escava<.;ao constituil.l 0 essencial dos t raba1hos no ano de 1981.

Foram implantados a partir de urn ressalto no terreno, defi ni do peia curva de nivel dos 62m (Est. IX ) , que juigamos corresponder a uma estrutura, em direc~ao ao limite Este do t abu l eiro. A Norte e SuI ficaram Iimitados respect ivamente pel os eixos X= 136-139.

Os resultados obtidos nestas sondagens, bastante desiguais e algo inesperados, levaram-nos a prossegui r em 1982 as prospecgoes na superfi­

cie da pl ataforma. Optamos, entao, pOr' oriental' os novos cortes de aeor­

do com os eixos que corr'espondem ao al inhamento do corte A e que sao:

X=121-124.

(29)

Passamos a descriminar de seguida cada um dos cortes, analisando­

-se as estruturas e estratigrafia e 0 espolio.

Corte 1: X=136-139; Y=85-89.5m

A. Estruturas e estratigrafia

Este corte, com as dimensoes globais de 3x4,5m, inte£ra parte do ressalto correspondente

a

curva de nivel dos 62m. Inicialmente previsto com as dimensoes de 3x3m, viria a ser prolongado mais 1,5m no sentido Este, para abranger tambem 0 seu declive (Est. XXI) .

Pouco profundo, nao revelou qualquer estrutura arqueologica. Sob uma camada de terra vegetal, de espessura variavel foi observada uma camada de terra~o de cor amarelada, com abundantes seixos rolados. Uma outra camada de cor amarela, com pontos de cinza e carvoes (c.1) assenta parcialmente, quer no nivel do deposito fluvial ai existente, quer na camada s ibrosa de decomposi~ao granitica que cobre a rocha.

A zon foi sujeita a profundos revolvimentos, assinalando-se a existencia de numerosos buracos abertos na camada de terra~o. Os seus enchi mentos integram terra vegetal, areao granitico e elementos resul­

tantes da perturba~ao do nivel do terra~o fluvial .

B. ESpOlio

Este corte, sem "nteresse arqueol ogico de maior, apenas forneceu alguns fragmen os de ceramica de fabrico indigena.

Corte 2: X=136-139; Y=92-94m

A. Estruturas e estratigrafia

As caracter'sticas das camadas observadas neste corte justifica­

ram apenas a sua escava~ao parCial , pelo que ficou reduzido a uma area de 3x2m (Est. XXI) .

Revelou sedimentos pouco profundos, que nao ul t rapassam os 60cm de altura. Num dos lados, foi atingido 0 afl oramento r ochoso, no outr~,

apenas a areia de altera~ao granitica.

o

ni vel fluvial, identificado no corte 1 estava ausente na area abrangida p~r este corte. Arocha aflorava praticamente

a.

superficie e

31

(30)

era coberta POl" uma camada saibrosa. Nos sitios com maior espessura de sedimentos, corres pondentes a um maior afundamento da roc ha, observou­

-se , sob a terra vegetal, uma sucessao de duas camadas . A c.1, mais antiga, assenta no saibro.

E

castanha acinzentada e apresenta material litico e bolsas de areao granitico. A c. 2 e amarela acastanhada e revela bolsas arenosas mais claras.

Neste co rte assinalaram-se tambem viola~oes recentes.

8. Espolio

o

espolio reduz-se a pequenos e raros fragmentos de ceramica ind ige na.

Corte 3: X=136-142; Y=95,5-101.5m

A. Estruturas e estratigra~ia

Inicialmen te com uma area de 3x3m, este co rte viria a ser alarga­ do, ainda em 1981, 1,5m no sentido suI. 0 seu pos terior alargamento, em 1982, deJ-lhe as dimens5es finais de 6x6m (Est. XXI).

A profundidade atingida foi bastante variavel devido

a

presen~a

de foss as abertas no ar eao granitico. A espessura dos sedimentos e pequena e a rocha chega mesmo a af loraI', no lade oeste do corte, a cerca de 10cm da superfi cie (Est. XXI) .

A sequ~ncia estrat igrafica assinalada e relativamente homogenea.

Duas camadas sobrepoem-se de forma mais ou menos regular, quer

a

a reia de al tera<;ao granitica, que I"

a

rocha, quer ainda aos enchimentos das

fossas que consideramos unidades independentes (Est. XXIII).

c.1 - Terra amar ela acast anhada, com tons mais escuros nal gumas zonas. Apresenta pontos de carvao dispersos.

c.2 - Terr a de cor castanha esc ura, com raros pontos de carvao e alguns blocos de pedra, resul tantes do derrube de estrutu­

rase

Es tas camadas sao cobert as pela terra vegetal que assenta direc­ tamente na rocha, nos sitios em que esta

e

mais superficial.

Os sucessivos alargamento~ deste corte permitiram detectar 7 fossas, das quais apenas 5 foram escavadas integralmente, varios buracos de poste e ainda 4 alicerces, de estruturas de pedra (Est. XXI).

(31)

Fossas

Fossa

E

uma estrutura de razoaveis dimensoes, cujos eixos maiores tern respectivamente 3 e 2m. A s ua pr ofundidade maxima nao ultrapassa os 60cm (Est. XXIII-1).

Foi aberta directamente na areia de alteraC;ao granitica, nao tendo cortado nenhum estra to arqueologico. 0 seu enchimento e constitui­

do POl' duas camadas (a e b) e encontra-se selado pOl' dois niveis (c.1a e

1 b) •

c.a. Apresenta as caracteristicas do areao granitico. Tem uma cor cinzenta esbranquic;ada e con tern raros pontos de carvao e barro queimado.

E

muito argilosa e cons istente. Poderia corresponder a urn revestimento da fossa. Nao forneceu qual­

quer espolio;

c.b. Terra de cor cinzenta, com variac;oes mais claras e mais escuras, estas ultimas resultantes da concentrac;ao de cin­

zas e carvoes. Forneceu espolio;

c.1a. Nivel amarelo claro, com pigmentac;oes coloridas negras e vermelhas, resultantes da concentrac;ao de carvoes e de argi1a. Era bastante compacto e cobria apenas 0 enchimento da fossa;

c.1b. Lareira formada pOl' urn nivel de argila cozida, bastante consistente, de cor vermelha.

Fossa 2

Tern dimensoes inferiores as da fossa 1. Os seus eixos maiores nao excedem 1,70 e 1,50m e a sua profundidade maxima e de 50cm. Foi igual­

mente aberta no arelio granitico e e cober ta pelas camadas 1 e 2 (Ests.

X I; XXIII -2l.

o

seu enchimento e constitui do pOl' uma unica camada (a) que apre­

senta caracterist i cas semelhantes

a

c.b da fossa 1, embora de tonalidade ligeiramente mais clara.

Enterrado na parte mais profunda da fossa encontrava-se um grande vaso, praticamente intacto (Ests. VI-2; XXIX).

33

(32)

Fossa 3

Foi tambem aberta na ar eia de alterac;ao granitica e apresenta dimensoes proximas das da fossa 2, sendo todav ia me nos prof unda (Est.

XXI; XXII1,3 ) •

o

seu enchimento e composto por uma unica camada (a), caract eri­

zada por terra castanha escura, com manchas de a r eao mais c l aras.

E

sobre posto pelas camadas 1 e 2 ja referenciadas.

Fossa 4

Igualmente aberta no areao granitico, itinge a profundidade maxima de 50cm. Os seus eixos maiores tem respectivamente 2m por 1,60m.

Encontrava-se entulhada com uma unica camada (b), de cor cinzenta escura, com pontos de carvao e argila cozida (Ests. XXI; XXIII-3). Na parte mais profunda da fossa assinalamos vestigios de uma outra camada esteril (a), amare la esbranquic;ada, muito semelhante

a

c.a da fossa 1.

Um estreito nivel de argila cozida, de cor vermelha, parec e selar 0 seu enchimento. Sobre ele assenta uma camada castanha escura (c.1a) que consider amos uma variac;ao da c.1.

Esta fossa foi cortada pela abertura da fossa 5. A separa-las existe um tosco alinhamento de pedras .

Fossa 5

Parci almente aberta no enchimento da fossa 4, t em de eixos maiores respectivamente 2m e 1,50m (Est. XXI).

o

seu ent ulhamento foi feito com camadas diferentes (Est.

XXIII-3) que passamos a descrever:

c-.a. Terra de cor amarela, misturada com saibro e pedras;

c.b. Terra de cor preta com carvoes e pigmentac;oes amareladas;

c.C. Ni vel vermelho composto por argila cozida .

Estava coberta pela camada 1a, que se sob repoe tambem

a

fossa 4.

Sucedem-se varios estratos, cortados por buracos recentes. No eiltanto, assinalam-se ainda os vestigios da camada 1,

a

qua] encosta 0 alicerce da est rutura cortada por uma va la (c.3). Aquele al icerce encosta ainda a um enchimento de terra cast anha (c.Ib) que se sobrepoe

a

c.1a e que foi

igualmente perturbado po r ym buraco (c.5) (Est. XXIII -3 ).

(33)

Fossa 6

Esta estrutura nao foi totalmente escavada (Ests. XXI; XXIII-1).

Revelou um enchimento bastante semelhante ao das fossas 1,2 ,3 e 4, composto por terra cinzenta escura, com pigmenta~oes amarelas, result an­

tes da presen<;a de saibro e vermelhas, constitui das por barro desagrega­

do. Possuia ainda pontos de carvao dispersos.

Cobriam 0 ench imento dois niveis pouco es pessos: um deles (c.1a) era composto por terra cinzenta, com carvoes dispersos; 0 outr~ (c.1b ) por a r eao granitico (Est. XXIII-1).

Sobre a fossa assinalou-se ainda a presen<;a de um nivel de demo­

li<;ao (c .2a), que consideramos ser uma variante da camada 2.

Fossa 7

Esta fossa, assina l ada no limite do c orte (Y=101 ,5m), nao foi escavada (Est. XXI).

Apesar da maior parte destas estruturas nao ter aparentemente cortado qualq uer nivel arqueologico e nao podermos avan<;ar elementos cronologicos sobre a epoca em que terao sido abertas,

e

possivel admitir que as fossas 1,2,3 e 4 tenham sido usadas simultaneamente. A fossa 5

e

seguramente posteriDr

a

4 e a 6 posterior a todas ela s.

A f uncional i dade inicial destas estruturas

e

dificil de estabe le­

cer, uma vez que dela nenhum tra <;o ficou. Sabemos apenas alga sobre 0

seu entul hament o .

As fossas 1,2,3 e 4 parecem ter sido entulhadas intencionalmente e na mesma epoca. Os seus enchimentos sao semelhantes, como semelhante

e

tambem 0 espol io encontrado no seu interior. As terras utilizadas devem ter provido da superfic ie e contem vestigi os pertencentes a um momento de ocupa<;ao posterior

a

abertura das estruturas. As caracteristicas dos enchimentos mostram, por outro lado, com excepgao da fossa 5, que elas foram entulhadas de uma so vez, apos 0 que parecem ter sido seladas: nao deixa de ser interessante constat ar a existencia de ni veis de argila cozi da e mesmo de lareiras sabre quase todas elas.

A f ossa 2 apre senta ainda a originalidade de conter um vasa (Est.

XXIX), praticamente inteiro, 0 que deixa admitir a hipotese de um depo­

sito ritual. Esta interpreta<;ao fundamenta-se no facto do vasa ter sido reut il izado, uma vez que ja esta va parti do quando foi enterrado, nas carac teristicas do seu enchiment o, onde exist iam numerosas cinzas e um

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