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Legislação

No documento MARCIANO CARNEIRO CANOAS, 2016. (páginas 21-25)

O VANT possui regras próprias que diferem da já conhecida atividade de aeromodelismo, por isso precisa de certificação e autorização para voo. Para operação experimental de RPAS, deve ser solicitado à Agência Nacional da Aviação Civil - ANAC um Certificado de Autorização de Voo Experimental – CAVE conforme as seções 21.19 e 21.193 do Regulamento Brasileiro da Aviação Civil nº 21/10 de 23 setembro de 2010 – Departamento de Controle de Espaço Aéreo - DECEA – Veículos Aéreos Não Tripulados. Para operações de fins lucrativos, operações caracterizadas como não experimentais, deve ser encaminhado à ANAC um requerimento devidamente embasado destacando as características da operação pretendida e do projeto do RPAS, de modo a demonstrar à ANAC que o nível de segurança do projeto é compatível com os riscos associados à operação.

A Instrução Suplementar nº 21-002 intitulada “Emissão de Certificado de Autorização de Voo Experimental para Sistemas de Veículos Aéreo Não Tripulado”, de 05 de novembro de 2012 e retificada em 23 de novembro de 2012

para RPAs acima de 25Kg voando acima de 400 Pés ou 121,92 metros acima da superfície terrestre ou além da linha de visada, ainda que abaixo desta altura.

Além disso, o registro de aeronaves, no Registro Aeronáutico Brasileiro – RAB é um pré-requisito necessário para emissão de um Certificado de Autorização de Voo Experimental. Até o momento, pouquíssimos CAVE foram autorizados para uso civil de RPAs no Brasil. Para o caso de aeromodelos, há a Portaria DAC n°

207, de 07 de abril de 1999, que estabelece as regras para a operação do aeromodelismo no Brasil.

A atual legislação para operação de Veículos Aéreo Não Tripulados utilizou como referência a Portaria DAC n° 207, criando assim regras nova s para este tipo de operação:

a) Altura de voo maior que 120 metros somente com autorização (CAV);

b) Proibido voos sobre área urbana, aeroportos e aglomerados de pessoas;

c) Espaço aéreo restrito;

d) Apenas o ARP é permitido;

e) Autorização da ANATEL, ABC e DECEA.

f) Em 30 de janeiro de 2013, o comitê VANT apoiado pela ABIMDE apresentou uma proposta para ANAC segundo a classificação MTOM (massa máxima de decolagem). Tabela 01 mostra as classes de RPAs segundo MTOM.

Quadro 1 - Classes de RPAs

Fonte: MTOM, 2015.

Esta por sua vez apresenta como regra geral que todas as empresas executem trabalhos utilizando RPAs de qualquer classe as quais deverão ser registradas na ANAC para obtenção da licença de operação. Nesta licença, que deve ser renovada anualmente, estarão definidas as regras para operar os RPAs, a qualificação da operação e equipe de acordo com cada classe. Licenças de voo adicionais serão necessárias apenas para voos que não seguirem as regras básicas de cada classe ou classe especial que vier a ser citada.

RPAs de classe A, B e C podem voar sem licença de voo ou NOTAM e sem sistema de Sense and Avoid, cumprindo todas as premissas abaixo:

a) Voo não pode ser totalmente autônomo. O piloto em comando tem que ter controle total do RPA em qualquer etapa do voo;

b) Voo diurno VFR e VMC – Linha direta de visada (Direct Line of Sight) – máximo 500m;

c) Voo de no máximo 500 ft (150m) AGL;

d) Retorno e / ou pouso automático na perda do link de comando (rádio);

e) Retorno e / ou pouso automático se o RPA sair do “envelope operacional”

permitido (classe B, C, D e E);

f) Presença de sensor barométrico para informar a altura a qualquer momento;

g) Voo a 150m de pessoas ou área populosa de uma cidade ou outros locais classificados como proibidos;

h) Voo a mais de 5.500m de um aeroporto (voo com distâncias menores apenas com autorização prévia do ATC);

i) Voo em espaço aéreo controlado ou restrito apenas com autorização prévia;

j) Avaliação prévia da fixação da carga paga e condições meteorológicas conforme a capacidade de voo do RPAs;

k) Presença de um log de todo o voo executado;

l) Pré-revista de segurança do local de voo;

m) Licença / aprovação do proprietário da terra onde será executado o voo quando pertinente;

n) Operação de acordo com o manual do VANT;

o) Seguro contra terceiros;

p) Tanto o RPAs quanto a estação de terra devem ter visíveis o número da licença de operação concedida pela ANAC e os dados de contato do operador. Se o RPAs for pequeno demais para afixar as informações, devem estar disponíveis na estação de terra. Não será exigida certificação de aero navegabilidade das classes A e B. As classes C e D poderão, a critério da ANAC, serem sujeitas à inspeção para verificar condições de aero navegabilidade. A classe E é regida por norma unificada tipo EASA.

Em 2015 a ANAC apresentou novas regras que estavam em fase de consultoria pública, que iniciaram no dia 3 de setembro com duração anunciada de 30 dias, onde interessados podiam enviar sugestões por e-mail para a ANAC. A previsão de lançamento dos novos procedimentos para utilização dos VANTs no Brasil ficou para o primeiro semestre de 2016. As regras apresentadas priorizavam a segurança do espaço aéreo – que terá apoio do DECEA – e o controle da operação e fabricação dos VANTs brasileiros e importados.

A proposta divide todas as Aeronaves Remotamente Pilotadas (RPA) em três classes:

a) Classe 1 (peso maior que 150 Kg) – Aeronaves deverão ser certificadas pela ANAC, serão registradas no Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB) e pilotos deverão possuir Certificado Médico Aeronáutico (CMA), licença e habilitação. Todos os voos deverão ser registrados.

b) Classe 2 (peso menor ou igual a 150 Kg e maior que 25 Kg) – Aeronaves não precisarão ser certificadas, mas os fabricantes deverão observar os requisitos técnicos exigidos a ter o projeto aprovado pela agência. Também deverão ser registrados no RAB, e pilotos deverão possuir CMA, licença e habilitação. Todos os voos, ser registrados.

c) Classe 3 (peso menor ou igual a 25 Kg) – Se operados até 400 pés acima do nível do solo (aproximadamente 120 metros) e em linha visada visual, serão apenas cadastrados (apresentação de informações sobre operador e o equipamento). Não será requerida CMA nem será necessário registrar os voos. Licença e habilitação somente serão requeridas para quem pretender operar acima de 400 pés. As operações

de RPA até 25 Kg só poderão ocorrer a uma distância mínima de 30 metros de uma pessoa.

d) Idade mínima – Os pilotos de RPA das três classes deverão ser maiores de 18 anos. pelas autoridades de segurança pública competente.

No documento MARCIANO CARNEIRO CANOAS, 2016. (páginas 21-25)

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