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1.6.2.1 LEI 9.099/95 E A VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES

Como já enfatizado anteriormente, a Lei 9.099/95 estabelece mecanismos de conciliação para dar conta da denominada “pequena criminalidade”, que, ainda que passasse pelas delegacias de polícia, muitas vezes não chegava ao Poder Judiciário, e tem também, por função, desafogar as Varas Criminais comuns, que julgam os delitos considerados de maior ofensividade jurídica, como homicídios, estupros, roubos etc. A medida da Lei para definir quais são os delitos considerados como de menor potencial ofensivo, como também já mencionado, é a pena a eles aplicada: crimes com pena máxima não superior a um ano – alterada posteriormente para dois anos – e as contravenções penais (art. 61), dentre os quais estão os crimes de lesão corporal de natureza leve e o de ameaça. Tal caracterização implica que tanto o crime cometido, ameaça e/ou lesão, quanto o bem jurídico protegido, integridade física ou saúde e integridade emocional, são de pouca danosidade social ou potencialidade ofensiva, ou seja, não causam danos graves à pessoa, capazes de justificar uma maior repressão.

A relação entre a violência doméstica e os Juizados Especiais Criminais surge porque a maioria dos delitos cometidos contra as mulheres tipifica-se naqueles de pena máxima de um ano, ou seja, são de competência dos Juizados Especiais Criminais. E aqui se insere nosso objeto de pesquisa: tais delitos são tipicamente cometidos nos conflitos de gênero e mais especificamente na violência contra as mulheres, ocorrida no âmbito doméstico, ou seja, a violência doméstica.

Cecília de Mello e Souza e Leila Adesse enfatizam que ao se considerar a violência contra as mulheres como de menor potencial ofensivo, retrocede-se na história de reivindicação

111 GRINOVER, Ada Pellegrini et al. Juizados especiais criminais: comentários à lei 9.099, de 26.09.1995. op. cit. p. 134.

dos movimentos de mulheres e de especialistas sobre o tema, que lutaram para criminalizar a sempre banalizada violência contra as mulheres112.

Ainda segundo as autoras, desde o início da aplicação da lei que instituiu os Juizados Especiais Criminais, os casos de mulheres vítimas de violência já atingem cerca de 70% dos processos recebidos nos mesmos. Ressaltam que a Lei 9.099/95, na prática, reverte-se na mercantilização das penas, através de conciliações entre as partes que incluem, por exemplo, o pagamento de cestas básicas113. Foi o que enfatizou Marina, nossa entrevistada, pois, segundo ela, “o tanto que sofri para chegar até aqui (no fim do processo) e eles condenam ele a pagar 60 reais em cesta básica, achei isso um absurdo”114.

Para Carmem Hein de Campos, a Lei 9.099/95 tem como paradigma a conduta masculina, isto é, a conduta delitiva de um homem contra outro homem. Sobre o qual se assenta a Lei, apresentando assim um déficit teórico comum a toda a criminologia brasileira, que pode ser traduzido pela não-acolhida da criminologia feminista. Esse déficit pode ser comprovado quando se analisa a atual operacionalidade da Lei: ocorre o arquivamento massivo dos processos, a reprivatização do conflito doméstico e a redistribuição do poder aos homens, mantendo-se a hierarquia e a assimetria de gênero115.

A autora ressalta que, anteriormente à Lei 9.099/95, os crimes de lesão corporal e ameaça, delitos típicos da violência doméstica, eram julgados pelo procedimento comum. A mulher registrava a ocorrência em uma Delegacia de Polícia e formava-se o inquérito policial. Fazia-se o exame de corpo delito (nos crimes com lesão), o agressor era chamado, prestavam-se os depoimentos, ouviam-se as testemunhas e o processo era encaminhado ao Ministério Público para o oferecimento da denúncia. A nova Lei alterou profundamente esse procedimento, uma vez que permitiu que a violência contra as mulheres fosse publicizada, já que, antes da nova Lei, a violência doméstica dificilmente chegava ao Judiciário. As Delegacias de Polícia funcionavam

112 SOUZA, Cecília de Mello e. ADESSE, Leila (Org.). Violência sexual no Brasil: perspectivas e desafios. Brasília: Secretaria Especial de Políticas Públicas para as Mulheres, 2005.188p. p. 61.

113 Ibid., p. 62

114 Marina, mulher espancada. Montes Claros, junho/2008.

115 CAMPOS, Carmen Hein de. Juizados Especiais Criminais e seu déficit teórico. In: Revistas Estudos Feministas. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina. Centro de Filosofia e Ciências Humanas. V. 17, n.º 1-2003. P. 155- 170. p. 156.

como conciliadoras que procuravam diminuir a gravidade do caso, ou eram acionadas para dar “um susto” nos homens, ou simplesmente engavetavam o caso. Hoje, a remessa obrigatória ao Poder Judiciário permite visualizar a dimensão do problema116.

Entretanto, uma questão, sobre a referida Lei, permeia o universo das pesquisadoras da violência de gênero: pode-se considerar a violência contra as mulheres como um delito de menor potencial ofensivo?

Recorrendo novamente a Carmen Hein de Campos, a mesma enfatiza que ao se denominar a violência doméstica como delito de menor ofensividade, não se está reconhecendo as implicações dessa violência: o grau de comprometimento emocional a que as vítimas estão submetidas por se tratar de um comportamento reiterado e cotidiano, o medo paralisante que as impede de romperem a situação violenta, a violência sexual, o cárcere privado e outras violações de direitos que geralmente acompanham a violência doméstica. A conceituação dogmática de lesão corporal ou ameaça, ao não incorporar o comprometimento emocional e psicológico, os danos morais advindos de uma relação habitualmente violenta, nega o uso da violência como mecanismo de poder e de controle sobre as mulheres; ignora também a escalada da violência doméstica e seu grau de ofensividade117.

Outro ponto que a autora ressalta e que é de grande relevância refere-se ao momento da conciliação, pois, para os defensores da referida Lei, esse é o grande momento para a vítima, uma vez que ela pode ser ressarcida pelos danos sofridos; entretanto, questionamos: multas, pagamentos de cestas básicas, trabalhos comunitários repararia a dor física e psicológica que a mulher vítima de violência sofre cotidianamente, por períodos dos mais variados?

Concordamos com a autora supracitada, ao mencionar que nesses casos de violência doméstica não se trata de ressarcimento de danos, mas de conseguir o fim das agressões, a mudança de atitude dos agressores. As mulheres vítimas de violência doméstica, em geral, convivem com os agressores e não querem uma indenização por danos, mas uma medida capaz de diminuir a violência e garantir sua segurança118.

Em outro artigo sobre o tema, Carmen Hein de Campos aborda dois outros aspectos essenciais aos Juizados Especiais Criminais e à violência contra as mulheres: a questão do desfavorecimento da vítima e a da representação no processo, instituído com a referida Lei. Com

116 Ibid., p. 160. 117 Ibid., p. 163. 118 Ibid., p. 164 e 165.

relação ao deixar de favorecer a vítima, a autora ressalta que a Lei 9.099/95 foi criada para beneficiar o réu, evitando-lhe todos os males de um processo penal. Esse favorecimento está presente em todos os institutos da Lei, como a conciliação, a transação penal (aplicação imediata da pena) e a suspensão condicional do processo (transação processual penal), sem implicar em culpabilidade ou antecedentes criminais. Quanto à vítima, ela não existe. Há apenas um momento processual em que a vítima é ouvida: no momento da composição civil, em que ela pode aceitar a composição civil por danos. No entanto, esta também depende da aceitação do autor do fato (agressor): se ele não concordar, não há composição119.

Em contraposição, Ada Pellegrini Grinover e outros enfatizam que em vários pontos essa Lei prestigiou a vítima, dando papel de relevo à mesma ao prever o acordo civil e ao estimular a sua presença na fase preliminar, aumentando as hipóteses de representação, ficando assim a acusação condicionada à manifestação de vontade da vítima, o que aumenta sua força no sistema. Também beneficia a vítima ao inovar com a previsão de renúncia ao direito de representar ou de oferecer queixa em razão do acordo civil, pois estimulou a realização dos acordos, aumentando a chance de a vítima ser reparada, sendo ressarcida pelos danos causados120. Entretanto, segundo Carmen Hein de Campos, a pesquisa por ela realizada permite dizer que o Juizado Criminal não oferece a solução de que as mulheres necessitam. A Lei, ao ter a preocupação exclusiva com os réus, esqueceu de olhar e ouvir as vítimas. Mulheres são obrigadas a sair de suas casas, refugiar-se ou em casas de apoio, casas-abrigo ou na casa de amigos ou parentes, carregando seus filhos, enquanto os homens continuam na posse da casa e dos bens móveis, perseguindo e ameaçando.

A criação dos Juizados Especiais, ao devolver ao Poder Judiciário o julgamento de delitos que eram informalmente conciliados, mas não contidos, nas Delegacias de Polícia criou expectativas de resolução imediata e eficaz. No entanto, com a renúncia ao direito de representar obtida pela conciliação “induzida” pelo magistrado, a expectativa é anulada. Dessa forma, se por um lado os Juizados deram visibilidade à violência praticada na unidade doméstica, contra as mulheres, por outro não lhes conferiram tratamento diferenciado. Se antes a violência doméstica não se constituía processualmente, hoje ela não é processada. O sistema penal inverte o ônus da

119 CAMPOS. Carmen Hein de. Violência doméstica no espaço da lei. In: BRUSCHINI, Cristina. PINTO, Célia Regina. (Orgs.). Tempos e lugares de Gênero. São Paulo: FCC: Ed. 34. 2001. p. 316.

120 GRINOVER, Ada Pellegrini et al. Juizados especiais criminais: comentários à lei 9.099, de 26.09.1995. op. cit. p. 85

prova, não escuta as vítimas, recria estereótipos, não previne novas violências e não contribui para a transformação das relações hierárquicas de gênero nem para uma nova compreensão da própria lei penal121.

A autora enfatiza ainda que as medidas despenalizantes propostas pela Lei representam uma visão inovadora no campo penal, porém não aplicáveis aos casos de violência doméstica, porque pensadas a partir dos agressores e não das vítimas. Não protegem as vítimas de futuras agressões nem por um curto espaço de tempo. Previnem os agressores dos efeitos danosos do sistema penal, mas penalizam as vítimas pela ausência de medidas capazes de impedir novas violações dos direitos das mulheres. O arquivamento massivo dos processos denuncia a permanência do senso comum teórico operando nos juizados. Não se julga a violência doméstica, mas a permanência ou não do casamento ou da união familiar. “Reprivatiza-se o conflito”122.

Diante de tantos déficits no combate à violência contra as mulheres, em 2002, ocorreu uma mudança no art. 69 da Lei 9.099/95, que passou a ter uma nova redação com a inclusão em seu parágrafo único da Lei 10.455/02, permitindo expressamente que nas infrações penais de menor potencial ofensivo que caracterizassem violência doméstica, poderia o juiz determinar, como medida cautelar, o afastamento do autor da agressão do lar, domicílio ou local de convivência com a vítima. A inovação – inspirada certamente em previsão já constante do Código de Processo Civil (art. 888, inc. VI), que possibilitava ao juiz ordenar ou autorizar, na pendência da ação principal, ou antes, de sua propositura, o afastamento temporário de um dos cônjuges da morada do casal – justifica-se pela evidente necessidade de se evitar, nesses casos, que a continuidade da convivência doméstica represente fator de reiteração da conduta criminosa. A aplicação da medida no âmbito criminal não será limitada, todavia, às hipóteses de atos de violência envolvendo os cônjuges ou companheiros, cabendo igualmente em relação a ações praticadas contra qualquer parente ou outra pessoa que coabite com o autor do fato.

Tal proposição deveria constar desde o início da Lei 9.099/95 e não sete anos após sua efetivação e aplicabilidade na nossa sociedade. O acréscimo feito se deu perante as várias reivindicações das feministas que lutam pela igualdade jurídica no âmbito judicial.

Com relação à exigência da representação da vítima nos crimes de lesão corporal, muitas são as controvérsias nos debates das pesquisadoras dos conflitos de gênero. A

121 CAMPOS. Carmen Hein de. Violência doméstica no espaço da lei. op. cit. p.318 e 319.

representação jurídica123 significa o desejo expresso da vítima em processar criminalmente o agressor. Se não há a manifestação da vítima, o Termo Circunstanciado não é encaminhado ao Juizado. Quanto a esse aspecto, é importante mais uma vez enfatizar que no procedimento anterior à Lei 9.099/95 o crime de lesão corporal era de ação pública, isso significa que o Ministério Público, ao tomar ciência do crime, mediante o inquérito policial, oferecia a denúncia independente do desejo da vítima. Esse novo procedimento tem dividido o movimento feminista: de um lado, os/as que entendem que o procedimento adotado nos casos de violência deva permanecer não condicionado à representação, o que impediria a pressão do agressor para que “retirasse a denúncia”. Em argumentação contrária, há os que entendem que as mulheres, ao dispor da possibilidade de representar, têm o poder em suas mãos, podendo usá-lo conforme seu desejo124. Carmen Hein de Campos também se posiciona favoravelmente à possibilidade da representação obedecer ao desejo da vítima, pois esse é o único momento em que ela é sujeito do processo penal125.

Até o advento da Lei, o crime de lesão corporal era de ação pública incondicionada, isto é, processava-se independentemente do desejo da vítima, por atividade do Ministério Público mediante a denúncia (desde que houvesse prova da materialidade e indícios de autoria suficientes), mas o que se observava, na prática, era que nem o inquérito policial era feito nem a denúncia era oferecida. O argumento para esse procedimento “ao arrepio da lei” era de que a vítima raramente queria processar o agressor, mas esperava que a autoridade policial atuasse como um freio à conduta violenta.

Assim, ocorria que, nos casos de lesão corporal, os processos eram de fato “suspensos” nas Delegacias de Polícia. A conciliação pré-processual se dava sem a participação do Ministério Público ou do Poder Judiciário. As Delegacias de Polícia cumpriam uma função de negociação e conciliação contrária a sua atuação legal. Então, mesmo havendo a obrigatoriedade do inquérito e da denúncia, o fato é que, em certa medida, as delegacias realizavam o desejo das

123 Diferentemente da “representação social”, termo amplamente trabalhado em nossa pesquisa, a representação jurídica está relacionada à reclamação escrita contra um fato ou uma pessoa, geralmente ao Ministério Público, quando a lei exige que o ofendido noticie a ofensa. Cf. DIAS, Maria Berenice. Disponível em

www.mariaberenicedias.com.br . Acesso em 25/06/2007.

124 LARRAURI, Elena. Control informal: las penas de las mujeres”. In: Mujeres, Derecho Penal y Criminologia. Madrid: Siglo Veintiuno, 1994. p. 1-16.

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mulheres de “suspender o processo”, quer dizer, mesmo de forma enviesada, a representação (informal) já existia. Esse é um aspecto. O outro diz respeito à obrigatoriedade da ação propriamente dita. A propositura da ação, independente do desejo da vítima, significa a exclusão da vítima como parte autônoma no processo. Ao ser substituída por um ente (o Ministério Público), as mulheres ficam sem expressão, sem participação alguma no desenrolar do processo, expropriadas do conflito, absolutamente sem poder. A expropriação da vítima do processo penal é a regra. A representação, por sua vez, devolve o poder às mulheres, mesmo que em alguns momentos ela possa não exercê-lo. Se houver conciliação, esta será feita pelo juiz e não mais pela Delegacia de Polícia126.

Em perspectiva contrária, Maria Berenice Dias ressalta que:

Ao ter condicionado o delito de lesão corporal leve e culposa à representação do ofendido, o Estado omitiu-se de sua obrigação de agir, transmitindo à vítima a iniciativa de buscar a punição de seu agressor segundo critério de mera conveniência. Ora, em se tratando de delitos domésticos, tal delegação praticamente inibe o desencadeamento da ação quando o agressor é marido ou companheiro da vítima127.

Sobre a questão da representação, Ada Pellegrini Grinover e outros ressaltam que tal questão é um avanço, pois a partir dela está ao inteiro dispor da vítima a iniciativa da ação; é ela quem decide sobre a conveniência ou oportunidade de iniciar o processo ou não128.

Em parte concordamos com a importância de as mulheres representarem nos casos de violência contra as mulheres; entretanto, além de querer delegar às mulheres esse poder como uma vitória conquistada, acreditamos ser essencial pensar como se passa tal violência a ponto de as vítimas quererem representar contra seus agressores, geralmente um conhecido com quem estabelece laços de intimidade. Não podemos analisar simplesmente a necessidade da vítima em se tornar sujeito da situação, mas sim todo o contexto presente nos conflitos de gênero. A mulher agredida, muitas vezes, não consegue denunciar por medo de retaliações, por pensar nos filhos e negar a si própria, por ter que se manter em uma vida de dependência econômica e também pelo possível sentimento que a une ao agressor.

126 Ibid., p. 308.

127 DIAS, Maria Berenice. O estupro da lei. Disponível em www.mariaberenicedias.com.br . Acesso em 30/04/2008.

128 GRINOVER, Ada Pellegrini et al. Juizados especiais criminais: comentários à lei 9.099, de 26.09.1995. op. cit. p. 233.

Todos esses fatores devem ser pensados ao se tratar dos casos de denúncia da violência contra as mulheres. Assim, nos posicionamos contrariamente à questão da representação não apenas por opção política, mas por compreender que a maioria dos casos ocorridos no que tange à violência contra as mulheres permanece obscuro pelo fato de o processo só ir adiante se a vítima manifestar tal intento, considerando-se que várias questões como as mencionadas anteriormente contribuem para que isso não ocorra. Também por pensarmos que, se fosse assim tão necessária a representação, a mesma não seria abolida com a reivindicação de muitas feministas. A dúvida entre representar ou não está apenas ligada aos direitos das mulheres, mas aos direitos universais dos seres humanos.

As dúvidas sobre o aspecto da representação permanecem, as discussões também, entretanto, para aquelas/es que não concordam com a necessidade de representação por parte da vítima nos conflitos de gênero, o respaldo veio com o advento da Lei 11.340/06, denominada Lei Maria da Penha, que trouxe inovações talvez nunca vistas na história do combate à violência contra a mulher, como, por exemplo, a inaplicabilidade da Lei 9.099/95 no que concerne à violência contra as mulheres. Um Juiz, em uma palestra proferida em Montes Claros, ressalta que, para ele, o que a Lei Maria da Penha teve de mais importante foi abolir a aplicação da Lei 9.099/95 nos casos de violência contra as mulheres, pois nesses juizados esse tipo de violência era alvo de preconceitos e estereótipos, sendo por vezes até incentivada devido à impunidade.