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THE LEGISLATIVE THEATER: A POPULAR PERSPECTIVE IN THE CONSTRUCTION OF A BRAZILIAN LAWS

1. AS LEIS NO BRASIL

1. AS LEIS NO BRASIL

A feitura de leis na República Federativa do Brasil, após a constituição de 1988, dá-se de diferentes maneiras. A Constituição Federal brasileira, na dá-seção VII, regula todos os procedimentos para a elaboração do ordenamento jurídico brasileiro, dispondo entre os artigos 59 ao 69 as regras para a propositura, apreciação e aprovação das propostas de Lei., materializando o sentido sociológico e jurídico compreendido por TAVARES (2017, pág. 1023) que diz que “sociologicamente, processo legislativo ‘refere-se ao conjunto de fatores reais ou fáticos que põem em movimento os legisladores e ao modo como eles costumam proceder ao realizar a tarefa legislativa’. Seria a sociologia do processo legislativo”. Nesse sentido estaria “preocupada em identificar e analisar diversas ocorrências presentes no decorrer da formação das leis, como a pressão popular, a mídia,

140 os grupos de pressão, [...] e outros tantos fatores que circundam a elaboração das leis”.

No sentido jurídico “o processo legislativo insere-se na noção ampla de processo, de Direito Processual [...] ‘o direito regula a sua própria criação’[...]. O processo legislativo, por certo, é o processo pelo qual ocorre a criação das leis (em sentido amplo)”.

O processo é composto de várias fases, que são: fase introdutória, que é a iniciativa;

fase constitutiva, que é a deliberação e a sanção; e a fase complementar, que é a promulgação e publicação. A iniciativa pode ser de iniciativa “parlamentar e extraparlamentar”. A primeira compreende os parlamentares e presidente, a segunda compreende os Tribunais Superiores, Ministério Público e os demais cidadãos (iniciativa popular). Grande avanço se faz com relação a lei de iniciativa popular para a democracia, que a Constituição consagrou no artigo 61 parágrafo 2°. São requisitos da lei de iniciativa popular: mínimo de 1% do eleitorado nacional; assinantes distribuídos em pelo menos cinco Estados; mínimo de 0,3% de assinaturas do eleitorado de cada um dos Estados.

A Lei Complementar n° 95 de 26 de fevereiro de 1998 trouxe a sistematização do processo legiferante. O artigo 59 da Constituição previa tal medida para disciplinar de forma mais específica os procedimentos das feituras das leis. Essa Lei Complementar traça os principais requisitos, formas de redação e alteração das leis.

Cabe destacar que a fase de iniciativa pode ser conjunta ou exclusiva, prevista no artigo 61, parágrafo 1°. Também há previsão de iniciativa conjunta, que foi inserida pela Emenda Constitucional n° 19/ 98, que alterou o artigo 48 da Constituição para prever que a fixação do subsídio dos Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) deveria ser conjunta dos presidentes (Presidente do Brasil, presidente do Senado, presidente da Câmara dos Deputados e do STF).

No 59ª artigo da Constituição Federal, estão incluídas as possibilidades que compreendem a elaboração das normas jurídicas que podem ser as emendas à Constituição, leis complementares, leis ordinárias, leis delegadas, medidas provisórias, decretos legislativos e resoluções.

A Emenda à constituição poderá ser proposta pelo Senado ou Câmara dos Deputados. Para isso será necessário um terço dos membros de cada casa. Poderá ser proposta pelo Presidente da República. Poderá ser proposta por mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades da federação. Na fase do plenário, exige-se quórum qualificado, ou seja, três quintos (3/5), e será posta em discussão e votação em

141 dois turnos em cada casa. A Emenda se transforma em norma constitucional, tem status das demais normas da constituição. Cabe ainda ressaltar que ela tem limitações, sendo prevista no artigo 60, no seu parágrafo 4°, considerado cláusulas pétreas.

A lei complementar, nas palavras de TAVARES (2017, pág. 1044):

Algumas matérias hão que o legislador constituinte entendeu serem importantes, mas para cuja alteração reconheceu a necessidade de ser mais flexível, deixando de inseri-las no contexto constitucional. Não obstante isso, não se pretendeu deixar para regulamentação de lei ordinária o tratamento desses temas. Foi por isso que se criou a espécie normativa denominada lei complementar.

Dois são os elementos conceituais da lei complementar: 1°) matéria própria;

2°) quorum próprio. Por isso CELSO BASTOS conceitua essa espécie normativa, em monografia específica sobre o tema, como “toda aquela que contemple uma matéria a ela entregue de forma exclusiva e que, em consequência, repele normações heterogêneas, aprovada mediante um quorum próprio de maioria absoluta”.

A medida provisória tem como antecedente o decreto-lei. A medida provisória é cabível de forma excepcional, sendo utilizada pelo Chefe do executivo. O artigo 62 da Constituição prescreve que a medida provisória pode ser adotada nos casos de relevância e urgência. A relevância está ligada a satisfação dos interesses da sociedade, interesse público; a urgência está ligada ao não aguardo do processo de feitura pelo Congresso, que causaria dano irreversível. Deverá ser submetida à apreciação do legislativo, tendo validade por sessenta dias, sendo prorrogado pelo mesmo período. Ela, após ser analisada e aprovada pelo Congresso, poderá se transformar em lei ordinária. Sofre algumas vedações de matérias, que constam nos parágrafos 1° e 2° do artigo 62 da constituição.

A lei delegada é, de acordo com TAVARES (2017, pág. 1064), “o ato normativo cuja produção advém do Chefe do Poder Executivo, com base em expressa e específica autorização (delegação) por parte do Poder Legislativo”. Continua TAVARES (pág.

1065):

Existem algumas hipóteses e matérias que a Constituição, preventivamente, já afastou da possibilidade de delegação legislativa. Assim, não podem ser objeto de delegação legislativa: 1°) os atos de competência exclusiva do Congresso Nacional; 2°) os atos de competência privativa da Câmara dos Deputados; 3°) os atos de competência privativa do Senado Federal; 4°) a matéria reservada a lei complementar; 5°) a matéria sobre organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, carreira e garantias de seus membros; 6°) a matéria sobre nacionalidade, cidadania, direitos individuais, políticos e eleitorais; 7°) a matéria relacionada aos planos plurianuais, diretrizes orçamentárias e orçamentos.

Encaminhada a solicitação presidencial, o Congresso Nacional deverá votá-la.

A delegação será instrumentalizada na forma de resolução.

142 A resolução deverá especificar o conteúdo da lei delegada e os termos de seu exercício.

O decreto legislativo é ato normativo próprio para veicular as matérias de competência exclusiva do Congresso Nacional. O artigo 49 da Constituição o prevê, no inciso I, prescreve que pelo decreto se resolve definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromisso gravosos ao patrimônio social. (TAVARES, 2017, pág. 1066)

A resolução é ato normativo pelo qual se veiculam matérias próprias do Congresso Nacional e de qualquer de suas casas, são de efeitos interna corporis.

Essa previsão se perfaz por todos os entes da Federação (União, Estados e Municípios), que deverão seguir os parâmetros nas feituras de leis, quando couber, pois, prevista suas competências.